Íamos esperando, intercalados pela acalmia,
Contudo apressados por pegadas passadas,
O brilho opaco revirando-se no fulgir do baço,
E ao seu néctar polinizado, somente eu sabia,
Onde o murmúrio do vento deixou pegadas,
Na incerteza minha certeza e enfim, o nítido traço,
Ao desconhecer ser no rotineiro e mundano,
Era uma onda de âmbar ao tempo olvidada,
Contudo reflectindo ouro ao seu contacto solar,
Como que inebriado por porções de láudano,
Dando passo a passo, sonhando estar acordada,
Era assim que passava ligeiramente este passar,
Na infinda busca de significado e aceitação,
Num prenúncio ao crepúsculo e ao amanhecer,
Agraciado pela partilha desta praia tão bonita,
No sítio onde esvoaçáveis no abraço do Verão,
Onde caminhávamos de mão dada, num só ser,
E o depois era fulgência apesar de incógnita,
Lá... lá onde o murmúrio do vento lega pegadas,
Esse cenário é só meu e é o que nos torna reais,
E a sua entrevinda o gradual circulo reaberto,
Nessa suave brisa de tardes de Verão ancoradas,
Prisioneiro no enlevamento que me providenciais,
Em cela com vista para o ontem e para o incerto,
Vamos deixando rumos e partindo antes de chegar,
Esse progresso, é o sossegar do inquieto e desassossegado,
E à deífica mistura deste meu palato com o vosso gosto,
Sou sentimento em perdição e em fremente ofegar,
O infortúnio de Adão por fim nítido e delineado,
Nas maçãs e nas rugas, nas rugas das maçãs do rosto,
Quando vós chegardes a casa enfim, sairemos.
Então beijai-me os olhos e abri-me as pálpebras,
Fechai-me os olhos e beijai-me as pálpebras,
Beijai-me os olhos e reabri-me,
Cerrai-me o olhar,
Beijai-me…
Blog de um músico e poeta português onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Do Suspirar: O Rodopio Daquela Canção
Eu que do Universo testemunhei sua maravilha,
Tragando em mim seu âmbar estação a estação.
Porém de toda essa passagem e enfim partilha,
São ainda vossos lábios minha ânsia e perdição;
Amor, sois o saudoso suspiro que ainda inspiro,
Osculai-me pois a alma e quebrai-me o coração,
Vosso ombro concedei-me como porto de abrigo,
Lembrai-me o rodopio próprio da nossa canção;
A meus pés tombada jaz a pitoresca Primavera,
Este peito, urna para as cores e sua reminiscência,
O meio eu que tarda no que o ontem lhe trouxera,
Vós, sumptuosa sílfide haveis sorvido minha Alma,
E silenciado meu Viver com esta terna ausência,
Em melancolia aspiro do sepulcro a sua calma.
Tragando em mim seu âmbar estação a estação.
Porém de toda essa passagem e enfim partilha,
São ainda vossos lábios minha ânsia e perdição;
Amor, sois o saudoso suspiro que ainda inspiro,
Osculai-me pois a alma e quebrai-me o coração,
Vosso ombro concedei-me como porto de abrigo,
Lembrai-me o rodopio próprio da nossa canção;
A meus pés tombada jaz a pitoresca Primavera,
Este peito, urna para as cores e sua reminiscência,
O meio eu que tarda no que o ontem lhe trouxera,
Vós, sumptuosa sílfide haveis sorvido minha Alma,
E silenciado meu Viver com esta terna ausência,
Em melancolia aspiro do sepulcro a sua calma.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
O Toque: Do Universo nos Refluentes
Sim outrora fui… outrora fui o Sonho,
Hoje sou Alma oblonga por etéreo rio,
E de margem a margem o transponho,
Retendo em mim a centelha do Estio,
Do Céu, a mais brilhante flor estrelada,
Da grinalda reluzente por Ema colhida,
A menina do rio pela Vida enamorada,
Que num ido dia se deu como perdida,
No rumo diante a viagem face ao Inteiro,
Ela, Ósculo nos infantes das supernovas,
E nesse infindo refluir tão célere e ligeiro,
Tragos de um pouco de mar e brisa cerúlea,
Somos aí refluentes, as melodias em trovas,
Que o Universo recita nesta una tertúlia.
Hoje sou Alma oblonga por etéreo rio,
E de margem a margem o transponho,
Retendo em mim a centelha do Estio,
Do Céu, a mais brilhante flor estrelada,
Da grinalda reluzente por Ema colhida,
A menina do rio pela Vida enamorada,
Que num ido dia se deu como perdida,
No rumo diante a viagem face ao Inteiro,
Ela, Ósculo nos infantes das supernovas,
E nesse infindo refluir tão célere e ligeiro,
Tragos de um pouco de mar e brisa cerúlea,
Somos aí refluentes, as melodias em trovas,
Que o Universo recita nesta una tertúlia.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
A Ema V Pt. II: A Tela Colorida em Palavras
Esse ornato, é o semblante da centelha,
Que fulgente pulsa nos elísios infantes,
E no simples essa simplicidade espelha,
Os escritos deixados por outros viajantes,
Eu sou um deles, venho das claves primaveris,
Sou o poeta das cores pois pincelo palavras,
Na tela que é o mundo em toques tão subtis
Que tu, o um de todos os sonhos enquadras,
Nessa tela, onde se misturam todos os sentidos,
Numa valsa de colorações espargidas em letras,
Onde como frases, sou os encontrados e perdidos,
Sim esses, os que apenas são eu para lá do Sonhar,
Instantes sou nesse meio onde a cor então se soletra,
Naquele eterno entre o primeiro beijo e o último Amar.
Que fulgente pulsa nos elísios infantes,
E no simples essa simplicidade espelha,
Os escritos deixados por outros viajantes,
Eu sou um deles, venho das claves primaveris,
Sou o poeta das cores pois pincelo palavras,
Na tela que é o mundo em toques tão subtis
Que tu, o um de todos os sonhos enquadras,
Nessa tela, onde se misturam todos os sentidos,
Numa valsa de colorações espargidas em letras,
Onde como frases, sou os encontrados e perdidos,
Sim esses, os que apenas são eu para lá do Sonhar,
Instantes sou nesse meio onde a cor então se soletra,
Naquele eterno entre o primeiro beijo e o último Amar.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
A Ema V: A Brisa que Sopra Poesia
Vem a brisa ligeira de um poema,
Abrem-se as chuvas e os abrolhos,
Do outro lado das nuvens sorri Ema,
Beijando o dia, verte-se nestes olhos;
Havia colhido luz para a sua grinalda,
Ornada a poente erra no fio do vento,
A aurora reflecte o seu olhar esmeralda,
Que do próprio Sonho se tornou sustento;
Vejo-a nítida, soprando às nuvens pétalas,
E tenho-a, neste retrato que já nem é retrato,
É extensão de alma e esvoaçar de borboletas,
Pela poeira do tempo… e como o tempo é ingrato,
Porém resta em escritos, pelo vaguear dos poetas,
E é aí que a brisa sopra poesia, forjando seu ornato.
Abrem-se as chuvas e os abrolhos,
Do outro lado das nuvens sorri Ema,
Beijando o dia, verte-se nestes olhos;
Havia colhido luz para a sua grinalda,
Ornada a poente erra no fio do vento,
A aurora reflecte o seu olhar esmeralda,
Que do próprio Sonho se tornou sustento;
Vejo-a nítida, soprando às nuvens pétalas,
E tenho-a, neste retrato que já nem é retrato,
É extensão de alma e esvoaçar de borboletas,
Pela poeira do tempo… e como o tempo é ingrato,
Porém resta em escritos, pelo vaguear dos poetas,
E é aí que a brisa sopra poesia, forjando seu ornato.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Deus Sorri: No Simplesmente Ser
Somos ilhas, cedidas a mares tumultuados,
Deixando em suas pegadas beijos ao vento,
Preenchidas pelos passageiros já elipsados,
Porém presentes em restos que neste alento,
Neste fôlego que estende as velas adiante,
Através da multitude de trilhos desta viagem,
No infindo que não chega e vai num instante,
E parece mais um ir e vir pela mesma miragem,
Sim o inevitável, é perfeito quando acontece,
O acontecer é inevitável, é principio, é aragem,
Serei o espaço para esse milagre que entretece,
A beleza tão precisa deste ângulo nesta passagem,
Seja ele qual for, é perfeito ao ser, o divino enaltece,
Deus sou eu se me deixar ser... o restante é paragem.
Deixando em suas pegadas beijos ao vento,
Preenchidas pelos passageiros já elipsados,
Porém presentes em restos que neste alento,
Neste fôlego que estende as velas adiante,
Através da multitude de trilhos desta viagem,
No infindo que não chega e vai num instante,
E parece mais um ir e vir pela mesma miragem,
Sim o inevitável, é perfeito quando acontece,
O acontecer é inevitável, é principio, é aragem,
Serei o espaço para esse milagre que entretece,
A beleza tão precisa deste ângulo nesta passagem,
Seja ele qual for, é perfeito ao ser, o divino enaltece,
Deus sou eu se me deixar ser... o restante é paragem.
Do Ver Pt. III: Aos Ilhéus como as Cores do Arco-íris
Acordado para o sol, ainda dormia,
Entre a terra e o céu num belo arco,
Era outra nota da universal sintonia,
Tendo a chuva e a luz como barco,
És Deus pois tocas-me com beleza,
Em mim doutrina, principio e crença,
Vives no beijo dos arco-íris, na pureza,
Do olhar que Vê e sabe sua pertença,
Onde alguns ainda se vertem pelo céu,
Suas essências coloram o brilho do dia,
Sobem e acima, elevam do Belo seu véu!
Não sois reais, sois a concreção de magia,
Sois o Ósculo do cerúleo, de ilhéu em ilhéu,
Pois em cada um, uma nova cor então surgia.
Entre a terra e o céu num belo arco,
Era outra nota da universal sintonia,
Tendo a chuva e a luz como barco,
És Deus pois tocas-me com beleza,
Em mim doutrina, principio e crença,
Vives no beijo dos arco-íris, na pureza,
Do olhar que Vê e sabe sua pertença,
Onde alguns ainda se vertem pelo céu,
Suas essências coloram o brilho do dia,
Sobem e acima, elevam do Belo seu véu!
Não sois reais, sois a concreção de magia,
Sois o Ósculo do cerúleo, de ilhéu em ilhéu,
Pois em cada um, uma nova cor então surgia.
sábado, 28 de janeiro de 2012
Do Ver Pt. II: O Reflexo das Cores Sem Nomes
Na procura de cores sem nomes
Onde o especial seja o indizível
Que o cosmos se atinja em epítomes
No reflexo desta íris e no indescritível,
Preenchido em anos o passageiro,
E trilhos sem mapas azuis que passam,
Advindo em apêndices rumo ao inteiro,
São as estações que o semblante traçam;
Alguns de nós ainda olham para o céu,
Esperando pelo instante, pelo seu tudo,
Que seja aqui e em mim, que seja eu!
No arco da íris aquela, a luz reflectida,
Neste eu que é tão pouco e contudo,
Com o resto, é maior que a própria vida.
Onde o especial seja o indizível
Que o cosmos se atinja em epítomes
No reflexo desta íris e no indescritível,
Preenchido em anos o passageiro,
E trilhos sem mapas azuis que passam,
Advindo em apêndices rumo ao inteiro,
São as estações que o semblante traçam;
Alguns de nós ainda olham para o céu,
Esperando pelo instante, pelo seu tudo,
Que seja aqui e em mim, que seja eu!
No arco da íris aquela, a luz reflectida,
Neste eu que é tão pouco e contudo,
Com o resto, é maior que a própria vida.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Do Ver: O Reflexo da Passagem
Em multicor, a íris o mundo captura,
E a asa do Sonho alastra sua fragrância,
Pelo rascunho, do molde para a gravura,
Que passa por além e transpõe a distância,
Do aqui em diante e para lá do inteiro,
O eu é pouco, mas neste eu e no resto,
Há tudo, da noite à luz de um candeeiro,
Entre o gémeo simétrico, apenas um gesto;
Gesto esse que passou e passará um dia,
Entre o sol e o seu ofuscar no contínuo ser,
E nessa passagem há de novo harmonia,
Mesmo quando cessarem as nossas cores,
E ressoar o silêncio… convém não esquecer,
A luz é pincel na íris, do reflexo somos pintores.
E a asa do Sonho alastra sua fragrância,
Pelo rascunho, do molde para a gravura,
Que passa por além e transpõe a distância,
Do aqui em diante e para lá do inteiro,
O eu é pouco, mas neste eu e no resto,
Há tudo, da noite à luz de um candeeiro,
Entre o gémeo simétrico, apenas um gesto;
Gesto esse que passou e passará um dia,
Entre o sol e o seu ofuscar no contínuo ser,
E nessa passagem há de novo harmonia,
Mesmo quando cessarem as nossas cores,
E ressoar o silêncio… convém não esquecer,
A luz é pincel na íris, do reflexo somos pintores.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
A While
On the door I heard a knock,
Late it was on the clock,
But outside the storm was falling,
And a man in worn shoes,
Forgot to pay all Her dues,
And perhaps I’ve already met him elsewhere,
And the stranger did confess,
“Tonight I’m your guess”,
And I guess everybody changes a while,
From somewhere, where She does lay,
(With) a tattered dress (yet) a flourished bouquet,
When even the wind delays to answer her own calling,
Of purest Life pouring within,
Fully released from man-made sin,
The first rainbow upraised from this very place ,
Then the stranger did confess,
“Tonight I’m your guess”,
And I guess everybody changes a while,
“Hear me now my warm friend,
For somewhere lies our end,
But you know everything lasts for a while”,
Then his eyes did dilate,
Upturning to find their fate,
And I swear that I could see them shining,
In a hill away from town,
He was lost, I was found,
And to think everybody changes a while.
Late it was on the clock,
But outside the storm was falling,
And a man in worn shoes,
Forgot to pay all Her dues,
And perhaps I’ve already met him elsewhere,
And the stranger did confess,
“Tonight I’m your guess”,
And I guess everybody changes a while,
From somewhere, where She does lay,
(With) a tattered dress (yet) a flourished bouquet,
When even the wind delays to answer her own calling,
Of purest Life pouring within,
Fully released from man-made sin,
The first rainbow upraised from this very place ,
Then the stranger did confess,
“Tonight I’m your guess”,
And I guess everybody changes a while,
“Hear me now my warm friend,
For somewhere lies our end,
But you know everything lasts for a while”,
Then his eyes did dilate,
Upturning to find their fate,
And I swear that I could see them shining,
In a hill away from town,
He was lost, I was found,
And to think everybody changes a while.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
A Ema IV: Neste Olhar
Enleados somos o composto deste prado,
Pincel também que rascunha nosso recreio,
Somente eu e vós, num hino idílico cantado,
Partilhando o toque do mesmo devaneio;
Por vós amada, das estrelas colhi um buquê,
Para um dia rever esse estelar semblante,
Em mim, sem razão, sem ideia de seu porquê,
Pois sois a quimera do amanhecer distante;
O cândido espreitando na periferia do espelho,
Com o único toque, com a eterna fragrância,
Perante essa ideia sob a boreal me ajoelho,
Tragando para mim das amadas a beleza,
Sorvendo de Ema a partilhada radiância,
E revendo meu olhar, nessa vossa lindeza.
Pincel também que rascunha nosso recreio,
Somente eu e vós, num hino idílico cantado,
Partilhando o toque do mesmo devaneio;
Por vós amada, das estrelas colhi um buquê,
Para um dia rever esse estelar semblante,
Em mim, sem razão, sem ideia de seu porquê,
Pois sois a quimera do amanhecer distante;
O cândido espreitando na periferia do espelho,
Com o único toque, com a eterna fragrância,
Perante essa ideia sob a boreal me ajoelho,
Tragando para mim das amadas a beleza,
Sorvendo de Ema a partilhada radiância,
E revendo meu olhar, nessa vossa lindeza.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
O Palpitar: Do Um em sua Porção
E no ténue palpitar de um meio de coração,
A pertença na crença do alcance do Sonho,
Simples, a criança do Elísio em recordação,
Com luz e água torna-se o arco-íris risonho,
E esvoaçamos entre as mais formosas estrelas,
Com novas cores para repintar estes contos,
O passageiro atento por trilho de aguarelas,
Cada um, reflexo do Um em infindos pontos;
Irmãos, dentro destas pegadas há vento,
Preenchidas a passos pelo uno viandante,
Seguindo no próprio andar, o claro intento,
No trilho do caminho, pelo trilho da viagem,
Entre o início e o fim o intervalo é um instante,
No trilho por labirintos cruzados nesta miragem.
A pertença na crença do alcance do Sonho,
Simples, a criança do Elísio em recordação,
Com luz e água torna-se o arco-íris risonho,
E esvoaçamos entre as mais formosas estrelas,
Com novas cores para repintar estes contos,
O passageiro atento por trilho de aguarelas,
Cada um, reflexo do Um em infindos pontos;
Irmãos, dentro destas pegadas há vento,
Preenchidas a passos pelo uno viandante,
Seguindo no próprio andar, o claro intento,
No trilho do caminho, pelo trilho da viagem,
Entre o início e o fim o intervalo é um instante,
No trilho por labirintos cruzados nesta miragem.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
O Latejar: De Um Meio de Coração
O vosso olhar, minha formosa amada,
Trago-o no tremeluzir cipreste do meu,
Vão-se segundos e cativo nessa balada,
Olvido o horizonte para além do céu,
Cessam as cores e vai-se o fulgor ocular,
De quando o para sempre nunca mais é,
A luzência do sol cede espaço ao lunar,
Esmorece o ânimo e extingue-se-me a fé;
Amor, já não somos Amor, real e ofegante,
Já não somos um mundo, um beijo, um ser,
Já não somos a constelação mais brilhante,
Porém nossa melodia naquela nossa canção,
Ainda a ouço tão próxima neste meio viver,
Por cada latejar... deste um meio de coração.
Trago-o no tremeluzir cipreste do meu,
Vão-se segundos e cativo nessa balada,
Olvido o horizonte para além do céu,
Cessam as cores e vai-se o fulgor ocular,
De quando o para sempre nunca mais é,
A luzência do sol cede espaço ao lunar,
Esmorece o ânimo e extingue-se-me a fé;
Amor, já não somos Amor, real e ofegante,
Já não somos um mundo, um beijo, um ser,
Já não somos a constelação mais brilhante,
Porém nossa melodia naquela nossa canção,
Ainda a ouço tão próxima neste meio viver,
Por cada latejar... deste um meio de coração.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
As Pegadas Pt. II: Rumo ao Horizonte
Contudo apressado, por pisadas passadas,
A sobressair do brilho no refulgir do baço,
Sempre e para sempre… em ondas levadas,
Rumo a cenários perfeitos de nítido traço;
Íamos esperando, intercalados pela acalmia,
Por prenúncios para o começo, o principio,
Pelo Ósculo de Deus e sua revinda soberania,
Retida nos prados do horizonte, no rodopio,
Íamos desconhecendo o ser neste terrestre,
O seu néctar polinizado, somente eu sabia,
Ainda ser o aprendiz que será um dia mestre,
O Mestre sem dogma, o amante sem amada,
Que numa pedra de marca d’água ainda via,
A poeira do vento deixado de sua caminhada.
A sobressair do brilho no refulgir do baço,
Sempre e para sempre… em ondas levadas,
Rumo a cenários perfeitos de nítido traço;
Íamos esperando, intercalados pela acalmia,
Por prenúncios para o começo, o principio,
Pelo Ósculo de Deus e sua revinda soberania,
Retida nos prados do horizonte, no rodopio,
Íamos desconhecendo o ser neste terrestre,
O seu néctar polinizado, somente eu sabia,
Ainda ser o aprendiz que será um dia mestre,
O Mestre sem dogma, o amante sem amada,
Que numa pedra de marca d’água ainda via,
A poeira do vento deixado de sua caminhada.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
O Sono: Através dos Olhos de uma Flor de Lótus
Saímos da claridade, submergindo sem luz,
Com o céu, a água e a relva na algibeira,
Do adverso floresciam as pétalas de lótus,
Nas profundezas da azul subcave soalheira;
Descemos degrau a degrau neste esvaecer,
Das pardas serranias amotinadas sossegámos,
As ovelhas inspiravam-nos para o adormecer,
E em breves suspiros ondeados serenámos;
O Tempo por segundos tornou-se inexistente,
Com belas limnátides partilhámos um coração,
Em silêncio, foi-se o ontem, amanhã e presente;
Oh como repousámos meus melífluos amores,
Amparados e retidos no toque da ondulação,
No Sonho, o único lar de todos os sonhadores.
Com o céu, a água e a relva na algibeira,
Do adverso floresciam as pétalas de lótus,
Nas profundezas da azul subcave soalheira;
Descemos degrau a degrau neste esvaecer,
Das pardas serranias amotinadas sossegámos,
As ovelhas inspiravam-nos para o adormecer,
E em breves suspiros ondeados serenámos;
O Tempo por segundos tornou-se inexistente,
Com belas limnátides partilhámos um coração,
Em silêncio, foi-se o ontem, amanhã e presente;
Oh como repousámos meus melífluos amores,
Amparados e retidos no toque da ondulação,
No Sonho, o único lar de todos os sonhadores.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
As Pegadas: Outrora Deixadas
As pegadas que um dia deixei para trás
Trago-as ainda comigo, em quem cá sou,
Os segundos passaram e vieram as manhãs,
Em porções fui o dia e a noite que lá poisou;
Escutei a brisa e ressoei perante os trovões,
Recolhi flores e espinhos para a algibeira,
Fui sentido e senti no passar pelas estações,
Espaço fui no tempo e o tempo nesta poeira
A passagem vertida em copos de papel,
Foi, é e será sempre Amor em vista infinda
Na medida áurea do transcendente anel,
Sou, na busca pela intenção e na sua vinda,
Manifesto o acontecido divino como pincel,
Em pegadas passadas que perduram ainda.
Trago-as ainda comigo, em quem cá sou,
Os segundos passaram e vieram as manhãs,
Em porções fui o dia e a noite que lá poisou;
Escutei a brisa e ressoei perante os trovões,
Recolhi flores e espinhos para a algibeira,
Fui sentido e senti no passar pelas estações,
Espaço fui no tempo e o tempo nesta poeira
A passagem vertida em copos de papel,
Foi, é e será sempre Amor em vista infinda
Na medida áurea do transcendente anel,
Sou, na busca pela intenção e na sua vinda,
Manifesto o acontecido divino como pincel,
Em pegadas passadas que perduram ainda.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
A Queda II: De uma Folha de Outono
A queda de uma folha de Outono é leve,
E sussurra no hoje, ansiando o amanhã,
Uma brisa morna que do nada se eleve,
E a aconchegue nessa viagem para cá;
Esse esvaecer é dos insones domínio,
Aparta sem voz o toque da melancolia,
Até poetas colhem inspiração e fascínio,
Desses airosos rodopios de tenção vadia;
Um soalheiro dia, farás parte das searas,
Serás o retoque de um rosto esverdeado,
Serás o beijo que torna as auroras claras,
Serás Amor! O Amor um dia silenciado…
Das noites que passaram por outras caras,
E de quem tombou, por ter outrora voado.
E sussurra no hoje, ansiando o amanhã,
Uma brisa morna que do nada se eleve,
E a aconchegue nessa viagem para cá;
Esse esvaecer é dos insones domínio,
Aparta sem voz o toque da melancolia,
Até poetas colhem inspiração e fascínio,
Desses airosos rodopios de tenção vadia;
Um soalheiro dia, farás parte das searas,
Serás o retoque de um rosto esverdeado,
Serás o beijo que torna as auroras claras,
Serás Amor! O Amor um dia silenciado…
Das noites que passaram por outras caras,
E de quem tombou, por ter outrora voado.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Viagens: Pelo Berçário das Nebulosas
Nas viagens pelo trilho das nebulosas
Escutamos contos afectos ao berçário,
O princípio do andar entre as formosas
Cuja memória há apenas no imaginário,
Cada bolbo de luz é outra nossa morada,
Do que foi energia e será um dia destinado
Ao entalhe acordado pela matriz abdicada,
Sempre o mesmo, para sempre resfolgado.
Pois o que nos liga e separa é somente ar,
Um pouco molecular num imensurável nada,
Se é nada, deve ser pouco para nos afastar,
Somos os escolhidos pelas altivas estrelas
Por cada Ver reflectido em luz clareada,
Para um dia sermos de vez, irmãos delas.
Escutamos contos afectos ao berçário,
O princípio do andar entre as formosas
Cuja memória há apenas no imaginário,
Cada bolbo de luz é outra nossa morada,
Do que foi energia e será um dia destinado
Ao entalhe acordado pela matriz abdicada,
Sempre o mesmo, para sempre resfolgado.
Pois o que nos liga e separa é somente ar,
Um pouco molecular num imensurável nada,
Se é nada, deve ser pouco para nos afastar,
Somos os escolhidos pelas altivas estrelas
Por cada Ver reflectido em luz clareada,
Para um dia sermos de vez, irmãos delas.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Um Dia: Sempre Vem
É certo… um dia sempre vem um dia,
Surgindo do rodopio tácito do mundo,
Algures, para além do caos, há harmonia
Brotando alada na calçada do segundo;
É certo… outro dia sempre virá um dia,
Haja frio ou calor, ele um dia chegará,
Basta escutar e aí nessa subtil melodia
Há o ontem que foi e o raiar do amanhã;
Venham pois nossos sóis e seus luares,
Que imaculados nos toquem na face,
Trazendo do infindo dos seus lugares,
A luz que é nossa para que então trace
Os contornos das constelações dos ares
Em nossas silhuetas num singular enlace.
Surgindo do rodopio tácito do mundo,
Algures, para além do caos, há harmonia
Brotando alada na calçada do segundo;
É certo… outro dia sempre virá um dia,
Haja frio ou calor, ele um dia chegará,
Basta escutar e aí nessa subtil melodia
Há o ontem que foi e o raiar do amanhã;
Venham pois nossos sóis e seus luares,
Que imaculados nos toquem na face,
Trazendo do infindo dos seus lugares,
A luz que é nossa para que então trace
Os contornos das constelações dos ares
Em nossas silhuetas num singular enlace.
O Efeito Borboleta: No Ser e na Criação
Quando a cor se combina com a vibração,
As borboletas cujas asas eram em brancor,
Enlevam-se da ideia para a precisa criação,
O aqui muda e a percepção torna-se multicor;
Para colorizar basta ser através do existir,
Esse é o surpreendente plano do Universo,
Sim, basta simplesmente olhar, tocar, sentir,
O resto são letras cedidas no próximo verso;
É a nascente da concepção essa passagem,
Somos nós aqui, os legatários das nebulosas,
Hasteando asteriscos ao longo desta viagem,
De idioma universal em expressões miraculosas,
Venham novas palavras, atentem na mensagem,
Pintando as asas da borboleta em vividas prosas.
As borboletas cujas asas eram em brancor,
Enlevam-se da ideia para a precisa criação,
O aqui muda e a percepção torna-se multicor;
Para colorizar basta ser através do existir,
Esse é o surpreendente plano do Universo,
Sim, basta simplesmente olhar, tocar, sentir,
O resto são letras cedidas no próximo verso;
É a nascente da concepção essa passagem,
Somos nós aqui, os legatários das nebulosas,
Hasteando asteriscos ao longo desta viagem,
De idioma universal em expressões miraculosas,
Venham novas palavras, atentem na mensagem,
Pintando as asas da borboleta em vividas prosas.
domingo, 6 de novembro de 2011
A Queda: De um Floco de Neve
Voluteiam seu silêncio em queda ascendente,
Esvoaçam subindo, da sua terra para a nossa
Pela delicadeza da matéria escrita no afluente
Enquanto um zéfiro cálido o seu rasto acossa,
Milhões de pára-quedas difusos em enredos,
Na vista atenta de Ema delineando o seu trilho,
Que frio se ia permeando por entre seus dedos,
Porém através de suspiros recobrava seu brilho,
Isto passava pelo tempo que nem uma miragem,
E a dúvida questionava a sua própria existência,
Apesar de nos seus olhos perdurar uma imagem:
Até a fé no incondicional amor de pertença à Foz,
É relativa, um nada e nenhum tudo em essência,
Pois para a neve, em boa verdade, o céu somos nós.
Esvoaçam subindo, da sua terra para a nossa
Pela delicadeza da matéria escrita no afluente
Enquanto um zéfiro cálido o seu rasto acossa,
Milhões de pára-quedas difusos em enredos,
Na vista atenta de Ema delineando o seu trilho,
Que frio se ia permeando por entre seus dedos,
Porém através de suspiros recobrava seu brilho,
Isto passava pelo tempo que nem uma miragem,
E a dúvida questionava a sua própria existência,
Apesar de nos seus olhos perdurar uma imagem:
Até a fé no incondicional amor de pertença à Foz,
É relativa, um nada e nenhum tudo em essência,
Pois para a neve, em boa verdade, o céu somos nós.
domingo, 30 de outubro de 2011
No Interior de Tudo: Luz
A Luz é um pouco de brisa, céu e mar,
Antes e após na substância presente,
Que uma certa vez se resolveu tornar,
Na sublimação do imenso no recipiente,
O mar e a poesia em dia de maresia,
É sim soneto de sol para o caminhante,
Um Ver afortunado que avistou magia,
Na original implosão do luzente instante;
Assim manifesto o Universo em cada latejo,
Somos pois a consequência do inevitável,
Se desejo é matéria, com a alma almejo,
Essa dualidade que versa nas entrelinhas,
A epopeia de Deus no excelso inefável,
Através do contacto com suas adivinhas.
Antes e após na substância presente,
Que uma certa vez se resolveu tornar,
Na sublimação do imenso no recipiente,
O mar e a poesia em dia de maresia,
É sim soneto de sol para o caminhante,
Um Ver afortunado que avistou magia,
Na original implosão do luzente instante;
Assim manifesto o Universo em cada latejo,
Somos pois a consequência do inevitável,
Se desejo é matéria, com a alma almejo,
Essa dualidade que versa nas entrelinhas,
A epopeia de Deus no excelso inefável,
Através do contacto com suas adivinhas.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Num Sonho de Coral: Uma Vida Erigida
Num sonho de coral uma vida erigida,
Frágil como porcelana numa despedida,
Neste sereno jardim cinzento,
Sente-se a passagem do vento,
Ouve-se ao longe, o murmúrio da fonte,
Suave como a brisa, que maternal me reconte,
Belas estórias de formosas princesas de lazúli,
Que em imensos contos me beije aqui,
A princesa das princesas, que seja ela,
Aquela que jamais apelide, mas chame de bela,
Assim como o esvoaçar de um dente-de-leão,
Que tenha sempre asas, que voe nesta imaginação;
Retratando desta feita a paisagem em redor,
A beleza a embelezar a beleza do amor.
Então com áureas asas veio o toque do céu,
Num enlevar que não é somente meu,
Pois colocaram-me uma coroa de estrelas,
E nesse retrato tornei-me irmão delas,
Tendo o mundo se revelado num puro sim,
Afirmação e paixão, dessa janela aparecestes assim,
Acenando ao longe com a vossa própria formosura,
Enviei aos céus um ver dessa espontaneidade pura,
Essa beleza que faz tremer o passageiro transeunte,
Pois então que ele se achegue e pergunte,
Qual a medida certa de um abraço,
Qual o nó perfeito para este laço,
Qual o preciso ritmo do palpitar cardíaco,
Aquando de encantada viajata por sonho idílico?
Pois, quão incerta é a proporção certa do sentir,
No que foi ou ainda no que há para vir,
E vós, oh bela e imortal rosa!?
Que do frio e vazio se há tornado piedosa,
Recordai a fortuna de vosso enamorado amante,
Que há caminhado ao vosso lado e adiante,
Vendo novamente as cores de vosso sorriso,
Num suspiro satisfeito, lestas nuvens vêem o piso,
Do caminhante errante, o nobre peregrino,
Procurando o néctar que perfaz o divino,
Retorná-lo-ei em segmentos de brilho,
E no pináculo da viagem, no fim do trilho,
Sorrirei então com o vosso sorriso no meu,
Contar-lhe-ei das odisseias de Orfeu,
Que evocava a esplêndida harmonia,
Mas que sem musa… nem a ele próprio se ouvia.
Frágil como porcelana numa despedida,
Neste sereno jardim cinzento,
Sente-se a passagem do vento,
Ouve-se ao longe, o murmúrio da fonte,
Suave como a brisa, que maternal me reconte,
Belas estórias de formosas princesas de lazúli,
Que em imensos contos me beije aqui,
A princesa das princesas, que seja ela,
Aquela que jamais apelide, mas chame de bela,
Assim como o esvoaçar de um dente-de-leão,
Que tenha sempre asas, que voe nesta imaginação;
Retratando desta feita a paisagem em redor,
A beleza a embelezar a beleza do amor.
Então com áureas asas veio o toque do céu,
Num enlevar que não é somente meu,
Pois colocaram-me uma coroa de estrelas,
E nesse retrato tornei-me irmão delas,
Tendo o mundo se revelado num puro sim,
Afirmação e paixão, dessa janela aparecestes assim,
Acenando ao longe com a vossa própria formosura,
Enviei aos céus um ver dessa espontaneidade pura,
Essa beleza que faz tremer o passageiro transeunte,
Pois então que ele se achegue e pergunte,
Qual a medida certa de um abraço,
Qual o nó perfeito para este laço,
Qual o preciso ritmo do palpitar cardíaco,
Aquando de encantada viajata por sonho idílico?
Pois, quão incerta é a proporção certa do sentir,
No que foi ou ainda no que há para vir,
E vós, oh bela e imortal rosa!?
Que do frio e vazio se há tornado piedosa,
Recordai a fortuna de vosso enamorado amante,
Que há caminhado ao vosso lado e adiante,
Vendo novamente as cores de vosso sorriso,
Num suspiro satisfeito, lestas nuvens vêem o piso,
Do caminhante errante, o nobre peregrino,
Procurando o néctar que perfaz o divino,
Retorná-lo-ei em segmentos de brilho,
E no pináculo da viagem, no fim do trilho,
Sorrirei então com o vosso sorriso no meu,
Contar-lhe-ei das odisseias de Orfeu,
Que evocava a esplêndida harmonia,
Mas que sem musa… nem a ele próprio se ouvia.
A Ema III: A Colhedora de Brilho Estelar
Sorrindo a pureza frágil de uma menina,
Que outrora pelas margens errara,
Cantarolando num tom seu, por cima,
Do areal dos rios onde se enamorara,
Um dia, pela bonita abóboda celeste,
Pelas estrelas e pelas suas grinaldas,
Deixado a orla, pelo que hoje a reveste,
Um áureo madrigal estelar de caldas,
Que usa como seu próprio vestido,
Criado pela linha do onírico tecelão,
Oh tão belo, longo, vasto e comprido,
Ágil numa eterna canção, é hoje vê-la,
Sua casa, pode ser apenas um coração,
Mas esse coração, bom… esse é qualquer estrela.
Que outrora pelas margens errara,
Cantarolando num tom seu, por cima,
Do areal dos rios onde se enamorara,
Um dia, pela bonita abóboda celeste,
Pelas estrelas e pelas suas grinaldas,
Deixado a orla, pelo que hoje a reveste,
Um áureo madrigal estelar de caldas,
Que usa como seu próprio vestido,
Criado pela linha do onírico tecelão,
Oh tão belo, longo, vasto e comprido,
Ágil numa eterna canção, é hoje vê-la,
Sua casa, pode ser apenas um coração,
Mas esse coração, bom… esse é qualquer estrela.
A Ema II: Da Água em Luz
No rasto de poeira estelar há porções dela,
Em ténues e sutis pegadas de seu bailar,
Este sorriso realumia-se tanto ao vê-la,
Nessa dança pelo firmamento a vaguear,
Errante sim, porém sempre constante,
Num retrato cerúleo sempre tão belo,
És a menina do superior, a amante,
Reflectindo no brilho ocular o singelo,
Recolhes flores pelo forasteiro distante,
Trocando um pouco de azul por amarelo,
A água reluz, acordas cores no elísio infante,
Reabres neblinas em suspiros do inaudito véu,
E eu? Eu sou espectador e absorto lá pincelo,
De pés assente na terra e de coração no céu;
Em ténues e sutis pegadas de seu bailar,
Este sorriso realumia-se tanto ao vê-la,
Nessa dança pelo firmamento a vaguear,
Errante sim, porém sempre constante,
Num retrato cerúleo sempre tão belo,
És a menina do superior, a amante,
Reflectindo no brilho ocular o singelo,
Recolhes flores pelo forasteiro distante,
Trocando um pouco de azul por amarelo,
A água reluz, acordas cores no elísio infante,
Reabres neblinas em suspiros do inaudito véu,
E eu? Eu sou espectador e absorto lá pincelo,
De pés assente na terra e de coração no céu;
O Quarto: 112
O quarto 112 tem uma luz no tecto,
Paredes brancas e um tic tac familiar,
Relembra idos tempos de terno afecto,
Em frágil ode ao ósculo único e singular,
O quarto 112 tem um silêncio só dela,
Que sonhos e sentires permite ao ser,
E noutrora a presença dessa donzela
A mim erguia aos céus, fazia-me crer,
Esse quarto pequeno detém nosso odor,
E em sua história contém prados e relva,
Por expressões de memória é tão tão maior,
Pois mudo recorda seu recital ao mundo,
Em torno e ao redor desta agreste selva,
Que o que foi fica, no passar do segundo.
Paredes brancas e um tic tac familiar,
Relembra idos tempos de terno afecto,
Em frágil ode ao ósculo único e singular,
O quarto 112 tem um silêncio só dela,
Que sonhos e sentires permite ao ser,
E noutrora a presença dessa donzela
A mim erguia aos céus, fazia-me crer,
Esse quarto pequeno detém nosso odor,
E em sua história contém prados e relva,
Por expressões de memória é tão tão maior,
Pois mudo recorda seu recital ao mundo,
Em torno e ao redor desta agreste selva,
Que o que foi fica, no passar do segundo.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Soneto: Às Estrelas
Mirando as belas flores da serra,
Sob um céu estrelado enamorado,
Sempre, e esse sempre em mim erra,
Em negro sonho de porcelana velado,
Num terraço ao altivo estelar aberto,
Uma cadente passou e trouxe almejos,
Eram suspiros partilhados com o incerto,
Em cristalinos e somente nossos lugarejos,
E ora, aqui vem a aprazível Aurora,
De áureos tons e em ténues pisadas,
Sossegando o almejado beijo na hora;
Nessa luz que sejas estas preces dissipadas,
Como suspiros largados ao volátil zéfiro, agora,
Nas idas noites, haveis sido minhas únicas amadas.
Sob um céu estrelado enamorado,
Sempre, e esse sempre em mim erra,
Em negro sonho de porcelana velado,
Num terraço ao altivo estelar aberto,
Uma cadente passou e trouxe almejos,
Eram suspiros partilhados com o incerto,
Em cristalinos e somente nossos lugarejos,
E ora, aqui vem a aprazível Aurora,
De áureos tons e em ténues pisadas,
Sossegando o almejado beijo na hora;
Nessa luz que sejas estas preces dissipadas,
Como suspiros largados ao volátil zéfiro, agora,
Nas idas noites, haveis sido minhas únicas amadas.
Orfeu III – Através de Estrelas Cadentes
Na ausência de prado, flores, céu e estrelas
Vou bradando ululados de agonizante dor,
Separando a Aurora do Crepúsculo por ela,
Pintando nas nuvens lágrimas enquanto for
Sua balada a pulsação partilhada na minha,
Rebelde e insano deambularei pelo mundo
E destas cordas farei uma só e única linha
Na qual seu corpo baixarei ao silêncio profundo;
Que os céus se fechem esta penosa madrugada
E que do sol a luz se atreva a resplandecer jamais,
Sou negro, o silêncio! Minha meia voz está calada,
Tudo o resto é paisagem, é cinzento, é de mais!...
Chorar-vos-ei… sempre através de estrelas cadentes,
Eternamente por vós, para sempre… enamorado,
Outros saberão de nós, tornar-se-ão crentes
E recordarão por milénios a minha, a nossa história,
Num conto de outro qualquer poeta atormentado,
Que perdure e jamais seja apagada de sua memória.
Vou bradando ululados de agonizante dor,
Separando a Aurora do Crepúsculo por ela,
Pintando nas nuvens lágrimas enquanto for
Sua balada a pulsação partilhada na minha,
Rebelde e insano deambularei pelo mundo
E destas cordas farei uma só e única linha
Na qual seu corpo baixarei ao silêncio profundo;
Que os céus se fechem esta penosa madrugada
E que do sol a luz se atreva a resplandecer jamais,
Sou negro, o silêncio! Minha meia voz está calada,
Tudo o resto é paisagem, é cinzento, é de mais!...
Chorar-vos-ei… sempre através de estrelas cadentes,
Eternamente por vós, para sempre… enamorado,
Outros saberão de nós, tornar-se-ão crentes
E recordarão por milénios a minha, a nossa história,
Num conto de outro qualquer poeta atormentado,
Que perdure e jamais seja apagada de sua memória.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Orfeu II – Prossecução por Dantescas Galerias
Eurídice, minha alma, minha amada,
Indaguei-vos pelas noites e pelos dias,
Havendo sido vós por Hades reclamada,
Iniciei eu jornada por dantescas galerias,
No submundo ressoando a insana lira,
Na barca dos idos, atravessando o rio,
De enxofre, o frémito das sombras em ira,
Havia enfim deixado os domínios do estio,
O cão do Inferno sob esta melodia repousa,
E a flagelação dos condenados aquietada,
No caminho do aventureiro que assim ousa,
Alcançar quem é sua Vida, sua vera amada;
Vendo-vos o semblante, minha noiva de luz,
Empalecida e inerte a princesa de branco,
Neste olhar dormente que a fria neve induz,
Como a pesada cruz do mártir outrora santo,
Sim, resgatar-vos-ei dos confins dos Infernos,
Hei acordado com o negro mestre dos idos
Subamos juntos para longe deste Inverno,
Escutai esta lira, reviver-vos-á os sentidos,
Pela trilha íngreme, enfim o tempo não passa,
Ouço-o no tormento acutilante desta respiração,
Que, à ausência de som, meus interiores trespassa
Degrau a degrau, e ainda o vazio silêncio impera,
Nem vossa voz, nem brilho neste ténue caminhar,
E com nada, esta alma chora, esta alma desespera,
Acolá a entrada, avisto além a luz afinal!
Atrás olhando, e ao vos confirmar, um último…
Suspiro… perco-vos no negrume e como tal…
Um amor por uma memória de um aventesma,
Todo este fôlego não mais do que uma brisa,
No submundo e a canção já não é a mesma,
Olvidarei essa canção, nem Vida, Fado ou Deus!
Cessarão a dor do tormento Infernal desta lira!
Adeus minha alma, meu querido Amor… adeus…
Indaguei-vos pelas noites e pelos dias,
Havendo sido vós por Hades reclamada,
Iniciei eu jornada por dantescas galerias,
No submundo ressoando a insana lira,
Na barca dos idos, atravessando o rio,
De enxofre, o frémito das sombras em ira,
Havia enfim deixado os domínios do estio,
O cão do Inferno sob esta melodia repousa,
E a flagelação dos condenados aquietada,
No caminho do aventureiro que assim ousa,
Alcançar quem é sua Vida, sua vera amada;
Vendo-vos o semblante, minha noiva de luz,
Empalecida e inerte a princesa de branco,
Neste olhar dormente que a fria neve induz,
Como a pesada cruz do mártir outrora santo,
Sim, resgatar-vos-ei dos confins dos Infernos,
Hei acordado com o negro mestre dos idos
Subamos juntos para longe deste Inverno,
Escutai esta lira, reviver-vos-á os sentidos,
Pela trilha íngreme, enfim o tempo não passa,
Ouço-o no tormento acutilante desta respiração,
Que, à ausência de som, meus interiores trespassa
Degrau a degrau, e ainda o vazio silêncio impera,
Nem vossa voz, nem brilho neste ténue caminhar,
E com nada, esta alma chora, esta alma desespera,
Acolá a entrada, avisto além a luz afinal!
Atrás olhando, e ao vos confirmar, um último…
Suspiro… perco-vos no negrume e como tal…
Um amor por uma memória de um aventesma,
Todo este fôlego não mais do que uma brisa,
No submundo e a canção já não é a mesma,
Olvidarei essa canção, nem Vida, Fado ou Deus!
Cessarão a dor do tormento Infernal desta lira!
Adeus minha alma, meu querido Amor… adeus…
Orfeu I – Das Cordas da Lira
Das cordas desta lira, beldade acontece,
Flores florescem, pássaros param de voar,
Nesta melodia que os efémeros enaltece,
Dourei em pegadas passando terra e mar;
E poesia é tudo o que nesta viagem anseio,
Porém acolá, vi algo mais esbelto do que ela,
Então, senti meu bater sob a forma de chilreio,
E eis que, de joelho dobrado, à bela donzela,
Prometi minha lira, numa única e bela palavra:
“Amor” – que caminhemos juntos pelo infinitivo,
Por tudo quanto for caminho, que o céu se abra,
E sorria inteiro, enfim, por somente um substantivo,
Por vós, a única estrela no firmamento almejada,
E em cada novo suspiro serei vosso eterno cativo.
Flores florescem, pássaros param de voar,
Nesta melodia que os efémeros enaltece,
Dourei em pegadas passando terra e mar;
E poesia é tudo o que nesta viagem anseio,
Porém acolá, vi algo mais esbelto do que ela,
Então, senti meu bater sob a forma de chilreio,
E eis que, de joelho dobrado, à bela donzela,
Prometi minha lira, numa única e bela palavra:
“Amor” – que caminhemos juntos pelo infinitivo,
Por tudo quanto for caminho, que o céu se abra,
E sorria inteiro, enfim, por somente um substantivo,
Por vós, a única estrela no firmamento almejada,
E em cada novo suspiro serei vosso eterno cativo.
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