Pisando folhas secas, aqui sou na areia movediça;
Além, pegadas são apagadas por uma maré vazante,
E eu, num instante, largo-me dessa moça castiça,
É o rio em curso, o vento errante, a estrela distante,
O efémero em passagem para a sua transitoriedade;
Nos meus olhos, a erosão é aparente, vai-se o brilho,
E eu aceito o seu silêncio, renunciando em piedade,
Libertando-me do apego, recalculando este trilho,
De mãos abertas, mala leve e portas entreabertas,
A sombra que parte é o semblante que é chegada,
Uma chama breve de pétalas ao vento, são incertas
As vontades do caminho; rendo-me à sua querença,
Em essência, sou prisioneiro da impermanência dada,
É a jornada: desapossar-me do desejo, ser a ausência.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.