Trago ruas no peito onde ninguém mais passa,
Veias tal mapas, coordenadas para os perdidos,
Fronteiras cartografadas no osso, na argamassa,
À margem, linhas invisíveis, a mudez dos sentidos,
Estas cicatrizes, a certeza de um passado trilhado,
Vestígios de um outro dia, fragmento e memória,
Respiração nas mãos e olhos, um ventre rastilhado,
Entre sombras de uma ausência — a nós essa glória,
Pois da travessia veio a deriva e, daí então, o caminho,
Atalho para o desvio, dentre o movimento e a viagem,
Regresso e partida, partida e regresso, tal o passarinho
Que levo no peito — do naufrágio ao voo, este é o peso,
E o preço do silêncio: vertigem e afogamento, a miragem
É esta tentativa, desejo contido — estas são as ruas que embelezo.