A argamassa do estelar é semelhante à do viandante,
No limiar do horizonte, seu lugar de repouso e estadia.
O efémero faz-se transcendente, é assim transbordante,
E a beleza da passagem é que esta se faz de dia para dia,
A vigília do Inteiro, a vontade é a procura pelo infinito,
E lá de cima, a vertigem é ansiedade de mais, mais alto!
Faz-se silêncio, e nesta eterna procura temos o eterno grito!
E nessa perene voz, os Deuses antigos aqui para sempre exalto,
Não há bruma que esconda esta gestação da Nebulosa,
E o abismo, fragmento do Inteiro, deve também ser aceitado.
Tudo é ida e regresso no olhar e ver de uma criança curiosa,
Ela não caminha o Mundo, ela reescreve-o na sua passagem,
Trazendo nas mãos o pó de galáxias antigas, com tanto cuidado.
Esta viagem é trilho para o Divino, e do Divino essa é a mensagem!
Blog de um músico e poeta português onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
sexta-feira, 5 de junho de 2026
De Tempo, Passagem e Transformação
O Eclipse e a Supernova
Hoje tenho mapas de vielas nas rugas das mãos,
O calcário agrega-se nas molduras das janelas,
As estações trazem matizes de diferentes tons,
Tal rio que corre atrás de um porto de estrelas,
O corpo, somente arquivo para as lembranças,
Tanto os diademas como as cicatrizes são trazidos
Para um amanhã — a constelação destas andanças,
Farol aceso num eterno entre instantes tão queridos,
Vestígios de sussurros, meros murmúrios da ausência,
Respiramos o vazio de cadeiras empoeiradas por esperas,
Sou homem parcial procurando o inteiro em nobre essência,
Da nebulosa ao passo inevitável, ao compasso do pé na cova,
E assim chegaremos além do horizonte, à fonte das primaveras,
Venha o sol ou o eclipse, um dia explodiremos, tal uma supernova.