Brilha no escuro a lanterna do viandante,
Dispersando o nevoeiro e a noite pesarosa,
É ele o cúmplice da Aurora Boreal, o amante,
A rascunhar no caderninho sua poesia tal prosa,
Por trás dessas palavras há uma estória de encantar,
Através de cada passada dada e deixada no passado,
É ele o parceiro das Luzes Nortenhas e esse amar
É leveza no peito, é o voar para sempre num bocado,
Há vários compassos a apontar para o eventual destino,
Para o qual caminhamos estejamos achados ou perdidos,
Um dia ele há-de deixar o seu semblante no céu azulino,
Até lá, lembrar-nos-emos dos fantasmas que nos perseguem
Pela noite escura, acendamos a lanterna pelos dias concedidos
Pois aí brilha Deus e todos os princípios que no hoje nos regem.
Blog de um músico e poeta português onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
sexta-feira, 27 de maio de 2022
A Lanterna do Viandante
sábado, 21 de maio de 2022
Só Por Hoje e Para Sempre
Que as lágrimas parem de criar rios na estrada,
Estas rugas nos olhos que carregam as horas más
São as gerações dos que morreram na rua nublada,
Se o amanhã não existir serei fantasma sem sorte,
É preciso procurar o sol enquanto não vem a noite,
Percebam-me, não pretendo ser refém desta morte,
Quero encontrar uma luz onde essa luz não pernoite,
E estas memórias tornam-se na semente do sonhador,
Enraizadas no seu coração dando frutos majestosos
Que superam os tempos e ventos repletos deste amor
Maior do que os homens, a busca da parcela do Inteiro,
Que será trazida somente em vestidos belos e formosos
Por ares mais do que airosos no caminho do forasteiro!
domingo, 15 de maio de 2022
Somos a Mão do Universo
Sem dó e sem penas, procurando e dando amor,
As estações caminho para fugir dos problemas
Que são porções inadequadas de beijo, que são dor,
Pois esse pedaço de história é todo um passado,
A altura da falésia vai deste chão até ao coração,
E eu sou o raio de sol tornado na espera da moção,
Aquele momento único em que Deus é revelado,
Há poesia para quem em poesia ainda acredita,
No olhar, no toque de um instante ainda por vir,
Pertença ao tempo que a ampulheta ainda recita
Num terno pulsar que mais do que chegar, soa a partir,
Entre este aqui e o depois astros no sideral em órbita
Que ensinam que há tanto a chorar como a sorrir.
sábado, 7 de maio de 2022
Assim de Repente
Assim de repente, sinto a falta de toda a gente,
Dos sorrisos partilhados e na face delineados,
Dos olhares a apontarem iguais a se somarem
Em que duas mãos dadas eram no coração aliviadas,
Emudecendo os lábios aguardando um novo beijo
Que tarda a chegar, que aparenta nem sequer vir,
Entregando esta alma num simples e doce almejo
Antes da querença de um anseio de chegar ou partir,
Este sentimento é batimento cardíaco, vontade de voar,
Mesmo quando vem a queda, quando é difícil acreditar,
Quando não subimos à tona e respirar torna-se complicado,
Ou até quando beijar sem medo se torna em trilho nublado,
Não temais irmãos e irmãs, por vezes é assim o caminho
Que vamos andando seja em conjunto ou até mesmo sozinho.
terça-feira, 26 de abril de 2022
Frente ao Coração
terça-feira, 19 de abril de 2022
Distinção
quarta-feira, 13 de abril de 2022
O Primeiro e o Último Verso
E eu, aprendiz de Ícaro, por ventos e tormentas subjugado,
De joelhos prostrado, suplico a quem me confira a sua mão,
Pois os danos da queda deixaram-me um pouco desamparado,
Procurando o céu e a abóboda inatingível tal rua e recreio,
O anjo caído feito poeta inquisitivo, feito em indómito astro,
Adormecendo nesse pensamento sem qualquer medo ou receio,
Largando assim no celestial um rodopiante e cadente rastro,
O corrimão para o além vem para aqueles que são ousados,
Para os que recuperam luz da treva e da sua nebulosidade,
Pois no final serão sempre esses os infindáveis bocados
Que satisfazem o Inteiro, Deus a falar através do Universo,
Trazendo finalmente para o terrestre Sol e a sua claridade
Criando por fim na e da alma o primeiro e o último verso.
domingo, 10 de abril de 2022
Para Me Abraçar
segunda-feira, 4 de abril de 2022
Nunca Encontrei o Meu Poema
segunda-feira, 21 de março de 2022
Lamento do Sonhador Que Vai Deixando de Sonhar
quinta-feira, 10 de março de 2022
Para Quem Vai Deixando De Sonhar
E um dia sim seremos escuridão e então?
Na vida somos seixos um pouco à sua sorte,
Uma comédia deixada à metade do coração,
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022
Retraçando os Passos Onde Encontramos Amor
Sua pálida pele, silhuetas latejando dentre a distância,
Não precisamos de uma canção pois há ecos contidos,
Reparem, aqui encontramos Amor e a sua relevância,
Ele enfim se encontrou no silêncio, absolutamente perdido,
Suas vozes irascíveis, por utopias que precisam de remédio,
Esta fantasia é um vazio gritado por teres o sol concedido
E no seguinte segundo o teres coberto a Lua em tal repúdio,
Cerrando os punhos, fechando os lábios, o exílio da madrugada,
Deixamos a crença para trás, o almejo de respirar um sonho lindo,
De um amanhã que se tornou no passado de uns outros pés à estrada,
O seu abraço, o meu olhar, uma ode à perfeição em substância,
Desperdiçamos o que outrora fomos, esse néctar vai esvaindo,
Reparem, aqui encontramos Amor em toda a sua importância.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022
A Queda de Ícaro (Poeta) e o Seu Som
Estrelas cadentes recaindo em braços suspensos no ar,
Simples fotografia do mundo na alma de quem imagina,
A queda de Ícaro na perfídia desta luz demasiado invulgar,
Curvo a cabeça perante o conter de instantes acumulados,
Fragmentos de uma Vida inteira, destilando na ampulheta,
Embalado numa cadeira de sonhos, fracções e até bocados,
Para o além, para o longínquo até ao lugar onde alui o poeta,
Alguns vão dizendo de que o seu corpo jamais será encontrado,
Haja ou não escadas para subir ao céu, sem sonho, de cama desfeita,
Pois são tempos estranhos quando o último anseio é da Lua pendurado,
Quando só queríamos a aurora, a madrugada de um amanhecer por vir,
Esta é a sua queda, o quão apetece tornar em viúva esta ânsia imperfeita,
Esperanço que ele sonhasse com Glória, livre enfim num sorriso, num ouvir.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022
O Tentar
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022
A Esperança Voltará
Parece que já passei por aqui, aqui jazem lembranças
De pedras lançadas em lagos protegidos por um luar seu,
Era um caminhar sem o poeta se sentir perdido nas andanças
Que eram suas, as estórias contidas no vento e véu do instante,
Levadas para outras possibilidades, levadas para outras cercanias,
Por lugares por encontrar onde nos escondíamos da nossa amante
Enquanto o presente era levado para o longínquo por certas ventanias,
Sua fragrância persiste no mínimo detalhe da mais pequena coisa,
Luzindo entre memórias e tecidos agora rasgados ao esmo da estação.
Hoje ainda vai preenchendo o canto do olho onde um gentil colibri poisa,
Dentro de um raio de Sol ela virá um dia e quando cair a chuva virá também,
Ergue-se o turbilhão, levanta-se a tempestade, o aqui é propriedade do coração
Que sem objecção permite a vida acontecer onde a espera e procura ainda bebem.
sábado, 29 de janeiro de 2022
Entre o Ver e o Horizonte
quinta-feira, 20 de janeiro de 2022
As Coisas Por Trás Do Luar
segunda-feira, 17 de janeiro de 2022
Num Momento
Sob a língua que chama, o prefácio debruçado,
terça-feira, 11 de janeiro de 2022
Pintando A Paisagem
Ao centro, esquerda e direita, o pincel é dançarino,
Traçando os berços e urnas em cima do cavalete
Vai extravasando para um único instante e destino,
Suas cores, sinais iridescentes duma aragem passada,
O ponto preciso, sempre esvanecente, sempre presente,
Nascendo de palavras jamais ditas, vem a debandada,
O poema na mão concebendo um turbilhão ascendente,
Da tela para a paisagem, assim também sou rascunho,
O Ver é o pincel, a alma a tinta mediante a sua idade,
E heis a obra-prima de uma vida de linha a gatafunho,
Entre a terra, o mar e o céu, sem divisas nem bandeiras,
Vestido com a vestimenta do divino, sem vaidade,
Só saudade de quando nossas mãos eram companheiras.