Dedos de outros apontam de velhas janelas,
As sombras caem diante dos nossos próprios pés,
Sim, há portos dos quais devemos içar as velas,
Pois naufrágios acontecem ao nadar a rés,
De todas as coisas que não sei, és a mais bela,
Este frio na garganta, este pulsar no coração,
O erguer para o horizonte da mais alta estrela,
Pois o Verão sempre vem após a eterna monção,
Porque este é o dia que nunca regressará,
Má sorte, vida e morte, coisas da escola,
Este é o tempo daquele que versejará
Entre as margens da pertença, sou inteiro,
Retendo a sentença, guardando-a em sacola,
E ir indo e revindo neste perene passo forasteiro.
Blog de um músico e poeta português onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Entre as Margens da Pertença
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Um Bocadinho para o Inteiro
Vamos ao ritmo de um suspiro, o suficiente somente
Para continuar a respirar, o suficiente para caminhar,
Pois o que nos carcome por dentro é, infelizmente,
Uma Vida por metade, um não conseguir esvoaçar,
Apertem-me o nó na garganta, estas formas são estranhas,
Sou Rei de dezembro, a passagem de um quase vivo confuso,
São os cinco dias que nos refazem os órgãos das entranhas,
Continuamos pálidos e recolhidos venha o céu aqui recluso,
Pois revivo a fagulha de uma alma no horizonte cravada,
Sitiados pela vileza do Tempo, e a sua voz cantarolando,
Onde nos perdemos sempre, afinal essa é a final estocada,
Pois falta-nos sempre um bocadinho para o Inteiro,
Tal criança com sua bola de algodão brincando,
Vamos então indo, sem mapa, trilho ou roteiro.
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
A Queda do Último Romântico
As promessas quebradas no pulsar de um coração,
Margens separadas e a queda do último romântico,
Canto-vos, de voz bifurcada, o canto da não definição,
É mãe afogando sua prole na profundidade do Atlântico,
Pois exigimos do Amor a eternidade de um sentimento,
Não aquele mero instante, tão brevemente tido no dissabor,
O rascunho do perpétuo em vestidos brancos, o lamento,
É que num romance como aquele tinha encontrado o amor!
Para além da sombra do silêncio, sonhando então acordados,
Por isso me deixo ir, desapego-me à pedra que me afunda,
É que num romance como aquele tinha encontrado o amor!
E que tal? É tão, tão difícil nos darmos como enfim encontrados,
Pois procuramos lugar, lar, casa, mesmo na respiração vagabunda,
É que num romance como aquele tinha por fim encontrado o amor!