Ema, a menina que nos olhos trazia poeira estelar,
Saltitava entre nuvens e o crepúsculo da aurora,
Era astro errante na cartografia celeste, a esbracejar,
Enquanto seu dedo apontava as galáxias de outrora,
Eu dar-me-ei por encontrado, entre ruas estreitas,
Mesmo quando perdido nas encruzilhadas da vida,
Peregrino sem bússola sobre estas pernas insatisfeitas,
Dar-lhe-ei a mão enquanto ela por estrelas for envolvida!
E do farol ao porto e ao cais por vezes é fácil perder de vista,
O itinerário para o horizonte, um lugar onde tenhamos abrigo,
Pousada para a busca de tornar a pedra em ouro, tal bom alquimista,
Ela terá herança e vestimenta nas estrelas, e a sua face de porcelana,
Trarei na moldura da alma, arquivo de constelações no ombro de um amigo,
Tenho saudades dos nossos passeios, saudades da menina de alma diáfana.
Blog de um músico e poeta português onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
terça-feira, 23 de junho de 2026
Ema, A Estrela-Guia
sexta-feira, 12 de junho de 2026
O Viandante e a Última Estrela
Há sendas no horizonte, entre o crepúsculo e a aurora,
Bússolas mostrando a estrela polar, vereda para o infinito;
Entre vitrinas cerúleas, farol para o amanhã e o outrora,
Retrato para o relógio, porcelana quebrada por um grito,
Esqueci-me das coisas que já não consigo aqui mostrar;
Ferrugem apodera-se destes ossos, em tons de silêncio;
O espólio lembrado do momento que não soube esperar,
A herança para o subterfúgio, a gaveta para o prenúncio,
Pois nem só de papagaios de papel e constelações é a vida;
A estrela nascente traz a poeira doirada no bater do coração;
Maravilhamento da descoberta tornada procura, virada querida,
Origem para a altura e profundidade. Trago nas mãos a lanterna
Numa travessia vertical, jornada para a encruzilhada da redenção;
O itinerário é para o Cosmos, jardim de nebulosas... a Vida é eterna!
O Universo Guarda os Nomes dos Mortais
Provimos das nebulosas, da supernova em implosão,
E dessa poeira estelar há esta memória cósmica;
O que passou permanece no tecido do coração,
É forja para a maior estrela, na sua fundação atómica,
Permanecemos inscritos na matéria do vasto cosmos,
Fósseis de luz de estrelas extintas, daqui à eternidade;
A cartografia celeste é vestígio da escarpa aos abismos,
E levitamos e ascendemos, não obstante esta gravidade,
Em órbita do imanente procuramos porções do firmamento,
Do zénite ao nadir, meteoros mortais caindo por este espaço;
Somos luz primordial reencarnada, no Maior o pertencimento,
Apogeu para o humano, divindade do efémero ao transcendente,
Trazemos instantes de fagulhas infindas assentando no regaço
De um Inteiro fecundado e de um Universo de si consciente.
segunda-feira, 8 de junho de 2026
Os Ossos Recordam Aquilo que os Calendários Esquecem
Trago marés antigas escondidas no fundo das algibeiras,
Estas velhas cicatrizes são mapas de estrelas cadentes;
Do limiar do horizonte, vigília donde perco as estribeiras,
Sou arcabouço para o poema, o ósculo dentre parentes,
E os ossos recordam aquilo que os calendários esquecem;
Há ferrugens de crepúsculo nas dobradiças do temporal;
Estas searas auríferas, urdidas ao tom do olhar, oferecem
Estadia curta e breve para quem só conhece o vendaval,
Assim, transportamos candeias para os náufragos que somos,
Errantes entre portos, entre ondas — o salto da alta escarpa;
Regressamos à abóbada celeste, nos deuses que fomos,
Apogeu para o pó de estrelas enxuto nas nossas bochechas,
Colhemos flores como quem colhe estrelas, tal navio que zarpa
Face ao desconhecido, numa maré cósmica onde serei a brecha!
Fósseis de Luz
Há fósseis de luz entre esta poeira primordial,
Esta cartografia óssea são constelações internas,
A memória cósmica é, sim, sedimento temporal,
Galáxias adormecidas dentre estrelas fraternas,
E deste alpendre do tempo, quartos abandonados,
Vejo janelas gastas e a cal das paredes empoeiradas,
É a ferrugem dos anos, limiares de toques estagnados,
Telhados de silêncio, transitoriedade por portas cerradas,
E daí há rios que nunca regressam à sua nascente,
A correnteza é forte e as margens tão afastadas,
Afluentes sossegados, chegamos ao estuário subjacente,
Porém, ainda há sementes celestes, o húmus das noitadas,
Jardins suspensos com raízes do firmamento remanescente,
Colhemos das infinitas flores astrais; a seiva é enfim iluminada!
sexta-feira, 5 de junho de 2026
De Tempo, Passagem e Transformação
A argamassa do estelar é semelhante à do viandante,
No limiar do horizonte, seu lugar de repouso e estadia.
O efémero faz-se transcendente, é assim transbordante,
E a beleza da passagem é que esta se faz de dia para dia,
A vigília do Inteiro, a vontade é a procura pelo infinito,
E lá de cima, a vertigem é ansiedade de mais, mais alto!
Faz-se silêncio, e nesta eterna procura temos o eterno grito!
E nessa perene voz, os Deuses antigos aqui para sempre exalto,
Não há bruma que esconda esta gestação da Nebulosa,
E o abismo, fragmento do Inteiro, deve também ser aceitado.
Tudo é ida e regresso no olhar e ver de uma criança curiosa,
Ela não caminha o Mundo, ela reescreve-o na sua passagem,
Trazendo nas mãos o pó de galáxias antigas, com tanto cuidado.
Esta viagem é trilho para o Divino, e do Divino essa é a mensagem!
O Eclipse e a Supernova
Hoje tenho mapas de vielas nas rugas das mãos,
O calcário agrega-se nas molduras das janelas,
As estações trazem matizes de diferentes tons,
Tal rio que corre atrás de um porto de estrelas,
O corpo, somente arquivo para as lembranças,
Tanto os diademas como as cicatrizes são trazidos
Para um amanhã — a constelação destas andanças,
Farol aceso num eterno entre instantes tão queridos,
Vestígios de sussurros, meros murmúrios da ausência,
Respiramos o vazio de cadeiras empoeiradas por esperas,
Sou homem parcial procurando o inteiro em nobre essência,
Da nebulosa ao passo inevitável, ao compasso do pé na cova,
E assim chegaremos além do horizonte, à fonte das primaveras,
Venha o sol ou o eclipse, um dia explodiremos, tal uma supernova.