Vivemos para ocupar salas vazias,
Só vivemos pois tememos a morte,
Partes vão caindo por outros dias,
Para quem resta e esta é a sua sorte
Escuto vossos prantos ao adormecer
E não adormeço pois já não sonho,
Neste leito sois os gritos ao morrer
Sois o luar pálido, penoso e tristonho
Sobre ruas desertas que esperam por nós,
Onde por vezes o próprio andar é triste,
É sombra deixada por alguém sem voz
E apesar de toda a beldade que cá existe
Não é a morte mas o não viver o algoz
(Logo pergunto:)
Fará Vida parte dos deslumbres que viste?
Blog de um músico e poeta português onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
O Viandante: Entre Margens e Cantos
O viandante vai sempre entre margens
Nunca partindo e raramente chegando,
O já visto passa e é deixado às aragens
Sob e sobre o céu por onde vai andando,
Por dentro traz o homem e a criança
E as estrelas que são pela noite fora,
Por vezes até vê Ema e a sua dança
Tão delicada quando é tardia a hora
Aonde canta por tudo quanto é canto
Das últimas estrelas até à madrugada
Entoa o seu riso onde ecoa o seu pranto,
Outrora corredores vazios cheios de dor
Que se mudam por cada sua passada
Desde que feita por retoques de Amor.
Nunca partindo e raramente chegando,
O já visto passa e é deixado às aragens
Sob e sobre o céu por onde vai andando,
Por dentro traz o homem e a criança
E as estrelas que são pela noite fora,
Por vezes até vê Ema e a sua dança
Tão delicada quando é tardia a hora
Aonde canta por tudo quanto é canto
Das últimas estrelas até à madrugada
Entoa o seu riso onde ecoa o seu pranto,
Outrora corredores vazios cheios de dor
Que se mudam por cada sua passada
Desde que feita por retoques de Amor.
Entre Portas e Janelas Pt. II: Entreaberto
Entre a porta e as janelas entreabertas
Quero o mel de tudo o que for flor
Aonde o colibri vá por horas incertas
E tal asas da borboleta ganhem cor,
Entre o prado e a neve a sina é esta
Sendo-se o trilho e quem o imagina
Dia a dia novos versos o Sol empresta
À estrofe e ao voo até à doce menina,
Entre as nossas mãos olvida-se o depois,
É ela aquela que tanto ressoa a Vida
Que é meu nascer e até meu fim pois!
Entre nós os dois só a distância é nossa
E só vós podeis sarar a insanável ferida,
A caricia que quero Amor… é só vossa.
Quero o mel de tudo o que for flor
Aonde o colibri vá por horas incertas
E tal asas da borboleta ganhem cor,
Entre o prado e a neve a sina é esta
Sendo-se o trilho e quem o imagina
Dia a dia novos versos o Sol empresta
À estrofe e ao voo até à doce menina,
Entre as nossas mãos olvida-se o depois,
É ela aquela que tanto ressoa a Vida
Que é meu nascer e até meu fim pois!
Entre nós os dois só a distância é nossa
E só vós podeis sarar a insanável ferida,
A caricia que quero Amor… é só vossa.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Entre Portas e Janelas: A Neve e o Prado
Silêncio! Lá fora jaz tanta neve
E eu apenas vejo o prado verde,
Vejo-a caindo, tão fofa, tão leve
E imagino-a onde a chuva se perde,
Daqui ainda observo o fluir da água,
Pergunto-me onde irão as onditas,
Ao se dissiparem sentirão elas mágoa
Indo tal sonhos tão doces, tão bonitas?
Através da praia o homem nu vagueia
Onde as estrelas fogem e se escapam
Vejo-a coberta por roupas de areia
Nesse lugar que nunca mais alcanço
As faces se vão e dedos se enlaçam
Quase… quase repouso em tal remanso.
E eu apenas vejo o prado verde,
Vejo-a caindo, tão fofa, tão leve
E imagino-a onde a chuva se perde,
Daqui ainda observo o fluir da água,
Pergunto-me onde irão as onditas,
Ao se dissiparem sentirão elas mágoa
Indo tal sonhos tão doces, tão bonitas?
Através da praia o homem nu vagueia
Onde as estrelas fogem e se escapam
Vejo-a coberta por roupas de areia
Nesse lugar que nunca mais alcanço
As faces se vão e dedos se enlaçam
Quase… quase repouso em tal remanso.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Por Janelas de Vidros Azuis Pt. IX: A Janela era a Mesma
Voávamos contra a mesma janela fechada
Apartados pelo vidro azul e o seu vulto
De coração silencioso e de cara tapada
Em dias de vinho e rosas - no tumulto
De mãos bem dadas que não se tocavam
Onde se atrasava o mais belo dos beijos,
No parque onde tão airosos brincavam
A pé-descalço tal como estes desejos...
De quem? Quem pouco de tudo anseia
Aquele pouco onde se vai perdendo
Em esquinas onde o sol nos rareia
Voámos contra a mesma janela fechada
Sorrimos, podia ser uma parede tendo
Tudo, tudo um pouco e de tudo nada.
Apartados pelo vidro azul e o seu vulto
De coração silencioso e de cara tapada
Em dias de vinho e rosas - no tumulto
De mãos bem dadas que não se tocavam
Onde se atrasava o mais belo dos beijos,
No parque onde tão airosos brincavam
A pé-descalço tal como estes desejos...
De quem? Quem pouco de tudo anseia
Aquele pouco onde se vai perdendo
Em esquinas onde o sol nos rareia
Voámos contra a mesma janela fechada
Sorrimos, podia ser uma parede tendo
Tudo, tudo um pouco e de tudo nada.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
A Nébula: Nas Pegadas do Viandante
A lembrança remota, o sonho dispersado
Alinho os seus pedaços - os seus e os meus,
Tragando-os como se não tivessem passado
Na beldade do repousar no abraço de Deus,
O limite é a falta de tempo para o eterno
Porém deixo-o vir e passar por mim
Voltarei por mais, venha sol, seja inverno,
Deixo-os ir, há beleza na queda, há trampolim
No dia que nunca chega, nos cortes de papel
E aquela voz, só minha, estranha e familiar
Ouvi-a! Estou pronto para mudar esta Babel
Sem hesitar a manhã vem e anjos também,
Não morrerei nunca serei voo sem pousar
Através do fim do horizonte e mais além.
Alinho os seus pedaços - os seus e os meus,
Tragando-os como se não tivessem passado
Na beldade do repousar no abraço de Deus,
O limite é a falta de tempo para o eterno
Porém deixo-o vir e passar por mim
Voltarei por mais, venha sol, seja inverno,
Deixo-os ir, há beleza na queda, há trampolim
No dia que nunca chega, nos cortes de papel
E aquela voz, só minha, estranha e familiar
Ouvi-a! Estou pronto para mudar esta Babel
Sem hesitar a manhã vem e anjos também,
Não morrerei nunca serei voo sem pousar
Através do fim do horizonte e mais além.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
A Ema Pt. XII: A Menina que Rascunhava a sua Vida
A menina que rascunhava a sua vida
Terna, ponto a ponto e linha a linha,
Quieta, apontava olás na despedida
Ao que ficava cá e que outrora tinha,
Esboçava quem não tinha conhecido
E aquilo que nunca aqui tinha visto
Ou amigos que nunca tinha tido
Sozinha escrevia a traço imprevisto,
Vivia na companhia da sua imaginação
Onde o inusitado era regra e esquadro
Ao deslizar da caneta na ponta da mão
Tudo é risco entre espaços brancos à partida
Da menina que se desenha num quadro
Enquanto este vai retendo toda a sua vida.
Terna, ponto a ponto e linha a linha,
Quieta, apontava olás na despedida
Ao que ficava cá e que outrora tinha,
Esboçava quem não tinha conhecido
E aquilo que nunca aqui tinha visto
Ou amigos que nunca tinha tido
Sozinha escrevia a traço imprevisto,
Vivia na companhia da sua imaginação
Onde o inusitado era regra e esquadro
Ao deslizar da caneta na ponta da mão
Tudo é risco entre espaços brancos à partida
Da menina que se desenha num quadro
Enquanto este vai retendo toda a sua vida.
A Partida Pt. II: Por Onde Sós Vamos
Por onde sós vamos, sós viajamos sozinhos
Quando nem a lua nos encobre, não faz mal,
Por vezes é suposto sermos todos pequeninos,
Por vezes estar solitário e perdido é normal,
Por onde meios fomos, em metades vamos,
Quando só névoa há, tudo bem na mesma
Pois pelo que perdemos algo encontramos,
Pois o que cá fica advém de igual resma
Onde se banha o mensageiro da palavra,
Aquela que liga margens e cria pontes
E que o solo estéril docemente lavra,
Não temerei outras noites pois trago o dia
Que nos mais secos desertos erige fontes
E que de palavras sós recria a poesia.
Quando nem a lua nos encobre, não faz mal,
Por vezes é suposto sermos todos pequeninos,
Por vezes estar solitário e perdido é normal,
Por onde meios fomos, em metades vamos,
Quando só névoa há, tudo bem na mesma
Pois pelo que perdemos algo encontramos,
Pois o que cá fica advém de igual resma
Onde se banha o mensageiro da palavra,
Aquela que liga margens e cria pontes
E que o solo estéril docemente lavra,
Não temerei outras noites pois trago o dia
Que nos mais secos desertos erige fontes
E que de palavras sós recria a poesia.
A Partida: Nestas Andanças em Busca do Presente
Parti… Parti sem saber sobre o regresso,
Fui à aventura de destino incógnito,
Caguei na hóstia e vivo no excesso
De sangue nas veias e grito indómito,
Procuro por vida enquanto me aguardo,
Por cada momento o amanhã acontece,
A viagem não é nem deve ser um fardo
Quanto menos esperamos amor aparece,
O sorriso é aberto e o resto incondicional,
O instante é breve gerando esta semente
Que da alma vai revelando o essencial
Atrás da estrela do que é realmente preciso
De onde vou tomo este aqui como presente
Por onde vá e passe em busca do paraíso.
Fui à aventura de destino incógnito,
Caguei na hóstia e vivo no excesso
De sangue nas veias e grito indómito,
Procuro por vida enquanto me aguardo,
Por cada momento o amanhã acontece,
A viagem não é nem deve ser um fardo
Quanto menos esperamos amor aparece,
O sorriso é aberto e o resto incondicional,
O instante é breve gerando esta semente
Que da alma vai revelando o essencial
Atrás da estrela do que é realmente preciso
De onde vou tomo este aqui como presente
Por onde vá e passe em busca do paraíso.
terça-feira, 27 de agosto de 2013
O Amanhecer Pt. III: O Céu Como Abrigo
Outra vez vou algures de olhos fechados
Para onde? Onde houver magia soa bem,
Onde o Sol caia suave em beijos doirados
Num sítio onde não passe quase ninguém,
No fundo da algibeira ficarão os instantes
Vestidos e enaltecidos pelo que passou
E ao que aqui restou provindo do antes
Sou eu, o poeta que cada passo amou,
Com o Céu como abrigo viajando-o sozinho
Sempre indo de coração aberto na mão
E que quando perdido se revê no caminho
Ao escutar a melodia da sua própria canção
Que ao deixá-la ir se torna no seu passarinho
Com o passar do tempo, ao passar da estação.
Para onde? Onde houver magia soa bem,
Onde o Sol caia suave em beijos doirados
Num sítio onde não passe quase ninguém,
No fundo da algibeira ficarão os instantes
Vestidos e enaltecidos pelo que passou
E ao que aqui restou provindo do antes
Sou eu, o poeta que cada passo amou,
Com o Céu como abrigo viajando-o sozinho
Sempre indo de coração aberto na mão
E que quando perdido se revê no caminho
Ao escutar a melodia da sua própria canção
Que ao deixá-la ir se torna no seu passarinho
Com o passar do tempo, ao passar da estação.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
O Amanhecer Pt. II - Eu e Ela Pt. VI
Hoje ainda cá esperámos pelo amanhecer
Tal como suspirávamos - de olhos fechados
O trilho vai-nos lembrando do alvo escurecer
Para onde vão os abraços e beijos não dados,
Tal e qual ave a voar contra a mesma janela
Seu sorriso é o que a mim me tem procurado,
Só Lua e Céu por onde vou por mim, por ela
Agora silêncio… pois este ruído tem-me bastado,
Repouso enfim ao abrigo da pluma de mil poetas
Aqui onde morro e se me vão as cem vontades
Esvoejando por nosso amor em dez borboletas
(...Me pergunto:)
Se tanto gosto dela e ela gosta tanto de mim,
Neste peito esta vida é em meias metades,
Como ousa o vento separar-nos assim?
Tal como suspirávamos - de olhos fechados
O trilho vai-nos lembrando do alvo escurecer
Para onde vão os abraços e beijos não dados,
Tal e qual ave a voar contra a mesma janela
Seu sorriso é o que a mim me tem procurado,
Só Lua e Céu por onde vou por mim, por ela
Agora silêncio… pois este ruído tem-me bastado,
Repouso enfim ao abrigo da pluma de mil poetas
Aqui onde morro e se me vão as cem vontades
Esvoejando por nosso amor em dez borboletas
(...Me pergunto:)
Se tanto gosto dela e ela gosta tanto de mim,
Neste peito esta vida é em meias metades,
Como ousa o vento separar-nos assim?
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Eu e Ela Pt. V: Sem Recordação Cá Recordo
Fizeram-se então as estrelas tristes brilhantes
Envolvidos nesta brisa do beijo um dia almejado
Próximos se tornaram desejos outrora distantes
No sonho de quem dá a mão e se sente amado,
Por ela, sossegavam os ruídos da noite infinda
Em ânsia a suave marca d’água esboçada
Onde o olhar era reflexo da vista bem-vinda
E o ver era visto a dois onde o rio era estrada…
Hoje à noite luas azuis reluzem sob seus ecos,
Este quarto tão vazio, esta noite tão longa
Suas ruas azuis estreitadas para azuis becos
Onde o sono não alcança, o sonho não vem
Aquando sua ausência a não-vida se alonga
Eu - meia-vida e por sua ideia o ainda refém.
Envolvidos nesta brisa do beijo um dia almejado
Próximos se tornaram desejos outrora distantes
No sonho de quem dá a mão e se sente amado,
Por ela, sossegavam os ruídos da noite infinda
Em ânsia a suave marca d’água esboçada
Onde o olhar era reflexo da vista bem-vinda
E o ver era visto a dois onde o rio era estrada…
Hoje à noite luas azuis reluzem sob seus ecos,
Este quarto tão vazio, esta noite tão longa
Suas ruas azuis estreitadas para azuis becos
Onde o sono não alcança, o sonho não vem
Aquando sua ausência a não-vida se alonga
Eu - meia-vida e por sua ideia o ainda refém.
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
O Amanhecer: Vai Restando
Ontem esperávamos pelo amanhecer
Respirando-o enquanto ele era enlevado,
Suave e docemente éramos a tal acontecer
De braços bem abertos e olhar bem fechado,
Através de quatro olhos a vista era a mesma
Saciando por instantes esta inesgotável sede,
Alcançando vida longe desta aventesma
Que assombra o que sonho aqui concede,
Somos a alba, pronuncio-a em minúsculas
Esta é a valsa do trovador ao pé-coxinho
Cujo passo é apelidado por esdrúxulas:
“Ama e sê o sonho que for no pergaminho
Ama-o muito e sê-o no trilho que osculas
Esperar-vos-ei na luz que restar do caminho."
Respirando-o enquanto ele era enlevado,
Suave e docemente éramos a tal acontecer
De braços bem abertos e olhar bem fechado,
Através de quatro olhos a vista era a mesma
Saciando por instantes esta inesgotável sede,
Alcançando vida longe desta aventesma
Que assombra o que sonho aqui concede,
Somos a alba, pronuncio-a em minúsculas
Esta é a valsa do trovador ao pé-coxinho
Cujo passo é apelidado por esdrúxulas:
“Ama e sê o sonho que for no pergaminho
Ama-o muito e sê-o no trilho que osculas
Esperar-vos-ei na luz que restar do caminho."
domingo, 4 de agosto de 2013
A Ponte Pt. III: Segundos Vêm Vindo e Indo
A manhã vinha no fôlego do respiro,
Eu – o almejo do que o orvalho traz
Do alto do morro em apartado retiro
Ecoam as vozes que ficaram lá atrás,
Os suspiros em memória na nostalgia
De quem vem e vai porém não passa
Assim saudando o alvor com tal ousadia
Que seu néctar vai tragando desta taça,
Que Deus me permita viver hora a hora
Pois entretanto segundos vão passando
Neste mar de olvido e ser pelo mundo fora,
Bebendo de ruas vazias a luz dos lampiões
Por cada lufada da brisa que se vai dando,
Sentido faz se for uma ode a dois corações.
Eu – o almejo do que o orvalho traz
Do alto do morro em apartado retiro
Ecoam as vozes que ficaram lá atrás,
Os suspiros em memória na nostalgia
De quem vem e vai porém não passa
Assim saudando o alvor com tal ousadia
Que seu néctar vai tragando desta taça,
Que Deus me permita viver hora a hora
Pois entretanto segundos vão passando
Neste mar de olvido e ser pelo mundo fora,
Bebendo de ruas vazias a luz dos lampiões
Por cada lufada da brisa que se vai dando,
Sentido faz se for uma ode a dois corações.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
A Ponte Pt. II: Entre o Silêncio e as Pegadas
É preciso este silêncio e nesse bocado
Sou a ponte entre o canto e a aresta,
Trago nas pálpebras o olhar semicerrado
E parte da brisa que da mão aberta resta,
Tenho passado por lampiões e ruas vazias
Por vós a voz amada, amante e amiga
Ofereço-a onde soam doces melancolias
Partilho-a e a mim ao abrigo desta cantiga
A gente que passe e não seja apenas gente,
Entre o vértice e o ângulo, sempre à margem
De abraços cruzados deslizando em frente
Onde gritos se dissipam juntando-se à aragem,
Bebo-os inteiros e trago-os todos neste presente
Nestas nébulas que do viandante são a viagem.
Sou a ponte entre o canto e a aresta,
Trago nas pálpebras o olhar semicerrado
E parte da brisa que da mão aberta resta,
Tenho passado por lampiões e ruas vazias
Por vós a voz amada, amante e amiga
Ofereço-a onde soam doces melancolias
Partilho-a e a mim ao abrigo desta cantiga
A gente que passe e não seja apenas gente,
Entre o vértice e o ângulo, sempre à margem
De abraços cruzados deslizando em frente
Onde gritos se dissipam juntando-se à aragem,
Bebo-os inteiros e trago-os todos neste presente
Nestas nébulas que do viandante são a viagem.
sexta-feira, 19 de julho de 2013
A Ponte: Entre o Canto e as Esquinas
Por mim sim canto em qualquer canto,
Haja ruído ou o silêncio do abissal recife,
Para quem traga bolsos forrados a tanto
Que cada tom soe a berço ou a esquife
… E eu ponte, sempre entre outras margens
Trazido no vento onde o grito retorna o eco
Ressoando nesta brisa por outras paragens
Através da planície verde ao pardo beco,
Caímos tal e qual quanto voamos - alados,
Vivemos entoando a perdição das esquinas
Em salões de dança vazios outrora povoados
Não atingindo o fim somos a parte da parte
E enfim percebo defrontando estas ruínas
O quão me aguardo entre Vénus e Marte.
Haja ruído ou o silêncio do abissal recife,
Para quem traga bolsos forrados a tanto
Que cada tom soe a berço ou a esquife
… E eu ponte, sempre entre outras margens
Trazido no vento onde o grito retorna o eco
Ressoando nesta brisa por outras paragens
Através da planície verde ao pardo beco,
Caímos tal e qual quanto voamos - alados,
Vivemos entoando a perdição das esquinas
Em salões de dança vazios outrora povoados
Não atingindo o fim somos a parte da parte
E enfim percebo defrontando estas ruínas
O quão me aguardo entre Vénus e Marte.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Eu e Ela Pt. IV: Tornaram-se As Ruas Vazias
As ruas vazias relembram as nossas mãos
Sob os candeeiros que são estas sombras
Que reverberam ecos atando-os a sótãos
Da noite ao dia - à poesia que ensombras.
Para quê por alguém ainda aqui esperar
Se por mim aqui não espero nem vou?
Com quem poderei ser ou enfim abrigar
Se sou relento, se sozinho não me sou
Para lá da estrada atravessada ao peito
Sou suspeito em ar rarefeito e tão pouco
Quero que tudo anseio tão e tão perfeito
Que é tanto e tal o mundo que cá albergo,
Tentando ser belo e lá vai o poeta louco
Entre ruas que vazias ficam mal as enxergo.
Sob os candeeiros que são estas sombras
Que reverberam ecos atando-os a sótãos
Da noite ao dia - à poesia que ensombras.
Para quê por alguém ainda aqui esperar
Se por mim aqui não espero nem vou?
Com quem poderei ser ou enfim abrigar
Se sou relento, se sozinho não me sou
Para lá da estrada atravessada ao peito
Sou suspeito em ar rarefeito e tão pouco
Quero que tudo anseio tão e tão perfeito
Que é tanto e tal o mundo que cá albergo,
Tentando ser belo e lá vai o poeta louco
Entre ruas que vazias ficam mal as enxergo.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Eu e Ela Pt. III: Que Fique O Seu Fulgor
A muda persegue quem pertence à estrada
Noutra suave despedida uma nova partida
Vem o terno Sol enquanto cai a enxurrada
E do ínfimo nada, o arco na mão querida
É a íris dos dias que me deixaram aqui e ali
Esparso nas noites que ainda estão por vir,
Os fulgores de beleza que do éter socorri
Serão parte do sonho desperto a reflectir
O eco das salas vazias ainda por preencher
Por palavras e sonetos ou cerejas com areia
E desejos e anseios do rapaz neste meio ser
Enviados às nuvens em leves balões de papel
Onde todos somos à vigília desta lua cheia
Quando toda vista é tela e todo o Ver pincel.
Noutra suave despedida uma nova partida
Vem o terno Sol enquanto cai a enxurrada
E do ínfimo nada, o arco na mão querida
É a íris dos dias que me deixaram aqui e ali
Esparso nas noites que ainda estão por vir,
Os fulgores de beleza que do éter socorri
Serão parte do sonho desperto a reflectir
O eco das salas vazias ainda por preencher
Por palavras e sonetos ou cerejas com areia
E desejos e anseios do rapaz neste meio ser
Enviados às nuvens em leves balões de papel
Onde todos somos à vigília desta lua cheia
Quando toda vista é tela e todo o Ver pincel.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Eu e Ela Pt. II: A Interrupção da Metade do Meio
Como um rosto sem apelido
Tal e qual o aceno sem resposta
Na frase do discurso interrompido
Porém bem à frente dos olhos posta,
Como o dar a mão e reaver restos de ar
Tal como aguardar por quem não espera
E virou as costas a quem apenas quis amar
E que portanto ao não ser, lá nem sequer era
Em interrupto riso perdido no espaço vazio
Naquele suspiro que só as paredes ouviam
Que ao habituar-se à frieza deixou de ter frio,
Tanto quanto esta ânsia que o estômago carcome
Neste almejo daqueles que a mazurca sentiam,
Aquela que todos dançam e ninguém sabe o nome.
Tal e qual o aceno sem resposta
Na frase do discurso interrompido
Porém bem à frente dos olhos posta,
Como o dar a mão e reaver restos de ar
Tal como aguardar por quem não espera
E virou as costas a quem apenas quis amar
E que portanto ao não ser, lá nem sequer era
Em interrupto riso perdido no espaço vazio
Naquele suspiro que só as paredes ouviam
Que ao habituar-se à frieza deixou de ter frio,
Tanto quanto esta ânsia que o estômago carcome
Neste almejo daqueles que a mazurca sentiam,
Aquela que todos dançam e ninguém sabe o nome.
terça-feira, 18 de junho de 2013
Eu e Ela: Éramos Nós Dois
A margem do rio era somente pano de fundo
Pois aquele seu belo sorriso, aquele seu olhar
Era no efémero do instante todo o meu mundo
O reencontro ao Inteiro nesse tão leve esvoaçar,
Cada gesto seu instilava para o almejado romance
Da intangibilidade do sentimento então suspirada
Pelo portão saltado de uma só vez o Céu ao alcance
E na ternura de nosso ósculo a alma então recobrada,
Aqueles olhos cerrados vejo-os onde a chuva tombava
Seus lábios eram todo e meu único papel nesta vida.
Onde a sua cabeça repousava este ombro continuava
Suave através de seu rosto e a cada renovada batida
O sorriso crescia e num súbito ápice se apaixonava
Esquecendo que seria algo ao longe em despedida.
Pois aquele seu belo sorriso, aquele seu olhar
Era no efémero do instante todo o meu mundo
O reencontro ao Inteiro nesse tão leve esvoaçar,
Cada gesto seu instilava para o almejado romance
Da intangibilidade do sentimento então suspirada
Pelo portão saltado de uma só vez o Céu ao alcance
E na ternura de nosso ósculo a alma então recobrada,
Aqueles olhos cerrados vejo-os onde a chuva tombava
Seus lábios eram todo e meu único papel nesta vida.
Onde a sua cabeça repousava este ombro continuava
Suave através de seu rosto e a cada renovada batida
O sorriso crescia e num súbito ápice se apaixonava
Esquecendo que seria algo ao longe em despedida.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
As Nuances: De um Iglô no Gobi
Arcos e blocos de gelo fazem paredes estranhas,
Despertai-me para a vida desta oblonga elipse,
O sangue que me corre dentro das entranhas
É o suficiente para provocar um Apocalipse,
No semblante de quem nunca conseguiu mesmo ver
Quando as dunas e o deserto se mesclam consigo
Vagamente, na amplitude tão breve deste ser,
Onde por vezes a bênção mais parece castigo,
Rascunhámos cones e cubos sem grande sentido,
Desdobramos os membros orientando o vento
Dos pólos ao equador sem ideia do apetecido
Que nos inebria a cada nova nuance de cinzento,
Levamos iglôs ao deserto com ideia de abrigo
Habitando-os só com a passagem do tempo...
Despertai-me para a vida desta oblonga elipse,
O sangue que me corre dentro das entranhas
É o suficiente para provocar um Apocalipse,
No semblante de quem nunca conseguiu mesmo ver
Quando as dunas e o deserto se mesclam consigo
Vagamente, na amplitude tão breve deste ser,
Onde por vezes a bênção mais parece castigo,
Rascunhámos cones e cubos sem grande sentido,
Desdobramos os membros orientando o vento
Dos pólos ao equador sem ideia do apetecido
Que nos inebria a cada nova nuance de cinzento,
Levamos iglôs ao deserto com ideia de abrigo
Habitando-os só com a passagem do tempo...
domingo, 16 de junho de 2013
Descalça: Foi Ela
Descalça vai ela pela noite tão escura
Aonde seus passos as flores sustentam
Suaves em tal Amor e em tal brandura
Que ao seu passar os abrolhos rebentam,
Aqui aguardo tão só seu efémero retornar
Na espera consorcio com a sua aventesma,
Tão eterna e tão temporária neste andar
Que ela leva onde seu trilho foi na mesma
Fracção de instante coincidente a este,
Sorrio... suas pegadas foram nestas um dia,
Hoje passado onde um só olhar era a oeste
Luz e inspiração ao poeta e à sua melodia
Embalava gigantes e enlevava o cipreste
Em ténues e suaves tons envoltos em magia
Aonde seus passos as flores sustentam
Suaves em tal Amor e em tal brandura
Que ao seu passar os abrolhos rebentam,
Aqui aguardo tão só seu efémero retornar
Na espera consorcio com a sua aventesma,
Tão eterna e tão temporária neste andar
Que ela leva onde seu trilho foi na mesma
Fracção de instante coincidente a este,
Sorrio... suas pegadas foram nestas um dia,
Hoje passado onde um só olhar era a oeste
Luz e inspiração ao poeta e à sua melodia
Embalava gigantes e enlevava o cipreste
Em ténues e suaves tons envoltos em magia
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Através do Deserto Esfaimado Pt. III: As Crianças e os Mortos
As crianças estão cercadas por mortos
Aqueles que envolvem o cadáver da vida,
Do berço à sepultura passam absortos
E ao fim de setenta anos atingem a partida
Ignorando o mais árduo passo: o primeiro...
Que enxagúe as mãos e renasça inocente,
Irradiando a luz do farol ante o nevoeiro
E que são se torne quem antes fora doente
Aprofundando raízes fortes para sua altura,
Simples é sentir Amor de perto e à distância,
Vir do ontem rumo ao amanhã com a abertura
De quem semeia e acolhe do semeio a fragrância
Em celebração aproveitando a rota da aventura
Sem medo ou receios sendo o adulto em infância.
Aqueles que envolvem o cadáver da vida,
Do berço à sepultura passam absortos
E ao fim de setenta anos atingem a partida
Ignorando o mais árduo passo: o primeiro...
Que enxagúe as mãos e renasça inocente,
Irradiando a luz do farol ante o nevoeiro
E que são se torne quem antes fora doente
Aprofundando raízes fortes para sua altura,
Simples é sentir Amor de perto e à distância,
Vir do ontem rumo ao amanhã com a abertura
De quem semeia e acolhe do semeio a fragrância
Em celebração aproveitando a rota da aventura
Sem medo ou receios sendo o adulto em infância.
terça-feira, 11 de junho de 2013
Através do Deserto Esfaimado Pt. II: Entre o Caminho e a Casa
As mãos que o agarram são as mãos que me levam,
Adiante o puxam e empurram perante o que vem,
Os balões que as esticam são os dedos que enlevam
Pois quando tocam o céu tornam o trovador em alguém
Que brilha mais do que mil estrelas num bolso albergadas
E ele, tal cometa, apenas alcançável pelo rasto que deixou
Nos vestígios de meias palavras em certas telas pintadas
Ou através do fulgor que no olhar dos outros ainda restou
Após o terem visto a rasurar obliquamente o horizonte,
Esses jamais serão os mesmos pois enfim aqui foram
O instante e perceberam que o poeta é Amor e ponte
Entre o frio do caminho ao aconchego da divina casa
Onde voamos em anseios aos abraços que demoram
Pois a mão que o toca nem é sequer bem mão, é asa.
Adiante o puxam e empurram perante o que vem,
Os balões que as esticam são os dedos que enlevam
Pois quando tocam o céu tornam o trovador em alguém
Que brilha mais do que mil estrelas num bolso albergadas
E ele, tal cometa, apenas alcançável pelo rasto que deixou
Nos vestígios de meias palavras em certas telas pintadas
Ou através do fulgor que no olhar dos outros ainda restou
Após o terem visto a rasurar obliquamente o horizonte,
Esses jamais serão os mesmos pois enfim aqui foram
O instante e perceberam que o poeta é Amor e ponte
Entre o frio do caminho ao aconchego da divina casa
Onde voamos em anseios aos abraços que demoram
Pois a mão que o toca nem é sequer bem mão, é asa.
Através do Deserto Esfaimado: A Sede Por Ela
Esta sede é a sede do deserto esfaimado,
Gota a gota acumulada na vista do poeta
Que anseia mais do que o que já foi olhado
E que precisa de mais cores para a sua silhueta…
Para lhe dar significado, para fazer sentido
Das esquinas fazemos cantos e entretanto
De tanto correr esquecemos o acontecido
Do bonito em que temos sido e seu encanto
Esvaece onde só há grãos de areia para tragar,
Onde a cópia da Lua vem e sussurra baixinho
Que somos O beijo por isso não devemos beijar,
Por tanto olhámos assim pelo ornato da janela
Ansiando sem saber pelo que aguardar no caminho
Quando ao longe de bem perto sabemos que é Ela…
(... Ela… sempre Ela.)
Gota a gota acumulada na vista do poeta
Que anseia mais do que o que já foi olhado
E que precisa de mais cores para a sua silhueta…
Para lhe dar significado, para fazer sentido
Das esquinas fazemos cantos e entretanto
De tanto correr esquecemos o acontecido
Do bonito em que temos sido e seu encanto
Esvaece onde só há grãos de areia para tragar,
Onde a cópia da Lua vem e sussurra baixinho
Que somos O beijo por isso não devemos beijar,
Por tanto olhámos assim pelo ornato da janela
Ansiando sem saber pelo que aguardar no caminho
Quando ao longe de bem perto sabemos que é Ela…
(... Ela… sempre Ela.)
sábado, 8 de junho de 2013
A Criança do Elísio: Ainda Trazemos
Somos… Somos aqueles que deixam às nuvens pegadas
Que vão e deslizam nos raios de sol e nas enxurradas
Atirando seixos às vidraças e vendo o mundo crescer
Sob o pé descalço reflectindo a criança ao envelhecer,
Frágeis amontoamos tons de vida e outros acinzados,
Somos quem semeia flores em canteiros imaginados,
Quem caminha ao pé-coxinho devagar ou corridinho,
Quem traz supernovas e galáxias no alado passarinho,
Tantas vezes também corremos ajoelhados sobre a lua
E de bem perto ainda somos tão longe aos dias comuns
Por onde navegamos resfolgando sendo suspirados à rua
Onde passámos ontem sendo tão poucos ou até nenhuns,
Aqui e agora nesta hora de dedos esticados e alma nua
Ao tentar amar o impermanente que tentemos ser alguns.
Que vão e deslizam nos raios de sol e nas enxurradas
Atirando seixos às vidraças e vendo o mundo crescer
Sob o pé descalço reflectindo a criança ao envelhecer,
Frágeis amontoamos tons de vida e outros acinzados,
Somos quem semeia flores em canteiros imaginados,
Quem caminha ao pé-coxinho devagar ou corridinho,
Quem traz supernovas e galáxias no alado passarinho,
Tantas vezes também corremos ajoelhados sobre a lua
E de bem perto ainda somos tão longe aos dias comuns
Por onde navegamos resfolgando sendo suspirados à rua
Onde passámos ontem sendo tão poucos ou até nenhuns,
Aqui e agora nesta hora de dedos esticados e alma nua
Ao tentar amar o impermanente que tentemos ser alguns.
quinta-feira, 6 de junho de 2013
O Morro dos Ventos Uivantes: A Ela e Ao Seu Fantasma
Teremos balões e confettis à hora da morte,
Venham e tragam um bom amigo também,
Ela lívida e serena me há deixado a tal sorte
Que por instantes olvidei que ela era quem
Outrora se banhava leve nestes rectos ombros
Sorria, chamando-lhes o que sentia ser o lar,
Hoje ao monte dos vendavais seus assombros
Com seu níveo espectro a vidraça a arranhar,
Seus ecos reverberados nestes corredores vazios
Amaldiçoo-os a todos por esta insanável ferida
Enlouquecei-me mas deixai-me não restos sombrios
De toda uma viagem onde sóis o fado nesta palma
Aonde e onde não posso viver sem a minha Vida
Que sentido sequer faria viver sem a minha alma?
Venham e tragam um bom amigo também,
Ela lívida e serena me há deixado a tal sorte
Que por instantes olvidei que ela era quem
Outrora se banhava leve nestes rectos ombros
Sorria, chamando-lhes o que sentia ser o lar,
Hoje ao monte dos vendavais seus assombros
Com seu níveo espectro a vidraça a arranhar,
Seus ecos reverberados nestes corredores vazios
Amaldiçoo-os a todos por esta insanável ferida
Enlouquecei-me mas deixai-me não restos sombrios
De toda uma viagem onde sóis o fado nesta palma
Aonde e onde não posso viver sem a minha Vida
Que sentido sequer faria viver sem a minha alma?
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Do Baile Dos Olhos Cansados: Ao Morro dos Ventos Uivantes
Conto relógios e ampulhetas até vós,
Sou os que esperam um dia aguardar,
Conto as luas, as estrelas e a vossa voz
É o único som capaz de nos despertar
Pois trago em mim os que me precederam:
Os sonhadores, os trovadores e os insanos
Que noutro dia por cá luziram e choveram
E também foram e vieram no passar dos anos,
Perdoai-me esta alma assente no pé-coxinho
Neste ósculo ao baile dos olhos cansados
Vamos indo e não indo doce e devagarinho
Com meias de lã, sapatos de chumbo e esta fome
Por nossa dança tão delicada, tão sem cuidados
Onde todos dançam e ninguém sabe nosso nome.
Sou os que esperam um dia aguardar,
Conto as luas, as estrelas e a vossa voz
É o único som capaz de nos despertar
Pois trago em mim os que me precederam:
Os sonhadores, os trovadores e os insanos
Que noutro dia por cá luziram e choveram
E também foram e vieram no passar dos anos,
Perdoai-me esta alma assente no pé-coxinho
Neste ósculo ao baile dos olhos cansados
Vamos indo e não indo doce e devagarinho
Com meias de lã, sapatos de chumbo e esta fome
Por nossa dança tão delicada, tão sem cuidados
Onde todos dançam e ninguém sabe nosso nome.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Aquela Valsa: Ao Pé-Coxinho
A valsa ao pé-coxinho é na vida
De salto em salto a pé descalço
Mal alcançámos somos a partida
Onde o presente é um meio passo
Entre o petiz menino e a menina
De pestanas cobertas de estrelas
Que avivam a luz da lamparina
Luzindo através das tristes ruelas,
Bordado nos vultos da noite passada
O viandante é o seu próprio caminho,
A tela daquele tudo e do outro nada
Lado a lado vai ele e o passarinho
Sendo ele em cada beijo à estrada
Tão e tão só ao olho do torvelinho.
De salto em salto a pé descalço
Mal alcançámos somos a partida
Onde o presente é um meio passo
Entre o petiz menino e a menina
De pestanas cobertas de estrelas
Que avivam a luz da lamparina
Luzindo através das tristes ruelas,
Bordado nos vultos da noite passada
O viandante é o seu próprio caminho,
A tela daquele tudo e do outro nada
Lado a lado vai ele e o passarinho
Sendo ele em cada beijo à estrada
Tão e tão só ao olho do torvelinho.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Entre Aspas: O Ponto e as Reticências
Acabámos antes de começar,
Descontínuos no tão completo
Que terminámos antes de acabar
Na entrelinha maior do axioma incerto,
Do finito ponto as eternas reticências
O entretanto entre o plural e o singular
A linha comum em perfeitas tangências
Entre o respirar fundo até à falta de ar,
Além do escuro, através do terno Amor
Os gradientes da luz no oblíquo aguaceiro
Onde ambos são contidos em prazer e dor
Tal a mais formosa flor cultivada num cinzeiro
Ornado gentilmente pelo Sol cujo nascer e pôr
O dois nunca e sempre relembra - do um ao Inteiro.
Descontínuos no tão completo
Que terminámos antes de acabar
Na entrelinha maior do axioma incerto,
Do finito ponto as eternas reticências
O entretanto entre o plural e o singular
A linha comum em perfeitas tangências
Entre o respirar fundo até à falta de ar,
Além do escuro, através do terno Amor
Os gradientes da luz no oblíquo aguaceiro
Onde ambos são contidos em prazer e dor
Tal a mais formosa flor cultivada num cinzeiro
Ornado gentilmente pelo Sol cujo nascer e pôr
O dois nunca e sempre relembra - do um ao Inteiro.
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