quinta-feira, 23 de julho de 2026

Quando as Estrelas Me Chamam Pelo Nome

Da nebulosa à supernova, a impermanência do caminho,
Somos a memória das estrelas, a geografia de um eterno,
É o tempo dos viandantes infundido no infindo pergaminho,
A una travessia perante um horizonte sem margens no caderno,

Entre a aurora e o crepúsculo estendo uma escada ao firmamento,
Dentro de um itinerário errante, esta é a herança dos sonhadores;
Quando as estrelas nos chamam pelo nome, do instante ao momento,
Não há galáxia a que não chame casa; sim, somos seus eternos amadores,

É o tempo dos peregrinos, párias, errantes, quais estrelas cadentes;
Obtemos redenção na partida, farol e lanterna para a noite caída,
Com a promessa de um lar cujas fundações são contradizentes,

Transporto o sol onde vejo a sombra, a bruma onde a luz ainda cega,
E, quando coloco a mão no peito... sinto saudades da que me foi subtraída;
O beijo do impermanente conhece este apelido, e a ânsia de mais sossega.

terça-feira, 21 de julho de 2026

O Peregrino das Galáxias

Sou peregrino por opção no alforge da vida,
Itinerário à margem, rumo sempre errante,
Sem bússola ou farol por esta insana lida,
Da nebulosa à supernova sou o viandante,

Não há firmamento ao qual não chame casa,
Sou tal cometa rasgando o dorso do horizonte,
De galáxia em galáxia, vou afagando esta brasa,
Criando entre a aurora e o crepúsculo a ponte,

Trago no peito a reminiscência de mil sonhadores,
A herança para o cerúleo, o ósculo para o divino,
Seguindo a lanterna, somos mapa e âncora, trovadores,

A redenção está na partida, no alvoroço, no eterno desatino,
Na impermanência há fervor, verdade, virtudes, meus amores,
A ampulheta ensina tal como o relógio que um dia largaremos o menino.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

O Porto no Meio da Encruzilhada

E o porto de abrigo tem sido o meio da encruzilhada,
Bússola para o horizonte, itinerário para o peregrino,
Trilho e vereda para a cabeça do viajante na almofada,
Hóspede para o alforge estelar, da nebulosa o inquilino,

A reminiscência é de um longo beijo lançado em órbita,
A aurora-boreal torna-se lar para quem por si se procura,
Tornamo-nos amigos da impermanência, a estrela indúbita;
Vejo-as passar do alpendre, ombro a ombro com a loucura

Que é própria do poeta, entre o habitar e a sua própria partida,
Assim vem o refúgio, a guarida, alcova para o seu potencial,
Pois o firmamento já não é o suficiente, é a poeira revestida,

Pois este intervalo é só meu, do ontem para o tido como amanhã;
Entardecendo a alvorada, o instante é moeda de troca, o manancial,
Fonte e nascente, sou efémero neste agora; pois que venha a manhã.