quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Impermanência: Prisioneiro do Transitório


Pisando folhas secas, aqui sou na areia movediça;
Além, pegadas são apagadas por uma maré vazante,
E eu, num instante, largo-me dessa moça castiça,
É o rio em curso, o vento errante, a estrela distante,


O efémero em passagem para a sua transitoriedade;
Nos meus olhos, a erosão é aparente, vai-se o brilho,
E eu aceito o seu silêncio, renunciando em piedade,
Libertando-me do apego, recalculando este trilho,


De mãos abertas, mala leve e portas entreabertas,
A sombra que parte é o semblante que é chegada,
Uma chama breve de pétalas ao vento, são incertas


As vontades do caminho; rendo-me à sua querença,
Em essência, sou prisioneiro da impermanência dada,
É a jornada: desapossar-me do desejo, ser a ausência.

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