A Lua da colheita tem ceifado as já plantadas sementes,
Entre cataratas frias, tenho visto aqueles olhos sedentos,
A queda de água fria num corpo nu, o ranger de dentes,
E, nas mãos, facas de noites retorcidas aos quatro ventos,
E, entretanto, esquecemo-nos dos nomes que eram apelidos,
Baixando a cabeça num andar moroso, tão repleto de morte,
Aprendemos a permitir ser subtraídos pela criação dos idos,
Alas, é mais um dia sem nuvens, sem sol, sem qualquer sorte,
E tenho saudades dessas, umas vezes berço, outras sepultura,
Um mar de sono passando um véu sobre um olhar cansado,
Foram séculos de derrota, bebi da doença que era semicurа,
Num quarto vi uma vela volitiva, e noutro, uma nova grinalda,
De olhos arrancados, respirei através do prometido, do dado,
E aprendi que água que bate tanto, tanto esfria como escalda.