quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Entre Giz e Carvão

Prometemos tábuas de assoalho quando nos falta o chão,
Pedaços de momentos eclipsados, para o céu, o corrimão,
E, ouvindo a sua melodia, encontramos beijos então perdidos,
Respiro para dentro, respiro para fora, por becos percorridos,

Tenho esperado pelo sol, de olhar completamente aberto,
E o tempo tem passado no bater de um afoito coração,
E esse batimento, tão próximo, mostra-me o trilho incerto,
Tal um puzzle em que as peças parciais são de giz e carvão,

Tonto de tanto esbracejar, de lutar contra o poder do infinito,
Para quando nos deitamos e vamos ao poder único de um grito,
Porque eu queria também ser como eles — é mais fácil assim ser,

Pois entre as mãos há toda a divindade que aqui se pode suster,
Não obstante a insanidade, a loucura, o poeta em si treslouco,
Condensado o eterno, para mim, ainda tudo me soa a tão pouco.

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