Blog de um músico e poeta português onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
terça-feira, 26 de março de 2019
Vivendo no Passado na Ausência de Futuro
Entre os lençóis amarrotados na hora incerta,
Pergunta quem se entrelaçará em vosso abraço,
Será somente a saudade desse esbelto regaço
Que dirige os sentidos para a noite sem fim,
Enquanto me procuro aqui, dentro de mim?
Assim descubro que sou figurino na sua vida,
Sou gente passada e pela escuridão envolvida,
Entretanto as vielas chamam o nome do desvalido,
Amor porquê? Para mim próprio já nem sou querido,
Alfim recolho-me sob o Luar de um segundo passageiro,
Deixando este coração receder na negritude de um bueiro,
Parece que por fim já não há mais estrelas para numerar,
Parece que aqui não temos mais novas marés para remar.
segunda-feira, 25 de março de 2019
Que Haja Sempre Vento Sob Essas Asas
Roupas usadas trajando cadeiras por pó encobertas,
Os esqueletos no armário tal lembrete para o instante,
Seus nomes ainda suspirados por janelas entreabertas,
Ao longe vão murmurando por entre o verso e a trova,
Calcando poças feitas de sonhos provendo a realidade,
Que não falte uma ideia e que esta brilhe tal supernova
Quando apenas restar uma escuridão ocultando a beldade,
Pois por vezes chove, outras faz sol, é este o eterno carrossel,
Vem o Inverno e vai o verão ornando em anos o semblante,
Conseguis entender-me quando grito desta torre de Babel?
Para quem nunca viu é sim esta a força que arrasta o vento,
Pois que me arraste a mim também para a pradaria distante,
Para lá do horizonte e que após a morte venha o nascimento.
quinta-feira, 21 de março de 2019
A Mancha do Coração
Sorrio desfocado e não há quem confira a mão,
Pois andamos perdidos, errantes pela estrada,
Pretendendo um pouco de tudo, tendo nada,
Passando por último na meta de uma ida Primavera,
Eu não pertenço a este mundo, eu sou de outra era,
De quando havia romance e era Vénus no regaço,
Um beijo na cara era suficiente para dar embaraço,
Pulsando e latejando ansiando por aquele perfume,
Trazendo no peito de Orfeu todo o fogo e ardume,
Então para quando uma estrela somente para nós?
Que jamais se olvide seu ímpar instante, a única voz,
Tudo o resto é levado pela maré retida no instante,
Suficiente para separar o indispensável do irrelevante.
sábado, 16 de março de 2019
Como Uma Vida Sonhada
É preciso viver sem esperar pela alvorada
Pois a morte vem vindo bem devagarinho,
Há muito estou pronto para subir a escada
E para lá das trevas voar que nem passarinho,
A passo pautado ouço a morte além da porta,
A imortal dança entre o eviterno e o instante
Que vou trazendo no palpitar desta aorta
Ora tutucando ora próximo, ora distante,
Por vezes perdido na implosão desta supernova,
Esquecido pelo trilho estelar que me deu nome,
É esta a melodia do poema, a miríade, a trova
Que ora nos maldiz, ora nos permite em benção,
Desde que fiquemos com rasto candente do prenome,
Estou pronto para partir desde que à luz do coração.
segunda-feira, 11 de março de 2019
Um Fio de Prata Para Um Pedinte
Seu cabelo prateado a única salvação do presente,
Chegamos ao manjar dos deuses que rico requinte,
Quando o que ansiamos era tudo menos estar ausente,
Incógnitos, conhecidos, amigos, amores e desconhecidos,
Passando o mundo e esperando que o amanhã regresse,
Pois entre os lençóis fui deixado, por lá fomos esquecidos,
Alfim vem a lua sobre o jardim que a lagoa beija e entretece,
Para quê tanto ruído se de silêncio sou alarido? Desapegado
Ao permanente, o beijo da sua boca, soa a pouco, a bocado,
Sobrevisto e revisto, revisitado e abandonado, ouve-me Amor,
Sem a prata do seu cabelo cessa a vontade de viver, vai a cor,
Uma corda ao pescoço, este pedinte voa! Enfim venha a fadiga
Pois do sonho estou cansado, que se silencie a voz e a sua cantiga.
sexta-feira, 8 de março de 2019
De Suas Costas Jazem Mil Valas Comuns!
Este é um precipício entre a maré-baixa e a montanha,
Eu ouvindo ternamente as dunas e aquela sua melodia,
Num cinto de ervas daninhas e espinhos tal artimanha,
Onde jaz o fantasma que é e assombra a hora deste dia,
Os prados ondulam na brisa como os cabelos da donzela,
Entre as lajes de mármore de onde se erigem os panteões
E eu com os olhos tão repletos de magia ansiando por ela,
Insciente às valas comuns dos anteriores, de mil corações,
Troncos cinzentos erguendo-se desta floresta abandonada,
Vem a noite e vai o dia, e eu sentado esperando a alvorada
Que seria um beijo único e irremissível, pelo colo e sua mão,
Oh seriam mil sonhos sonhados, o alcançar o céu, o perdão
Do poeta por escrever sobre o seu horizonte sem o alcançar!
Oh fosse ela a reciprocidade de um doce louco a tentar amar!
quarta-feira, 6 de março de 2019
O Círculo do Eu
O poente deste olhar que é vista e moldura,
Sou eu e vós o pincel de mil e um corações,
Aquele livre sonhador que da Lua se pendura,
Embalamos quimeras numa cadeira devaneada,
E com o pé na estrada, uns ficam e outros vão,
Não obstante o caminho que entre tudo e nada
Concede cor e asas ao tremeluzir da constelação
Que erigimos na lágrima e no sorriso, o relance
De um vulto tornando-se finalmente semblante
São os gritos emudecidos de um perdido nuance,
Tantas vezes reencontrado no rosto do espelho
Mesmo que por vezes esteja tão e tão distante,
Em súmula, é a criança retornando-se ao velho.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019
Fecha os Olhos e Sê A Vista
Somos aquele único beijo, somos o seu único momento,
Amor é aqui, o abraço entre briosas supernovas, o peito,
O latejo retido para além do maior parece-me tão perfeito,
A escrita sobre o rasto cadente até o princípio em mim
Pois quando eu vou e assim fico e se pavoneia o mundo,
Eu sou a parte de mim que é sempre aqui neste segundo,
Vós sóis quem lhes dá guarida ao abrigo dos vossos corações.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2019
... Sobre O Rasto Cadente do Firmamento
Estas páginas são sobre as pegadas deixadas na areia,
E também sobre o belo rasto cadente do firmamento,
Relembram que o que excede por vezes até rareia
Pois tudo é matéria e onda - aqui tudo é momento,
Trago sonhos para os insones com um pouco de magia,
Beija-me e sente o Universo, a procura pelo eviterno,
Esta sede de Infinito é tristeza com píncaros de alegria,
Amor é cada passo pela viagem - o abraço fraterno,
Por isso parto para um dia regressar, indo e vindo sem medo,
Através de janelas de vidros azuis eis o regaço da enxurrada,
Indo em frente ou para trás por vezes sem trama ou enredo,
Desde que permita à Lua e noite sentir-se para sempre amada,
Este é o trilho estonteante da Vida na ponta desse dedo
E estas são as tuas estrofes cadentes largadas à estrada.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
Nos Seus Cabelos Há O Havia
É suave, meiga e terna, relembra o outrora lar,
Ensejo divino, feito de veludo ou auto-flagelos
Porém é paragem e até sítio, é conforto, é luar,
Ao peito do sonho de quem mais ousa o recado,
Oh como eles deslizavam pelos ombros, pela mão
Cuja mensagem era simples: silêncio tornado,
Tal sussurro primaveril, a vontade é de pertença,
Sou eu a criança preta no abismo tal brincadeira
Pois deixamos para trás os beijos sob a Oliveira
Por isso de mim próprio fiquei para trás tal doença.
terça-feira, 29 de janeiro de 2019
Se é Andar, Andar é Ir Em Frente
Na palma o sonho, nas pernas a asa potencial,
Viajando através de quimeras e do firmamento,
Sou um nada e um Universo dando-se ao astral
Onde somos eternos num pequeno momento,
Esqueço a sombra que deixo tal rastro cadente,
Adiante há luz em mim enfim ainda por alcançar,
Todos somos eternos num minuto, de repente,
Aqui finalmente atingimos por fim o nosso lugar,
Para além dos mortos-vivos, há o esvoaçar alado,
Ouço o bater do coração que já não é só bocado
Então vamos por onde deixamos o corpo para trás
Onde a guerra reclamou os feridos nas horas más,
Por fim não há mais medo para caminhar em frente,
O mundo é muito mais desde que se vá e se tente.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2019
Matem o Cego!
Pois a vida passa e nada a preenche, só o ego,
Fazemos castelos na areia, pirâmides para o céu,
Porém somos menores que pequenos, despe-se o véu,
Anseiam por tesouros sem colocar o pé na estrada,
Transeuntes explorando outrem sem dó ou piedade,
Não conhecem sequer compaixão, amor ou caridade,
E eu, eterno viajante por onde vou ousando caminhar,
Por vezes perco-me deste meu trilho, perco o meu lugar,
Haja estrelas no céu, e cadentes para ser em perseguição,
São o adorno para o caminho, são o preencher do coração
A belos contornos reluzentes tal um beijo demorado na face,
Pois de desnecessário estou farto, disso é preciso o desenlace.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2019
Escapando da Armadilha do Beijo Sem Amor
Evitando o poço que perdura no beijo do instante,
Que não é suficiente, não é o satisfatório, é não amar,
Pois fomos construídos por sonhos tidos neste errante,
Mesmo que o aqui não o auxilie, poderia ser pior,
Poderia ser ausência no coração em tom narrativo
Partilhando o hoje com nada, tal pincel sem cor,
quarta-feira, 9 de janeiro de 2019
Passando Tal Estrela Cadente - Eu Brilho, Eu Brilho!
É o tempo que nos leva aqueles que chegados
Partem e deixam um sabor agridoce, é a tristeza
De saber que desta nossa vida foram eles levados,
Seus sabores nestes lábios de divindade semelhante,
Na orla da estrada foi onde fui nascido, ora consumido,
Para agora transbordando de vida, sou ainda o incessante
Como o ontem se empilha no perecido, é quase até querido,
O perseverante é queda vertical para acima, eu ressoo,
As colinas onde vagueei e me ergui sendo o firmamento
Segui o brilho das estrelas cadentes em ascendente voo
Sem perguntar sobre o que poderia ser amanhã, a ímpar visão
É que cada folego é sangue jorrando, assim dita o momento,
Se criar e sonhar é o mesmo - eu brilho, eu brilho no coração!!!
sábado, 5 de janeiro de 2019
A Viagem Estonteante da Vida
De vida no peito enlevando-a como oferenda,
Desencontrado com os ponteiros do relógio,
Esta máxima é o que vos deixo, é a prenda
E que bom poder partilhar, que privilégio,
Enquanto passa o tempo vou-me observando,
Espelhos mostrando faces por vezes distintas,
É necessário saber como os ir aqui quebrando
Para retomar o excelso desenho, ter as tintas,
Que é dia a dia por uma impermanência ladeado,
Quando falta um pouco de ontem, um bocado
Que não é amanhã também, é só este instante,
O carrossel é viagem através da pista estonteante,
E eu sou apenas passageiro indo em frente, adiante
Por onde o piso é simultaneamente o pé e o calçado.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2019
Quando Pesa Respirar
Por janelas azuis quase vejo minha chegada,
Entre as margens caminhando a passo subtil
Ansiando e esperando por uma eterna amada,
Por onde passei sombras beijando o caminho,
E eu, solitário, vagueio através de semblantes,
É assim na multidão que me sinto tão sozinho
Pois para mim todos vocês são ilhas distantes,
De sonhos para cinismos - é o poeta a envelhecer,
É o assassino da criança que por prados ia a correr,
É este tempo que não permite de alívio respirar
É esta cidade sem espaço para de facto se amar,
E eu a definhar com estas vertigens no coração
Por não encontrar quem confira ou dê sua mão.
domingo, 30 de dezembro de 2018
O Homem Que Vai Procurando
Procurando pelo feixe de luz divino, pelo imortal,
Nesta simples demanda deixo o impulso, o ingresso,
Caminhando fora e dentro do trilho, quase acidental
Pois a alternativa é fechar os olhos e deixar de ser,
Isso não tem magia, não preenche o coração
Então é pseudo vida, é quase morte, não é viver,
Isso é sem dúvida o que o homem velho há-de matar,
Há beijos a dar, abraços a partilhar e a única mudez
Rezo por encontrar esse lugar, o resto é passo dado,
Para o homem que ora se vai perdendo, ora é encontrado.
sábado, 22 de dezembro de 2018
Sede, Sede de Infinito!
Atravesso deserto levando na mão o coração,
Saltando alto, sem trampolim ou sequer rede,
Assim dita o passo que vai passando na estação,
Acredito na palavra amor e assim vou indo
Pois trago perto do peito o ósculo dourado
Que é beleza, é tristeza, é o universo revindo,
Trago palavras para com o transeunte partilhar,
Algumas são feitas de brilho intenso, outras dor
Pois o que é eterno ou imensurável para além do amor?
Nada, silêncio onde fui ruído, o aqui é o que tenho para dar.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
Partindo Para Um Dia Regressar Pt. III
Confessando ao poeta a sua própria naturalidade,
É fruto de amor sincero, de sonhos à cabeceira
Que se alastram pela planície expondo a verdade,
Aparências enganam então de mim sou o vestido,
O resto é sobra logo acabará por um dia escassear,
Pois lembrem-se que regresso sem ter ainda partido
Porque ainda não encontrei meu poiso, o meu lugar,
Esta viagem é interna, é caminhada pela alma eterna,
Quase sem se notar para além dos segundos vigentes
Que pela escuridão são ora a luz negra, ora a lanterna,
Não obstante do trilho, do esforço ou do sorriso perdido,
Há tanto a andar como a vislumbrar, acordai descrentes!
Reparem no tecido na vida, o ínfimo detalhe subentendido.
Partindo Para Um Dia Regressar Pt. II
Já terei partido para outras longínquas margens,
Portanto farei por ver mais longe, ler entre as linhas,
Pois este eu é o acumular dessas diferentes viagens,
Ósculando o caminho, por vezes tão e tão perdido,
Vamos na procura pelo encontro, a universal voz,
Tal ribeiros vamos fluindo lestos entre o já vivido
Enquanto este se alastra pelo leito do rio até à foz,
E eu meus amores sou porção da metade plural,
Alma sem trela, coração sem rédea, sou temporal
E monção sem a mera pretensão de o querer ser,
Amores - só no meu peito vos quero a todos reter!
E então novamente partirei sem ruído ou palavra
Esperando somente o encontro e que a porta se abra.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2018
Partindo Para Um Dia Regressar
As roupas usadas encaixadas na cadeira
São pirâmide para reis, para o confortável
Que outrora era regra e lei ora na algibeira,
Pintado a sangue no dedo indicador, oh amor!
Não sabes que és teia de aranha, a envoltura
É ser pedinte sem suplicar, ser pintor sem cor
Pois para a revolução enfim chegou a altura
E eu na curvatura, no beijo que é tão estranho
É escravatura sem mestre, pastor sem rebanho,
Pois então estou a partir para um dia regressar,
Chamem-me de aventura e que seja o vosso lar
E enfim que os séculos se tornem nos segundos
Que trago na mão do pintor por mundos e fundos.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2018
Tu És a Voz do Poeta
A maré então despindo-nos destas impurezas,
Se um dia me esquecer há sempre uma canção
Para sussurrar ao ouvido e dispersar as tristezas,
O crepúsculo é vista na poeira do regaço perdido,
Se olvidar haverá sempre uma história para contar,
Se houver lembrança então de escuridão despido
Serei a tentativa de amor ou ensaio ao querer amar,
Estrada lúgubre e luminosa, lenços levados na brisa,
Há pensamentos, há tormentos e há até testamentos
Para viver e por ela morrer, por essa esbelta poetisa,
Vamos à volta, a correr e escapar do tido como dor,
Há momentos, há rebentos e há até agradecimentos
Por ainda escutar a música e a voz, a voz do trovador.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2018
Para Quê Amar Apenas Uma Estrela Se Tenho Todo Um Firmamento?
Tal lenço usado procurando luz e magia,
Esta leve saudade é a nostálgica sentença
De quem é da noite mas vai procurando o dia,
Pois de estrelas é constituído esta leve alma,
E súplicas, orações e preces, quase há lugar,
Para encontrar, para sossegar em suave calma,
Quase sei o que é ser, partilhar e talvez até amar,
Alvoraçados pelo ruído das pessoas os pássaros fogem,
Eu sou tal como eles, um escape sem tempo a fugir,
Indagando o firmamento enquanto buquês colhem
O que me interessa a moça do sonho? A única donzela?
Em contraluz é a voz desfalecida e eu entretanto sem ir,
Sem sitio ou lugar para amar de facto uma ímpar estrela.
domingo, 2 de dezembro de 2018
Caminhar Sob a Chuva Nocturna
Está frio, está a chover e nos charcos o reflexo
De quem passou no som distante dos autocarros
Que me levam para onde não vou - tão perplexo,
Vestido de cinzas, precisamos de um remédio,
Algo que não seja eu, que seja outro qualquer,
Que enfraqueça a vontade de morrer, este tédio
É encobrido por nevoeiro, por mim a envelhecer,
Suspenso por um baloiço de uma infância ida,
Fotografias mentais de dias tornados memórias,
Esta dor é o conto de fadas pilhado, esta partida
É residente nas sombras deste peito, as estórias
Acumuladas tornadas um dia na ideia foragida
Nos degraus que sequestram as horas inglórias.
sexta-feira, 30 de novembro de 2018
Uma Penúltima Dança
Gritos sonegados pelo mármore dos corredores,
Cobrimos a face do sol, saltamos o último muro,
Temo que não haja tempo para chorar por falta de cores,
Aquele beijo que se deixou para um outro instante,
E eu a pedir tempo emprestado, os olhos da multidão
Não são suficientes para parar o inquieto pé dançante,
Dentre constelações, o sorriso do nobre infante,
Ela virá comigo, eu irei com ela sem amarras ou trelas,
Cuidado não é palavra para este coração lampejante,
Retracemos as linhas das mãos e sejamos a candeia.
sexta-feira, 23 de novembro de 2018
Há Que Ver, Há Que Acreditar
Do sonho para o real, do abstracto para o concreto,
Quando o Sol se põe e vem a Lua com suas imitações
É que percebo o quão este solo que piso é incerto,
Procuro Amor em mim e umas mãos nos ombros,
Para sair e esperar pelo vindoiro ósculo imortal,
Pois, por vezes, a Vida é enterro, é só escombros,
Oscilando o pêndulo do relógio que vai e vem tal
Ampulheta soando a segundo sempre passageiro,
Aqueles que fui e outros que serei outrora um dia,
Eternamente entre a luz do berço e o cinza do cinzeiro,
Perenemente entre a vil atrocidade e a bela melodia,
Pois quando esta última falha há apenas o bueiro
Onde cai o descrente, aquele que deixou de ver magia.
quarta-feira, 21 de novembro de 2018
Amor, Amar é a Viagem
Vestido em trapos de seda, só a observar
Quem passa e cedo é ida, é a lei da cidade,
Pois quando vem a partida e se vai a idade,
Por vezes, embalo madrugadas nos braços,
Viajando por alvoradas, por outros regaços,
De noites deixadas para trás mas tão perto,
Onde o passo do rapaz deambula pelo incerto,
E há fantasmas do passado e anseios de futuro,
Por tudo que tenho albergado: o saltar o muro
Que separa as caixas da dimensão - a vogal aberta
De quem teve lugar no coração, na planície deserta,
Por vezes é tão difícil dizer adeus e ser a despedida
Porém são os trilhos de Deus que afiguram parte da Vida.
sexta-feira, 16 de novembro de 2018
Boa Noite Doce Príncipe
Semanas passam e este pedinte pede seu enterro,
Pois são elas, as princesas, as mais que belas,
Que lhe atiram terra para o caixão, assim me soterro,
A quem me viu buscar, a procura é eterna meus amores,
Os lobos vêm jantar hoje e eu sou parte do rebanho,
Dormindo no frio dos nossos corpos mutilados por flores,
Por vezes partindo antes da salvação, antes do não,
Pode parecer uma partida rápida, um ir repentino,
Que é queda, que é monção pois sabia de antemão
De que esta dor é só lembrança de quem não esquece...
domingo, 11 de novembro de 2018
Por Janelas de Vidros Azuis - Enxurrada
Por janelas de vidros azuis - enxurrada,
Tempestade em cada beijo ao pavimento,
Recaímos do berço do Sol, na calçada,
Pisamos o aguado em tons de cinzento,
Alguém diz: “Solidão és a companheira”,
Remetendo às rugas finas atentas no olhar,
Degraus e degraus até ao final da ribanceira,
Descalço e leve, um empurrão e a esvoaçar,
A tristeza de ir e nunca conseguir mesmo chegar,
Alvoroço no coração, cataratas para a visão,
E eu então? E eu?! Sem poiso para sequer poisar,
Por vezes faz tanta falta um toque, um carinho,
Escondido num quarto escuro, oiçam a oração
De quem perdeu a crença e vai indo tão sozinho.
quinta-feira, 8 de novembro de 2018
Imagina o Céu...
Para quem os colocar bem no coração
São até confetes, buquês e prendas,
Por amor, asas em busca de uma mão,
Por onde eu tenho andado a paisagem
Sussurra, deixo-ta tal lábios, perdida,
Que te afague e leve sejas a mensagem
Até que por força do destino a despedida,
Até lá indelével e docemente que esse olhar
Retenha a força para dizer não, a recusar
E então capitulo a capitulo te tornes inteiro
E cada novo beijo saiba para sempre a primeiro,
Pois somos estrelas cadentes por e em sentimento,
Esse é o rasto que deixamos no mundo tal fragmento.