Da minha rua vejo milhares de janelas,
Estes olhos que tanto têm por onde ver
Foram sendo esquecidos pelas ruelas
Que o escuro enlaçou sem devolver…
A vista, sem pista, tornou-se na subtil cilada
Fugindo avultada levando o precioso sorriso
Até que a pálpebra ficou tão e tão pesada
Que os olhos olvidaram o que é preciso,
O amanhecer, glorioso sobre a vista indefesa
Enquanto a noite finge ofertar a Lua à viela
Donde mal consigo ver Ema e sua beleza,
Prisioneira de quem não a vê, será ela cega?
Quando o não ver se torna a parede e cela
Há sempre o feixe de luz que a vista sossega.
Blog de um músico e poeta português onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
sábado, 7 de dezembro de 2013
terça-feira, 26 de novembro de 2013
À Branquidão Pt. III: O Paraíso dos Fracos
Então ele fechou os olhos perante o sono,
A cada pronunciação o sonho tardava
Deflagrando as ramagens de um outono
Esquecido, como sua pele o queimava,
E eu via-o, de olhos fechados, sem sonhar,
Num quarto fechado por nevoeiro cerrado,
A não adormecer e também sem acordar
Onde o vi naquela porção do bocado:
Era o paraíso dos fracos – o beijo na testa
Do pai ausente, a sangrenta asa do colibri
Levando o tempo para o que já não resta,
Acreditai em mim, eu faria tudo mais belo,
A vida é mais que o sonho e o sonho aqui
Não será sem vida na moldura que pincelo.
A cada pronunciação o sonho tardava
Deflagrando as ramagens de um outono
Esquecido, como sua pele o queimava,
E eu via-o, de olhos fechados, sem sonhar,
Num quarto fechado por nevoeiro cerrado,
A não adormecer e também sem acordar
Onde o vi naquela porção do bocado:
Era o paraíso dos fracos – o beijo na testa
Do pai ausente, a sangrenta asa do colibri
Levando o tempo para o que já não resta,
Acreditai em mim, eu faria tudo mais belo,
A vida é mais que o sonho e o sonho aqui
Não será sem vida na moldura que pincelo.
À Branquidão Pt. II: Por Onde Vou
Por onde vou, vou eu e vou sozinho
Diz-lhe a ela que por cá passei
Sem saber bem se este é o caminho,
Só sabendo que cada pegada amei,
Por onde hoje vou um dia já cá passei,
Vai-se esquecendo o então passado,
Por vezes fui certo, outras vezes errei
Porém o trilho é sempre o destinado,
Esta vida tem sido o diário da viagem
A pétala e a folha da raiz semeada
Terá e não terá lugar nesta imagem
Livre e insana, contida e desenfreada
Expondo o que restou da bagagem
E o espaço para o que vier na jornada.
Diz-lhe a ela que por cá passei
Sem saber bem se este é o caminho,
Só sabendo que cada pegada amei,
Por onde hoje vou um dia já cá passei,
Vai-se esquecendo o então passado,
Por vezes fui certo, outras vezes errei
Porém o trilho é sempre o destinado,
Esta vida tem sido o diário da viagem
A pétala e a folha da raiz semeada
Terá e não terá lugar nesta imagem
Livre e insana, contida e desenfreada
Expondo o que restou da bagagem
E o espaço para o que vier na jornada.
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
À Branquidão: Diz-lhe que me Viste Passar
Vejam-me bem, não sou daqui,
Sou aquele do outro lado do rio
Que foi passando por aqui, por aí
Sendo abrigo para o níveo e o frio,
Ouvimos o canto da menina do mar
Nesta terra que se dissolve no coração
Que olvida a voz e esquece o seu lugar
Cantando a aresta e o pouco da porção
Da metade que é naquele bocadinho
Através deste olhar de boneca negra
Deste quarto escuro, triste e sozinho,
Onde já nem a neve se lembra e cai
E pouca é a luz que enleva e alegra
Nesta viagem de quem vem e se vai.
Sou aquele do outro lado do rio
Que foi passando por aqui, por aí
Sendo abrigo para o níveo e o frio,
Ouvimos o canto da menina do mar
Nesta terra que se dissolve no coração
Que olvida a voz e esquece o seu lugar
Cantando a aresta e o pouco da porção
Da metade que é naquele bocadinho
Através deste olhar de boneca negra
Deste quarto escuro, triste e sozinho,
Onde já nem a neve se lembra e cai
E pouca é a luz que enleva e alegra
Nesta viagem de quem vem e se vai.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Confidências à Lua Pt. II: Os Sonetos Lançados à Estrada
Confidencio à Lua e à chuva este soneto,
Sobre este instante que tarda a chegar
Tal quarto verso de inacabado terceto
Que tanto anseio poder completar
E pertencerá ele ou não terá pertença,
Será ele luz e voz ou só bruma silente
E do vindoiro trará qual sentença,
Tornará ele o céptico no crente?
Vaguearei pelos confins da terra vadia
Pelo espaço entre os vivos e os mortos
Envolvido pela bruma de outro dia
Sussurrado à estrada no rocio dos corpos
Aos olhos do viandante tudo é poesia
Que se escreva bem nos trilhos tortos.
Sobre este instante que tarda a chegar
Tal quarto verso de inacabado terceto
Que tanto anseio poder completar
E pertencerá ele ou não terá pertença,
Será ele luz e voz ou só bruma silente
E do vindoiro trará qual sentença,
Tornará ele o céptico no crente?
Vaguearei pelos confins da terra vadia
Pelo espaço entre os vivos e os mortos
Envolvido pela bruma de outro dia
Sussurrado à estrada no rocio dos corpos
Aos olhos do viandante tudo é poesia
Que se escreva bem nos trilhos tortos.
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Sobre a Terra: A Criança de Língua Universal
Sou filho daqueles que me antecederam,
O último da linhagem de queixo erguido,
Sou a flor das raízes que aqui cresceram
No sabor e no gosto do fruto amadurecido,
Venho de uma terra onde sou o infante,
Deixo pétalas ao vento por onde passo
Por lá escrevo e deixo escrito no instante
Dormitando de olhar aberto no abraço
Dado pelas ramagens à brisa passageira,
Eu - sempre mudando de bênção e fardo
Em busca do que trago e perdi na algibeira,
Apenas ofereço esta sede de além e infinito
Que será da criança universal o legado
No toque aos cegos através do inaudito.
O último da linhagem de queixo erguido,
Sou a flor das raízes que aqui cresceram
No sabor e no gosto do fruto amadurecido,
Venho de uma terra onde sou o infante,
Deixo pétalas ao vento por onde passo
Por lá escrevo e deixo escrito no instante
Dormitando de olhar aberto no abraço
Dado pelas ramagens à brisa passageira,
Eu - sempre mudando de bênção e fardo
Em busca do que trago e perdi na algibeira,
Apenas ofereço esta sede de além e infinito
Que será da criança universal o legado
No toque aos cegos através do inaudito.
Eu e Ela Pt. VIII: Casa
Se uma outra noite eu fosse aquele dia
E nesse preciso instante fosse a melodia
Que já não recordo e que até já esqueci,
Tão clara era mas na noite escura a perdi,
Foi aquele beijo, aquele insano almejo,
Naquela rua escura que ainda perdura,
Nem era bem abismo mas era a caída
Através da fraga do colibri de asa partida,
Era sem ser, era a fracção deste pedaço:
Eu e ela, o dois não se tornando no um
Era tempo para tudo sem espaço nenhum
Onde o cansaço é senhor e o peito abrasa
E eu, apenas pretendendo chegar a casa
Sendo que casa é onde for o seu regaço.
E nesse preciso instante fosse a melodia
Que já não recordo e que até já esqueci,
Tão clara era mas na noite escura a perdi,
Foi aquele beijo, aquele insano almejo,
Naquela rua escura que ainda perdura,
Nem era bem abismo mas era a caída
Através da fraga do colibri de asa partida,
Era sem ser, era a fracção deste pedaço:
Eu e ela, o dois não se tornando no um
Era tempo para tudo sem espaço nenhum
Onde o cansaço é senhor e o peito abrasa
E eu, apenas pretendendo chegar a casa
Sendo que casa é onde for o seu regaço.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Eu e Ela Pt. VII: Dois
Trago restos e porções nestes passos,
Seus ecos reverberados à despedida
No bocado daquele beijo, no abraço
À hora do adeus, ao instante da partida,
Apenas o vento sai irado e possante à rua,
Onde sombras se esvaecem pela lembrança
De quando sua mão era minha e a minha sua
Num ver que era sorriso e que era esperança,
Se ela soubesse das belas constelações que vejo
Atrás de suas pálpebras e que me basta esse céu
Onde seus lábios são o sorriso, o sonho, o beijo
E tudo aquilo que sou deixa de ser somente eu
Torna-se parte e porção de tudo o que almejo:
Estes passos ladeados por aquilo que é seu.
Seus ecos reverberados à despedida
No bocado daquele beijo, no abraço
À hora do adeus, ao instante da partida,
Apenas o vento sai irado e possante à rua,
Onde sombras se esvaecem pela lembrança
De quando sua mão era minha e a minha sua
Num ver que era sorriso e que era esperança,
Se ela soubesse das belas constelações que vejo
Atrás de suas pálpebras e que me basta esse céu
Onde seus lábios são o sorriso, o sonho, o beijo
E tudo aquilo que sou deixa de ser somente eu
Torna-se parte e porção de tudo o que almejo:
Estes passos ladeados por aquilo que é seu.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Este Silêncio: E o Seu Discurso
Por vezes ouço o silêncio a discursar,
Aí falta-me o fôlego e a vontade
Se vai por onde vejo o tempo passar
E eu sustido ao abraço da saudade
Daquele abismo trazendo a sua face
Nesta queda aberta da alta fraga
Quando apenas seu beijo é enlace
E torna em sorriso toda esta mágoa,
Há dias em que não apetece dormir,
Rareiam raios de sol como cobertor
E o ser... esse apenas pretende existir
Pois não há melodia para nossa canção
Porém quando apenas parece haver dor
Será ela ainda parte deste triste coração?
Aí falta-me o fôlego e a vontade
Se vai por onde vejo o tempo passar
E eu sustido ao abraço da saudade
Daquele abismo trazendo a sua face
Nesta queda aberta da alta fraga
Quando apenas seu beijo é enlace
E torna em sorriso toda esta mágoa,
Há dias em que não apetece dormir,
Rareiam raios de sol como cobertor
E o ser... esse apenas pretende existir
Pois não há melodia para nossa canção
Porém quando apenas parece haver dor
Será ela ainda parte deste triste coração?
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Através do Deserto Esfaimado Pt. IV: A Imperecível Crença
Confesso a queda através do deserto
Do coração que outrora era oceano,
Onde o Sonho era leve abraço aberto
Num perpétuo brinde ao desengano,
Sou os grãos de areia que ora piso
E as lágrimas derramadas lá atrás
De quando esse abraço era Paraíso
E asa branca perante as horas más,
Os labirintos criados por este tempo
Esvaecem, apenas deserto a trilhar
Mas à velocidade deste sentimento
Ainda creio em rios, mares e no oceano
E só o coração sabe a razão de seu errar
Através do seu cair e voar ano após ano.
Do coração que outrora era oceano,
Onde o Sonho era leve abraço aberto
Num perpétuo brinde ao desengano,
Sou os grãos de areia que ora piso
E as lágrimas derramadas lá atrás
De quando esse abraço era Paraíso
E asa branca perante as horas más,
Os labirintos criados por este tempo
Esvaecem, apenas deserto a trilhar
Mas à velocidade deste sentimento
Ainda creio em rios, mares e no oceano
E só o coração sabe a razão de seu errar
Através do seu cair e voar ano após ano.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
O Viandante Pt. III: Sou Eu
À subida ou descida das oblíquas escadas
Vai aquele que já passou e um dia passará
Onde margens forem dignas de ser cantadas
Sendo na partida a chegada de outra manhã,
O espaço para o tempo entre as margens
Ao pé-coxinho, rápido e até devagarinho
É o facto e a hipótese deixada às aragens
Tal como o recém-nascido e seu passarinho,
É ainda o moribundo e seu último desejo,
Ele é a ponte onde os segundos passam,
Os dias de outras noites que já não vejo
Logo entre aspas, entre o ponto e a reticência
E um pouco além onde horizontes se traçam
Sou ele e não o sou nesta presente ausência.
Vai aquele que já passou e um dia passará
Onde margens forem dignas de ser cantadas
Sendo na partida a chegada de outra manhã,
O espaço para o tempo entre as margens
Ao pé-coxinho, rápido e até devagarinho
É o facto e a hipótese deixada às aragens
Tal como o recém-nascido e seu passarinho,
É ainda o moribundo e seu último desejo,
Ele é a ponte onde os segundos passam,
Os dias de outras noites que já não vejo
Logo entre aspas, entre o ponto e a reticência
E um pouco além onde horizontes se traçam
Sou ele e não o sou nesta presente ausência.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
O Viandante Pt. II: À Subida ou Descida das Oblíquas Escadas
Entre margens e cantos se faz a viagem,
Vim cantar sobre o visto e o ainda por ver
Com a mente e coração como bagagem
Trilhando a terra e o céu neste crescer,
Por onde quer que vá desde que vá
Saúdo vales e montanhas neste olhar
Cujo beijo é a única coisa deixada cá
Pois tudo o que tenho é este viandar,
O resto já passou, passa e ainda passará
E que alívio é ser parte de tudo e nada
E desconhecer a vista do amanhã
Pois de todas as pétalas hoje inaladas
Trago-as em mim, largo-as à estrada,
À subida ou descida destas escadas.
Vim cantar sobre o visto e o ainda por ver
Com a mente e coração como bagagem
Trilhando a terra e o céu neste crescer,
Por onde quer que vá desde que vá
Saúdo vales e montanhas neste olhar
Cujo beijo é a única coisa deixada cá
Pois tudo o que tenho é este viandar,
O resto já passou, passa e ainda passará
E que alívio é ser parte de tudo e nada
E desconhecer a vista do amanhã
Pois de todas as pétalas hoje inaladas
Trago-as em mim, largo-as à estrada,
À subida ou descida destas escadas.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Aos que Respiram: Sem Viver
Vivemos para ocupar salas vazias,
Só vivemos pois tememos a morte,
Partes vão caindo por outros dias,
Para quem resta e esta é a sua sorte
Escuto vossos prantos ao adormecer
E não adormeço pois já não sonho,
Neste leito sois os gritos ao morrer
Sois o luar pálido, penoso e tristonho
Sobre ruas desertas que esperam por nós,
Onde por vezes o próprio andar é triste,
É sombra deixada por alguém sem voz
E apesar de toda a beldade que cá existe
Não é a morte mas o não viver o algoz
(Logo pergunto:)
Fará Vida parte dos deslumbres que viste?
Só vivemos pois tememos a morte,
Partes vão caindo por outros dias,
Para quem resta e esta é a sua sorte
Escuto vossos prantos ao adormecer
E não adormeço pois já não sonho,
Neste leito sois os gritos ao morrer
Sois o luar pálido, penoso e tristonho
Sobre ruas desertas que esperam por nós,
Onde por vezes o próprio andar é triste,
É sombra deixada por alguém sem voz
E apesar de toda a beldade que cá existe
Não é a morte mas o não viver o algoz
(Logo pergunto:)
Fará Vida parte dos deslumbres que viste?
O Viandante: Entre Margens e Cantos
O viandante vai sempre entre margens
Nunca partindo e raramente chegando,
O já visto passa e é deixado às aragens
Sob e sobre o céu por onde vai andando,
Por dentro traz o homem e a criança
E as estrelas que são pela noite fora,
Por vezes até vê Ema e a sua dança
Tão delicada quando é tardia a hora
Aonde canta por tudo quanto é canto
Das últimas estrelas até à madrugada
Entoa o seu riso onde ecoa o seu pranto,
Outrora corredores vazios cheios de dor
Que se mudam por cada sua passada
Desde que feita por retoques de Amor.
Nunca partindo e raramente chegando,
O já visto passa e é deixado às aragens
Sob e sobre o céu por onde vai andando,
Por dentro traz o homem e a criança
E as estrelas que são pela noite fora,
Por vezes até vê Ema e a sua dança
Tão delicada quando é tardia a hora
Aonde canta por tudo quanto é canto
Das últimas estrelas até à madrugada
Entoa o seu riso onde ecoa o seu pranto,
Outrora corredores vazios cheios de dor
Que se mudam por cada sua passada
Desde que feita por retoques de Amor.
Entre Portas e Janelas Pt. II: Entreaberto
Entre a porta e as janelas entreabertas
Quero o mel de tudo o que for flor
Aonde o colibri vá por horas incertas
E tal asas da borboleta ganhem cor,
Entre o prado e a neve a sina é esta
Sendo-se o trilho e quem o imagina
Dia a dia novos versos o Sol empresta
À estrofe e ao voo até à doce menina,
Entre as nossas mãos olvida-se o depois,
É ela aquela que tanto ressoa a Vida
Que é meu nascer e até meu fim pois!
Entre nós os dois só a distância é nossa
E só vós podeis sarar a insanável ferida,
A caricia que quero Amor… é só vossa.
Quero o mel de tudo o que for flor
Aonde o colibri vá por horas incertas
E tal asas da borboleta ganhem cor,
Entre o prado e a neve a sina é esta
Sendo-se o trilho e quem o imagina
Dia a dia novos versos o Sol empresta
À estrofe e ao voo até à doce menina,
Entre as nossas mãos olvida-se o depois,
É ela aquela que tanto ressoa a Vida
Que é meu nascer e até meu fim pois!
Entre nós os dois só a distância é nossa
E só vós podeis sarar a insanável ferida,
A caricia que quero Amor… é só vossa.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Entre Portas e Janelas: A Neve e o Prado
Silêncio! Lá fora jaz tanta neve
E eu apenas vejo o prado verde,
Vejo-a caindo, tão fofa, tão leve
E imagino-a onde a chuva se perde,
Daqui ainda observo o fluir da água,
Pergunto-me onde irão as onditas,
Ao se dissiparem sentirão elas mágoa
Indo tal sonhos tão doces, tão bonitas?
Através da praia o homem nu vagueia
Onde as estrelas fogem e se escapam
Vejo-a coberta por roupas de areia
Nesse lugar que nunca mais alcanço
As faces se vão e dedos se enlaçam
Quase… quase repouso em tal remanso.
E eu apenas vejo o prado verde,
Vejo-a caindo, tão fofa, tão leve
E imagino-a onde a chuva se perde,
Daqui ainda observo o fluir da água,
Pergunto-me onde irão as onditas,
Ao se dissiparem sentirão elas mágoa
Indo tal sonhos tão doces, tão bonitas?
Através da praia o homem nu vagueia
Onde as estrelas fogem e se escapam
Vejo-a coberta por roupas de areia
Nesse lugar que nunca mais alcanço
As faces se vão e dedos se enlaçam
Quase… quase repouso em tal remanso.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Por Janelas de Vidros Azuis Pt. IX: A Janela era a Mesma
Voávamos contra a mesma janela fechada
Apartados pelo vidro azul e o seu vulto
De coração silencioso e de cara tapada
Em dias de vinho e rosas - no tumulto
De mãos bem dadas que não se tocavam
Onde se atrasava o mais belo dos beijos,
No parque onde tão airosos brincavam
A pé-descalço tal como estes desejos...
De quem? Quem pouco de tudo anseia
Aquele pouco onde se vai perdendo
Em esquinas onde o sol nos rareia
Voámos contra a mesma janela fechada
Sorrimos, podia ser uma parede tendo
Tudo, tudo um pouco e de tudo nada.
Apartados pelo vidro azul e o seu vulto
De coração silencioso e de cara tapada
Em dias de vinho e rosas - no tumulto
De mãos bem dadas que não se tocavam
Onde se atrasava o mais belo dos beijos,
No parque onde tão airosos brincavam
A pé-descalço tal como estes desejos...
De quem? Quem pouco de tudo anseia
Aquele pouco onde se vai perdendo
Em esquinas onde o sol nos rareia
Voámos contra a mesma janela fechada
Sorrimos, podia ser uma parede tendo
Tudo, tudo um pouco e de tudo nada.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
A Nébula: Nas Pegadas do Viandante
A lembrança remota, o sonho dispersado
Alinho os seus pedaços - os seus e os meus,
Tragando-os como se não tivessem passado
Na beldade do repousar no abraço de Deus,
O limite é a falta de tempo para o eterno
Porém deixo-o vir e passar por mim
Voltarei por mais, venha sol, seja inverno,
Deixo-os ir, há beleza na queda, há trampolim
No dia que nunca chega, nos cortes de papel
E aquela voz, só minha, estranha e familiar
Ouvi-a! Estou pronto para mudar esta Babel
Sem hesitar a manhã vem e anjos também,
Não morrerei nunca serei voo sem pousar
Através do fim do horizonte e mais além.
Alinho os seus pedaços - os seus e os meus,
Tragando-os como se não tivessem passado
Na beldade do repousar no abraço de Deus,
O limite é a falta de tempo para o eterno
Porém deixo-o vir e passar por mim
Voltarei por mais, venha sol, seja inverno,
Deixo-os ir, há beleza na queda, há trampolim
No dia que nunca chega, nos cortes de papel
E aquela voz, só minha, estranha e familiar
Ouvi-a! Estou pronto para mudar esta Babel
Sem hesitar a manhã vem e anjos também,
Não morrerei nunca serei voo sem pousar
Através do fim do horizonte e mais além.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
A Ema Pt. XII: A Menina que Rascunhava a sua Vida
A menina que rascunhava a sua vida
Terna, ponto a ponto e linha a linha,
Quieta, apontava olás na despedida
Ao que ficava cá e que outrora tinha,
Esboçava quem não tinha conhecido
E aquilo que nunca aqui tinha visto
Ou amigos que nunca tinha tido
Sozinha escrevia a traço imprevisto,
Vivia na companhia da sua imaginação
Onde o inusitado era regra e esquadro
Ao deslizar da caneta na ponta da mão
Tudo é risco entre espaços brancos à partida
Da menina que se desenha num quadro
Enquanto este vai retendo toda a sua vida.
Terna, ponto a ponto e linha a linha,
Quieta, apontava olás na despedida
Ao que ficava cá e que outrora tinha,
Esboçava quem não tinha conhecido
E aquilo que nunca aqui tinha visto
Ou amigos que nunca tinha tido
Sozinha escrevia a traço imprevisto,
Vivia na companhia da sua imaginação
Onde o inusitado era regra e esquadro
Ao deslizar da caneta na ponta da mão
Tudo é risco entre espaços brancos à partida
Da menina que se desenha num quadro
Enquanto este vai retendo toda a sua vida.
A Partida Pt. II: Por Onde Sós Vamos
Por onde sós vamos, sós viajamos sozinhos
Quando nem a lua nos encobre, não faz mal,
Por vezes é suposto sermos todos pequeninos,
Por vezes estar solitário e perdido é normal,
Por onde meios fomos, em metades vamos,
Quando só névoa há, tudo bem na mesma
Pois pelo que perdemos algo encontramos,
Pois o que cá fica advém de igual resma
Onde se banha o mensageiro da palavra,
Aquela que liga margens e cria pontes
E que o solo estéril docemente lavra,
Não temerei outras noites pois trago o dia
Que nos mais secos desertos erige fontes
E que de palavras sós recria a poesia.
Quando nem a lua nos encobre, não faz mal,
Por vezes é suposto sermos todos pequeninos,
Por vezes estar solitário e perdido é normal,
Por onde meios fomos, em metades vamos,
Quando só névoa há, tudo bem na mesma
Pois pelo que perdemos algo encontramos,
Pois o que cá fica advém de igual resma
Onde se banha o mensageiro da palavra,
Aquela que liga margens e cria pontes
E que o solo estéril docemente lavra,
Não temerei outras noites pois trago o dia
Que nos mais secos desertos erige fontes
E que de palavras sós recria a poesia.
A Partida: Nestas Andanças em Busca do Presente
Parti… Parti sem saber sobre o regresso,
Fui à aventura de destino incógnito,
Caguei na hóstia e vivo no excesso
De sangue nas veias e grito indómito,
Procuro por vida enquanto me aguardo,
Por cada momento o amanhã acontece,
A viagem não é nem deve ser um fardo
Quanto menos esperamos amor aparece,
O sorriso é aberto e o resto incondicional,
O instante é breve gerando esta semente
Que da alma vai revelando o essencial
Atrás da estrela do que é realmente preciso
De onde vou tomo este aqui como presente
Por onde vá e passe em busca do paraíso.
Fui à aventura de destino incógnito,
Caguei na hóstia e vivo no excesso
De sangue nas veias e grito indómito,
Procuro por vida enquanto me aguardo,
Por cada momento o amanhã acontece,
A viagem não é nem deve ser um fardo
Quanto menos esperamos amor aparece,
O sorriso é aberto e o resto incondicional,
O instante é breve gerando esta semente
Que da alma vai revelando o essencial
Atrás da estrela do que é realmente preciso
De onde vou tomo este aqui como presente
Por onde vá e passe em busca do paraíso.
terça-feira, 27 de agosto de 2013
O Amanhecer Pt. III: O Céu Como Abrigo
Outra vez vou algures de olhos fechados
Para onde? Onde houver magia soa bem,
Onde o Sol caia suave em beijos doirados
Num sítio onde não passe quase ninguém,
No fundo da algibeira ficarão os instantes
Vestidos e enaltecidos pelo que passou
E ao que aqui restou provindo do antes
Sou eu, o poeta que cada passo amou,
Com o Céu como abrigo viajando-o sozinho
Sempre indo de coração aberto na mão
E que quando perdido se revê no caminho
Ao escutar a melodia da sua própria canção
Que ao deixá-la ir se torna no seu passarinho
Com o passar do tempo, ao passar da estação.
Para onde? Onde houver magia soa bem,
Onde o Sol caia suave em beijos doirados
Num sítio onde não passe quase ninguém,
No fundo da algibeira ficarão os instantes
Vestidos e enaltecidos pelo que passou
E ao que aqui restou provindo do antes
Sou eu, o poeta que cada passo amou,
Com o Céu como abrigo viajando-o sozinho
Sempre indo de coração aberto na mão
E que quando perdido se revê no caminho
Ao escutar a melodia da sua própria canção
Que ao deixá-la ir se torna no seu passarinho
Com o passar do tempo, ao passar da estação.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
O Amanhecer Pt. II - Eu e Ela Pt. VI
Hoje ainda cá esperámos pelo amanhecer
Tal como suspirávamos - de olhos fechados
O trilho vai-nos lembrando do alvo escurecer
Para onde vão os abraços e beijos não dados,
Tal e qual ave a voar contra a mesma janela
Seu sorriso é o que a mim me tem procurado,
Só Lua e Céu por onde vou por mim, por ela
Agora silêncio… pois este ruído tem-me bastado,
Repouso enfim ao abrigo da pluma de mil poetas
Aqui onde morro e se me vão as cem vontades
Esvoejando por nosso amor em dez borboletas
(...Me pergunto:)
Se tanto gosto dela e ela gosta tanto de mim,
Neste peito esta vida é em meias metades,
Como ousa o vento separar-nos assim?
Tal como suspirávamos - de olhos fechados
O trilho vai-nos lembrando do alvo escurecer
Para onde vão os abraços e beijos não dados,
Tal e qual ave a voar contra a mesma janela
Seu sorriso é o que a mim me tem procurado,
Só Lua e Céu por onde vou por mim, por ela
Agora silêncio… pois este ruído tem-me bastado,
Repouso enfim ao abrigo da pluma de mil poetas
Aqui onde morro e se me vão as cem vontades
Esvoejando por nosso amor em dez borboletas
(...Me pergunto:)
Se tanto gosto dela e ela gosta tanto de mim,
Neste peito esta vida é em meias metades,
Como ousa o vento separar-nos assim?
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Eu e Ela Pt. V: Sem Recordação Cá Recordo
Fizeram-se então as estrelas tristes brilhantes
Envolvidos nesta brisa do beijo um dia almejado
Próximos se tornaram desejos outrora distantes
No sonho de quem dá a mão e se sente amado,
Por ela, sossegavam os ruídos da noite infinda
Em ânsia a suave marca d’água esboçada
Onde o olhar era reflexo da vista bem-vinda
E o ver era visto a dois onde o rio era estrada…
Hoje à noite luas azuis reluzem sob seus ecos,
Este quarto tão vazio, esta noite tão longa
Suas ruas azuis estreitadas para azuis becos
Onde o sono não alcança, o sonho não vem
Aquando sua ausência a não-vida se alonga
Eu - meia-vida e por sua ideia o ainda refém.
Envolvidos nesta brisa do beijo um dia almejado
Próximos se tornaram desejos outrora distantes
No sonho de quem dá a mão e se sente amado,
Por ela, sossegavam os ruídos da noite infinda
Em ânsia a suave marca d’água esboçada
Onde o olhar era reflexo da vista bem-vinda
E o ver era visto a dois onde o rio era estrada…
Hoje à noite luas azuis reluzem sob seus ecos,
Este quarto tão vazio, esta noite tão longa
Suas ruas azuis estreitadas para azuis becos
Onde o sono não alcança, o sonho não vem
Aquando sua ausência a não-vida se alonga
Eu - meia-vida e por sua ideia o ainda refém.
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
O Amanhecer: Vai Restando
Ontem esperávamos pelo amanhecer
Respirando-o enquanto ele era enlevado,
Suave e docemente éramos a tal acontecer
De braços bem abertos e olhar bem fechado,
Através de quatro olhos a vista era a mesma
Saciando por instantes esta inesgotável sede,
Alcançando vida longe desta aventesma
Que assombra o que sonho aqui concede,
Somos a alba, pronuncio-a em minúsculas
Esta é a valsa do trovador ao pé-coxinho
Cujo passo é apelidado por esdrúxulas:
“Ama e sê o sonho que for no pergaminho
Ama-o muito e sê-o no trilho que osculas
Esperar-vos-ei na luz que restar do caminho."
Respirando-o enquanto ele era enlevado,
Suave e docemente éramos a tal acontecer
De braços bem abertos e olhar bem fechado,
Através de quatro olhos a vista era a mesma
Saciando por instantes esta inesgotável sede,
Alcançando vida longe desta aventesma
Que assombra o que sonho aqui concede,
Somos a alba, pronuncio-a em minúsculas
Esta é a valsa do trovador ao pé-coxinho
Cujo passo é apelidado por esdrúxulas:
“Ama e sê o sonho que for no pergaminho
Ama-o muito e sê-o no trilho que osculas
Esperar-vos-ei na luz que restar do caminho."
domingo, 4 de agosto de 2013
A Ponte Pt. III: Segundos Vêm Vindo e Indo
A manhã vinha no fôlego do respiro,
Eu – o almejo do que o orvalho traz
Do alto do morro em apartado retiro
Ecoam as vozes que ficaram lá atrás,
Os suspiros em memória na nostalgia
De quem vem e vai porém não passa
Assim saudando o alvor com tal ousadia
Que seu néctar vai tragando desta taça,
Que Deus me permita viver hora a hora
Pois entretanto segundos vão passando
Neste mar de olvido e ser pelo mundo fora,
Bebendo de ruas vazias a luz dos lampiões
Por cada lufada da brisa que se vai dando,
Sentido faz se for uma ode a dois corações.
Eu – o almejo do que o orvalho traz
Do alto do morro em apartado retiro
Ecoam as vozes que ficaram lá atrás,
Os suspiros em memória na nostalgia
De quem vem e vai porém não passa
Assim saudando o alvor com tal ousadia
Que seu néctar vai tragando desta taça,
Que Deus me permita viver hora a hora
Pois entretanto segundos vão passando
Neste mar de olvido e ser pelo mundo fora,
Bebendo de ruas vazias a luz dos lampiões
Por cada lufada da brisa que se vai dando,
Sentido faz se for uma ode a dois corações.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
A Ponte Pt. II: Entre o Silêncio e as Pegadas
É preciso este silêncio e nesse bocado
Sou a ponte entre o canto e a aresta,
Trago nas pálpebras o olhar semicerrado
E parte da brisa que da mão aberta resta,
Tenho passado por lampiões e ruas vazias
Por vós a voz amada, amante e amiga
Ofereço-a onde soam doces melancolias
Partilho-a e a mim ao abrigo desta cantiga
A gente que passe e não seja apenas gente,
Entre o vértice e o ângulo, sempre à margem
De abraços cruzados deslizando em frente
Onde gritos se dissipam juntando-se à aragem,
Bebo-os inteiros e trago-os todos neste presente
Nestas nébulas que do viandante são a viagem.
Sou a ponte entre o canto e a aresta,
Trago nas pálpebras o olhar semicerrado
E parte da brisa que da mão aberta resta,
Tenho passado por lampiões e ruas vazias
Por vós a voz amada, amante e amiga
Ofereço-a onde soam doces melancolias
Partilho-a e a mim ao abrigo desta cantiga
A gente que passe e não seja apenas gente,
Entre o vértice e o ângulo, sempre à margem
De abraços cruzados deslizando em frente
Onde gritos se dissipam juntando-se à aragem,
Bebo-os inteiros e trago-os todos neste presente
Nestas nébulas que do viandante são a viagem.
sexta-feira, 19 de julho de 2013
A Ponte: Entre o Canto e as Esquinas
Por mim sim canto em qualquer canto,
Haja ruído ou o silêncio do abissal recife,
Para quem traga bolsos forrados a tanto
Que cada tom soe a berço ou a esquife
… E eu ponte, sempre entre outras margens
Trazido no vento onde o grito retorna o eco
Ressoando nesta brisa por outras paragens
Através da planície verde ao pardo beco,
Caímos tal e qual quanto voamos - alados,
Vivemos entoando a perdição das esquinas
Em salões de dança vazios outrora povoados
Não atingindo o fim somos a parte da parte
E enfim percebo defrontando estas ruínas
O quão me aguardo entre Vénus e Marte.
Haja ruído ou o silêncio do abissal recife,
Para quem traga bolsos forrados a tanto
Que cada tom soe a berço ou a esquife
… E eu ponte, sempre entre outras margens
Trazido no vento onde o grito retorna o eco
Ressoando nesta brisa por outras paragens
Através da planície verde ao pardo beco,
Caímos tal e qual quanto voamos - alados,
Vivemos entoando a perdição das esquinas
Em salões de dança vazios outrora povoados
Não atingindo o fim somos a parte da parte
E enfim percebo defrontando estas ruínas
O quão me aguardo entre Vénus e Marte.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Eu e Ela Pt. IV: Tornaram-se As Ruas Vazias
As ruas vazias relembram as nossas mãos
Sob os candeeiros que são estas sombras
Que reverberam ecos atando-os a sótãos
Da noite ao dia - à poesia que ensombras.
Para quê por alguém ainda aqui esperar
Se por mim aqui não espero nem vou?
Com quem poderei ser ou enfim abrigar
Se sou relento, se sozinho não me sou
Para lá da estrada atravessada ao peito
Sou suspeito em ar rarefeito e tão pouco
Quero que tudo anseio tão e tão perfeito
Que é tanto e tal o mundo que cá albergo,
Tentando ser belo e lá vai o poeta louco
Entre ruas que vazias ficam mal as enxergo.
Sob os candeeiros que são estas sombras
Que reverberam ecos atando-os a sótãos
Da noite ao dia - à poesia que ensombras.
Para quê por alguém ainda aqui esperar
Se por mim aqui não espero nem vou?
Com quem poderei ser ou enfim abrigar
Se sou relento, se sozinho não me sou
Para lá da estrada atravessada ao peito
Sou suspeito em ar rarefeito e tão pouco
Quero que tudo anseio tão e tão perfeito
Que é tanto e tal o mundo que cá albergo,
Tentando ser belo e lá vai o poeta louco
Entre ruas que vazias ficam mal as enxergo.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Eu e Ela Pt. III: Que Fique O Seu Fulgor
A muda persegue quem pertence à estrada
Noutra suave despedida uma nova partida
Vem o terno Sol enquanto cai a enxurrada
E do ínfimo nada, o arco na mão querida
É a íris dos dias que me deixaram aqui e ali
Esparso nas noites que ainda estão por vir,
Os fulgores de beleza que do éter socorri
Serão parte do sonho desperto a reflectir
O eco das salas vazias ainda por preencher
Por palavras e sonetos ou cerejas com areia
E desejos e anseios do rapaz neste meio ser
Enviados às nuvens em leves balões de papel
Onde todos somos à vigília desta lua cheia
Quando toda vista é tela e todo o Ver pincel.
Noutra suave despedida uma nova partida
Vem o terno Sol enquanto cai a enxurrada
E do ínfimo nada, o arco na mão querida
É a íris dos dias que me deixaram aqui e ali
Esparso nas noites que ainda estão por vir,
Os fulgores de beleza que do éter socorri
Serão parte do sonho desperto a reflectir
O eco das salas vazias ainda por preencher
Por palavras e sonetos ou cerejas com areia
E desejos e anseios do rapaz neste meio ser
Enviados às nuvens em leves balões de papel
Onde todos somos à vigília desta lua cheia
Quando toda vista é tela e todo o Ver pincel.
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