Há fósseis de luz entre esta poeira primordial,
Esta cartografia óssea são constelações internas,
A memória cósmica é, sim, sedimento temporal,
Galáxias adormecidas dentre estrelas fraternas,
E deste alpendre do tempo, quartos abandonados,
Vejo janelas gastas e a cal das paredes empoeiradas,
É a ferrugem dos anos, limiares de toques estagnados,
Telhados de silêncio, transitoriedade por portas cerradas,
E daí há rios que nunca regressam à sua nascente,
A correnteza é forte e as margens tão afastadas,
Afluentes sossegados, chegamos ao estuário subjacente,
Porém, ainda há sementes celestes, o húmus das noitadas,
Jardins suspensos com raízes do firmamento remanescente,
Colhemos das infinitas flores astrais; a seiva é enfim iluminada!
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