As flores ondulam dentre os dedos da brisa,
Bailando inocentemente por alheia vontade,
Entre as margens de uma alma tão indecisa,
Pedras atiradas, procurando uma verdade,
A de Amor verdadeiro que tanto me elude,
Porém vem a desilusão com cada madrugada,
Onde espero que o amanhecer me salude
Em esperança que outrora foi tão aguardada.
Mas no coração, a chama vai e ainda persiste,
Como estrelas em brasa cintilando na noite fria,
Onde um desejo que nem o tempo jamais desiste,
Pois mesmo na incerteza e nesta melancolia,
Renasce a fé de que o amor ainda existe,
E refloresce como uma primavera tardia.
Blog de um músico e poeta português onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
quarta-feira, 31 de julho de 2024
A Primavera Tardia
Amor Silente
Há tantas memórias entre as palavras agora silentes,
Algo entre nós os dois, abraços e toques esquecidos,
A subtileza de um só beijo dado em noites confidentes.
São os instantes e momentos pelo sonhado enaltecidos,
Perdoa-me a mágoa conferida, nunca foi o pretendido,
Agora esta ausência torna-se presente, e o amanhã,
As horas partilhadas entre a esperança de um apelido,
Acerca-se o que vem, deixa-se o que foi, pezinhos de lã,
Amor, és estranha nestes lábios que foram teus outrora,
Anseio o estelar, um firmamento onde somos o caminho,
Caminho esse perdido tal areia dentre os dedos da hora,
Somos as cores que adornavam o céu, e a sombra deles caída,
Hoje, a pausa e paragem entre dois corações, o eu sozinho,
Ainda estão para vir muitas eras para que enfim feche esta ferida.
terça-feira, 23 de julho de 2024
Raízes do Tempo
Tal como as árvores, morrerei de pé um dia,
Substantificado por um instante passado,
Sim, eu acredito ter sido parte da magia,
Apesar de saber que o instante está acabado,
Escrito em linhas cerúleas, de coração quebrado,
Entre gritos escutados do topo destes telhados,
Ainda não desisti de sentir o que é ter amado,
Independentemente do quanto temos procurado,
Urdimos templos erguidos a deuses esquecidos,
Algibeiras furadas que não contêm o horizonte,
Já fui o moço correndo e brincando embevecido,
No rio do tempo sem ter qualquer tipo de guarida,
Por outrora ter sido a árvore, a sua sombra e fonte,
Que esse amor vivido faça eterna esta minha Vida!
quinta-feira, 18 de julho de 2024
Inquietação
Procura-me e encontra-me... Preciso de ser encontrado,
Subindo escadas feitas de cerúleo, esperando pelo ideal,
Sei que por vezes o tempo passa e deixa-me fragmentado,
Apenas pretendo o momento em que seja tudo menos banal,
O sol da manhã não é o suficiente para me manter acordado,
Arranhando as paredes desta cela, procurando lá fora inspiração,
Somente para não me permitir adormecer, quero ser tocado,
Somente para permitir o continuo bater deste meu coração,
Contudo, no meio deste caos abrupto, ainda não encontrei estação,
E tenho sido veementemente por estas ondas do tempo levado,
E esquecido por tudo o que tem de mim sido e ido, abdicado,
Percebei, a viagem tem sido passo a passo numa terna hesitação,
E as suas bagagens têm sido fundo de algibeira no peito cravado,
Há tempo para tudo, menos para no mesmo sítio ficar parado.
Ecos de Desalento
O trilho dos vagões abandonados jaz perante o olhar,
Um sepulcro para os curiosos, abismo para os sem rede,
Eu sou a Queda do firmamento, a tentativa de esvoaçar,
Mesmo que sem asas ou água que consiga saciar esta sede,
Ninguém virá ajudar, somente ecos de prantos conturbados,
Sozinhos e isolados, somos órfãos prendidos em arame farpado,
O meu reflexo é fidedigno nestes mil e um espelhos quebrados,
E perdi o fulgor nos lábios, a água no ver de quem eu tinha amado,
Trago algibeiras furadas, sonhos presos nos cateteres intravenosos,
Esta intensidade é profunda, mas não é ao Mundo de cá pertencente,
É um ontem sem amanhã, escape para a realidade, instantes saudosos,
Onde rezamos por um pouco de paz, o abraço que é a única envolvência,
Até quando vou e coloco o pé à estrada e no caminhar sou reticente,
Sou amador sem coisa amada, em mim essa é a única e vera essência.
segunda-feira, 15 de julho de 2024
Reflexos do Abismo e Luzes do Cosmos
Eu enterrei meus sonhos no fundo do abismo,
O cárcere dessa prisão é o reflexo do espelho,
Exaltando as sensações por este meu lirismo,
Aonde vou vendo a criança torna-se no velho,
Em erros azuis e mapas provenientes do além,
Afogamo-nos numa gota de água, vem a manhã,
A cama desfeita que vamos fazendo mal ou bem,
Caímos do precipício, e tudo para trazer para cá
Pedaços do velo estelar, o sorriso de Deus em porções,
Assim o poeta se revela e assim o trovador é o mago,
Entre a penumbra da noite sem fim há bateres de corações,
Mesmo quando não há mãos tentando nos assegurar,
Mesmo quando na algibeira não tenho aquilo que trago,
Por isso apelido as estrelas de irmãs e reaprendo a beijar.
quarta-feira, 10 de julho de 2024
Além do Velo da Humanidade
Parece que abstinente será a próxima aventura,
Das coisas fulminantes que procuram a alegria,
Mesmo dentro da cirurgia e sem qualquer sutura,
Nunca iremos deixar de procurar por vera magia,
Que venham as dores do parto, os indícios da partida,
Sem regresso estimado ou qualquer vontade de voltar,
Não há mais juramentos ou sequer a promessa devida,
Pois tudo vale e nada vale, na Guerra das Rosas, no Amar,
Por isso gesticulo e esbracejo sem qualquer limite,
Almejando o sol, o céu e o mar num aqui e agora,
Indo mais longe do que este humanidade o permite,
Esvoaçando dentro de mim com estas asas de condor,
De silêncio delineado nuns lábios rascunhados a outrora
Lápis cerúleo, para além de todo o prazer e de toda a dor.
segunda-feira, 8 de julho de 2024
Rios Alados e Lanternas Eternas
Assim seguirei rios alados que nem cavalos selvagens,
O irromper dos relâmpagos terei como a vestimenta,
Venha a noite e a manhã e suas mil e umas imagens,
Por um dia triste que outro dia feliz aqui me ornamenta,
O desvario por onde fomos e perdemos a noção da hora,
Tal crianças vadias em tantas e tantas travessuras eternas
Ficarei no apelo da dor quando nos formos todos embora,
Deixa em teu encalço as tuas milhares de acesas lanternas,
Se morrer aqui e agora, morrerei feliz nesta linda partida,
Em discussões com Deus, desse olhar sinuoso e risonho,
Meu choro, coisa pequena nesta alma viva e sempre contida,
Guardo renitente o cálice dourado de um beijo terminado,
Mesmo que carente aventuremo-nos pois assim é o sonho,
Seja alegre ou tristonho, porém num canto alto e obstinado.
quarta-feira, 3 de julho de 2024
Trazendo uma Fénix no Coração
São os ecos de um sonho perdido, fragmentos do esquecimento,
A resignação à estrada vista pelos olhos diáfanos de pouco ver,
Estas lágrimas translucidas são apoteose para o passado momento,
Porém também legado e facto de que estamos a ir e estamos a viver,
Mesmo que rumo ao esvaecimento, a uma saudade sem qualquer cura,
A Lua nos charcos, o vento no cabelo, trago em mim cadernos de poesia,
A nenhum lugar condenado, o doloroso que fica em nós e que dura e dura,
Sou morte e renascimento, pluma de fénix em cinzeiro, oh que doce algesia!
Este é o fim de um anseio, o assentar da poeira, trago na vista o entardecer,
A pétala da flor descarnada e encarnada em mim, é uma estrada de fragmentos,
Pois para nela ir e conseguir ser nesta Vida, por vezes é preciso também morrer,
Portanto sim, há silêncio dentre estas palmas das mãos entre si e por si cerradas,
Desesperançando onde outrora somente havia esperança, assim são os sentimentos
De um poeta vagueando entre planícies, aguardando, porém, as estrelas almejadas.
Memórias de uma Vida Preterida
Assim ansiando estrelas numa busca interminável,
O Sonho está enfim morto e agora aqui enterrado,
Recomeço do início com esta vontade indomável,
E irei pela estrada e bermas apesar de quebrado,
Com ela ficou parte e fracção do que era fragmento
De mim e em mim, estarei eu ao nenhures condenado?
Hoje prefiro as manhãs, são a lembrança dum momento
Em que eramos complementares e me sentia enamorado,
Beijo as memórias que são estes pulsos ensanguentados,
Pois sou quase menos, sou a Lua pelos charcos reflectida,
Percebem porque de mim em mim sou mil aposentados?
Trago-a perto, na algibeira ao lado de uma luzência querida,
Pouco mais tenho a fazer cá pois os bares estão fechados,
Ao esquecimento rumo, ao esvaecimento de uma Vida preterida.
terça-feira, 18 de junho de 2024
Estilhaços de Uma Jornada
A procura por um lar tem sido um belo percalço,
Aonde temos ido e vindo por uma aventura querida,
Por onde temos quase chegado em seu doce encalço,
Estas quase plumas são asas em cansaço enfim tornadas,
Coração solitário perdido entre uma multidão sem rosto,
Pois as braçadas são para a eternidade palpitações entoadas,
Abraçadas, envolvidas e num sorriso comovidas, porém o oposto
Também trago, pois, a morte foi o tocar seus lábios ornamentados
A felicidade, a glória, a beijo ecoado num infinito e terno momento,
Nosso reflexo mudou e somente ficaram estes mil espelhos quebrados,
Fragmentado não pela tormenta, mas pelo subtil toque desta brisa então,
Que mutilou as artérias, deixando lágrimas e sangue onde só ficou o vento,
Não quero saber se ficar aqui para sempre segurando nada para além do coração.
quinta-feira, 13 de junho de 2024
Trilhos de Ausência
Os trilhos do caminho exibindo a sua ausência,
Um último trago para recuperar destes sentidos,
Tropeção para os astros num tapete e a luzência
De um êxtase cadente dentre mil beijos perdidos,
Anseio por luz pois os vagões vão na escuridão,
Estas paredes interiores, prisão para a felicidade,
Correntes envoltas por asas quebradas, combustão,
Aqui - onde íamos de mão em mão em reciprocidade,
Invadido por vigílias ao gelado cadáver do passado,
Restos de sonho, a minha mãe partiu ainda era criança,
Com os olhos na estrada, órfão solitário, fragmentado,
Esta Vida é tempo recluso, tarde ansiada sempre distante,
O meu Amor sozinho negou esta nossa única aliança,
Parece que quem partiu é fantasma em ido instante.
domingo, 9 de junho de 2024
Estrelas Cadentes e Esperança
segunda-feira, 3 de junho de 2024
Elegia Para Orfeu
As suas lágrimas somente carreiros para os suspiros,
Por entre as cordas soltas destas mil liras quebradas
São elegia para Orfeu pelo enxofre que aqui inspiro,
As sombras que me acossam, a morte e a paixão,
Resgatarei o meu Amor por tudo que é sagrado,
Ouçam este lamento sobre a forma de canção,
Esperancei com sua melodia neste meu fado,
A tristeza é assim deste moribundo rapaz das estrelas,
É o eterno pois a fugir-lhe entre os dedos entrelaçados,
A alma em Tártaro, escapa-se em lembranças de aguarelas,
Era, pois, Eurídice a delicada promessa - a morte do poeta,
O destino, a saudade, o Ver entre si a escuridão dos olhados,
Tragédia dolorosa na dor afagado por esta caminhada obsoleta.
quarta-feira, 29 de maio de 2024
O Nosso Tempo É Passado
segunda-feira, 20 de maio de 2024
Trazendo
Trazendo no olhar e vista esta enxurrada,
Desde o início me resta a eterna chamada,
Um vento tão cruel as lágrimas enlevando,
Ouvindo só o som de uma alma quebrando,
Trazendo no peito esta saudade de uma geração,
Sou do Cupido peão, simples poeta, a refração
De luz num instante inexacto, dou-me por fraco,
Pois não a consigo esquecer mesmo Dionísico,
Trazendo fantasmas na mente e no caminhar,
Sozinho e mal-acompanhado, rápido e devagar,
Sinto a sua falta, reaprendendo esta companhia,
Trazendo-a sempre no coração, que doce maldição,
Nada mais para andar, nada mais aqui para amar,
Eu sou o meu pior inimigo, a mais cruel contradição.
terça-feira, 14 de maio de 2024
Vaga-lumes
Sonhei com o rosto que não consegui alcançar,
Pois antes de chegar já me tinha ido embora,
O amor que trago é sozinho neste só caminhar,
O poeta vagueia no suspiro que ninguém entende,
É o trajecto que ninguém irá alguma vez compreender,
Pela ferida pelas vezes que a si mesmo se rende,
Ele um dia se irá, ele suspirará até por fim morrer,
O encanto vagueia no murmúrio ao eterno deixado,
Este lenço enxuto, o chorar até não mais conseguir,
Prisioneiro de suas amarras, a ela sempre acorrentado,
E a brisa envolve as lembranças de um beijo já partilhado,
Folhas de papel transviadas por um vento que a me perseguir
Demonstra o regaço que perdi, a mão na mão, o nosso bocado.
segunda-feira, 13 de maio de 2024
Eu Amo-te, Adeus
domingo, 12 de maio de 2024
Poeira de Ouro
sábado, 11 de maio de 2024
Vigília Sobre O Nosso Cadáver
segunda-feira, 6 de maio de 2024
Entre o Universo e a Poesia
Ecos de Um Amor Perdido
domingo, 28 de abril de 2024
Desamparo Sob o Arco Quebrado
Vínculos da Ausência
Confissões do poeta a um ainda visível rosto lunar,
Por entre a bruma, entre a noite a inevitável perda,
Entre os dedos ela escapou-se ficando um triste pesar,
O sonho sonhado lacrimejado da direita para a esquerda,
Passou o nosso instante, a distância reclamou o momento,
Dentre as margens ficou o afogado, eternamente encurralado,
Somos sepulcro, caixão e o espaço que percorre atrás do vento
E o coração é pó em cachoeira e através do tempo é enfim embalado,
E por fim não há beleza, já não há o seu olhar, nem aquela mão na mão,
Vem a brisa e o tumulto, vou por onde não sou sequer já encontrado,
É a vida a seguir caminho via trilho de vagão passando por cima do coração,
Estes bolsos de lembranças rasgados, este olhar novamente semicerrado,
É o reaprender a justificar o dado, o perceber entre o dizer sim ou o não
Ao próprio poema, mas a ela estou e estarei indubitavelmente amarrado.
terça-feira, 23 de abril de 2024
No Silêncio da Ausência
Silenciosamente, sussurramos os nossos apelidos,
Esticados por momentos alienígenas, algibeiras
Abertas por tempos incertos, enfim tão perdidos,
Por aqui é onde andávamos de mãos em rasteiras,
Aqui ecoam lembranças em surtos ao acaso deixados,
Nem poeta sou, não com este bater desassossegado,
A noite para estar confuso, dois trilhos desconectados,
Para esquecer e por um ombro desaparecido ser apoiado,
São pesadelos e cruzes no pavimento e sepulturas abertas
Somente para nós, com luz ou sem sol, por agora tudo bem,
O silêncio esperando ir adiante, são estas as horas tão incertas,
O tiquetaque é a lágrima batente, custa-me o mundo, dói-me a verdade,
Que é o fim, o absoluto fim, sem a despedida pelo comboio que vem,
Indubitavelmente sozinhos, esta é sim a minha eterna e única soledade.
A Despedida
Aqui divergem enfim os caminhos de dois perdidos,
Não mais temos a mão na mão, um futuro potencial,
As ondas oceânicas estilhaços nos dedos então urdidos,
Por mim, por ti, um para sempre a enlevar a ferida com sal,
Incompleto, fragmento da porção tida como um anseio,
Nascemos para um outrora podermos fenecer sozinhos
No abraço ofegante de uma liberdade onde me rareio,
Somos indiferentes perante o vindoiro redemoinho!
Prorrogáramos o inevitável fim, sem indulto ou perdão,
Este tempo e distância enfim serão campeões, a tristeza
É cair na real e perceber que sim, enfim perdemos o chão,
O resto é absolvição, o compreender que há também beleza
Na queda, na mágoa, na vontade terna de morrer do coração,
Pois se um dia fomos a altura, que sejamos agora a profundeza.
quarta-feira, 17 de abril de 2024
Lamento à Estrada
Desabafo suspiros na orla da branca estrada,
Perdido sem o seu fôlego, sem a sua beleza,
Nunca foi suficiente esta barca cá fragmentada
Para alumiar a luz com estes píncaros de incerteza,
Maremotos de saudade, tsunamis de nostalgia,
Durante horas, durante dias, senti-me completo,
Pois era porção e centro do tido como real magia,
E esse caminho levava-me face ao esbelto trajecto,
Desperdiçamos luz, sim, acredito que algures seriamos,
Mais do que alguma vez pudemos ser neste amanhã,
Sem esperança no ontem, por si nos quebraríamos,
Há uma lágrima que trago num beijo aqui protelado,
Adiado então para um dia que temo nunca vinda terá,
Esta é a triste sentença para o amador que há amado.
terça-feira, 16 de abril de 2024
Beleza e Solidão
Na solidão tão vasta e longínqua sua beleza ecoa,
Por tons oblíquos dentro de um silêncio cerrado,
Reverberando sua voz que por memórias entoa
O pedaço de nós dois pelo tempo não cobrado,
Sempre solitária, essa eterna beleza em si se revela,
Que não falte um sonho por cada noite e seu regresso,
Pois por e através de cada traço, há uma história singela,
De dois lábios sedentos dentre si e que em mim confesso,
Sua beleza e esta solidão, dançando em perpétua harmonia,
Por terna quietude, numa fonte que inadiável jamais cessará,
Em cada suspiro conferido sim virá um novo verso de poesia,
E por cada nova linha, uma nova tentativa de ver o amanhã,
Pois em boa verdade a sua beleza sempre encontrará sua via
Para o meu coração, somente um receptáculo para o que virá.
terça-feira, 9 de abril de 2024
Emaranhado
Passando por aquilo pelas poças de água reflectido,
A refracção no olhar aberto de vidros embaciados,
Faz frio entre o vazio e o efémero é sempre o ido,
O amigo do Outono quebra-se em partes e bocados,
E dos fragmentos parecem não advir belos momentos,
Somente mais restos de algo ao vento e brisa deixado,
Por isso me dói o ar e o peito sob estes céus cinzentos,
Sem conseguir prosseguir adiante perante o sonho adiado,
Resignado a andar à deriva sob um luar triste de solidão,
Vou por onde não me encontro, e por fim sou não encontrado,
E mesmo que vá e me encontre, já se me quebrou o coração,
Não obstante de quem por lá passou ou quem tenho amado,
A tentativa do adiante, a tentativa de novamente dar a mão
É ilusão do poeta, a desilusão do amador, sem voz no soletrado.
Entre Quatro Paredes e Mil Espinhos
Pesa-me o espaço onde sou porção fragmentada
De um homem procurando o Inteiro, à desfilada,
Falta-me um pouco de amor para me dar sentido,
Alguém que me dê a mão e carregue este apelido,
Lábios descarnados, apelo à eternidade, sabendo a lar,
Contudo tal pegadas na areia que pretendem não ficar,
São o fogo na água e momento para um olhar cerrado
E uma mão que não encontra a outra no outrora beijado,
E é tão difícil caminhar sem tacto neste lúgubre caminho,
Pois de todos os trilhos este é o que ocupo ainda sozinho,
Vai-se o sorrir, vai-se o sorriso, cai a bruma sem firmamento
Entre horizontes deveras distantes, assim me arrasta o vento!
E eu, entre quatro paredes e um tecto, deixo este triste poema,
Hei-de morrer de pé e solitário e com espinhos como diadema!