quarta-feira, 13 de maio de 2026

Onde Não Me Encontro

Sem uma cantiga, adormeço por baixo das tábuas do chão,
As sombras de ontem, vidros quebrados sob o pé descalço,
A sua beleza procura-me entre silhuetas, buscando perfeição,
Indago os céus, por baixo do silêncio, para lá deste percalço,

Procuramos o amor que julgamos merecer, essa é a grande verdade,
Por baixo dos quadris de camas oxidadas, baixamos os estores,
E esta voz já quase esqueceu o seu nome; sou a contrariedade
Das marés que vêm, que passam, que escutam; somos desertores

De guerras lutadas do passado, contudo, ainda rangem molas,
E vivemos entre sepulcros e paradas de rosas; essas são as escolas,
Esta comoção de multidões do Entrudo, beija-a onde não me encontro,

O ser é abstinente, é a tortura da espera, é o olhar para dentro,
Onde há uma canção de amor para cantar, pois estou farto de rezar,
Sem exceção, sem a cicatriz que o tempo deixa; este é o momento para voar.