segunda-feira, 8 de junho de 2026

Os Ossos Recordam Aquilo que os Calendários Esquecem

Trago marés antigas escondidas no fundo das algibeiras,
Estas velhas cicatrizes são mapas de estrelas cadentes;
Do limiar do horizonte, vigília donde perco as estribeiras,
Sou arcabouço para o poema, o ósculo dentre parentes,

E os ossos recordam aquilo que os calendários esquecem;
Há ferrugens de crepúsculo nas dobradiças do temporal;
Estas searas auríferas, urdidas ao tom do olhar, oferecem
Estadia curta e breve para quem só conhece o vendaval,

Assim, transportamos candeias para os náufragos que somos,
Errantes entre portos, entre ondas — o salto da alta escarpa;
Regressamos à abóbada celeste, nos deuses que fomos,

Apogeu para o pó de estrelas enxuto nas nossas bochechas,
Colhemos flores como quem colhe estrelas, tal navio que zarpa
Face ao desconhecido, numa maré cósmica onde serei a brecha!

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