Blog de um músico e poeta português onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
terça-feira, 13 de junho de 2017
Discursei tão Bem
Quando vieram enfim as maravilhas
Trauteei tão repleto de luz e alegria,
Entre fantasmas e sombras - a ilha,
Suas palavras ópio para a multidão,
Dizendo o impróprio, eu sou a sede,
Estes lábios tropeçando no coração,
Através do impossível caindo na rede,
Vi então a minha flor, uma pétala caída
Num passeio entre um jardim tranquilo,
O silêncio causado pelo caos de uma ida,
Percebei, este poema é uma ode à melancolia!
Pois deixai que da amada seja ainda pupilo,
Eu… que discursei tão bem naquele dia...
Falávamos
Abotoava a camisa, colocava o calçado,
Olhava pela janela com asas de condor
E o horizonte num instante era abraçado,
Um manhã voaremos antes dum anoitecer,
Rasgando a pele, entre as nuvens libertos,
Seguindo este trilho deixado pelo alvorecer,
Difundido por e entre suspiros tão incertos,
Ver é reparar no que além do óbvio se alcança,
Florescer ante o escutar atento e o desinteresse,
Onde fica o esquife e o sorriso de uma criança,
A escolha é subtil, perfume esperando tão silente,
Quanto menos esperamos o Universo acontece,
Sou todos num homem em si presente e ausente.
segunda-feira, 12 de junho de 2017
Procuro o Fim de um Arco-Íris
Crescente e erecto para os céus tal prometido,
Também inocente e esperançoso quanto ao fado
Em que o homem se submete como apelido,
Procuro silencioso por um tesouro escondido,
Por ouro que não reluz à mera vista comum,
Quem o encontra um dia é então surpreendido
Por alimento que alimenta mesmo em jesum,
Procuro o paraíso dos loucos e mentes sãs,
Por mendigos que escolheram o seu lugar,
O beijo que nutre a passagem das horas más
E por fim ensina ao descrente o que é amar
Pois mesmo que até lá não soe a alguma paz
A vida e a morte sabem pelo seu tempo esperar.
terça-feira, 6 de junho de 2017
Quebrados Somos
Irmão, vamos incertos de mãos bem dadas,
Calcando folhas caídas sem mar ou timoneiro
Cúmplice coralinos de perdidas madrugadas,
Segue este olhar e do céu serás a pertença,
A caravela de sonhos procura cais de abrigo,
São margens passadas esquecidas da crença
Suplicando por brisa no rosto tal mendigo,
Somos nós as canções das luas partidas,
Os instantes ínfimos entre a noite e o dia,
Os passos ecoados no claustro em fugidas,
Por este fim, o fundo de toda uma melancolia,
Somos nós as luzências outrora prometidas,
O sorriso num beijo: oh como o queria, como o queria...
segunda-feira, 5 de junho de 2017
Tenho Tanto de Fado
Tanto tenho eu de insano como de são,
Reúno imagens e fotos mentais em vil fardo
Que assusta e apoquenta o resto dum coração,
Fragmentos lembram o dia em que era rei,
Espiralando enquanto duas mãos se desfaziam,
Eu criança cujo medo se tornará assim a lei
Pelas sombras que na noite se escondiam,
Entre palavras, doutros lugares quase posse,
A chegada torna-se numa espera enfim,
Cuspimos vogais através de uma rubra tosse
Que parece não entender o real mesmo assim,
Sob a língua torna-se o sabor meio agridoce
De um homem que desconhece o que é o fim.
Pela Vista Desta Janela
Atormentado pelo vazio de um terno abraço,
Respiramos por sorte no meio de dois corações,
Errados ou certos dormíamos na ideia de regaço,
Estes sentimentos irão um dia subsidir,
O sorriso retornará e num beijo todo o alento
Que um dia pensamos ter deixado de existir,
Esta é a noite em que por último respirarei,
Beberei da fonte da solidão seus mil venenos
Nesta viagem perdida, o que amanhã serei
Será só outro sonho que continuarei a buscar.
segunda-feira, 22 de maio de 2017
Poeira e Pó
Se ainda respiramos somos os sortudos,
Foram os amantes que deram errado,
Estamos amargurados pelas mais-que-tudo,
Poeira e pó e restos de lenços rasgados,
Escrevemos poemas para os deixar à estrada,
Gargantas doridas tornam-se sonhos quebrados,
Do princípio somos fim, quase um nada,
Piscando os olhos há tanto e tanto a perder,
As visões do ventre materno são eternidade,
Ideias são o lugar lentamente a arder,
Sombras preenchem lugares já sem lugar,
O vazio de outro beijo trazem a inverdade
De um homem apaixonado que não sabe amar.
sexta-feira, 19 de maio de 2017
Coração, Porque
Tropeço em ti, procurando um apaziguamento,
Porém sou refém de tuas mil e uma emboscadas
Que somente me levam para a dor e o sofrimento...
Coração, porque bates e te silencias logo a seguir?
Será que perdeste a luzência e brilho de criança?
Parece que tua paz ainda não está bem para vir,
Será que a tua boémia é apenas uma lembrança?...
Coração, porque não esvoaças mais alto que o céu?
O mundo sem mercê ou sequer um pouco de perdão,
Ainda há tempo para reencontrar aquele leve troféu,
Espero que ainda haja tempo para partilhar uma mão,
Pois à sua ausência pouco mais és que lúgubre mausoléu
Onde dormita para sempre um triste e pesado coração.
Mais um Adeus
Procuramos quem não quer ser encontrado,
Até nunca meu amor, vem minha solidão,
Vivemos a ilusão de um sonho já quebrado,
"Mais um adeus", um outro instante passado,
Viva a agonia e miséria, a lágrima do trovador,
Outra vez maldito, outra vez o desencontrado,
Quem vem não o segura, não lhe confere amor,
"Mais um adeus", uma mão que não foi dada,
Dois não alcançando hoje o esbelto horizonte,
O sorriso ido de uma cama fria, não partilhada,
"Mais um adeus" que parece nunca mais passar,
Para o beijar perdeu-se o chão, foi-se a ponte,
Será assim tão difícil ter quem nos possa amar?
segunda-feira, 15 de maio de 2017
Refém de um Último Beijo
Refém de um último beijo e da sua lembrança,
Da ligeireza com que um abraço é perdido,
Torna o homem novamente numa criança,
Ficando toda uma espera enfim sem sentido,
Pois aguardámos silentes de coração na mão,
Permitindo estações passar e rios chegar à foz,
Hoje não há espaço para conceder seu perdão,
Mas não importa, para o fazer já não há a voz,
Deixando-a deixei parte cativa do meu passado,
Eu morri quando iniciaram a diferir nossos passos,
Momentos e memórias para um futuro partilhado
Não foram o suficiente para manter esses laços
Que envolviam dois numa dança e abraço apertado
Pois que durmam para sempre em mil pedaços.
Poder Adormecer
Ter simples regaço e descanso, o sonho infinito,
Num retrato a ode de cores a um firmamento
Que embeleza as suas redondezas e é bonito,
Esboçando as emboscadas para um coração,
O poeta acenando a mil e uma despedidas,
Jazigo pleno para quem não soube dar a mão
E se foi perdendo à passagem pelas avenidas,
De dedos esticados quase alcanço a lembrança,
Um momento delicado suavemente retocado
Por mim, quase eu, numa sumptuosa dança,
Para mim todo um almejo alguma vez ansiado,
O ar aberto, o sorriso indelével de uma criança
Que trago nas rugas de um dia outrora passado.
Por Janelas de Vidros Azuis
Somos plumas ao vento sendo o voo alcançado
Na queda da montanha até à margem querida,
Sob o indómito desejar de um céu mais azulado,
Procuramos razão para toda uma triste ansiedade,
Para saber que temos céu e chão para o passeio,
O silêncio acontece quando isso não é a verdade
E novamente caímos, reféns desse mesmo anseio,
Almejámos mais do que conseguimos enfim voar,
Passam instantes recordando-nos do findo tempo
Daqueles possíveis beijos que já não podemos dar
E que não há quem pare este tiquetaquear lento,
Há que o permitir, conseguir os passos enfim amar
E esperar que algures belo nos leve este lesto vento.
Procuro na Estrada
Por instantes que me façam inteiro,
Pois à sua falta só resta esta incerteza
Que ofusca a alma tal denso nevoeiro,
Em certas noites vem-me o cansaço,
A fadiga de para sempre ser aprendiz,
Sou parte, fragmentos sou até pedaço
Que em si próprio diz e se contradiz,
Era suposto ter já encontrado alguém
Que trilhasse comigo a vala incerta,
Estranho caso é ainda não ter quem
Para viver esta vida vivida e sonhada,
À margem ou pela porta entreaberta
Desde que longe fosse eu e a amada.
Perdemos o Sol
Derramados em suspiros feitos de luar
Sou espectros de ecos à ida madrugada,
Atento ainda ao passado, procurando lugar,
Para mim não bastam estas mil imagens,
Preciso de brilhos em mim encontrados,
Pois à vista da morte, de cinzas paisagens,
Espero-a onde me perdi, no chão ajoelhado,
Sob a enxurrada pergunto-me pelo destino,
A última despedida removeu todo o fado,
Eu roubo, eu rogo, eu prego tão franzino
Por uma mão na minha ou um beijo dado,
Pois vai passando breve a tarde vespertina
Que não me parece levar a nenhum lado.
sábado, 6 de maio de 2017
Este Desconhecido
A vigília do instante impregnada no presente,
Confere a esta passagem vestígios de beleza
Salvaguardada no coração do homem ausente,
Pedindo o possível desejando todo o oposto,
Assim me ergo onde os Deuses vão tombando,
Através e no firmamento encontrei o encosto
Para do puramente humano me ir libertando,
Guardo numa caixa toda a dor do enamorado,
O tempo passa e traz-me cicatrizes esquecidas,
Eu que os cantos e esquinas tenho aqui tragado,
Serei mais do que as breves estações perdidas?
Não, pouco mais sou do que um presente passado
E escoltado pelos dias ao rodopio das avenidas.
Era à Margem
Tudo de uma vez era luzência e escuridão,
Era o abrir da porta, o rodar da maçaneta,
No pequeno menino que ia de mão em mão,
Perdia-me só pelas horas enfim transviadas,
Na procura incessante e ânsia pela pertença,
As lembranças doutrora das ruelas beijadas
Pouco mais eram do que uma vil sentença,
Confesso às estrelas o indómito sentimento,
E sento-me esperando por cerúleas escadas,
Que me levem para o céu em contentamento,
Que me mostrem beleza pelas noites erradas,
Pois afinal a palma da mão é só um momento,
Onde as horas enfim se dão por idas e findadas.
Percalços e Encalços
Luzências da noite, sombras deste dia,
Outrora era fonte, tudo e quase nada,
Mais do que muito, mais do que podia,
O último dos poetas, beijo-a na testa,
Sou, fui um semblante deste passado,
Hoje outro boémio procurando festa,
Cambaleando torto de si quase abdicado,
Mãe, dá-me a mão, puxa-me para o céu,
Estampa-me o sorriso que foi deixado
Confere-me um caixão que seja só meu,
Um pouco do firmamento tão, tão amado,
Cansado deste andar por campos de asmodeu
Por mim já tão esquecido, por mim tão ansiado.
Passo a Passo
Na vereda do sonho vem outra despedida,
Parte-se o coração, sinto-me tão sozinho,
Assim não alcançando a margem querida,
A envolvência do mesmo olhar perdido
Entre arvoredos por ontem ensombrado,
Caindo pelo horizonte em mim expedido,
Sem destinatário e por ninguém esperado,
A brisa e o vento, meus nomes abreviados,
Através da planície, o ausente desta vida
Entre margens de sonhos sempre adiados,
Sou as ruelas, sujo e ímpio, sob a lua partida,
Poças de água choca, pores-do-sol deixados,
Atrás, os ecos largados são ósculo à avenida.
segunda-feira, 1 de maio de 2017
Daqui
Daqui, sonhos ausentes são acordados,
As suas plumas destas costas penduradas,
Estala a madeira sob os olhos cerrados
Pela colina abaixo apanho as enxurradas,
Canta o meu rouxinol e vem a madrugada,
Acredito em princesas e anjos do mundo,
Não sou único, punhos fechados à alvorada,
Sou a montanha escalada pelo vale profundo,
As algibeiras por nós de cabelos alinhadas,
Sussurrado por cada direcção, qual estação
Será lar para o vagabundo? Garras cravadas,
Respiro o afago de Deus e canta o coração,
Porque não me vês tu de peles pigmentadas?
Eu só preciso do arremesso dado pela tua mão.
Um Último Beijo
Seus lábios sepultura neste resto de mim,
Tanto já feito, tanta cor por aqui deixada,
Será mais do que pluma caída do querubim?
A lágrima largada ao desleixo da enxurrada,
À penúria do instante do demónio andante,
Eu, o poeta trovador tocando a trovoada,
Cativo do seu olhar ermo, frio e hesitante,
Em cada rio há um cinzeiro: eu na rua,
Minhas musas, minhas Oressas - sou recluso
Do breve passado, da minha mão na sua,
Saudade deste coração cego e alado a correr,
Saibam que outrora fui parte do sonho difuso
Pois à sua ausência por cá ainda prefiro morrer.
sexta-feira, 21 de abril de 2017
Este Olhar
É amador do visto, sonhador do imaginado,
A perfeição é que nada é meu, nada é meu,
Nem o que trago nos bolsos ou tenho ansiado,
Este olhar é um coração irrequieto a palpitar,
Insano e louco, sem protecção no seu trajecto,
Travo na garganta do que posso experimentar
Indo rascunhando no beijo este breve soneto,
Este olhar é também do lado de dentro farol,
Espaço trilhado e fadado para quem procura,
Mesmo quando este se cega pela luz deste sol
Em si continua sendo a moldura do horizonte,
Onde mais ninguém a si próprio lhe segura
E onde para diferentes margens é ponte.
Estes Versos
Esbatendo-se e contra o firmamento dispersos,
Caem do céu tal pétalas de rosa, uma a uma,
Para mim são céus, planícies e sonhos diversos,
Estes versos são fragmentos do plural ancestral,
De uma verdade única quase, quase inatingível,
São oferendas para o Deus de tudo o que é astral
E reflexo do homem de pluma aberta e sensível,
Estes versos são ode e apoteose para o instante,
Para aqueles momentos sempre perto do coração
Pois do eterno e imortal somos o perene amante
E o pluriverso em nós é a lembrança e a ambição,
O sorriso no canto da lágrima, a sombra semblante
Cativos da rosa dos ventos e na palma desta mão.
Este Caminhar
sábado, 15 de abril de 2017
Os Pretextos
A procura incansável da estrela cadente,
Aquela que risca o céu e se deixa à margem
Da abóbada celeste e do homem ausente,
Aquele vertical caminhando quase inteiro,
Através dos segundos e a canção de embalar
Que é o suspiro da morte e do mestre Caeiro
Tão simples e pequeno num ínfimo almejar,
Desabando e erguendo escadas para o céu,
Oh poeta bardo, rosa e espinho na garganta
Onde todo o passado é tudo o que já deu
Então passou de mão beijada ao seguinte,
O último dia de sol e a chuva que é tanta
Que pede e dá esmolas tal abastado pedinte.
quinta-feira, 13 de abril de 2017
Estes Trilhos
São a lágrima no sorriso do viandante,
Entre si o espaço de quem não sabe ficar
E se perde tanto em si como no instante,
Assim passam o tempo e as estações,
Num sentimento incólume à sua passagem,
É assim que se esbatem dois corações
E mil dias se estendem numa única imagem,
A pretensão em sorver um amor eterno,
Esperando o néctar de flores esquecidas,
Venham os anjos caídos e todo o inferno,
Vede! Pouco mais sou que todas as partidas
E a sua envoltura num abraço fraterno
Do beijo abdicado em infindas despedidas.
segunda-feira, 10 de abril de 2017
O Amor Deste Coração
Onde passam beijos e algumas lembranças,
Onde a flecha do cupido se dá por quebrada
E num cofre esquecido se guardam alianças,
Desde menino o sonhador de porcelana,
Frágil e delicado numa infinda despedida
Aonde passa a hora, o dia e a semana
Quando em si próprio já não há guarida,
Esconde-se em redutos desprovidos de cores,
Lado a lado contando as sombras da viagem,
Por vezes olvidando a sua beleza e as flores,
À mercê da intempérie, refém da insanidade,
Até o que tinha por certo se torna miragem
E ele se dá perdido nesta sua terna beldade.
domingo, 9 de abril de 2017
O Reduto
Escapistas da alma e da mente espairecida,
Espiamos parte do não visto e seus amores
São os ósculos impedidos pela despedida,
Escorremos através do leito de uma cama,
Inscientes ao tempo de uma dádiva passada
Em que o rapaz trazia na mão a sua dama
E vinha o mundo à passagem da estrada,
Saudades de tempos idos e outros instantes,
Quando me enlevava num voo sem rede,
Por muito que pretenda tornar a um dantes
É de mim próprio que é por demais a sede,
Assim se esquecem de si os dois amantes
E vamos um sem o outro contra a parede
quarta-feira, 5 de abril de 2017
No Rosto Impresso
Perto do desencontro quase encontrado,
Vejo outra meretriz por si embriagada,
Sou ela em mim e o seu cálice tragado,
Outra garrafa de vinho e pinto constelações,
Esboço nuvens e horizontes sem fim,
Desde que não parem com os garrafões
Quase que esqueço de quem sou para mim,
Outro trago e encontra-se enfim a solução
Perdida para quem deixou de se procurar,
Até se perdem as perguntas para a questão
Então deixem-me, não me quero enfadar,
Pretendo a morte do homem de antemão
E nestes embevecidos instantes poder estar.
Pinto Seu Rosto
A felicidade é dos inconsequentes herança,
Eu sou ponte para seus tudos e seus nadas
Quase homem, sendo o velho ainda criança,
Preciso da procura da linha do horizonte,
Pousio para os sonhadores e seus ideais
Pois à escassez de água e da sua fonte,
Sou eu que de mim ainda preciso mais,
O resto é passageiro fugaz a traço incerto
Sussurrado no intempérie desta ventania
E é somente por ela que me sinto coberto,
Ao céu e à lua e claro ao paraíso venerado,
Que sobrem as contas que matam a magia
Desta bela e breve viagem em tom ansiado.
domingo, 2 de abril de 2017
Tenho Dois Vultos
Lado a lado, um negro como o breu,
Outro com a luzência do sol à alçada
Sendo eu quem de ambos se esqueceu,
À margem da rua estranhando sua tela,
Pernoito à sua silhueta, quase acordado,
Tento beijá-los mas sou ignorado por ela
Que em mim é a penumbra sem cuidado,
Em ambos vejo este reflexo, tal fotografia,
Porém em nenhum me vejo por completo,
Então dividido fico entre a agonia e a alegria,
Entre a viagem sem margem antes da cortina,
A vós os dois vos dedico a ternura deste soneto
A vós meus vultos, o brilho da minha lamparina.