Sou peregrino por opção no alforge da vida,
Itinerário à margem, rumo sempre errante,
Sem bússola ou farol por esta insana lida,
Da nebulosa à supernova sou o viandante,
Não há firmamento ao qual não chame casa,
Sou tal cometa rasgando o dorso do horizonte,
De galáxia em galáxia, vou afagando esta brasa,
Criando entre a aurora e o crepúsculo a ponte,
Trago no peito a reminiscência de mil sonhadores,
A herança para o cerúleo, o ósculo para o divino,
Seguindo a lanterna, somos mapa e âncora, trovadores,
A redenção está na partida, no alvoroço, no eterno desatino,
Na impermanência há fervor, verdade, virtudes, meus amores,
A ampulheta ensina tal como o relógio que um dia largaremos o menino.
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