Mãos abertas, erosão no olhar — é a partida do semblante;
Desapego do apego, desaprendo o desejo — é a mala leve;
É uma jornada de ausência, uma estrela ainda distante;
Renunciando a sombra e a partida do que foi breve,
As folhas secaram no caminho; a maré é, enfim, vazante;
Pétalas ao vento — sou prisioneiro de um instante passado;
Esta lei da impermanência é placebo, sim, é cicatrizante;
É a arte de desapossar-me, essência do efémero caminhado,
Poeira entre os dedos, ferrugem nas suas falanges desgastadas;
Andamos à deriva — itinerário errante, deslocamento interior;
A rendição é inconsciente, as sementes de raízes são arrancadas,
Entrego-me silenciosamente, desapropriado, por fim desancorado
De todas as que amei, já nem ousando chamar uma de meu amor;
Então vem a libertação gradual: o inevitável acontece — sou revigorado.
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