Trago marés antigas escondidas no fundo das algibeiras,
Estas velhas cicatrizes são mapas de estrelas cadentes;
Do limiar do horizonte, vigília donde perco as estribeiras,
Sou arcabouço para o poema, o ósculo dentre parentes,
E os ossos recordam aquilo que os calendários esquecem;
Há ferrugens de crepúsculo nas dobradiças do temporal;
Estas searas auríferas, urdidas ao tom do olhar, oferecem
Estadia curta e breve para quem só conhece o vendaval,
Assim, transportamos candeias para os náufragos que somos,
Errantes entre portos, entre ondas — o salto da alta escarpa;
Regressamos à abóbada celeste, nos deuses que fomos,
Apogeu para o pó de estrelas enxuto nas nossas bochechas,
Colhemos flores como quem colhe estrelas, tal navio que zarpa
Face ao desconhecido, numa maré cósmica onde serei a brecha!
Blog de um músico e poeta português onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
segunda-feira, 8 de junho de 2026
Os Ossos Recordam Aquilo que os Calendários Esquecem
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