Eu que do Universo testemunhei sua maravilha,
Tragando em mim seu âmbar estação a estação.
Porém de toda essa passagem e enfim partilha,
São ainda vossos lábios minha ânsia e perdição;
Amor, sois o saudoso suspiro que ainda inspiro,
Osculai-me pois a alma e quebrai-me o coração,
Vosso ombro concedei-me como porto de abrigo,
Lembrai-me o rodopio próprio da nossa canção;
A meus pés tombada jaz a pitoresca Primavera,
Este peito, urna para as cores e sua reminiscência,
O meio eu que tarda no que o ontem lhe trouxera,
Vós, sumptuosa sílfide haveis sorvido minha Alma,
E silenciado meu Viver com esta terna ausência,
Em melancolia aspiro do sepulcro a sua calma.