quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Somos Eidolons Diurnos

A ampulheta vai ditando o tempo que nos é dado,
E, ao espelho, procuro a identidade do passageiro,
A candeia precipita-se, a bússola torna-se em fado,
E, em essência, o silêncio fica por nosso companheiro,

Nesta garganta a seiva das manhãs ainda não previstas,
Rescaldo de uma bruma interna - que venha a geada,
Há prelúdio para as olvidadas derrotas e para as conquistas,
Através de arcadas feitas de mármore, a vista então enevoada

Será sepulcro para quem passou a Vida tal fantasma diurno,
Vigília sobre o imóvel cadáver de um ontem então protelado,
Eidolons de aventesmas somos nós, num toque frio e soturno,

Pois a impermanência é rainha, e nós os seus meros súbditos,
Entre a aurora e o crepúsculo, dou o início por fim acabado,
Trazendo lágrimas, suor e sangue dos caminhos malditos.