terça-feira, 23 de junho de 2026

Ema, A Estrela-Guia

Ema, a menina que nos olhos trazia poeira estelar,
Saltitava entre nuvens e o crepúsculo da aurora,
Era astro errante na cartografia celeste, a esbracejar,
Enquanto seu dedo apontava as galáxias de outrora,

Eu dar-me-ei por encontrado, entre ruas estreitas,
Mesmo quando perdido nas encruzilhadas da vida,
Peregrino sem bússola sobre estas pernas insatisfeitas,
Dar-lhe-ei a mão enquanto ela por estrelas for envolvida!

E do farol ao porto e ao cais por vezes é fácil perder de vista,
O itinerário para o horizonte, um lugar onde tenhamos abrigo,
Pousada para a busca de tornar a pedra em ouro, tal bom alquimista,

Ela terá herança e vestimenta nas estrelas, e a sua face de porcelana,
Trarei na moldura da alma, arquivo de constelações no ombro de um amigo,
Tenho saudades dos nossos passeios, saudades da menina de alma diáfana.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

O Viandante e a Última Estrela

Há sendas no horizonte, entre o crepúsculo e a aurora,
Bússolas mostrando a estrela polar, vereda para o infinito;
Entre vitrinas cerúleas, farol para o amanhã e o outrora,
Retrato para o relógio, porcelana quebrada por um grito,

Esqueci-me das coisas que já não consigo aqui mostrar;
Ferrugem apodera-se destes ossos, em tons de silêncio;
O espólio lembrado do momento que não soube esperar,
A herança para o subterfúgio, a gaveta para o prenúncio,

Pois nem só de papagaios de papel e constelações é a vida;
A estrela nascente traz a poeira doirada no bater do coração;
Maravilhamento da descoberta tornada procura, virada querida,

Origem para a altura e profundidade. Trago nas mãos a lanterna
Numa travessia vertical, jornada para a encruzilhada da redenção;
O itinerário é para o Cosmos, jardim de nebulosas... a Vida é eterna!

O Universo Guarda os Nomes dos Mortais

Provimos das nebulosas, da supernova em implosão,
E dessa poeira estelar há esta memória cósmica;
O que passou permanece no tecido do coração,
É forja para a maior estrela, na sua fundação atómica,

Permanecemos inscritos na matéria do vasto cosmos,
Fósseis de luz de estrelas extintas, daqui à eternidade;
A cartografia celeste é vestígio da escarpa aos abismos,
E levitamos e ascendemos, não obstante esta gravidade,

Em órbita do imanente procuramos porções do firmamento,
Do zénite ao nadir, meteoros mortais caindo por este espaço;
Somos luz primordial reencarnada, no Maior o pertencimento,

Apogeu para o humano, divindade do efémero ao transcendente,
Trazemos instantes de fagulhas infindas assentando no regaço
De um Inteiro fecundado e de um Universo de si consciente.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Os Ossos Recordam Aquilo que os Calendários Esquecem

Trago marés antigas escondidas no fundo das algibeiras,
Estas velhas cicatrizes são mapas de estrelas cadentes;
Do limiar do horizonte, vigília donde perco as estribeiras,
Sou arcabouço para o poema, o ósculo dentre parentes,

E os ossos recordam aquilo que os calendários esquecem;
Há ferrugens de crepúsculo nas dobradiças do temporal;
Estas searas auríferas, urdidas ao tom do olhar, oferecem
Estadia curta e breve para quem só conhece o vendaval,

Assim, transportamos candeias para os náufragos que somos,
Errantes entre portos, entre ondas — o salto da alta escarpa;
Regressamos à abóbada celeste, nos deuses que fomos,

Apogeu para o pó de estrelas enxuto nas nossas bochechas,
Colhemos flores como quem colhe estrelas, tal navio que zarpa
Face ao desconhecido, numa maré cósmica onde serei a brecha!

Fósseis de Luz

Há fósseis de luz entre esta poeira primordial,
Esta cartografia óssea são constelações internas,
A memória cósmica é, sim, sedimento temporal,
Galáxias adormecidas dentre estrelas fraternas,

E deste alpendre do tempo, quartos abandonados,
Vejo janelas gastas e a cal das paredes empoeiradas,
É a ferrugem dos anos, limiares de toques estagnados,
Telhados de silêncio, transitoriedade por portas cerradas,

E daí há rios que nunca regressam à sua nascente,
A correnteza é forte e as margens tão afastadas,
Afluentes sossegados, chegamos ao estuário subjacente,

Porém, ainda há sementes celestes, o húmus das noitadas,
Jardins suspensos com raízes do firmamento remanescente,
Colhemos das infinitas flores astrais; a seiva é enfim iluminada!

sexta-feira, 5 de junho de 2026

De Tempo, Passagem e Transformação

A argamassa do estelar é semelhante à do viandante,
No limiar do horizonte, seu lugar de repouso e estadia.
O efémero faz-se transcendente, é assim transbordante,
E a beleza da passagem é que esta se faz de dia para dia,

A vigília do Inteiro, a vontade é a procura pelo infinito,
E lá de cima, a vertigem é ansiedade de mais, mais alto!
Faz-se silêncio, e nesta eterna procura temos o eterno grito!
E nessa perene voz, os Deuses antigos aqui para sempre exalto,

Não há bruma que esconda esta gestação da Nebulosa,
E o abismo, fragmento do Inteiro, deve também ser aceitado.
Tudo é ida e regresso no olhar e ver de uma criança curiosa,

Ela não caminha o Mundo, ela reescreve-o na sua passagem,
Trazendo nas mãos o pó de galáxias antigas, com tanto cuidado.
Esta viagem é trilho para o Divino, e do Divino essa é a mensagem!

O Eclipse e a Supernova

Hoje tenho mapas de vielas nas rugas das mãos,
O calcário agrega-se nas molduras das janelas,
As estações trazem matizes de diferentes tons,
Tal rio que corre atrás de um porto de estrelas,

O corpo, somente arquivo para as lembranças,
Tanto os diademas como as cicatrizes são trazidos
Para um amanhã — a constelação destas andanças,
Farol aceso num eterno entre instantes tão queridos,

Vestígios de sussurros, meros murmúrios da ausência,
Respiramos o vazio de cadeiras empoeiradas por esperas,
Sou homem parcial procurando o inteiro em nobre essência,

Da nebulosa ao passo inevitável, ao compasso do pé na cova,
E assim chegaremos além do horizonte, à fonte das primaveras,
Venha o sol ou o eclipse, um dia explodiremos, tal uma supernova.