quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Entre as Margens da Pertença

Dedos de outros apontam de velhas janelas,
As sombras caem diante dos nossos próprios pés,
Sim, há portos dos quais devemos içar as velas,
Pois naufrágios acontecem ao nadar a rés,

De todas as coisas que não sei, és a mais bela,
Este frio na garganta, este pulsar no coração,
O erguer para o horizonte da mais alta estrela,
Pois o Verão sempre vem após a eterna monção,

Porque este é o dia que nunca regressará,
Má sorte, vida e morte, coisas da escola,
Este é o tempo daquele que versejará

Entre as margens da pertença, sou inteiro,
Retendo a sentença, guardando-a em sacola,
E ir indo e revindo neste perene passo forasteiro.

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