A ampulheta vai ditando o tempo que nos é dado,
E, ao espelho, procuro a identidade do passageiro,
A candeia precipita-se, a bússola torna-se em fado,
E, em essência, o silêncio fica por nosso companheiro,
Nesta garganta a seiva das manhãs ainda não previstas,
Rescaldo de uma bruma interna - que venha a geada,
Há prelúdio para as olvidadas derrotas e para as conquistas,
Através de arcadas feitas de mármore, a vista então enevoada
Será sepulcro para quem passou a Vida tal fantasma diurno,
Vigília sobre o imóvel cadáver de um ontem então protelado,
Eidolons de aventesmas somos nós, num toque frio e soturno,
Pois a impermanência é rainha, e nós os seus meros súbditos,
Entre a aurora e o crepúsculo, dou o início por fim acabado,
Trazendo lágrimas, suor e sangue dos caminhos malditos.
Blog de um músico e poeta português onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
quarta-feira, 5 de agosto de 2026
Somos Eidolons Diurnos
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