Cenas de cinema formam a janela,
Estendidas de moldura em moldura,
Mil instantes tal cores pincelam-na
Tocando sem tocar cheio de ternura,
Esconde-se o Sol em qualquer sepultura,
Só um pouco de ontem nesta algibeira,
Objecto do fruto de quem ainda procura
Porém já esqueceu a chuva na esteira
Que era de quem vivia à sombra do sonho
E nele era parte de fragmento maior,
Hoje o aguaceiro deixa-me tão tristonho
Que parece nada existir para além dela,
Assim se perde o sorriso e porções de cor
Enquanto que por nada se preenche esta tela.
Blog de um músico e poeta português onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
Hoje Celebremos
Hoje celebremos a morte do sonhador,
Aquele abatido do alto, perto do sol,
Saibam que ele era o último real amador,
Seu riso equiparado à canção do rouxinol,
Aquele abatido do alto, perto do sol,
Saibam que ele era o último real amador,
Seu riso equiparado à canção do rouxinol,
Percebo agora que sem penas ninguém voa,
Que sem cor não há pincel preenchido,
Por isso voo meio perdido, meio à toa
Por vezes sem ter da paisagem nada retido,
Que sem cor não há pincel preenchido,
Por isso voo meio perdido, meio à toa
Por vezes sem ter da paisagem nada retido,
Fecho o amanhã e sua chave é perdida
Por dias passados levados adiante,
São ventos que apenas conhecem a despedida,
Por dias passados levados adiante,
São ventos que apenas conhecem a despedida,
Se bem que por vezes não seja o bastante
Para animar a alma por eles colhida
Nesta corrida que me deixa tão ofegante.
Para animar a alma por eles colhida
Nesta corrida que me deixa tão ofegante.
Para Trás e Para a Frente
Para trás e para a frente, despretensão,
Sozinho de negrume em boteco a boteco,
Quase pouco, ouço o olhar chorar de paixão,
Batalha infinda onde somos par do caneco,
Sozinho de negrume em boteco a boteco,
Quase pouco, ouço o olhar chorar de paixão,
Batalha infinda onde somos par do caneco,
A verdade é segredo para outro dia,
Mal ouço o perdão do que ainda não cometi,
Sou valsa comum, a perca da magia,
De quando era toda a luz e o sol em si,
Mal ouço o perdão do que ainda não cometi,
Sou valsa comum, a perca da magia,
De quando era toda a luz e o sol em si,
Perdoa minha volúpia tão desmedida,
O voltar de um século que não volta,
Sabe, apesar de me perder ainda és a querida,
O voltar de um século que não volta,
Sabe, apesar de me perder ainda és a querida,
O cais de abrigo para o homem perdido,
A margem da aragem que se quer livre e solta
Neste bater meio teu mas meio dolorido.
A margem da aragem que se quer livre e solta
Neste bater meio teu mas meio dolorido.
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
O Tempo Passa
O tempo passa e esquece-se docemente,
Eu, todo o espaço entre duas margens,
Vou caminhando rápido e lentamente,
Perfazendo-me num resto destas viagens,
O tempo passa e esquece-se negligente,
De nossas mãos reflexos do firmamento,
Assim paro de respirar meio de repente,
Ecoando pelos corredores este lamento,
De quando tempos passavam sendo nossos,
Instantes tornados memórias de primavera
Que para sempre me atravessarão os ossos
Mesmo que um dia pareçam de outra era,
Neste peito batem em mil e um alvoroços,
Até vos reencontrar, serás vós só uma quimera?
Eu, todo o espaço entre duas margens,
Vou caminhando rápido e lentamente,
Perfazendo-me num resto destas viagens,
O tempo passa e esquece-se negligente,
De nossas mãos reflexos do firmamento,
Assim paro de respirar meio de repente,
Ecoando pelos corredores este lamento,
De quando tempos passavam sendo nossos,
Instantes tornados memórias de primavera
Que para sempre me atravessarão os ossos
Mesmo que um dia pareçam de outra era,
Neste peito batem em mil e um alvoroços,
Até vos reencontrar, serás vós só uma quimera?
domingo, 14 de agosto de 2016
Alguém Me Dá
Alguém me dá boleia para a morgue?
Vestígios de roupas por sombras ladeadas,
O mundo sonolento me há deixado grogue,
Visto-me de restos de lembranças deixadas,
Vestígios de roupas por sombras ladeadas,
O mundo sonolento me há deixado grogue,
Visto-me de restos de lembranças deixadas,
Escuro quarto onde pernoitam perdidos,
As portas sem rumo, fecho as cortinas,
Era por eles que abria os olhos e vertidos,
Eles me concediam alegrias divinas,
As portas sem rumo, fecho as cortinas,
Era por eles que abria os olhos e vertidos,
Eles me concediam alegrias divinas,
O sonhador é o único que pensa ver alguém,
Somos cercados por dias já numerados,
Tornando o negro em cinza, com ou sem
Somos cercados por dias já numerados,
Tornando o negro em cinza, com ou sem
Onde passam aqueles que fomos um dia,
Todos os sóis e luares sempre esperados,
Vede, só espero por um beijo de magia...
Todos os sóis e luares sempre esperados,
Vede, só espero por um beijo de magia...
terça-feira, 9 de agosto de 2016
Enfermos São
Enfermos são estes que ficam hesitantes,
Este lugar é país para almas penadas,
Da janela ouço lamentos distantes
E não durmo fruto de mil noitadas,
Este lugar é país para almas penadas,
Da janela ouço lamentos distantes
E não durmo fruto de mil noitadas,
Tanto falta e tanto mais há-de faltar,
A ferida aberta é a prece silenciosa
E enquanto não basta o que bastar,
Extingue-se parte da ânsia preciosa,
A ferida aberta é a prece silenciosa
E enquanto não basta o que bastar,
Extingue-se parte da ânsia preciosa,
Assim para o mundano se perde o poeta,
Fado triste este da incerta madrugada,
Nevoeiro nublado pela escuridão preta,
Fado triste este da incerta madrugada,
Nevoeiro nublado pela escuridão preta,
Enquanto não há pé que se lance à estrada
Vai-se lentamente a areia da ampulheta,
Somos refém do prisioneiro do conde de nada.
Vai-se lentamente a areia da ampulheta,
Somos refém do prisioneiro do conde de nada.
O Olhar Das Pessoas Já Não Me Diz Nada
O olhar das pessoas já não me diz nada,
Vagueio, tal folha no rio, sem destino,
Perdi a ponta de esperança, o pé na estrada,
Tantas estrelas idas neste olhar clandestino,
Vagueio, tal folha no rio, sem destino,
Perdi a ponta de esperança, o pé na estrada,
Tantas estrelas idas neste olhar clandestino,
Devagar, devagarinho o riso vai assentando,
Sou o resto que ficou não sendo levado,
E daí ninguém me ouve gritando e gritando,
Não vedes que com toda a alma hei amado?
Sou o resto que ficou não sendo levado,
E daí ninguém me ouve gritando e gritando,
Não vedes que com toda a alma hei amado?
Os passos dados parecem levar nenhures,
Ardentes sedes que não encontram extinção,
E pensar que tive lugar um dia, algures,
Ardentes sedes que não encontram extinção,
E pensar que tive lugar um dia, algures,
Uma mão caminhava alada com a minha,
E eu sorria, do mundo conhecia perdão
No longo trilho de uma vida sozinha.
E eu sorria, do mundo conhecia perdão
No longo trilho de uma vida sozinha.
A Frieza
A frieza da parte de uma cama vazia,
É ausência da fragrância de amor,
Vista na escuridão de um meio-dia
É difícil ver então porções de cor,
É ausência da fragrância de amor,
Vista na escuridão de um meio-dia
É difícil ver então porções de cor,
Pouco mais que nada há aqui ficado,
Ventos e marés refúgios doutra margem,
E eu que nestes dias tenho pernoitado
Ainda tenho em mente parte da viagem
Ventos e marés refúgios doutra margem,
E eu que nestes dias tenho pernoitado
Ainda tenho em mente parte da viagem
Feita com amor e carinho por cada bocadinho,
De sorriso e lágrima de mão em mão,
Assim era feito de detalhes nosso caminho,
De sorriso e lágrima de mão em mão,
Assim era feito de detalhes nosso caminho,
Assim ia batendo alado um coração,
Por isso escuta, fala então baixinho,
Aqui foi onde deixamos nossa constelação...
Por isso escuta, fala então baixinho,
Aqui foi onde deixamos nossa constelação...
Um Dia Ela Foi
Um dia ela foi em mim a partida,
Breve lágrima em olhos rasgados,
Levando os sonhos de uma vida,
Enfim caindo por céus desmoronados,
Breve lágrima em olhos rasgados,
Levando os sonhos de uma vida,
Enfim caindo por céus desmoronados,
Pergunto se um dia seremos reencontro,
A fragrância de primavera e amor,
Seja onde for que haja novo encontro
Pois já não mais aguento esta dor,
A fragrância de primavera e amor,
Seja onde for que haja novo encontro
Pois já não mais aguento esta dor,
Passa a poeira de um vento antigo,
Por um lugar só todo em lembrança,
Mal encontro paz, serenidade ou abrigo
Por um lugar só todo em lembrança,
Mal encontro paz, serenidade ou abrigo
Em mim morre a esperançosa criança,
Quando nem a morte é o pior castigo
Assim se perde a última lembrança.
Quando nem a morte é o pior castigo
Assim se perde a última lembrança.
Vida Que
Vida que tanta morte vai deixando,
Vaga é fatiga, percurso da estrada,
Eu, pela orla do tempo passando,
Vou largando a onda desamparada,
Vaga é fatiga, percurso da estrada,
Eu, pela orla do tempo passando,
Vou largando a onda desamparada,
O vento leva as fundações construídas,
O bocadinho de magia que pertencia
À hora dos amantes, às saídas,
De todo um ser que tanto queria,
O bocadinho de magia que pertencia
À hora dos amantes, às saídas,
De todo um ser que tanto queria,
Somos murmúrio no ondear da maré,
Ruído de fundo de uma era findada,
Assim perco a esperança e a fé
Ruído de fundo de uma era findada,
Assim perco a esperança e a fé
De um dia ter algo, ser alvorada,
Como as árvores morrerei de pé,
Não implorando mais por nada.
Como as árvores morrerei de pé,
Não implorando mais por nada.
terça-feira, 26 de julho de 2016
Via Uma
Via uma donzela perto do mar,
Seu cabelo a onda da perdição,
Um abrigo para a tormenta sonhar,
O apressado tiquetaque de um coração,
Seu cabelo a onda da perdição,
Um abrigo para a tormenta sonhar,
O apressado tiquetaque de um coração,
Pela cálida areia ia de pé descalço,
Todo o meu mundo o seu refém,
Seu olhar o reflexo de um espaço
De que já não há lugar cá ou além,
Todo o meu mundo o seu refém,
Seu olhar o reflexo de um espaço
De que já não há lugar cá ou além,
A vida é cadáver e a mão beijada,
Em dia em que deixa de sair o sol,
Perde-se sonho, a esperança é quebrada,
Em dia em que deixa de sair o sol,
Perde-se sonho, a esperança é quebrada,
Vai a donzela deixando o seu mundo
O poeta na sombra do seu anzol,
Recaíndo num fosso sem fundo.
O poeta na sombra do seu anzol,
Recaíndo num fosso sem fundo.
terça-feira, 5 de julho de 2016
Vai-se Passando
Vai-se passando o que sublinha,
Escrevo no caderno uma pintura
Digna de uma qualquer entrelinha
Enquanto se aguarda pela sepultura,
Nasci obviamente fora de meu tempo,
Deveria passear pelo jardim do Romântico,
Sabeis, aquele que se dá ao vento
E pernoita ansiando junto do Atlântico,
Observando a queda de estrelas cadentes,
Contando as bolhas oriundas do mar
Esta é a forma deste coração sentes?
Esta é a sua única forma de trabalhar,
Pois o resto passa tão, tão ausente,
Que se vai esquecendo o que é sonhar.
Escrevo no caderno uma pintura
Digna de uma qualquer entrelinha
Enquanto se aguarda pela sepultura,
Nasci obviamente fora de meu tempo,
Deveria passear pelo jardim do Romântico,
Sabeis, aquele que se dá ao vento
E pernoita ansiando junto do Atlântico,
Observando a queda de estrelas cadentes,
Contando as bolhas oriundas do mar
Esta é a forma deste coração sentes?
Esta é a sua única forma de trabalhar,
Pois o resto passa tão, tão ausente,
Que se vai esquecendo o que é sonhar.
segunda-feira, 20 de junho de 2016
Esticamos a Pluma
Esticamos a pluma no sonho alado,
Parte do resto de uma lembrança,
Era nesse espaço, breve bocado
Que sorria, que vinha a esperança,
Não importa o que vem amanhã
Se hoje procuro quem me espera,
Pode vir pela tarde ou pela manhã
Desde que traga gosto a Primavera,
Teremos um dia um beijo, alvorada,
Por um pouco de liberdade, descanso,
Enquanto não vem ainda a madrugada,
Portanto celebramos hoje quem virá,
Dedos esticados e o horizonte alcanço
Braços abertos e o sonho um dia será.
Parte do resto de uma lembrança,
Era nesse espaço, breve bocado
Que sorria, que vinha a esperança,
Não importa o que vem amanhã
Se hoje procuro quem me espera,
Pode vir pela tarde ou pela manhã
Desde que traga gosto a Primavera,
Teremos um dia um beijo, alvorada,
Por um pouco de liberdade, descanso,
Enquanto não vem ainda a madrugada,
Portanto celebramos hoje quem virá,
Dedos esticados e o horizonte alcanço
Braços abertos e o sonho um dia será.
sábado, 18 de junho de 2016
Perdido Entre
Perdido entre as fileiras de nevoeiro,
Na bruma que existe somente em mim,
Esperançando enquanto vem o aguaceiro
E a vida se desfaz mais ou menos assim,
Procuro por ela onde ela já não está,
A tristeza própria de quem almeja,
Vagueio sem rumo porque será?
Escondendo o olhar que lacrimeja,
Sou os ofendidos e os humilhados,
Os pobres diabos na berma da sarjeta,
Os fragmentos de sonhos quebrados,
Os sonhos sonhados pelo poeta
Erguidos por horizontes azulados
Envolvidos no voo da borboleta.
Na bruma que existe somente em mim,
Esperançando enquanto vem o aguaceiro
E a vida se desfaz mais ou menos assim,
Procuro por ela onde ela já não está,
A tristeza própria de quem almeja,
Vagueio sem rumo porque será?
Escondendo o olhar que lacrimeja,
Sou os ofendidos e os humilhados,
Os pobres diabos na berma da sarjeta,
Os fragmentos de sonhos quebrados,
Os sonhos sonhados pelo poeta
Erguidos por horizontes azulados
Envolvidos no voo da borboleta.
quinta-feira, 16 de junho de 2016
Suavemente Sussurrava
Suavemente sussurrava ao seu ouvido,
Por todos os cantos reflectia beleza,
E eu era o prisioneiro, o sonho fugido,
A par com o tom cinza da incerteza,
Sonho meu, sonho meu por onde vais?
Estas palavras pertencem-te só a ti,
Nesta fuga em minha loucura cais
Sou o precipício desmoronando aqui,
Dorme a vida com o olhar semicerrado,
Pergunta-me o que é feito de mim,
Sem tua preocupação ao meu lado
Mais vale finalmente encontrar o fim,
Pois minha alma há-se fragmentado,
Por nós num negro sonho de cetim.
Por todos os cantos reflectia beleza,
E eu era o prisioneiro, o sonho fugido,
A par com o tom cinza da incerteza,
Sonho meu, sonho meu por onde vais?
Estas palavras pertencem-te só a ti,
Nesta fuga em minha loucura cais
Sou o precipício desmoronando aqui,
Dorme a vida com o olhar semicerrado,
Pergunta-me o que é feito de mim,
Sem tua preocupação ao meu lado
Mais vale finalmente encontrar o fim,
Pois minha alma há-se fragmentado,
Por nós num negro sonho de cetim.
Meu Amor
Meu amor, agora que partes e me esqueces,
Perco o significado desta palavra, do amor,
Escrevo-a em minúsculas nesta triste prece,
Permitindo murchar esta minha última flor,
Esta mente, tão turva, lânguida e doente,
Não distingue sequer penumbra do sol,
Está tão baixa, tão pesarosa, dormente,
Que cria e se lança em seu próprio anzol,
Este meu olhar descrente, dúbio e traiçoeiro,
Pouco acredita no que virá então amanhã,
Por onde andarás tu oh amor verdadeiro?
Apenas visões de suor e sangue derramado,
Esperando impacientemente pela manhã
Que traga o sol da Vida, um outro Eldorado.
Perco o significado desta palavra, do amor,
Escrevo-a em minúsculas nesta triste prece,
Permitindo murchar esta minha última flor,
Esta mente, tão turva, lânguida e doente,
Não distingue sequer penumbra do sol,
Está tão baixa, tão pesarosa, dormente,
Que cria e se lança em seu próprio anzol,
Este meu olhar descrente, dúbio e traiçoeiro,
Pouco acredita no que virá então amanhã,
Por onde andarás tu oh amor verdadeiro?
Apenas visões de suor e sangue derramado,
Esperando impacientemente pela manhã
Que traga o sol da Vida, um outro Eldorado.
Só Reconto
Só reconto à noite e ao céu estrelado,
Delineio com o olhar o teu contorno,
Elas azuis são o sonho desmoronado
E eu em mim o ponto sem retorno,
Sabes por acaso quantas vezes te vi a dormir,
Em paz, suave, descansada para o mundo?
Agora que não partilhamos o mesmo sorrir
Como poderei ver-te só por mais um segundo?
Não sei, tudo parece guerra sem tréguas,
Instante não merecido, história inventada,
E agora que me perco longe a mil léguas
Apenas penso na saudade de outros tempos
Onde o sempre era possível e o tudo e o nada
E sua sublimidade não era levada pelos ventos.
Delineio com o olhar o teu contorno,
Elas azuis são o sonho desmoronado
E eu em mim o ponto sem retorno,
Sabes por acaso quantas vezes te vi a dormir,
Em paz, suave, descansada para o mundo?
Agora que não partilhamos o mesmo sorrir
Como poderei ver-te só por mais um segundo?
Não sei, tudo parece guerra sem tréguas,
Instante não merecido, história inventada,
E agora que me perco longe a mil léguas
Apenas penso na saudade de outros tempos
Onde o sempre era possível e o tudo e o nada
E sua sublimidade não era levada pelos ventos.
Que Restos Faltam
Que restos faltam desta paisagem fragmentada,
Montanhas, planaltos e vales foram visitados,
Porém hoje parecem não valer de quase nada
Para além de momentos longínquos passados,
Nem sempre tive as mãos para o firmamento,
Nem sempre fui a melhor pessoa do mundo,
Por isso ao definhar ao deixar meu testamento
A única coisa que deixo é este amor profundo
Com o que sinto pela humanidade esquecida,
Que também sinto por aquela doce donzela
Que ao ir embora na hora de despedida
Levou metade de meu coração com ela,
Não faz mal, isto é ser vulnerável na ida
Quando tudo o que desejo é vê-la...
Montanhas, planaltos e vales foram visitados,
Porém hoje parecem não valer de quase nada
Para além de momentos longínquos passados,
Nem sempre tive as mãos para o firmamento,
Nem sempre fui a melhor pessoa do mundo,
Por isso ao definhar ao deixar meu testamento
A única coisa que deixo é este amor profundo
Com o que sinto pela humanidade esquecida,
Que também sinto por aquela doce donzela
Que ao ir embora na hora de despedida
Levou metade de meu coração com ela,
Não faz mal, isto é ser vulnerável na ida
Quando tudo o que desejo é vê-la...
Passam as Horas
Passam as horas, os minutos e os segundos,
Será que tenho sido o poeta de asa alada?
Ou só mais um louco entre mil vagabundos
Que no mundo não tem lugar, não tem nada
Pouco mais para além da curva da estrada,
Esperando pelo que não chega, a procura,
Para lado nenhum é tão breve a chegada
E será uma vida enquanto o coração dura,
Vida essa que hoje aparenta estar pendente,
Quando chegarei a casa para assentar os ossos?
Ouço a morte que suavemente chama silente,
Quebrando todos os sonhos que são nossos,
Será que ainda sou o antigo jovem de mente
Ou será que irei cair em seus fundos fossos...
Será que tenho sido o poeta de asa alada?
Ou só mais um louco entre mil vagabundos
Que no mundo não tem lugar, não tem nada
Pouco mais para além da curva da estrada,
Esperando pelo que não chega, a procura,
Para lado nenhum é tão breve a chegada
E será uma vida enquanto o coração dura,
Vida essa que hoje aparenta estar pendente,
Quando chegarei a casa para assentar os ossos?
Ouço a morte que suavemente chama silente,
Quebrando todos os sonhos que são nossos,
Será que ainda sou o antigo jovem de mente
Ou será que irei cair em seus fundos fossos...
Quando for Pela Berma Escura
Quando for pela berma escura, triste e desolado,
Caminhando o caminho do perdido para a vida,
Esperando e procurando o que um dia hei amado
Não sabendo bem se fui reencontro ou partida,
Quando for pela berma escura, pesaroso e infeliz,
Sob a lua nova sem estrelas para guiar o caminho,
Por onde todo este meu peito é aberta cicatriz
Aonde vou indo e perseguindo o trilho sozinho,
Quando for pela berma escura, penoso e dolorido,
Com o horizonte demasiado longe para dar a mão
E eu, sem a voz para cantar morrerei só e ferido
Por dificilmente ter conseguido preencher o coração,
Vede bem a passeata pela berma escura desvalido
Pois nem a mim próprio consegui pedir perdão.
Caminhando o caminho do perdido para a vida,
Esperando e procurando o que um dia hei amado
Não sabendo bem se fui reencontro ou partida,
Quando for pela berma escura, pesaroso e infeliz,
Sob a lua nova sem estrelas para guiar o caminho,
Por onde todo este meu peito é aberta cicatriz
Aonde vou indo e perseguindo o trilho sozinho,
Quando for pela berma escura, penoso e dolorido,
Com o horizonte demasiado longe para dar a mão
E eu, sem a voz para cantar morrerei só e ferido
Por dificilmente ter conseguido preencher o coração,
Vede bem a passeata pela berma escura desvalido
Pois nem a mim próprio consegui pedir perdão.
Então Suspira-me
Então suspira-me no pescoço madrugada,
Que teus raios solares trepem por mim,
Enquanto espero e não me faço à estrada,
Vou ficando e mendigando amor assim,
Como vagabundo devoluto esquecido de si,
Teimando em ficar quando o mundo chama,
É esta a fraqueza de ainda acreditar em ti,
Enquanto este coração reclama e declama
Poemas que do dia não devia ver a luz
Poesia tresloucada e repleta de tristeza,
Eu meio perdido pelo lugar onde supus
Ter pensado ter a epifania de uma certeza,
Não, era mais sombra a passar na cruz
Ocultando todos os vestígios de beleza.
Que teus raios solares trepem por mim,
Enquanto espero e não me faço à estrada,
Vou ficando e mendigando amor assim,
Como vagabundo devoluto esquecido de si,
Teimando em ficar quando o mundo chama,
É esta a fraqueza de ainda acreditar em ti,
Enquanto este coração reclama e declama
Poemas que do dia não devia ver a luz
Poesia tresloucada e repleta de tristeza,
Eu meio perdido pelo lugar onde supus
Ter pensado ter a epifania de uma certeza,
Não, era mais sombra a passar na cruz
Ocultando todos os vestígios de beleza.
Pretendo
Pretendo ser tocado e sentir o coração
Mil e um esplendores feitos de sorriso,
Explodir em artificio, ser numa canção,
Ir ao inalcançável sem perder o siso,
Anseio por um beijo de uma vida inteira,
Pelas fagulhas que se despontarão,
Ambos deixaremos para trás só poeira,
A poeira advinda de um instante de paixão,
Para quando virá quem os dias aclarará?
Almejo esse dia com toda esta alma,
Espero não alimentar uma esperança vã,
Então imagino a sua mão na minha
A felicidade que acalenta e acalma,
Nesta viagem sempre tão sozinha.
Mil e um esplendores feitos de sorriso,
Explodir em artificio, ser numa canção,
Ir ao inalcançável sem perder o siso,
Anseio por um beijo de uma vida inteira,
Pelas fagulhas que se despontarão,
Ambos deixaremos para trás só poeira,
A poeira advinda de um instante de paixão,
Para quando virá quem os dias aclarará?
Almejo esse dia com toda esta alma,
Espero não alimentar uma esperança vã,
Então imagino a sua mão na minha
A felicidade que acalenta e acalma,
Nesta viagem sempre tão sozinha.
Alvorada
Alvorada, passos largos de quem se foi,
Deixando ecos à calçada, orla do tempo,
Essa ausência no coração ainda me dói,
Espero que ela seja levada pelo vento,
Neste quarto só de côncavas paredes,
Mal respiro com as janelas fechadas,
Mas sinto a falta, sinto estas sedes
Que parecem nunca serem saciadas,
Será que ela sente saudades de mim?
Neste mundo que dá voltas e voltas
Pois saibam que é simplesmente assim
Que me quedo em infinda tempestade
Onde mil mágoas se dão como soltas
E sinto a arder neste peito a saudade.
Deixando ecos à calçada, orla do tempo,
Essa ausência no coração ainda me dói,
Espero que ela seja levada pelo vento,
Neste quarto só de côncavas paredes,
Mal respiro com as janelas fechadas,
Mas sinto a falta, sinto estas sedes
Que parecem nunca serem saciadas,
Será que ela sente saudades de mim?
Neste mundo que dá voltas e voltas
Pois saibam que é simplesmente assim
Que me quedo em infinda tempestade
Onde mil mágoas se dão como soltas
E sinto a arder neste peito a saudade.
Quando Vier a Manhã
Quando vier a manhã perguntar onde estou,
Digam-lhe que parti para caminho incerto,
Seguirei o curso do afluente e também vou
Por onde o passarinho se der como aberto,
Pois há tanto e tanto a envolver nestes braços,
Tanto espaço para reter novos momentos,
Ainda é possível discernir antigos traços
Que dizem por onde ir por novos tempos,
Sinto a falta de quem já não está presente,
Vários os fantasmas que uivam nesta porta,
Será que a lua ainda terei como confidente?
São veres de outras estórias de um passado,
Lancinantes se debruçam pela mente torta,
Razão pois agora partir é a solução, é o fado.
Digam-lhe que parti para caminho incerto,
Seguirei o curso do afluente e também vou
Por onde o passarinho se der como aberto,
Pois há tanto e tanto a envolver nestes braços,
Tanto espaço para reter novos momentos,
Ainda é possível discernir antigos traços
Que dizem por onde ir por novos tempos,
Sinto a falta de quem já não está presente,
Vários os fantasmas que uivam nesta porta,
Será que a lua ainda terei como confidente?
São veres de outras estórias de um passado,
Lancinantes se debruçam pela mente torta,
Razão pois agora partir é a solução, é o fado.
O Sono Apodera-se
O sono apodera-se do olhar do viandante,
Onde há um berço ou regaço para descansar
Para além da linha do horizonte sua amante
Que era sentimento verdadeiro neste amar?
De sentidos mudos, procurava outro beijo
De quem já tinha partido sem qualquer razão,
Porém ainda era minha musa, quem almejo
Um dia poder reunir os pedaços deste coração.
Era tudo mentira e esforço em vão para ele,
Asfixiando a donzela com a sua mágoa e dor,
Para onde irá todo ver, quem souber pincele
Pois para mim torna-se difícil pois perdia a cor,
Apetece rasgar do interior a carne e a pele,
Por já não ter ingresso à palavra Amor.
Onde há um berço ou regaço para descansar
Para além da linha do horizonte sua amante
Que era sentimento verdadeiro neste amar?
De sentidos mudos, procurava outro beijo
De quem já tinha partido sem qualquer razão,
Porém ainda era minha musa, quem almejo
Um dia poder reunir os pedaços deste coração.
Era tudo mentira e esforço em vão para ele,
Asfixiando a donzela com a sua mágoa e dor,
Para onde irá todo ver, quem souber pincele
Pois para mim torna-se difícil pois perdia a cor,
Apetece rasgar do interior a carne e a pele,
Por já não ter ingresso à palavra Amor.
quarta-feira, 15 de junho de 2016
Um Ultimo Suspiro
Um último suspiro suave sobre o horizonte,
Somos os filhos congéneres do estrelado,
Tendo uma interminável sede sem fonte,
Este é do indómito poeta o seu estado,
Quando sobre ele paira a nuvem sombria,
E fenecem a estes pés as briosas flores,
Esvaecem assim os restos de alegria
De quando tinha céu e seus amores,
Chorando por punhos afónicos a cadeia
Endoideço quando me lembro da viuvez
E daqueles momentos em que amei-a
Soam apenas a mais um tresloucado talvez
Pois nestes dedos apenas poeira e areia
De tempos que dos quais não havia vez.
Somos os filhos congéneres do estrelado,
Tendo uma interminável sede sem fonte,
Este é do indómito poeta o seu estado,
Quando sobre ele paira a nuvem sombria,
E fenecem a estes pés as briosas flores,
Esvaecem assim os restos de alegria
De quando tinha céu e seus amores,
Chorando por punhos afónicos a cadeia
Endoideço quando me lembro da viuvez
E daqueles momentos em que amei-a
Soam apenas a mais um tresloucado talvez
Pois nestes dedos apenas poeira e areia
De tempos que dos quais não havia vez.
Desde o Momento
Desde o momento perdido em que parti
Donde me erijo sobre estas negra paisagens,
Na mente e no meu coração penso em ti,
Tu a mais bela e tresloucada das miragens,
Algures na noite uma estrela esmorecida
Perde-se das constelações de meu olhar,
Oh estrela do norte como te tenho querida
Neste meu não saber bem como amar,
Segundos que passam na hora da despedida,
Despedida que nunca passa, que jamais vem,
Dá-me um pouco de paz, um pouco de guarida
Porque assim já não consigo viver esta vida sem,
Porém ainda não é tempo de ir para a sepultura
Enquanto não passa esta noite, noite escura.
Donde me erijo sobre estas negra paisagens,
Na mente e no meu coração penso em ti,
Tu a mais bela e tresloucada das miragens,
Algures na noite uma estrela esmorecida
Perde-se das constelações de meu olhar,
Oh estrela do norte como te tenho querida
Neste meu não saber bem como amar,
Segundos que passam na hora da despedida,
Despedida que nunca passa, que jamais vem,
Dá-me um pouco de paz, um pouco de guarida
Porque assim já não consigo viver esta vida sem,
Porém ainda não é tempo de ir para a sepultura
Enquanto não passa esta noite, noite escura.
Relógios Parados
Relógios parados e ampulhetas quebradas ,
No compasso o viandante procurava norte,
Segundos passavam por horas almejadas
Aproximando-se um pouco mais da morte,
A viagem frenética feita de pequenos pormenores,
Então conferia e retirava brilho à sua passagem,
Era como silêncio gritado entre dois amores
Que ao terminar parecia outro passo na viagem,
Cada passo tinha o seu quê de peso e pluma,
Dando origem ao homem que se esquece de si
Buscando a verdade e obtendo verdade alguma
Nesta eterna partida avançando para a frente,
Do passado almejo apenas mais um pouco de ti
Apesar de não preencher o que é este presente.
No compasso o viandante procurava norte,
Segundos passavam por horas almejadas
Aproximando-se um pouco mais da morte,
A viagem frenética feita de pequenos pormenores,
Então conferia e retirava brilho à sua passagem,
Era como silêncio gritado entre dois amores
Que ao terminar parecia outro passo na viagem,
Cada passo tinha o seu quê de peso e pluma,
Dando origem ao homem que se esquece de si
Buscando a verdade e obtendo verdade alguma
Nesta eterna partida avançando para a frente,
Do passado almejo apenas mais um pouco de ti
Apesar de não preencher o que é este presente.
Este Ver é Pincel
Este ver é pincel da paisagem esboçada,
Sendo o horizonte a mais bela moldura,
Assim o viandante tinha-a então abraçada
E passo a passo se fazia a outra aventura,
A porta aberta teria uma chave perdida?
Nenhum gesto a abriria ainda mais cedo,
Que estranha forma de ser nesta Vida
Por cada passo um pouco mais de medo,
De braços estendidos e dedos esticados
O paladar de suor e sangue nos sentidos,
A passar sem horas e por elas deliciados,
Respirando instantes que ficam no olhar
E no momento seguinte se dão partidos,
Será que algum irá alguma vez ficar?
Sendo o horizonte a mais bela moldura,
Assim o viandante tinha-a então abraçada
E passo a passo se fazia a outra aventura,
A porta aberta teria uma chave perdida?
Nenhum gesto a abriria ainda mais cedo,
Que estranha forma de ser nesta Vida
Por cada passo um pouco mais de medo,
De braços estendidos e dedos esticados
O paladar de suor e sangue nos sentidos,
A passar sem horas e por elas deliciados,
Respirando instantes que ficam no olhar
E no momento seguinte se dão partidos,
Será que algum irá alguma vez ficar?
O Naufrágio
O naufrágio do prisioneiro auto-infligido,
Ondas e marés levam seu corpo adiante,
E enfim agora que finalmente há partido
Não há fragmento que beije o instante,
O caís da vida já não lhe confere guarida
Um pouco de sol chega mesmo a queimar,
Por confusão e contusão sua alma tolhida
Pois algures perdeu seu rumo, seu estar,
Primavera quanto tardas à tua chegada,
Ainda sinto as chuvas e as folhas caídas
Envolvido pela espuma da madrugada
Que pouco confere descanso ou dormida
Porque os tons que deixa sabem a nada
E assim o naufrágio vai fluindo pela Vida.
Ondas e marés levam seu corpo adiante,
E enfim agora que finalmente há partido
Não há fragmento que beije o instante,
O caís da vida já não lhe confere guarida
Um pouco de sol chega mesmo a queimar,
Por confusão e contusão sua alma tolhida
Pois algures perdeu seu rumo, seu estar,
Primavera quanto tardas à tua chegada,
Ainda sinto as chuvas e as folhas caídas
Envolvido pela espuma da madrugada
Que pouco confere descanso ou dormida
Porque os tons que deixa sabem a nada
E assim o naufrágio vai fluindo pela Vida.
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