Blog de um músico e poeta português onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Entre Dois Pt. III: A Mais Bela Emboscada
Enfim somos um pouco de nós
Mesmo que só por um bocado,
Sim, finalmente não estamos sós,
Esta viagem é tão e tão sozinha,
E quão difícil é ir sempre comigo,
É longa a viagem para quem caminha
Vem comigo pois ora segues ora eu sigo,
Sê comigo a esbelta estrela cadente,
… Até o irei supor desta minha ânsia
Sejamos o Srª. Infeliz ou a Sr. Contente
Duas margens e enfim virá a madrugada
Entre nós dois nem sei bem a distância,
... Não é o Amor a mais bela emboscada?
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
De Pés Descalços Pt. II: Outro Dia
Ao ontem que ainda é o hoje,
É tempo que vai e vem tão banal,
É um resto de vida que de mim foge,
Outro dia, outro dia a si tão igual,
Do amanhã e sua dura incerteza
Abre-se a mente à doença mental,
Some-se a ideia, a reflexão, a clareza,
Perde-se o tempo entre seis paredes,
Sussurros e murmúrios de quem parte,
No barulho de fundo, tu que concedes
A sina do poeta louco, o estandarte
Que poucos ousam içar em público
Assim a se substituir Vénus por Marte.
De Pés Descalços: Um Bocadinho de Mim
Aqueles que meio era, não fui ao quebrar
E daqueles que nem souberam bem de si,
Será que só quem se busca em si acha o lar?…
Eu sou eles, e eles são mais do que muitos,
Em tanta fealdade há sempre algum lindo
Mas todos são meio oferecidos, até gratuitos,
Uns morrem, outros partem (não partindo),
Há que olhar pelo ombro, ter cuidado!
Por cada passo não dado e vertido
Aquele que não tem cautela, coitado
Para o bem e para o mal cá respingo
Tal rei desgarrado, a cinza colorido
Eu sei, eu quase não tenho domingo.
domingo, 1 de fevereiro de 2015
Tiquetaque, Tiquetaque Pt. III: O Manancial
Ambos eram e serão o viandante,
Tiquetaque, tiquetaque vai o poeta
Deixando segundos no belo instante,
É belo pois é sempre temporário,
É meio triste pois é meio sozinho,
Não olha a agendas nem horário
Vou esperançando pois há caminho
Até quando sou beata em cinzeiro
Ou pura fracção, um seu bocado
Que é resto do maior, do inteiro
Para a pegada, para o seu potencial,
Meio sozinho, meio acompanhado,
Ser de quem cria e é manancial.
Tiquetaque, Tiquetaque Pt. II: Ninguém Sou Eu!
Quando em mim Rosa aparece,
Por vezes nem sei qual ou quem
Em mim mesmo, mesmo acontece...
A subtil pancada sempre insistente
Que consome o bom samaritano,
A cinza dos escritórios, o fervor do utente,
A propensão para a mentira, o engano,
Na cidade há tanta dor escondida,
Tanta proximidade sem se estar perto,
Até a verdade é facilmente sacudida,
Tanto ruído de fundo, tanto desdém
Parece oásis em infindável deserto
Mas é só miragem, lar de ninguém...
Eu Sem Lua: Sou de Rosa a Ema (Poema Para Ester)
A Rosa triste que vai e que vem,
Água nos pulmões, o olhar vago
Procurando Ema e vendo Ninguém,
Que vontade pela menina do além,
Este mundano, esta insana lida
É oásis e miragem lar de ninguém,
Levando este coração na mão
Que seja esse o prelúdio do ido,
Cada instante, tão sacro e tão vão,
De Rosa a Ema, vos dedico este poema...
(Então levai-o em vosso coração).
Devagar Devagarinho Pt. II: A Espera por Ester
Ela só mais um pequeno grão estelar
Largando-se ao ir mas sem perceber
Se algum dia há-de sequer chegar,
Devagar devagarinho e com tanto medo,
O desconhecido é lar para a ânsia
E o que vem chega tarde ou cedo
Mas sempre chega não importa a distância,
Nem sei se ela conseguia respirar por lá,
Terá o universo para todos oxigénio?
Porém esperava a sua chegada cá
Por entre suspiros e o desassossego
Cada hora mais parecia um milénio
Quanto mais tempo até seu aconchego?
Devagar Devagarinho: Cai a Cadente (Poema para Ester)
Seu percurso na abóbada terminado,
Parece tão momentâneo, tão presente
Que nem nos parece que tenha passado,
Por entre galáxias e nebulosas,
Esta cadente relembrava-me Ester
E os milénios tornavam-se em horas,
Tanto para Ester, a cadente viajante,
Como para o observante que se escondera
Um aceno para o finito tempo restante.
Tiquetaque, Tiquetaque: Diz o Relógio e a Ampulheta
Quebra-se-lhe a alma mas um dia será feliz,
Chovem ideias e pensamentos maculados,
Olhos secos e de tanto chorar borratados,
Esses olhos só vê quem olhar para dentro
Porém lá vem o tiquetaque barulhento
De um olhar de vários olhares sobre mim
A este lar cinza não chega nem o serafim,
É o ranger das janelas e o bater das portas,
Será a poesia doença na praça pública?
Sim, sim, Deus escreve certo por linhas tortas
Portanto salvé aos doidos e ámen loucura!
Quando não há mente não se simplifica,
Dorme-se sim em cinco dias de amargura.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
A Ela Um Muito Obrigado: Vida Malembe Malembe
Vida cadáver quanto temos dançado,
De joelhos no chão em pertença à loucura
- A ela... doce farol, um muito obrigado,
Até vale a pena viver mais um segundo,
Assim se eleva o ânimo ao exumado,
Ela é o lar doce lar para o vagabundo,
É a ela! Doce farol… um muito obrigado,
Por vezes estranha-se o filho do próprio pai,
Corre o dia, vida triste, vida avariada,
Do homem que a ele próprio se trai
Não sendo ou vendo a luz, só enxurrada,
São vezes em que a treva sobre mim cai
Salvo ela... doce farol, um muito obrigada.
A Distância: Entre o Poeta e a Amada
Para uma outra margem em busca,
A distância aos ombros carregada
E não obstante do quanto custa
A ida - a dificuldade desta espera,
O desenfreio - pertença do poeta,
Da noção criada tal arisca quimera,
Esse muy nobre objectivo sem meta
Até quando nem em si tem pertença
Porque apenas há bruma enevoada,
Parece-me que essa é a sentença
Para quem ousa fazer a caminhada
Onde se vai contando a diferença
Da distância entre o poeta e a sua amada.
domingo, 21 de dezembro de 2014
Esta Orfandade Pt. II: É Inexorável
Um estranho que se conforta silente
Vendo sinais de trânsito doutro dia
E quanto seu rumo parece acidente,
Vai em frente ao patamar do mundo,
De dentro de deuses puxando ossos
E em nuvens se sepulta bem fundo
Deixando-se por mil e um esboços,
Por quantos lugares houve em si lugar,
Quantas luzes ou até porções de asa...
E cada instante seria sorte, seria azar
Ou tempo rumando ao fim desta Terra?
Oh!... Quase sem lar, tudo mais uma casa
Haverá trégua após tanta e tanta guerra?...
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
O Viandante Viaja Pt. III: Tantas Estradas Para Escolher
O viandante é o refugiado entre margens
Ao respirar o hálito do instante a perecer
O quão essa passeata lhe parece miragem,
Quais memórias são a realidade das partidas
Ou quantas vezes olvidou sua vera casa?
Tal sonâmbulo atrás de ideias de vidas
Cobrindo-as sob as plumas de uma asa,
Arrancámos os cabelos não vendo o Sol
E noites escapam-se sob estriados dedos,
O pescador torna-se vítima do seu anzol
Ofertando-se em confissão dos seus medos,
Não temais, para cada treva algures há farol
Mesmo que ante o eterno sejamos só brinquedos.
Esta Orfandade: É Escolha
Sou o filho dos cascalhos da estrada,
Toda esta solidão é auto-infligida
E faço e farei dela a única morada
Para ir e percorrer até um dia morrer,
“De dedos esticados, olhar aberto
E de pé partiu ele” – Hão-de dizer,
“Seu coração bateu alto e liberto,
Foi abrigo para a presença e sua falta,
Pronunciando leve os lábios da brisa
Fosse o Sol nascendo ou a Lua alta
Ou sua passagem acidental ou precisa
Quando foi penumbra e luz da ribalta
Sobre a estrada, sua musa e poetiza”.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
À Presença da Lua: Mementos a Beijos de Cópias da Lua
Digam-lhe que outras luas vieram,
Levando porções do que foi por cá
Oh outros beijos foram e me tiveram!
Foram nos segundos passados em mim,
Quando olhava sem a ver e se ia o dia,
Era noite infiel, mesmo cópia lunar sim,
Resguardo por onde nem a mim me via,
Sensuais requebros vertidos em prazer tal
Que quase pareciam vero sentimento
Por acordes, orfandades e não funeral
Para um coração em beijo de saudade
Que havia esquecido o seu batimento
Ou o quão se estranhara da verdade.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
O Viandante Viaja Pt. II: Quando Entre Nada Vai
Tendo perdido a razão da partida,
Que na sua mente não haja instante
Em que se esqueça do fulgir da vida,
Pois se ela há então tal não é finda
É pedestal desta breve eternidade
Em que a morte nos é vezes ainda
Antes do nosso tempo e até idade,
Vamos ficando a preço da vontade,
Vai o vento levando a alma embora
Sem sequer sazão para a saudade,
Desfilando-se o tempo, hora a hora,
Sem saber bem qual é a verdade
Ou bem sequer por onde ir agora.
O Viandante Viaja: Eu, Os Segundos e a Sua Ponte
Entre margens pelo meio de nada,
Por mim são uns poucos pela ponte
Desta viagem ora leve, ora pesada,
Por muito que tenhamos esperado
Ou por tanto que tenhamos ido
Somos por vezes o tempo parado
De um qualquer parágrafo não lido,
E aquilo que perdi e achei na estrada
É em mim mesmo quando não sou,
As suas partidas e a minha chegada
E o visto que o esquecimento já levou,
São essas os tons que ecoam aqui
Concedendo fôlego e asa ao colibri.
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Entre Dois Pt. II: Estamos Quase Lado a Lado
Aqui quase não estamos sós,
Por muito que tenhamos falado,
Há vezes em que muda fica a voz,
Estamos quase lado a lado
E deste prado somos os pastores,
Nosso rebanho em alvoroço calado,
Suas margens afastadas entre dois amores,
Onde um rio corre entre os dois,
Algures ambos encontram abrigo,
Mesmo ignorando o que virá depois
E quão esse não saber mexe na ferida
Porque por vezes até um beijo é castigo
Seja num abraço acolhedor ou na despedida.
domingo, 16 de novembro de 2014
Ía o Poeta Pt. II: Vendendo Ouro de Tolos
Essa é a vaidade do poeta - o falso sentimento,
Forjando Primaveras de Invernos idealizados,
Então é o fingir viver, não a Vida seu testamento,
Mesmo que apenas e só trevas ele seja,
Que sorrisos disfarcem a sua tristeza
E relembre ou inspire quem já não beija,
Que no papel lhe dêem um nome: Beleza
Será ela sempre o sonho e a mentira sincera
Que ele creia tanto que do mundano esqueça,
Celebre o martírio do belo, aquele exagero
Que separa o poeta dos simples, meros mortais
Pois a dor do saber fingir é a sua pertença
E os poemas só as vezes em que a dor é de mais.
Entre Dois: Palavras Deixadas ao Que Vai Passando
A menina não escuta, ela mal ouve,
Vem a manhã e nem parece a aurora,
Esquecem-se restos do que não coube,
Restos sempre de porções e pedaços,
Do que parece bom ou mau passageiro,
Deveriam ser os mais bem preenchidos espaços
E deles eu o seu melhor amigo e companheiro,
Só chuva e frio sob todo um tecto de relento,
Caneta e caderninho e potencial beleza,
Largados ao ermo do desleixo do vento,
Levados algures no ombro da incerteza,
Calma tê-la-ia se de nada fosse sedento,
Mas sede dela sempre terei (em mão com esta tristeza).
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Às Três Cores Pt. III: A Encruzilhada de Todos os Dias
Vi um homem numa encruzilhada,
Três faces possíveis ao tão iminente,
Das três só uma era viável calçada
Para poder ser dentro do recipiente,
Um arredou caminho, voltou atrás,
Adiante tudo era sombria incerteza,
Temia os segundos pelas horas más
E desdizia-os não vendo a sua beleza,
Outro foi em frente sem qualquer medo,
Não se arrependia do ontem eclipsado,
Para ele nunca era tarde ou sequer cedo,
Ia sempre em frente mesmo estando errado,
Outro porém escolhia e depois caminhava
Ora então escutava o vento ou a sua voz,
Cada instante seguia ou se desviava,
Sim, era ele o mais sábio de todos nós,
Era eu quem de longe ao perto os era,
Vestindo todos nesta rasgada pele,
A inocente presa, a maculada fera
Passageiro e barco para todos eles.
Ía o Poeta: A Covardia da Falta de Chão
Já nem me lembrava tal história,
Parecia barco sem timoneiro
Ou lembrança sem memória,
“Não há sitio pois caibo em todos”
Lamuriava então o poeta à parede
“Perdi o pé, olvidei-me dos modos,
De tanto beber esqueci qual minha sede”
Errante, sobre as areias descalço,
Sob o peito suas mãos tão frias,
Havia ecoado o conto do poeta falso
Por isso descia por infernais escadarias…
Sem crer nas palavras que proferia,
Sem acreditar na beleza que vira:
Outrora fora, hoje era noite sem dia,
Era o caminhar que ele próprio traíra,
Restos de estrelas caiam-lhe entre os dedos,
Havia toda uma viagem sido em vão?
Perguntava-se para onde foi a coragem por medos
E onde é que foi que o mundo lhe partira o coração…
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
O Dia: Hoje
Espero ser a ave que voará mais perto,
Hoje é o dia em que irei enfim embora
Algures onde o páramo for bem aberto,
Por esse esvoaçar voo e vou pensando
No instante em que parti e na chegada,
Até me pergunto desde e até quando
Será este voo o colibri ou só sua fachada?
Deixo-me ir, vou-me e deixo-me um pouco,
No olho do torvelinho ao desenlace da asa,
Então berro e grito bem alto até ficar rouco
Deixando a terra atrás pois o mundo só atrasa,
Ainda e vejo, num beijo ao insano, ao louco,
Deixo-me pois caminho sobre o ar, em casa.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Às Três Cores Pt. II: A Vertigem do Carrossel
Que sanem as cicatrizes d'ontem acolá,
Aceitando o beijo efémero da Babel,
Serão elas as medalhas de amanhã,
Relembrem o rouxinol que perdeu o canto
E que por vezes é tão bom sentir saudade,
Há vezes em que “plim!”, vai-se o encanto,
Mas fará isso das ocasiões boas menos verdade?
Não foi, é e será a todos difícil obter o permanente,
Ou sequer olhar mais longe que o próprio umbigo?
Há quem esqueça que o corpo pode ir de repente
Mas é isso o que faz de todos nós o viajante,
Então vá, vem comigo que eu rirei contigo,
Passo a passo rumo ao longínquo distante.
Às Três Cores Pt. I: E Todas as Cores Entre Si
Que estejam sempre lado a lado,
Um brinde a vós, tiro-vos o chapéu
Mesmo quando vos hei desprezado,
Não é o caminho feito de caminho,
Ou será ele o acto de caminhar?
Vá-se acompanhado ou sozinho,
O importante é nunca querer parar
E saber adormecer nos braços da Lua,
Sorrir e suspirar por acalmia e boa maré,
E ao seu belo toque leitoso na pele nua...
Saber quando a estrofe anterior for cliché,
Aí aceitar a porção sem tinta no pincel,
Permitir ser aquilo que é o que não é.
Amor: Abri-me a Porta!
Arranhando os vidros azuis sem parar,
Não dormirei bem, tão tardia vai a hora,
Quanto tempo sem tempo virá sem passar?
Amor, deixei a minha porta entreaberta
E cá fora apenas solidão, frio e tristeza,
Sim vim de cantos obtusos pela rua incerta
Mas só prova a Vida quem morre por beleza,
Assim honro-a ao morrer, morrer, morrer…
Porém abri a porta raia a madrugada,
Se não a abrirdes então deveis saber
Que jamais saberei o que é a chegada,
Fui à Guerra das Rosas para me render
A vós Amor, a mais sublime emboscada…
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Aos Embriagados: Bem Acompanhados
Esta noite, ombro a ombro, lado a lado,
Grato por aguentares tão bem comigo,
... agora que bebamos mais um bocado!
Até se tornam mais toleráveis as pessoas
E as luzes citadinas em minha maravilha,
Enfim, aí todas se tornam tão boas,
Vem o brilho donde nenhum sol brilha,
Vomito na rua, no passeio e pelo beco,
Nesta nossa bela ebriedade ligeira
E se um dia julgar estar desperto
Que me torne novamente na bebedeira,
Pois por duas sombras estou coberto
São elas a loucura!!!... e a minha canseira....
terça-feira, 30 de setembro de 2014
Silêncio: Entre Mim e o Seu Quarto
Conto segundos através de suspiros
E certas palavras gastas, assim parto,
Ela é em mim e eu seu apartado retiro
De sua voz e seu sorriso, o leve almejo
- Aquele regaço, vertendo tal comorebe,
Frágil sonha, tão delicado tal último beijo
O único anseio que esta boca ainda bebe…
É assim que os anjos caem do paraíso,
Desse seu pedestal um arco-íris de cor
Pois do negro ao branco tudo é preciso
Então que ela seja o carrasco e a flor:
Goya, Yagan, foscos berços, o sorriso...
E a lágrima… queda-se a chama… Amor?
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Este País: Não É Bem Morte, É Não Vida
Essa sabe tão, tão bem o que é Portugal
O não abrir ou sequer fechar da ferida,
Essa presença sem vida será meu funeral,
Portanto nem é bem o frio, é a falta de calor,
É uma toda possibilidade não concretizada,
Ter dívida para com ninguém e ser devedor
Por todo um país que mais parece uma cilada
Para quem pôde ou poderia noutra situação,
Posto de parte mas não a parte da equação
E para os inocentes, esqueçam a absolvição,
Aos olhos de todos somos todos um culpado
Será este o fado dos grandes filhos da Nação?
Enquanto o Viver é um não - tal sonho adiado.
domingo, 14 de setembro de 2014
Por Janelas de Vidros Azuis Pt. X: Deixando-se Entre Margens
Hão-se ouvir violoncelos em marca d’água
Onde somente a sombra de ninguém mora
Para além da desolação, a tristeza e a frágua,
Um dia quando a meia-luz da morte pairar,
Esquecei que alguma vez fui nestas ruas,
Até quando o chão ruir e o céu desabar
Olvidai de quando minhas foram idas luas
Brincando com raios de luz nos nós dos dedos
E o mundo era lar logo não tinha segredos,
Havia sempre uma bela canção para partilhar
E por cada novo passo deixado - um todo vaguear,
Mesmo sem chegar, há chegada, mil e um medos
Há que o saber! esquecer... há que o relembrar e o deixar…