segunda-feira, 12 de outubro de 2026

O Universo Prestes a Nascer

Trago no olhar um Universo prestes a nascer,
Admito-o neste incisivo respirar, neste trilho,
Sou feito de partidas e das que consigo escolher,
Mero aprendiz do fragmento do Inteiro, seu filho,

Pois procuro o que me escasseia — a perfeição,
E, nas nuances, perco-me nesta humana condição,
Sou nem mais nem menos do que todo o caminho
Que percorro entre partidas e regressos, sozinho,

E, nos toques fugidios, esvoaço entre marés e portos,
Sou pássaro e pluma, mas também caçador e chumbo,
Para além de todos os vivos, sou também os mortos,

Por isso coxeio, por isso vou ao pé-coxinho, por mim vou,
Não obstante a poeira, há Universo para ver; me incumbo
De aceitar o que está prestes a vir, o que o poeta observou.

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