Leve, puro e inocente, eu era então o crente
Para perder a crença e a inocência, coragem!
É a ousadia que merece o mundo de repente,
De trás à frente, o sopro do Universo na aragem
Que nos imbui, um sonho numa nuvem ancorado,
Que seja permitido um bocado, leve, e eu alinhado
Para lá do sono, trilhando dentre briosas nebulosas,
Imensas e fabulosas, terei meu momento de prosas,
Condigno, encarando a manhã, e o seu rosto o espelho,
Reaparecendo num semblante não o meu, seria poesia
Isto que incendeia e sossega a alma, de joelho a joelho?
É ambares recolhidos e sustidos pela passagem da maresia,
Esta Vida é passadiço para uma criança se tornar no velho,
E entretanto?... Entretanto temos o oceano, o céu e a magia!
Blog de um músico e poeta português onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
sexta-feira, 24 de julho de 2020
sexta-feira, 17 de julho de 2020
Eu - A Cura e a Doença
Sim, sim sou eu, sou o Doutor e o paciente,
Eu sou a parte da cura e o bocado da doença,
Outorgante do comité do Sr. ministro e o utente,
Preciso de algo para me deixar ir, a droga, a crença,
A paranóia é a vidraça quebrada de quem não sabe olhar,
Quando não basta bastar, quando falta poesia no tocar,
Fica a máquina parecendo humana, a ausência de poesia,
Não confere porto de abrigo, lugar de passagem, magia,
É a carência por algo impossível de algum dia alcançar,
É a querença por um pouco mais, envolvido na pulsação,
Pois esta vontade é de facto o querer ir mais longe, o ir buscar
O espaço perdido entre o caminho, a parte que me deixa sozinho,
A fagulha esquecida pelo Homem que sustentava o seu coração,
Por isso a procuro, sustenho e a partilho com quem é aqui vizinho.
quinta-feira, 16 de julho de 2020
Quando Amar É Proibido Pt. II
Sente-se nos ossos quando amar é proibido,
É um frio miudinho num invólucro de geada,
Que relembra da lancinante dor, rua sem sentido,
Sendo o resto uma voz suave às estrelas suspirada,
Quantas vezes ladeada pela Lua, respirando o instante,
Com memórias murmuradas por momentos já passados,
A sua sombra torna-se cicatriz e o sentir, enfim, reluctante
Não obstante do sentimento, a crença, o Sol sempre acossado,
"Lembra-me um sonho lindo", por este rio acima, à enseada,
Diz o vento à tempestade, a ausência do perfume da sua mão,
Esperançava pelo seu regressar de volta a mim, minha amada,
Esta esperança mais forte que o tempo, mais forte que a morte,
De que há coisas incontornáveis, do plano divino do coração
Que tudo sabe e conhece menos qual é o Sul e qual é o Norte.
segunda-feira, 13 de julho de 2020
Quando Amar É Proibido
Chora gentilmente onde os outonos caídos repousam,
Um dia voltarás a voar, um dia só daqui serás o Inteiro,
Mesmo que seja póstumo, por onde poucos ainda ousam,
Mesmo como suspiros e confissões sobre o nobre forasteiro,
Pois este instante é uma eternidade, proibido ao lesto coração,
É maior do que a maior caminhada, é um beijo, é um dar a mão,
Não me esperem mais, a estrela do norte beijou-me e foi partida,
Sem chegada, uma noite para saber o que resumir toda uma vida,
Num simples toque e um rebobinar dos dedos de lá de cima,
Um sonho na terra se erguerá, acolhedor e maior que o mundo!
Somos dízimas de esboços de anjos vendo a cor do céu belíssima,
O resto é fragmento quebrado na estrada, um querer tudo e nada!
Pois procuramos a mais altiva montanha ou o poço mais profundo,
Assim é o Caminho, assim é a Vontade e os píncaros desta velha estrada.
sexta-feira, 10 de julho de 2020
O Homem Que Tinha Medo de Amar
Doces sonhos de melhores tempos, esticada mão
A ondas de âmbar, vestidos de veludo e paredesQue ainda não conseguem encurralar o coração,
Ele fulgura no escuro, pouco sacia as suas redes
De auroras boreais, de quimeras que tais, embora
Suspire, tal maré, o forro de prata enfim quebrado,
As mil vontades, um a uma, os tempos de outrora
Relembram momentos de inocência, deslumbrado,
Os traços do seu rosto ainda delineado a lápis estelar,
Oh por favor abraça-me, esqueci-me de como chegar,
Depois de tudo, ainda me faltavam moedas no bolso,
Era uma a um, apenas pretendendo o seu reembolso,
Por isso parto sem ir, sem chegar, homem no convés!!
Pois com medo de Amar, criança no porão ao revés!
domingo, 5 de julho de 2020
Amén
Atirando pedras através do lago, eu estava aqui,
De fotografia na mão, o sorriso da mera ilusão,
Algures entre a treva e a luz, algures por aí...
Vistas e sons e eu aguardando pelo coração...
À beira-mar, seduzido e absorvendo a maresia,
Inocência na mira do caçador e frágil a maré
Trazendo entre as ondas pedaços de poesia
E um buquê de flores como oferenda a Oxumaré,
Através do vidro, um espelho por fogo baptizado,
Céu limpo e poeira de ouro no globo ocular, à deriva,
Entre e por pontos de luz difundida finalmente elevado
Para cair dentre nuvens cinzentas, o fado dos itinerantes,
Salvaguardo o respeito e a paixão por qualquer coisa viva,
Natália, sim ainda acredito nas coisas inteiramente deslumbrantes.
sexta-feira, 3 de julho de 2020
Guardado na Palma da Mão Pt. II
De pés descalços sobre as estrelas eternamente cintilantes,
Brilhamos com elas, sem palavras numa bela dança infinita,
De sentidos apurados, o beijo das nuvens ternas e mirabolantes,
Esbelta é a transição de homem para o eterno, o fogo enfim crepita!!!
No peito dos Titãs, dos Atlantes, os deuses do Olimpo e submundo!
E darei como oferenda o píncaro dos céus e o fosso mais profundo,
A palavra do pensamento, a paz da acalmia vira tormenta e dor,
Um sonho dentro de um sonho, as pegadas o pincel no trilho e a sua cor,
Escutai-me bem, isto não é paixão, é Amor, é a ausência do humano,
Pois aqui grito com a voz de um louco, grito e vamos mano a mano,
É o mundo aos pés dos filhos do sol, que não vos falte então o chão,
Esta é a era para a caminhada em frente, para o tão ansiado,
Façam a mala, abram as persianas que sombreiam o coração
E que não vos encontrem vazios depois de ter tudo dado.
Guardado na Palma da Mão
Quando for com estas malas feitas pela estrada,
Para lá da montanha, verei o sol enfim cintilante,
Dando admiração aos semi-deuses, à asa dourada,
Pois estas caixinhas desaparecem no caminho errante,
Adornado a plumas e por elas ornado, os esbeltos contos
Contados um dia serão cor para gerações ainda por vir,
A sorrir, e nós, imortalizados no firmamento em mil pontos
Fulgurantes, hei-de chegar a nebulosas ainda por descobrir,
E colorir a ritmos cardíacos, lá no alto do céu, a pincelar,
O que os sonhadores imaginaram será o nosso novo lar,
Venham as armas, os mosquetes, espadas e a corrente,
Através delas hei-de lutar sendo o poeta da linha da frente
Da Guerra das Rosas, eu sou Luz, eu sou o bocado do fotão,
Eu sou a nada e o tudo guardado na palma desta minha mão.
terça-feira, 30 de junho de 2020
O Intuito Do Viandante
Para baixo da cama varrendo outro cobertor,
Sou eu o menino, a criança, o eterno amador,
E cai neve, e cai granizo e vem a enxurrada,
E eu de boca aberta esperando a madrugada,
E os outros sempre a me puxar para o outro lado,
E quem vem sou eu, vêem-me bem lá recostado
Ao molde que ofusca deuses e molda divindades,
Aqui, onde tudo é certeza sem improbabilidades,
É o brilho que cega o viandante, aqui visitante,
Por um pouco de tempo traz-lhe a paz à alma,
Cai cadente a alba, e somos mais que o restante,
Somos o fragmento de um momento de calma,
Onde o universo rodopiava sobre si num instante
Breve como a própria vida e cativo nesta palma.
quinta-feira, 25 de junho de 2020
O Cosmonauta do Vestido do Horizonte
Vagueando entre as costuras de um vestido,
A brisa é um feitiço para quebrar o momento,
Ouvido o vento crepitar no céu por mim sustido,
Na algibeira albergando supernovas, e eu sedento
De colinas, montanhas, céu, horizonte e firmamento,
Sobre eles entrelacei a estória do homem feito divino,
Deferido e definido, deixem-me estar, quase estou isento
Do humano pois só me falta largar a pele e seguir o destino,
Contemplem o instante do interior, as verdadeiras batalhas,
Que não imploram nem atalham mais! Criando e sonhando,
Eu brilho, eu fulgo, eu cintilo para além de muros e muralhas,
É universal e meramente casual, esta passagem dos segundos,
Que a passe a pé-descalço, sendo, tentando, dando e partilhando,
São estes os berços advindos dos funerais, os mil e um novos mundos.
A brisa é um feitiço para quebrar o momento,
Ouvido o vento crepitar no céu por mim sustido,
Na algibeira albergando supernovas, e eu sedento
De colinas, montanhas, céu, horizonte e firmamento,
Sobre eles entrelacei a estória do homem feito divino,
Deferido e definido, deixem-me estar, quase estou isento
Do humano pois só me falta largar a pele e seguir o destino,
Contemplem o instante do interior, as verdadeiras batalhas,
Que não imploram nem atalham mais! Criando e sonhando,
Eu brilho, eu fulgo, eu cintilo para além de muros e muralhas,
É universal e meramente casual, esta passagem dos segundos,
Que a passe a pé-descalço, sendo, tentando, dando e partilhando,
São estes os berços advindos dos funerais, os mil e um novos mundos.
domingo, 14 de junho de 2020
Enfim, Um Dia, Navegaremos de Novo
Estas lápides relembram quem lá está enterrado,
Enforcado, o alvoroço deixado num eco passado,
Somos um instante, um momento, sacro sacramento,
Que passa num instante, momento, que vai com o vento,
Um brinde a quem um dia preencheu e ocupou este lugar,
Tal bala pelo crânio e é instantâneo, é uma eterna satisfação,
De pequenas asas nos pés sinto os querubins a vir-me buscar,
Os portões do céu abertos, fechando os olhos, parando o coração,
De boca aberta as porções a cair tal pó de fada, iremos para casa,
Hoje, veremos pelos olhos do Céu, tu e eu, de almas entrelaçadas,
Por camadas de nuvens, nebulosas, supernovas e de pés em brasa,
Num buquê quebrado, o quê? Poções e afrodisíacos e falta-me alguém,
E para nenhuma surpresa, não haverá surpresa, as suas mãos perfumadas
Não dadas a estas, varrendo pois o tempo e a maré não esperam por ninguém.
sexta-feira, 12 de junho de 2020
Desaforos
Suspiro pela estrada fora, rostos por pó desfeitos,
Confabulo sonhos em vozes de outros poetas,
Engolindo supernovas não me dando por satisfeito,
O meu testamento são estas estrofes, estas letras,
Faltam-me palavras para a beleza astral do olhar
Do sonhador proficiente por suspiros da distância
Ao sonho. Caem árvores na floresta, diz o sonhar,
Apelando ao excesso, recesso, o sol e sua instância,
Enquanto cupidos mergulham por nuvens ascendentes,
Contentes, batem, matam e cospem em quem é amador,
Que são os que não arredam o pé, os eternamente crentes,
Então rindo-se com lágrimas no olhar, com champanhe barato,
Alguns suplicando que cubram seus corações a cimento, a dor
É grande sim, mas é ela também dos grandes poetas o retrato.
De Discípulos, Seguidores e Apóstolos Não Preciso
Outrora fomos um dia filhos de marinheiros estelares,
Fulgimos e esvaecemos tal brasas no céu colocadas,
Então vadiando e caindo aladas entre terras e mares,
(E eu a tentar apanhá-las e elas entre os dedos escapadas),
Todos os grandes lutadores têm cicatrizes de batalha,
Lembranças do passado, e eu, entre mim emboscado,
E amado, enfim, o perfume no pescoço que vai e retalha
As colinas, as florestas, sobre as montanhas e o bocado
Aonde caminhei celebrando o trovão, a chaga, o canhão,
As minhas mil maneiras seguidas porém sem seguidores,
Pastoro demi-deuses, aqueles que vão de alma e coração
E não se importam com o sim ou com o não; Suas dores,
Ao longo da jornada tornam-se em cores, e a sua mão
Procura pelo transeunte pois são de Deus os embaixadores.
segunda-feira, 8 de junho de 2020
Entre Os Ponteiros do Relógio
Eram assim vestidos brancos e danças lentas,
Através do silêncio da noite e por ela embrulhada,
Sossego, o ponteiro de um relógio e o que aparenta
Ser um instante infinito, parado e bem atento à estrada,
Opulento é o momento e escrevinhado à mão por um poeta,
Daqueles enlouquecidos pelo Mundo e com vozes na cabeça,
Inspira e expira, expira e inspira, da estirpe dos Deuses estafeta,
Não obstante, o lobo e o rebanho que faz com que o Sol resplandeça,
Em alvoroço silencioso, a tela para as cores do Sol, o anzol, o isco,
Mas também o pescador e a cana (tal como toda a margem e o rio),
E esvoaça o espírito, chove luz, reluz a enxurrada, os dois em chuvisco,
E nós nus, sem nada mas com tudo no peito, na mão partilhada, é incerto,
O destino, o fado dos homens, mas há magia, há poesia, há beleza e brio,
E ente as linhas de um poema, Amor Verdadeiro, daqui já vejo o mar-aberto!
terça-feira, 2 de junho de 2020
Somos Todos Fragmentos de Uma Supernova Que Não Tem Nome
Deixo-me na envoltura de uma densa nebulosa,
Tal como bom marinheiro, este poderá ser o momento
Encostado a uma constelação há muito esquecida,
O mundo a meus pés, a noite altiva e tão formosa,
Com as rotações da Terra parece que foi perdida,
Sorriso no peito e este coração, varão de escadas
Para as estrelas cadentes por poetas imaginadas,
Por pintores pinceladas, por escultores esculpidas,
O sonho de quem ousou e por este olhar recolhidas,
Cinco oceanos, sete mares e sua maré, vento norte
Que me empurra para a Primavera do firmamento,
Tormenta após tormenta, dependente da boa sorte
Tal como bom marinheiro, este poderá ser o momento
Em que vejo o vero beijo e escapo à bruma da morte,
Hoje é o dia em que da hiper-supernova sou fragmento.
sábado, 30 de maio de 2020
Furtando Estrelas
As cores do horizonte sou eu, eu sou pertença,
As cores do horizonte sou eu e de volta com estrelas na algibeira,
Dessas luzes fulgurantes, correntes, o beijo dourado,
Que vão e perduram no firmamento como sentença,
São eles que me fazem sentir vivo, sentido amado,
Pois sem Luz apenas escuridão restaria, a delicada
Luzência, também minha essência como é a negritude
Sou mescla de ambas, estando ou não na estrada errada,
Só assim sou relembrado que da falésia eu sou a altitude,
Por olhos negros esbranquiçados duma boneca de porcelana,
Frágil e franzina, conta-me os segredos de ambos, esplêndido,
Quando adormecer, ouvirei a sua cantiga, dulcificada e leviana,
As cores do horizonte sou eu e de volta com estrelas na algibeira,
Procurando e passando o firmamento tal estrela cadente difundido
Pelo cerúleo, hoje é o dia de trazer as cores distantes para nossa beira.
quinta-feira, 28 de maio de 2020
O Verdadeiro Sentimento
Nus, de vestidos brancos e de pés descalços,
Correndo a colina acima, em busca do divino,
Encontrei o Amor, activo e passivo, os destroços
Do ontem, são a valsa do pé-coxinho, o destino,
Não é preciso uma música, nós somos o dançar,
Sua cabeça encostada neste ombro, sou afortunado
Por ter quem me quer e eu quero, durmo, a sonhar,
Para lá da sombra do silêncio, acordo, ainda inebriado
Pela quimera que me acossou, pelo beijo entretanto dado,
Persegue-me o dia, quando apenas sonho à noite, e eu – quebrado
Deitando fogo à chuva, salva-me com um beijo, com a eternidade,
Fecho e reabro os olhos, esta é uma dança lenta enquanto a sala arde,
Labaredas mais altas que os demónios de Hades, parado num momento,
Em que eu e ela sabíamos o que era Amor Universal, o verdadeiro sentimento.
segunda-feira, 25 de maio de 2020
Massagem de Mãos Sobre Os Ombros
Apontando para o horizonte, para a porta de saída,
Eu ainda acredito no Amor, só não acredito no amor,
É o escape incerto a uma fotografia do sol retraída
Que parafraseia o sal da maré, o toque do trovador
Faz com que vivam sobre o arco-íris, sobre as nuvens,
A aprendizagem do permitir ir, há mais que o branco
E negro, há cores que nunca vi, o muro dos homens
Esvaece os anos, invade a idade, é forte tal potranco,
De peito quebrado, de coração subtraído, doce ironia,
O amador sem objecto para amar, o silêncio eterno,
Entre a fauna e a flor, olhos de oceano, a infinita afonia,
Não permite o permitir, "Olá!", é o que apetece dizer,
Quando o meu reflexo passa, passa todo o Inverno,
Mãos sobre os ombros, para as abraçar, para as querer... para as querer...
quinta-feira, 21 de maio de 2020
O Anseio Pelo Momento
Por vezes sim há palavras que não conseguimos sequer pronunciar,
Há que festejar e empurrar o pão com vinho, sentir o bem-querer,
Ou aquele ímpar e eterno Amor que não sabemos partilhar,
Sou apenas um homem, deixem-me estar, deixem-me correr…
Pois por vezes há paladares que se escapam dentre a cavidade oral,
Aqueles olhares que se perdem enquanto vêem o tido como beleza,
Este engolir em seco, expurgando o suor da testa, o palpitar amoral
Lembra que o instante passa, independentemente da gentileza,
Tal e qual como por vezes há livros que não sabemos colorizar,
Também há instantes que não conseguimos capturar, é natural,
Ou momentos que não sabemos mesmo bem, bem aproveitar,
Quando há tanto para permitir acontecer, permitir ser nesta Vida,
Mesmo quando nos esquecemos de nós neste nosso quadro pictoral,
Anseio e desejo o estar perdido no momento, na chegada, na partida...
Há que festejar e empurrar o pão com vinho, sentir o bem-querer,
Ou aquele ímpar e eterno Amor que não sabemos partilhar,
Sou apenas um homem, deixem-me estar, deixem-me correr…
Pois por vezes há paladares que se escapam dentre a cavidade oral,
Aqueles olhares que se perdem enquanto vêem o tido como beleza,
Este engolir em seco, expurgando o suor da testa, o palpitar amoral
Lembra que o instante passa, independentemente da gentileza,
Tal e qual como por vezes há livros que não sabemos colorizar,
Também há instantes que não conseguimos capturar, é natural,
Ou momentos que não sabemos mesmo bem, bem aproveitar,
Quando há tanto para permitir acontecer, permitir ser nesta Vida,
Mesmo quando nos esquecemos de nós neste nosso quadro pictoral,
Anseio e desejo o estar perdido no momento, na chegada, na partida...
terça-feira, 19 de maio de 2020
Eternos
É uma teia de aranha estas correntes,
Cedidas por aranhas para criar casas,
Pacientemente, vendo, estrelas cadentes,
Ornando a cúpula, estreitando esta asa,
Conferido sonho alado, tempo sem espaço,
Soletrando as sílabas de Deus, a crença,
A sentença é acaso até este andar descalço
Coincidência ou lapso? Não, esta é presença,
É Ser Inteiro, celeste longe da sombra e escuridão,
Por isso rio e choro tal Cavalo de asas pregadas
E rio e choro, e rio e choro e me segue a claridão,
A primeira em muito tempo, minha única pertença
É o tempo despendido entre partidas e as chegadas,
É viagem que faz do transeunte tanto a cura como a doença,
segunda-feira, 18 de maio de 2020
Mesmo Quando Tolhido Pela Maré
O tráfego transversa lá fora o pavimento,
Não posso albergar o Sol só numa algibeira,
É esta acumulação de instantes e de momentos,
Um dia chegarei à foz, seguindo para lá da fronteira,
Nada mais tenho para lembrar nem nada para esquecer,
Espera-me à esquina dos perdidos, a dos desencontradas,
Estoirando-me no peito um grito à desgarrada, quase a viver,
Pressagia-me e que o colibri cante com as plumas eriçadas,
Trago no rosto as aventesmas e as crianças deste caminho,
É a fuga e a lentidão, súbita e clara, nos olhos - a solidão,
Aberta e enterrada num berço, o ímpeto do percaminho,
Este é aquele instante que define aquele instante anterior,
Sim, somos tolhidos pelas marés mas é o pletórico coração
Que não arreda, que não cede que não desiste – ele é o Ser Inteiro, ele é o Excelsior.
segunda-feira, 11 de maio de 2020
... E Assim nos Elevamos
…Tropecei nas escadas, a universal estenografia,
Reviso as estrelas a recaírem da escuridão,
São terra e crepúsculo retido em garrafa,
Incidindo em asteriscos de eviterna servidão,
Criamos escadas para o céu de exíguas colinas,
Onde o trilho for, por onde o rio fluir a cada vez,
O objectivo:as encruzilhadas, altas ou picolinas,
E eu respiro seus Deuses por um, a dois, a três,
Através de vales e montes, este é o Cosmos privado,
Pássaros chilreiam, animais pastam e eu sou preenchido,
Há quatro estações apenas num dia, deveras obrigado!
Somos tantos, vários e diversos pontos descontrolados,
Sempre entre margens, pela ponte e o horizonte colhido,
Pour le monde, enfim ascendemos e somos deificados!!!
Por Vezes Esta Miragem Quase Sabe a Vida
A paixão por um beijo adagiado estancado no peito,
Enamorado por um gesto quase consumado em vida,
A vida vira meia morte por alívio, remédio, por respeito,
Entre estes dedos as mãos de Rhea nos últimos restos de vida,
Uma cama de rosas impaladas, enfim em frente o jardim do Eterno,
É um toque de alaúde e caiem todas pérolas dos seus pés,
Rasguei as asas para andar com os humanos, oh tao ingénuo,
É mera luz e restos de sonhos dentro de vagões indo invés
Do caminha da graça, este vestido resguardo, estas paradas atrasadas,
Aí meu amor, a nossa dor, a nossa vida, mas que epopeias deificas,
Esta é a a minha serenada a quem atravessou, aquelas outrora amadas,
Por isso sereno a madrugada, por isso as indentações do coração são sorrisos,
Conto os segundos para a manhã, fujamos para algures bonito, por lendas seráficas!
Depois descansaremos num majestoso lugar… já ouço os passarinhos cantar, já ouço os passarihos a cantar….
sexta-feira, 3 de abril de 2020
... E Que Assim Seja
Permite o teu valor se erguer! Ousando a bravura irada!
Aquelas mãos acossando para longe da esposa e filhos,
Por ti, eu, o desafio, os raios do inferno, a emboscada,
Enquanto meus inimigos a penumbra, tu fulgor, eu brilho!
Tão forte quanto puder, tão forte enquanto puder, o divino!
Melhor que este genocídio, maior que esta contrariedade,
Sou a raiz da terra, sou a vida ao tentar o aqui do destino,
O orgulho de uma pequena ilha, transversal à integridade,
Ó Deus, não tremerei enquanto vir os lobos enfim fugindo,
Eu triunfo pelo tempo, maior que Deus, através do espaço,
A comida que o cão come com prazer e renome e eu brindo
À morte! É a morte (posso morrer)! E à vida! É a vida (sou-lhe tudo),
É a morte! É à morte! É a vida! É à vida! E nós o homem peludo,
Que convoca o sol e o faz brilhar, passo acima, para cima o passo
(Um passo para cima, outro passo adiante …eu faço o Sol brilhar!).
Aquelas mãos acossando para longe da esposa e filhos,
Por ti, eu, o desafio, os raios do inferno, a emboscada,
Enquanto meus inimigos a penumbra, tu fulgor, eu brilho!
Tão forte quanto puder, tão forte enquanto puder, o divino!
Melhor que este genocídio, maior que esta contrariedade,
Sou a raiz da terra, sou a vida ao tentar o aqui do destino,
O orgulho de uma pequena ilha, transversal à integridade,
Ó Deus, não tremerei enquanto vir os lobos enfim fugindo,
Eu triunfo pelo tempo, maior que Deus, através do espaço,
A comida que o cão come com prazer e renome e eu brindo
À morte! É a morte (posso morrer)! E à vida! É a vida (sou-lhe tudo),
É a morte! É à morte! É a vida! É à vida! E nós o homem peludo,
Que convoca o sol e o faz brilhar, passo acima, para cima o passo
(Um passo para cima, outro passo adiante …eu faço o Sol brilhar!).
sexta-feira, 20 de março de 2020
É Preciso Abanar as Fundações de Tudo o Que É Confortável - Queimem Todos Os Templos Sem Deuses Dentro!
Pérolas e laços, máscaras e confetes, prazos de expiração,
Submergido no topo da montanha, a derradeira façanha,
Um beijo de adeus e vem o genocídio de uma geração,
A fundação para o fundo da algibeira, a divina artimanha
É tentar indo esvoaçar com asas por chumbo revestidas,
Auréolas rotas, os homens de fato oferecem salvação,
Passem o cesto de pensamentos e orações perdidas,
Eles são o vosso pai porém eu sou o vosso irmão,
E Deus apareceu-me no espelho pois os anjos caíram do paraíso,
A casa de deus promete a vida eterna, para além além do horizonte,
Por favor larguem essa pele, erguer-vos do vosso cadáver é preciso,
E Deus falou com a minha voz dizendo: "Escutem o vosso sorriso,
Pois só assim se criam escadas para o céu, essa é a verdadeira ponte
Deste momento para o próximo", e o resto meus irmãos... O resto é impreciso.
terça-feira, 17 de março de 2020
Cinza e Pó Onde Se Erguia Uma Igreja
Um breve adeus na bochecha, pétalas e arroz a seus pés,
Estas mãos pintadas a vermelho, de querosene o cheiro,
O vestido de noiva em segunda mão, os outros rodapés,
Onde sonhos penhorados eram reis enforcados num bueiro,
Neste olhar que nada muda, despeito para os corações quebrados,
Lembrando o tentar pensamentos felizes a caminho da igreja
Pois eram tardios amanheceres e entardeceres antecipados,
E esses lábios de outrora, quem será que os levemente beija?
Estas cicatrizes relembram-nos de que é bem real o passado,
E o muro que entre nós existe, é cerco e rendição para o ser,
Onde sua cara ainda fazia parte dos vivos, esse terno bocado
Era júbilo apoteótico, luzes sem sombras, era o único vero lugar,
Sim, tenho palavras para o não, sim eras e és todo o meu querer,
Cheira o queimado, quando o Inferno vier, deixem-nos o fogo banhar
Estas mãos pintadas a vermelho, de querosene o cheiro,
O vestido de noiva em segunda mão, os outros rodapés,
Onde sonhos penhorados eram reis enforcados num bueiro,
Neste olhar que nada muda, despeito para os corações quebrados,
Lembrando o tentar pensamentos felizes a caminho da igreja
Pois eram tardios amanheceres e entardeceres antecipados,
E esses lábios de outrora, quem será que os levemente beija?
Estas cicatrizes relembram-nos de que é bem real o passado,
E o muro que entre nós existe, é cerco e rendição para o ser,
Onde sua cara ainda fazia parte dos vivos, esse terno bocado
Era júbilo apoteótico, luzes sem sombras, era o único vero lugar,
Sim, tenho palavras para o não, sim eras e és todo o meu querer,
Cheira o queimado, quando o Inferno vier, deixem-nos o fogo banhar
quinta-feira, 5 de março de 2020
Indo Por Onde Se Vai Sendo
É a ausência de oração, a absoluta submissão, a falta de ar,
Dança, dança por dois e meio segurei séculos neste olhar,
Que por vezes se abstrai da beleza que é o próprio coração
E que por vezes até é aquele órfão sem lar, as asas sem avião,
É o sentimento o tormentório, a cela do asilo como enigma,
E que por vezes até é aquele órfão sem lar, as asas sem avião,
É o sentimento o tormentório, a cela do asilo como enigma,
Verticalizado nesta mão que é procura, os lábios já beijados,
Outrora num bocadinho de lua a mostrar-se-me no estigma,
Que é a cabeçada na auréola, os dias raramente albergados,
Tentando ir esperando um dia chegar, tão sozinho no respirar,
Completando-me com passos conferidos no chão ladrilhado,
A destreza da queda de uma pena é o vento suave, o suspirar,
Foi por aqueles passageiros que trouxe no peito ao convés,
Com as velas abertas, o horizonte nestas plumas esvoaçado,
A marcha solitária, serei o barco, serei o céu, serei as marés.
Tentando ir esperando um dia chegar, tão sozinho no respirar,
Completando-me com passos conferidos no chão ladrilhado,
A destreza da queda de uma pena é o vento suave, o suspirar,
Foi por aqueles passageiros que trouxe no peito ao convés,
Com as velas abertas, o horizonte nestas plumas esvoaçado,
A marcha solitária, serei o barco, serei o céu, serei as marés.
sábado, 29 de fevereiro de 2020
Ouçam-me seus Filhos da Puta
Não sou o Kurt Cobain nem Robin Williams nenhum ,
Mas sou um rockeiro filho da mãe, sou a agulha partida
Que traz o demónio em si, a puta familiar, sou algum
Pino sem sinalização, a cabra da generalização, a batida!
E esta segregação de mim para mim fode-me a globalização,
Eu sei que estás perdido apesar de perfeitamente encontrado,
Mentira, já me perdi mais a mim do que a ti sem me ter procurado,
É só esta a vontade, a vontade de ir sem trela, ir sem ser achado,
Tu que ardes sem arder, tu que preferes a não vida ao morrer,
E sonhas sem tentar alcançar, que esqueceste o ir e o buscar,
A correção outrora partida, a quase revisão, a factura do querer,
Iremos ser vidas passadas, voando para casa com cada "a tal",
O do-li-ta, o actuar sem palco, o pior dos actores a representar
E eu voarei para casa portanto vejo-vos um dia no meu funeral!
Mas sou um rockeiro filho da mãe, sou a agulha partida
Que traz o demónio em si, a puta familiar, sou algum
Pino sem sinalização, a cabra da generalização, a batida!
E esta segregação de mim para mim fode-me a globalização,
Eu sei que estás perdido apesar de perfeitamente encontrado,
Mentira, já me perdi mais a mim do que a ti sem me ter procurado,
É só esta a vontade, a vontade de ir sem trela, ir sem ser achado,
Tu que ardes sem arder, tu que preferes a não vida ao morrer,
E sonhas sem tentar alcançar, que esqueceste o ir e o buscar,
A correção outrora partida, a quase revisão, a factura do querer,
Iremos ser vidas passadas, voando para casa com cada "a tal",
O do-li-ta, o actuar sem palco, o pior dos actores a representar
E eu voarei para casa portanto vejo-vos um dia no meu funeral!
sábado, 15 de fevereiro de 2020
Há Coisas Que Eu Fui Que Tu Nunca Deverias Saber
Esta montanha que subo sou eu, eu sou a montanha,
A última e seguinte batalha para a vencer, para viver,
Vislumbrai a guerra do ontem, que é quem me acompanha,
Sou eu, a cicatriz entreaberta, a beleza na morte sempre a morrer
Enquanto procuro uma flâmula interior, eu brilho, eu vou e viando,
Eu sou a e na jornada pelos pés largada, esta verdade, esta ilusão,
Eu sou a última verdade que para mim importa, selvagem e brando,
Que quase passa sem se ver, que é esta falsidade, que é este coração,
Imaginai a vida como uma silhueta e então na noite caminhantes,
Ireis para longe do lugar que ocupais aqui, além do bem e do mal,
Notando que para sempre deste trilho seremos os últimos viandantes,
Somente ninguém se aventura para lá da luz, minha linhagem findará,
Este sangue largado na lágrima largada no suor, eternamente marginal,
EU sou a tempestade, EU sou a ovelha, eu sou em ti, por aqui e por acolá.
A última e seguinte batalha para a vencer, para viver,
Vislumbrai a guerra do ontem, que é quem me acompanha,
Sou eu, a cicatriz entreaberta, a beleza na morte sempre a morrer
Enquanto procuro uma flâmula interior, eu brilho, eu vou e viando,
Eu sou a e na jornada pelos pés largada, esta verdade, esta ilusão,
Eu sou a última verdade que para mim importa, selvagem e brando,
Que quase passa sem se ver, que é esta falsidade, que é este coração,
Imaginai a vida como uma silhueta e então na noite caminhantes,
Ireis para longe do lugar que ocupais aqui, além do bem e do mal,
Notando que para sempre deste trilho seremos os últimos viandantes,
Somente ninguém se aventura para lá da luz, minha linhagem findará,
Este sangue largado na lágrima largada no suor, eternamente marginal,
EU sou a tempestade, EU sou a ovelha, eu sou em ti, por aqui e por acolá.
(A reticência para lá do ponto final...;)
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020
Chromované
Para sempre haverá impressões digitais no cadáver do passado,
Foste ruínas, morte e decomposição, foste ausência de perdão
E entretanto do perene ruído fez-se silêncio, fez-se o bocado,
Quando a estrela do norte nem apontava para o resto do coração,
Por um eco reverberado em corredores à ausência deixados,
É uma vida sem viver, é tempo de ir e acordar - hoje,
Pois há corações ao vento, por si bem quase amados,
Foi quando o velho se fez ao trilho de quem de si foge,
Pois para os mortos somente um sonho é esta vida,
E se todas as donzelas vão para o céu só o céu sabe,
Então se espero, se vou, se em mim sou também escapulida.
Que brevemente haja espaço para as palavras inauditas,
O tesouro a encontrar, eu sou o portão que enfim se reabre,
Eu sou toda a implosão de supernovas neste sonhar escritas.
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