Blog de um músico e poeta português onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
segunda-feira, 15 de maio de 2017
Por Janelas de Vidros Azuis
Somos plumas ao vento sendo o voo alcançado
Na queda da montanha até à margem querida,
Sob o indómito desejar de um céu mais azulado,
Procuramos razão para toda uma triste ansiedade,
Para saber que temos céu e chão para o passeio,
O silêncio acontece quando isso não é a verdade
E novamente caímos, reféns desse mesmo anseio,
Almejámos mais do que conseguimos enfim voar,
Passam instantes recordando-nos do findo tempo
Daqueles possíveis beijos que já não podemos dar
E que não há quem pare este tiquetaquear lento,
Há que o permitir, conseguir os passos enfim amar
E esperar que algures belo nos leve este lesto vento.
Procuro na Estrada
Por instantes que me façam inteiro,
Pois à sua falta só resta esta incerteza
Que ofusca a alma tal denso nevoeiro,
Em certas noites vem-me o cansaço,
A fadiga de para sempre ser aprendiz,
Sou parte, fragmentos sou até pedaço
Que em si próprio diz e se contradiz,
Era suposto ter já encontrado alguém
Que trilhasse comigo a vala incerta,
Estranho caso é ainda não ter quem
Para viver esta vida vivida e sonhada,
À margem ou pela porta entreaberta
Desde que longe fosse eu e a amada.
Perdemos o Sol
Derramados em suspiros feitos de luar
Sou espectros de ecos à ida madrugada,
Atento ainda ao passado, procurando lugar,
Para mim não bastam estas mil imagens,
Preciso de brilhos em mim encontrados,
Pois à vista da morte, de cinzas paisagens,
Espero-a onde me perdi, no chão ajoelhado,
Sob a enxurrada pergunto-me pelo destino,
A última despedida removeu todo o fado,
Eu roubo, eu rogo, eu prego tão franzino
Por uma mão na minha ou um beijo dado,
Pois vai passando breve a tarde vespertina
Que não me parece levar a nenhum lado.
sábado, 6 de maio de 2017
Este Desconhecido
A vigília do instante impregnada no presente,
Confere a esta passagem vestígios de beleza
Salvaguardada no coração do homem ausente,
Pedindo o possível desejando todo o oposto,
Assim me ergo onde os Deuses vão tombando,
Através e no firmamento encontrei o encosto
Para do puramente humano me ir libertando,
Guardo numa caixa toda a dor do enamorado,
O tempo passa e traz-me cicatrizes esquecidas,
Eu que os cantos e esquinas tenho aqui tragado,
Serei mais do que as breves estações perdidas?
Não, pouco mais sou do que um presente passado
E escoltado pelos dias ao rodopio das avenidas.
Era à Margem
Tudo de uma vez era luzência e escuridão,
Era o abrir da porta, o rodar da maçaneta,
No pequeno menino que ia de mão em mão,
Perdia-me só pelas horas enfim transviadas,
Na procura incessante e ânsia pela pertença,
As lembranças doutrora das ruelas beijadas
Pouco mais eram do que uma vil sentença,
Confesso às estrelas o indómito sentimento,
E sento-me esperando por cerúleas escadas,
Que me levem para o céu em contentamento,
Que me mostrem beleza pelas noites erradas,
Pois afinal a palma da mão é só um momento,
Onde as horas enfim se dão por idas e findadas.
Percalços e Encalços
Luzências da noite, sombras deste dia,
Outrora era fonte, tudo e quase nada,
Mais do que muito, mais do que podia,
O último dos poetas, beijo-a na testa,
Sou, fui um semblante deste passado,
Hoje outro boémio procurando festa,
Cambaleando torto de si quase abdicado,
Mãe, dá-me a mão, puxa-me para o céu,
Estampa-me o sorriso que foi deixado
Confere-me um caixão que seja só meu,
Um pouco do firmamento tão, tão amado,
Cansado deste andar por campos de asmodeu
Por mim já tão esquecido, por mim tão ansiado.
Passo a Passo
Na vereda do sonho vem outra despedida,
Parte-se o coração, sinto-me tão sozinho,
Assim não alcançando a margem querida,
A envolvência do mesmo olhar perdido
Entre arvoredos por ontem ensombrado,
Caindo pelo horizonte em mim expedido,
Sem destinatário e por ninguém esperado,
A brisa e o vento, meus nomes abreviados,
Através da planície, o ausente desta vida
Entre margens de sonhos sempre adiados,
Sou as ruelas, sujo e ímpio, sob a lua partida,
Poças de água choca, pores-do-sol deixados,
Atrás, os ecos largados são ósculo à avenida.
segunda-feira, 1 de maio de 2017
Daqui
Daqui, sonhos ausentes são acordados,
As suas plumas destas costas penduradas,
Estala a madeira sob os olhos cerrados
Pela colina abaixo apanho as enxurradas,
Canta o meu rouxinol e vem a madrugada,
Acredito em princesas e anjos do mundo,
Não sou único, punhos fechados à alvorada,
Sou a montanha escalada pelo vale profundo,
As algibeiras por nós de cabelos alinhadas,
Sussurrado por cada direcção, qual estação
Será lar para o vagabundo? Garras cravadas,
Respiro o afago de Deus e canta o coração,
Porque não me vês tu de peles pigmentadas?
Eu só preciso do arremesso dado pela tua mão.
Um Último Beijo
Seus lábios sepultura neste resto de mim,
Tanto já feito, tanta cor por aqui deixada,
Será mais do que pluma caída do querubim?
A lágrima largada ao desleixo da enxurrada,
À penúria do instante do demónio andante,
Eu, o poeta trovador tocando a trovoada,
Cativo do seu olhar ermo, frio e hesitante,
Em cada rio há um cinzeiro: eu na rua,
Minhas musas, minhas Oressas - sou recluso
Do breve passado, da minha mão na sua,
Saudade deste coração cego e alado a correr,
Saibam que outrora fui parte do sonho difuso
Pois à sua ausência por cá ainda prefiro morrer.
sexta-feira, 21 de abril de 2017
Este Olhar
É amador do visto, sonhador do imaginado,
A perfeição é que nada é meu, nada é meu,
Nem o que trago nos bolsos ou tenho ansiado,
Este olhar é um coração irrequieto a palpitar,
Insano e louco, sem protecção no seu trajecto,
Travo na garganta do que posso experimentar
Indo rascunhando no beijo este breve soneto,
Este olhar é também do lado de dentro farol,
Espaço trilhado e fadado para quem procura,
Mesmo quando este se cega pela luz deste sol
Em si continua sendo a moldura do horizonte,
Onde mais ninguém a si próprio lhe segura
E onde para diferentes margens é ponte.
Estes Versos
Esbatendo-se e contra o firmamento dispersos,
Caem do céu tal pétalas de rosa, uma a uma,
Para mim são céus, planícies e sonhos diversos,
Estes versos são fragmentos do plural ancestral,
De uma verdade única quase, quase inatingível,
São oferendas para o Deus de tudo o que é astral
E reflexo do homem de pluma aberta e sensível,
Estes versos são ode e apoteose para o instante,
Para aqueles momentos sempre perto do coração
Pois do eterno e imortal somos o perene amante
E o pluriverso em nós é a lembrança e a ambição,
O sorriso no canto da lágrima, a sombra semblante
Cativos da rosa dos ventos e na palma desta mão.
Este Caminhar
sábado, 15 de abril de 2017
Os Pretextos
A procura incansável da estrela cadente,
Aquela que risca o céu e se deixa à margem
Da abóbada celeste e do homem ausente,
Aquele vertical caminhando quase inteiro,
Através dos segundos e a canção de embalar
Que é o suspiro da morte e do mestre Caeiro
Tão simples e pequeno num ínfimo almejar,
Desabando e erguendo escadas para o céu,
Oh poeta bardo, rosa e espinho na garganta
Onde todo o passado é tudo o que já deu
Então passou de mão beijada ao seguinte,
O último dia de sol e a chuva que é tanta
Que pede e dá esmolas tal abastado pedinte.
quinta-feira, 13 de abril de 2017
Estes Trilhos
São a lágrima no sorriso do viandante,
Entre si o espaço de quem não sabe ficar
E se perde tanto em si como no instante,
Assim passam o tempo e as estações,
Num sentimento incólume à sua passagem,
É assim que se esbatem dois corações
E mil dias se estendem numa única imagem,
A pretensão em sorver um amor eterno,
Esperando o néctar de flores esquecidas,
Venham os anjos caídos e todo o inferno,
Vede! Pouco mais sou que todas as partidas
E a sua envoltura num abraço fraterno
Do beijo abdicado em infindas despedidas.
segunda-feira, 10 de abril de 2017
O Amor Deste Coração
Onde passam beijos e algumas lembranças,
Onde a flecha do cupido se dá por quebrada
E num cofre esquecido se guardam alianças,
Desde menino o sonhador de porcelana,
Frágil e delicado numa infinda despedida
Aonde passa a hora, o dia e a semana
Quando em si próprio já não há guarida,
Esconde-se em redutos desprovidos de cores,
Lado a lado contando as sombras da viagem,
Por vezes olvidando a sua beleza e as flores,
À mercê da intempérie, refém da insanidade,
Até o que tinha por certo se torna miragem
E ele se dá perdido nesta sua terna beldade.
domingo, 9 de abril de 2017
O Reduto
Escapistas da alma e da mente espairecida,
Espiamos parte do não visto e seus amores
São os ósculos impedidos pela despedida,
Escorremos através do leito de uma cama,
Inscientes ao tempo de uma dádiva passada
Em que o rapaz trazia na mão a sua dama
E vinha o mundo à passagem da estrada,
Saudades de tempos idos e outros instantes,
Quando me enlevava num voo sem rede,
Por muito que pretenda tornar a um dantes
É de mim próprio que é por demais a sede,
Assim se esquecem de si os dois amantes
E vamos um sem o outro contra a parede
quarta-feira, 5 de abril de 2017
No Rosto Impresso
Perto do desencontro quase encontrado,
Vejo outra meretriz por si embriagada,
Sou ela em mim e o seu cálice tragado,
Outra garrafa de vinho e pinto constelações,
Esboço nuvens e horizontes sem fim,
Desde que não parem com os garrafões
Quase que esqueço de quem sou para mim,
Outro trago e encontra-se enfim a solução
Perdida para quem deixou de se procurar,
Até se perdem as perguntas para a questão
Então deixem-me, não me quero enfadar,
Pretendo a morte do homem de antemão
E nestes embevecidos instantes poder estar.
Pinto Seu Rosto
A felicidade é dos inconsequentes herança,
Eu sou ponte para seus tudos e seus nadas
Quase homem, sendo o velho ainda criança,
Preciso da procura da linha do horizonte,
Pousio para os sonhadores e seus ideais
Pois à escassez de água e da sua fonte,
Sou eu que de mim ainda preciso mais,
O resto é passageiro fugaz a traço incerto
Sussurrado no intempérie desta ventania
E é somente por ela que me sinto coberto,
Ao céu e à lua e claro ao paraíso venerado,
Que sobrem as contas que matam a magia
Desta bela e breve viagem em tom ansiado.
domingo, 2 de abril de 2017
Tenho Dois Vultos
Lado a lado, um negro como o breu,
Outro com a luzência do sol à alçada
Sendo eu quem de ambos se esqueceu,
À margem da rua estranhando sua tela,
Pernoito à sua silhueta, quase acordado,
Tento beijá-los mas sou ignorado por ela
Que em mim é a penumbra sem cuidado,
Em ambos vejo este reflexo, tal fotografia,
Porém em nenhum me vejo por completo,
Então dividido fico entre a agonia e a alegria,
Entre a viagem sem margem antes da cortina,
A vós os dois vos dedico a ternura deste soneto
A vós meus vultos, o brilho da minha lamparina.
sexta-feira, 31 de março de 2017
Este Vago Olhar
O beijo de Judas, o apontar de um dedo
Daqueles sonhos abandonados no sótão,
Hoje esquecidos num certo dia tão cedo,
Pois que seja a lua no firmamento vadio
Pois esta saudade é um véu de veludo
Que não permite a passagem ao estio
Sobrando apenas rastos dum sono mudo,
Refractados por essa longínqua confissão,
Sonho com o dia para cantar pretextos,
Por um lugar onde descanse o coração,
Me habitue à distância entre as margens,
À luz da vela ao vento que dita contextos
Um galho para pousar após estas viagens.
terça-feira, 28 de março de 2017
Varrendo
Terra no rosto e pedaços deixados de leve
Nas feições da noite infinda esventrada,
Retocando o silêncio tão curto, tão breve
Que sou legado para quem perdeu a voz,
Esta outrora dada aos cantos da avenida,
Quase tal um rio extraviado da sua foz,
Haja afecto no deslumbrar de uma vida,
Haja vida no decorrer do homem perdido,
Deitado num sonho lindo quase acabado
Em constelações do que hei então querido
Que afaga os poros em impreciso traço,
Não recuso nem escuso o suspiro amado...
Para aqui, sou todo o tempo, todo o espaço.
segunda-feira, 27 de março de 2017
Para Quando
Eu serei chuva para a estação que não passa,
Servindo as sombras que nos antecederem,
Sem memórias de qual a avenida ou praça,
A poeira que vai assentando as promessas,
Os compromissos com a verdade e a madona
Enquanto caíamos desamparados às travessas,
Um suspiro e um pouco de força para respirar,
Por um sol que não se ponha ainda brilhante,
domingo, 26 de março de 2017
Tenciono a Intenção
Sorver a madrugada do céu e tê-la deitada
Por este caminho sem nunca querer parar
E essa vida toda oscular e senti-la amada,
Quando vier a manhã para me levar o sonho,
Outrora eu beijei estrelas e adormeci astros,
Hoje sou a sombra ao sol, feliz ou tristonho,
Deixando atrás brilhantes e radiosos rastros,
Tal uma estrela cadente, tal um brioso poeta,
Sou um pensamento almejando o sentimento,
Nem importa por onde jornadeie neste planeta,
Serei para sempre cativo do diferente momento,
Voluteando gracioso no adejar de uma borboleta,
Através da ponte entre margens sou do firmamento.
sexta-feira, 24 de março de 2017
Havemos De Ter
Estalando o verniz e a madeira desejada,
A saudade é esta ânsia deixada por escrito
Tal o lento acenar da longínqua alvorada,
Os beijos prometidos à rosa e o seu espinho
É um abandono, inverno, pecado, aflição,
Este caminho sou eu logo o faço sozinho,
Porém por onde vou ainda partilho a mão,
Relembra-me um sonho em mim esquecido,
O pastor das estrelas, esvoaçando à desfilada,
Alheio, indo a esmo pelo horizonte perdido,
Pretendo mais do que eu, o céu aberto cerrado,
Estourando no grito da estrada que se vê amada,
E por cada instante senti-lo no peito bem beijado.
segunda-feira, 20 de março de 2017
Assim Chovem Raios de Sol
Esperamos pelo breve instante da madrugada,
A pertença é mútua e maior que a humanidade,
Nestes passos largos dados na berma da estrada,
Indulgência é tentar ver um pouco de beleza
Pelas curvas e envolturas deste insano caminho,
Mesmo tendo na mão aqueles restos de tristeza
Que vem o sonho e então nunca estarei sozinho,
Compromissos com a arte do encontro, quase vejo,
O cego torna-se crente e a aventura é desmedida,
Por esta mão partilhada liberta-se também o beijo
Reconheço-o pelas memórias que entretanto esqueci,
Ele é no caos e no acaso, ela pela margem perdida,
Assim se estendem tal oferendas nas asas do colibri.
sexta-feira, 17 de março de 2017
Somos Encruzilhadas
Navegando desertos procurando amor,
Outrora poetas da longa estrada amantes,
Caleidoscópios brilhantes dispersos em cor,
Vêm as bermas das ruelas próximas do peito,
Mendigo e imploro por um instante de paz,
Por amor para preencher este triste despeito,
Dizer adeus à dor e plenificar as horas más,
De olhos iridescentes, descanso em regaço,
Para assim eternizar o coração hoje ausente,
Buscando conforto na ternura de um abraço,
Ambas sombras reflectindo a luz perdida,
Só anseio acordar este coração dormente
E marear esta barca para uma costa querida.
quarta-feira, 15 de março de 2017
Beijos de Boas Noite
Beijos de boas noites enquanto não chega a manhã,
Poços sem fundo e a alma em si prisoneira,
Escapes com sapatos de chumbo e pés de lã
E restos de vestidos rasgados atirados na lareira,
Entre dias, agonias e pedaços de fragmentos,
Irradiam minhas alegrias deixadas a metade,
São pertença do poeta seus mil e um tormentos,
Trago o esquecimento de toda uma vontade,
Vimos do resto esperando um beijo leve,
Esvoaçando, perdurando, lua na algibeira,
Sendo tão pouco, sendo tão pequeno e leve,
O beijo que não passa quase alcançado,
Deixando os poucos num pouco de poeira
E no pouco quase, quase nunca beijado.
terça-feira, 14 de março de 2017
Nego a Indecisão
Onde estás sonho alado, asa de primavera?
O amor sozinho sabe a pouco, sabe a nada
E não compensa a insanidade da espera,
Trazendo no olhar o beijo imenso de outrora,
Os ecos dos passos suspirados à berma da rua,
Aonde passam os segundos e não vem a hora
Todavia confessamos o feitiço da briosa Lua,
Largamos as malas carregando seu conteúdo,
Aos ombros fantasmas, vultos e semblantes,
Entre trevas e luzes jaz apartado um miúdo
À procura do que se alheou da sua algibeira,
De cores e íris para as ser enfim suas amantes,
Da interrupção da morte do poeta, desta canseira.
segunda-feira, 6 de março de 2017
Sou o Filho do Meu Pai
O viúvo da boa vida, desta geração órfã,
A orfandade é pertença, herói e heroína
Sem ver o brilho de um frutífero amanhã,
Passeio breve para a intenção de futuro,
Beijo curto na testa de Judas o pregador,
Liberado porém rodeado por um muro
Cuja parede é feita dele próprio e labor,
Geração sem propósito, perdida no trilho,
Desejando estrelas sem conseguir voar,
Assim morreu o pai, assim morrerá o filho,
Minha viúva és mátria ausente à intenção,
Devagar devagarinho esquecendo o sonhar,
Actualmente quase sem céu, quase sem chão.
sexta-feira, 3 de março de 2017
Esta Saudade
Arrastando segundos para baixo e eu ensobrado,
É como suster a respiração dentro de um caixão
E numa esquina da noite cair então recostado,
Estas crenças póstumas, esta vontade de viver,
De quando eu era nome e verbo para esvoaçar,
Largam na praça palavras suspiradas a esquecer
Outros tempos, outrora e quão difícil é se dar,
Beija-me as cicatrizes e faz do amanhã promessa,
Há clareiras para receber em júbilo nosso enlevo,
Então seremos sóis a esbater a sombra da travessa,
O espelho do já não visível em esbelto sentimento,
Acreditai em mim, até juro ir por onde não me atrevo,
Assim espero que o mundo se deslinde deste sofrimento.