quarta-feira, 11 de março de 2026

A Beleza das Cicatrizes

Cânticos de músicas de amor propagados em silêncio,
Vou assim ouvindo os tremores de um coração cansado;
Num desfile singular, os olhos — o ver que tanto reverencio,
São memórias de um beijo, e entretanto passou o bocado,

Porção da metade, as lembranças são o pouco que ficou
De momentos vividos, na alma tatuados, livros guardados;
E continuamos à procura de quem foi e de quem se crucificou,
Amarrando o barco ao cais e, mais além, ao horizonte destinados,

Mesmo que trilhemos para o outro lado, assim sempre sozinhos,
As pegadas deixadas são provas de que houve mil e um caminhos;
Por isso adornámo-los com confetes, com mil pássaros voadores

Em nós, pois da ferida vem a cicatriz: há beleza nessas tantas dores.
Agradecimentos e perdões por nos ser permitido o pé-descalço,
Na travessia da vida, onde amar é cair e levantar no mesmo passo.

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