quinta-feira, 9 de julho de 2026

O Porto no Meio da Encruzilhada

E o porto de abrigo tem sido o meio da encruzilhada,
Bússola para o horizonte, itinerário para o peregrino,
Trilho e vereda para a cabeça do viajante na almofada,
Hóspede para o alforge estelar, da nebulosa o inquilino,

A reminiscência é de um longo beijo lançado em órbita,
A aurora-boreal torna-se lar para quem por si se procura,
Tornamo-nos amigos da impermanência, a estrela indúbita;
Vejo-as passar do alpendre, ombro a ombro com a loucura

Que é própria do poeta, entre o habitar e a sua própria partida,
Assim vem o refúgio, a guarida, alcova para o seu potencial,
Pois o firmamento já não é o suficiente, é a poeira revestida,

Pois este intervalo é só meu, do ontem para o tido como amanhã;
Entardecendo a alvorada, o instante é moeda de troca, o manancial,
Fonte e nascente, sou efémero neste agora; pois que venha a manhã.