quarta-feira, 30 de março de 2011

Somos a Luz do Inefável

O ósculo da interpolação do Verão
Espelhado neste ténue e subtil palpitar,
Retendo cada feixe de Luz no coração,
Por cada sorriso, cada subtil pestanejar,

No aqui, o imenso e glorioso emanado,
Sendo inteiro, os pedaços então reunidos,
A margem, enfim, vista para o ali destinado,
A viagem culminada no reviver dos sentidos;

Estamos aqui para reencontrar os pedaços,
Abolir os estilhaços, cumprir a implícita missão,
Ser no um pelo todo, e no um reduzir os espaços
Entre todos os uns, seu toque será a única emissão,

Do enigma do Cosmos no singular, num instante,
Tudo visitado e tocado, o um não terá menção,
Pois seu nome não é intitular, mas sim recambiar
Do zénite remoto a inteira e única Divina Bênção;

Deus manifesta-se nos pequenos detalhes,
Sendo eu o detalhe pormenorizado divinal,
Inefável esta Luz quando brilha entre entalhes
Do corpóreo e material, ao celestino subliminal,

Então, quartos rarefeitos não mais aprisionarão,
Libertaremos ao grandioso o ósculo único: o Belo,
Consagrado no passageiro, retornando ao Verão,
Ad infinitum iniciado num ponto, revindo o singelo!

sexta-feira, 25 de março de 2011

O Canto da Rouxinol

Sou um pouco díficil de se ver,
Canto normalmente escondido,
De plumas de quem aprendeu a viver
E canto simples e fluido face ao sentido;

A luz do sol hei-de trazer,
Para que ilumine o teu dia,
Cantar sobre as estrelas no ser
De ósculos e brilhos. O quão incidia

Esta manhã bordada em tons de linho,
Ouçam a melodia, esvoaçante e alada
Traz o fulgor, restitui a esbelta madrugada;

A Dama Azul voluteava, no madrigal sozinho,
Re-despertava o Sol e eu pueril e enamorada,
Por sua visão, minha ilusão nesta alma cravada.

Após o oiro d’Outono

Mesmo após o oiro d’Outono,
Que aguado é no olhar que olha
E mais do que o somente e só olhar,
Se vai alastrando e espelhando aqui e além
Na abóbada celeste, um pouco, um pouco
Mais, um pouco além e sei que eventualmente
O Céu continuará a ser nosso, apenas nosso,
Esse preciso momento será somente aqui,
Tornar-me-á parte fraccionaria de si,
E esse instante habitará então comigo,
Portanto não o poderei escrever de todo.
Que sua passagem por cá seja afinal muy curta,
Sempre curta, para tudo o que o vero Olhar puder
Recambiar do zénite remoto do longínquo horizonte.
Indo rumando (in)consciente face ao distante e remoto,
Onde houver Luz ainda para reter e finalmente oscular,
Elevando a voz em brados quase, quase sussurrados,
Sem voz, os leves passos do sono acercam o sonho Além.
(e eu…) Só precisaria então do único e verdadeiro Ósculo,
Aquele que se estende por uma toda e única, e enfim, inteira Vida.
E só nunca poderei deixar de escrever por esquivos criptogramas pois,
A mensagem é demasiadamente imensa e valiosa para vista desatenta.*

Rascunhei um rio

Rascunhei um rio na maré distante,
E aguardei paciente pelo seu retornar,
(Ao areal donde além estrelas brotavam)
Pueris e imaturas em suspiração ofegante,
Em cintilar circunscrito a éter seu adornar;

Imobilizadas na opacidade do olhar,
Beijando brevemente o areal do rosto,
(quando o para sempre nunca mais o é)
Este que definia as ondas do rio e do mar,
Em salubre toque ameno neste ímpar gosto;

Magia era delinear desperto o retrato paisagístico,
Onde o crepúsculo era somente nosso para enlear,
Soava então a Luz, a esmero sentir, a retoque artístico;

Surgindo a Lua em seu solitário deambular, de brilho boreal
Estrelada abóboda, impar nesse melancólico e impar olhar,
Enfim sossegar, em pisos quebrados de mármore sob o areal,

Imenso e reduzido perante o expressivo brilho lunar,
Recordava o inaudito e inefável em confidências,
A partilha alífera do que outrora fora o crepuscular,

Por raramente por cá ter permanecido a respirar o ar,
Havia-me afinal estendido sob as mais furtivas nebulosas,
Intermitente e translúcido era então, seus asteriscos no mar.

sábado, 12 de março de 2011

Esta Tensão é Ânsia de Vida

Esta tensão é ânsia de vida, a escrever no caderninho,
Um círculo abrindo o nada onde o todo não é cerrado,
Avisem a Aurora! Brilhando intermitente em tons de linho,
Uma pétala cintilará incontínua neste uno confluir alado!

Havia retornado seu axioma, o derradeiro e único decreto:
O Sentir a essência do éter e da viagem que este segmenta
Então, do toque nominal ao incerto, o portal é enfim reaberto
Recitado entre ósculos infindos e abreviações de quem indenta

Seu próprio palpitar de Vida, medindo seus trilhos e passadas,
Alheio face ao vulgo e banal, o efémero esvaecido sem rasto
Sobejamente delineados nestas arfadas paradas e apressadas

Enquanto no firmamento, com o olhar e o Ver as estrelas alastro,
Na opacidade do brilho ao refulgir do baço minhas enamoradas,
Amigas, amantes, companheiras, hoje sou… vosso humilde astro.

Hoje (antes e depois!) é o que é. Pt. III

De súbito o ar tornou-se leve, é indelével esta presença,
No espaço hoje ocupado, do tempo a expansão visível,
Eu sou a divisão do indivisível, do não dividido a pertença,
A primordial Luz tornada ciente, concretizada no tangível,

Sim, o quase impossível arfando em meta-cognição,
Poucos saborearão do altivo arco-íris seu néctar alado,
A pulsação desta melodia fusca oriunda do coração,
Confere meio ao preto e branco, neste meio embalado,

É do todo o detalhe, quão deleitante à vista atenta,
Os vislumbres destas silhuetas deslizam pela periferia,
Ansiando só o toque e seu reter nesta alma sedenta,

Então algures Viveria, belo, vertical e infinitamente pequeno,
Parca sim, mas neste envolver contendo o Uno donde advim
Leve por haver osculado a Vida e principalmente tido o pleno.

Hoje (antes e depois!) é o que é. Pt. II

O aprendiz a Deus, ainda sentenciado a santo iniciado,
Com sorrisos bifurcados, pronunciem e avisem a Aurora,
Digam-lhe que noutrora, fui antigo e como o Sol dourado,
De inconsciência abençoado perante a perfídia da hora;

Indecoroso sim, frente a muy insigne compostura primata,
Sinto-me magnata, arrítmico por ter um coração ousado,
Belo e insano no seu bater, o ondear do instável ele retrata,
Ósculo do refulgente, do sempre e eterno o seu interpolado,

O espaço consciente, o infinitésimo do encantador infinito,
O pai mais justo de todos, o que ignora a existência do filho,
Como o divino, hoje no efémero, no antes e no após escrito,

No meio, a aprendiz evolução terá tempo e espaço para ser,
A esbelta efemeridade, cativa aqui e no entanto emancipada
Do seu Todo, ecoando no sempre, cujo vestígio é o vero Viver.

Hoje (antes do Amanhã!) é o que é.

Perseguindo o Sol, tentando adiar a sua penumbra,
A Lua está de facto brilhante neste breu da subcave,
Adormecerei vendo aquilo que aos poetas deslumbra,
Um sorriso tocando de leve noutro, reavendo a chave,

De mil imagens do seu rosto projectado sobre as poeiras,
“Se não permitires entrar a Luz as estrelas jamais irão brilhar”;
Azul cerúleo, íamos lendo a janela do infinito na sua esteira,
Havia enfim usado o ar para algo mais do que o apenas respirar,

O perfume da Primavera, no sossegar das pétalas sua aragem,
O cenário: um mosaico que só navega suavizado pelo celestial,
“Só mais um pouco” e neste quadro terei parte e ímpar paragem;

Encoberto pelo matizado, subitamente o ar torna-se enleante,
Aclarado no dia, a noite de Verão era diferente, não era igual,
E no primor dos nostálgicos dias de Inverno: sou aqui principiante.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Um Dia Sim, Ema Virá…

Ema ia pisando suave os suaves contornos estelares,
Com o dedo indicador avistando as nebulosas,
Poisavam intermitentes com brilhos ímpares
Seu intento preciso logo precisamente singular:
Adornar o colorido com uma grinalda reluzente,
Quanto à escassez de cor, um dia esta iria assentar,
(Por vezes há que ser crente) – suspirava aquela voz
E o intento era leve e ímpar e até especial:
Colocar o brilho nas estrelas e agrinaldá-las em nós!

{Sob a água uma rosa cinza ia observando}

Pintando uma sílaba de azul, uma única sílaba,
Esta revertendo-se na primeira pessoa do singular,
Envolvidas são em bolinhas em ascensão espiral,
Retratando o inaudito, afluentes em bolhas de ar,
Ema aguardando de mão em mão com a arte floral,
Então ainda dispersas e difusas pela abóboda celeste,
A luz do sol entrando elegante com pontinhos a brilhar,
Nascente do estro poético, o ósculo deífico vindo do este,
E nós submersos por sílabas inauditas, silenciosos e obstrutivos
À própria luz, insurgentes perante a sua bela e pura perfídia,
No seu colher o seu derramar, perante o infinito refractivos
Contudo nele acalmados, no linear o verdadeiro entediar
De silêncio azulado encoberto acima, olvidando sua insidia
Percepcionei objectivamente então o matizado estelar;

Amanhã elas brilharão, sua luz azul será colhida,
Entre suas mãos, Ema colhê-las-á como flores,
Brotadas entre escombros de pedras madrigais,
Até de outros mananciais floríferos e regatos tidos,
Dentes de leão, margaridas e mirtos e outras tais mais,
Em todas elas, revisitadas, serão estrelas azuis revindas,
Colhidas de seu berço, delicadamente e por Ema douradas,
Auriluzindo através do azul contudo somente Azuis neste olhar,
Atravessando-me, a energia dourada e ecoada além horizonte,
Volvendo e transmutando, as estrelas matutinas resplendecendo
Aqui e agora, sendo transportada eu, em afluências ascendentes,
Em fragmentos de porções áureas, alada, desacorrentada elevando
Os céus e contendo-os no único abraço, osculada pelo deífico Cosmos!

{aí enfim, nós fomos e nós seremos: nós somos}

Abrindo as cortinas, correndo as persianas, reflectido
Suas rugas finas transpostas no ver juvenil do sorriso,
No azul, dourando no cintilar este-solar retraçado
Pelo frágil indicador de Ema, são os contornos agora,
Mais vistosos do que alguma vez foram contornados,
Agora enfim vendo, com comedida percepção,
Perguntava-me então: “Havia nebulosas e estrelas,
Antes de estas serem apontadas pela sua candidez?”
Soube então, da minha subcave azul, soube então,
Só as mais belas galáxias serão retornadas do céu,
Incrustadas na grinalda transposta para o horizonte,
Uma loção para magia, outra moção para o {sur}real,
Osculando suas porções, um dia brilharei delicadamente,
Em fulgências azuis áureas, breve, longa e intermitentemente,
Abrupta e ternamente sendo no intermitente então constante
Na abóboda celeste, leve e impar em {in}finita e terna unção,
Um dia sim, Ema virá, um dia Ema virá colher flores douradas de mim.

domingo, 26 de dezembro de 2010

…ora trazida no Ver: A Nebulosa… Pt.II

Pendurado de uma estrela, a intermitência é constante e refulgente,
Repercute-se no brilho aguado do olhar reflectido no horizonte da tela,
Contendo devotamente os momentos passados, o ser é hora abstinente,
Em armários abarrotados de gavetões mal fechados, no refulgir da parcela

Luzidia e dispersa infundida em diademas de espinhos ornados a cetim,
No sonho acordado do aparente desassossegado no turbilhão do instante,
Indo pisando o trilho, e no trilho anterior a inexistência de pegadas vem assim,
Como ruído de fundo, no ar irreflectido rendido aos pulmões e no olhar distante,

Oh efémero, por favor, não persigas mais esse sussurro absorto de aventesma,
O perdão é fruto prazenteiro, deleite fatídico para o fontanário do estro poético,
Nesta correspondência que mais do que ansiada, é difundida na celestina resma,
Reciprocamente, a paisagem que singelamente aprecio, é o esvaecer do céptico,

De braços oblongos, expandidos albergando a essência do que nos atravessa,
Subtil e sublime, o liame ao mundano terrestre então esvaece, a Fonte é aberta,
As gotículas afluindo, o deveras sentir o inefável perante palavras que enalteça
O Universo interior e que suas cordas vibrem e nelas pulem vendo a porta reaberta,

O ósculo prostrado nos nós dedais, era a fragrância celestial entornada no eu,
A franzina e trémula Luz eterna, quão cativante nos cativa, subsistindo no detalhe,
E ei-la novamente, a maviosa melodia, escutada outrora nos cânticos de Orpheu,
Reconhecida em Enochia, seja esta a sublime harmonia, que a escuta nos entalhe,

Retendo o paladar da brisa, seremos a ponte: os filhos do éter, com as asas abertas,
Deslizando lestos, recorrentemente principiantes e crianças, entre a Terra e o Cosmos
Palmas abertas e dedos esticados, na aragem incidente serão estas as horas incertas
De experiencia reunida, para tudo e para nada, somos semblante e em seus contornos,

A Aurora e o Crepúsculo enfim conciliados, na franzina e trémula luzência eternam,
Mesmo em sua dissipação, no efémero somos o Eterno, em Ascensão bidireccional
Sobrevém a Divina Intenção, as Galáxias espelhadas no Olhar repercutem e reiteram,
Afloram, florescem, crescem, São! Inconscientes mas contentes pelo milagre intencional…

A oitava estrofe pode parecer premeditada…
…mas é tão, tão, tão casual.

…ora trazida no olhar: A neblina… Pt.I

A neblina ora trazida no olhar, é apenas igual a si mesma,
Fruto da morte que permanecerá igual ao seu nascimento,
A inocência na pureza, sentença e jazigo de rosa aventesma,
O indistinto perante o inofensivo caminhar, a ausência de intento

As pegadas, iterações no real, na diferença provem a desistência,
Indiferente aos olhos da tida como esbelta, recaí a fatiga da espera,
As flores oriundas do madrigal revestido, são no espectro transparência,
Atravessada, por duplos punhais, indeferida remessa que aqui exaspera,

De neves e frialdade encoberto face à instigação do soalheiro abismo,
Desbotado ao rigor Invernal, é mais do que queda, é subtracção de luz,
O tormento do tido como Belo, atormenta, é pincel lírico em surrealismo,
A perda é prenunciada na temida reciprocidade do olhar que tremeluz

O abstracto sentimental, irracional perscrutando mapas azuis de Vida,
Na inexistência destes, remetendo os pés à estrada, ponto final parágrafo,
Estranha forma esta de estar, retendo o fôlego na inexistência de luz retida
A de temer o medo e contudo senti-lo intenso, é a sonolência do sonígrafo, 

A errónea descrição onírica, torna-se a companhia para caminhar,
Cessando-se ao ruído de fundo, cedem em sucessão os dias outonais,
Carenciadas de cetim e veludo, estas mãos, do semblante que restar
Vão-se emaciando e no espelho observando as penumbras espectrais,

Sabem meus nomes, o sentir a essência da palavra, o Todo suportado,
Pelos poucos que albergam, concedam a este tumulo envolto ao peito,
A flor que floresça para lá do Céu, algo de único, além do premeditado,
Do altivo eirado a terra esbatida a régua e esquadro, terei então impar leito

Um abrigo sim, mas não para o errante sol ou para a precipitada chuva,
Mas do sentir tragado diariamente pelo banalmente vulgar e igual ao comum,
Os prazeres e deleites que pronunciam placebos à alma, a tortuosa contracurva,
E resvala, na agonia e tormento que se repercute nesta falta de alento. Um

Na espera desesperançada, pintor orbital solitário de grinalda cinza colorida,
Oh, houvesse flor mais esbelta do que esta que trago para ofertar no coreto
Onírico, alcançável através de olhar semicerrado a vista é enfim reflorescida,
Em recesso gradiente ornado, lembrando as orlas do estio, inverso ao concreto.

sábado, 11 de dezembro de 2010

O Sonho Acordado – De Partícula a Onda Pt. II

As quatro estações no microcosmos, subdivididas pela Luz e Escuridão,
O meio que penetre na esfalfa óssea, insuflado pela leveza de seu tacto,
O arauto cuja mensagem é demasiado simples para sequente expressão,
No meio sitiado por fraternas esporas luzidias, o espelho de ambos refracto

Na água, reflexo de luzes franzinas e efémeras porém singelamente eternas,
Parte do pitoresco cenário no qual involuntariamente as margens são embutidas,
Acontece o acontecer, na deslocação dos mares, no pulsar estelar de sutis fraternas
Sem sentires achados ou sequer perdidos, o simples sou nas singelas do aqui nutridas,

A lamuria fugaz da ribeira, a cumplicidade do Uno aqui mesmo confidente,
Detemos a humildade do adejar de uma folha, solitários a cada novo instante,
Porém de sorriso, delineados com similar pincel ao da paisagem aqui incidente,
É na suavidade de seu toque, é seu enfoque que rareia a opaca neblina restante,

A cada feixe de Luz, dádiva celestial de tonalidades indefiníveis, o inefável,
É inevitável quando acontece, é a Voz do Cosmos tangível ao tacto sensível,
Um dia, novamente serei Luz, tudo aquilo que ama a Escuridão é onda instável
A partícula enfim abdicada, esses dois sim, ímpares almas gémeas no imperecível.

Quando Partir: o Sono Desacordado Pt. I

Ouvirão minhas Vozes no reflexo das árvores,
Sentirão um ténue vaguear no ribeiro aligeirado
Rumo ao poente, diante de indistintos espectadores,
Em diminuto murmúrio o solilóquio do desassossegado;

Liquidificação sorridente de uma poetisa aluída e tocada,
Singelas gotículas oriundas do imergir além do firmamento
Amontoam-se em minha vidraça suavemente embaciada,
O Sonho prorrogado, do tombado mendigo o único sustento;

Elevam-se acima os feridos em batalha, inda com melífluo sorrir,
Arco-íris: O reconforto aguado matizado em réstias estre-solares:
Nosso Ver, o simples sob nebulosas fugidias, Ser no obstinado resistir
Ao meramente Humano, a presa do banal, os esquecidos recordares

De tempos altivos e honrados, ao aceno da afluente Aurora noctívaga,
Labirintos amontoados sobre sepulcros cinza, percurso agora percorrido,
Onde rascunho é a frialdade de monólito ruído e adverso, ao sono instiga,
Contudo no centro da palma da mão, o poder do multiverso é início retido,

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Singularidade do Ponto Zero no Pluralizado

Na efemeridade do momento, a real transcendência,
O Tempo, momento actual em plenos acontecimentos,
A única regra do natural é simples: a singela transparência
Instante, fracção do Tempo: formado de breves momentos,

O Ser, irmão do acontecer, advindo de sacro sacramento,
Após a Singularidade, o Ser Uno fragmentado em porções,
Esbeltas em consciência, o milagre da existência, rebento
De inefável afinação do primoroso arquitecto, intenções(?)

Óbvias da Criação, a mais esbelta de todos os muitos milagres,
O acaso premeditado, consequente do primeiro ponto nulificado,
Fragilidade emanada, reciproco no olhar estelar, são estes consagres,
A consciência concretizada no filho pródigo, relegado de prévio estado.

Somos vestígios de pós de fragmentos estelares, esvoaçando alados,
Ao sussurro do zéfiro, no ténue silvar das árvores, espelhos do ainda Uno,
A maresia enleante na ascendência dos Soalheiros em tons romanceados
Com arco-íris como apelido e sobrenomes de fragrância cerúlea, o aluno

É vulgar obrigação, sou aprendiz por opção, e a evolução é o destino,
Dos reluzentes que se predestinam a tal, ao ósculo Cosmológico inteiro,
Vamos partilhando o eventual aprendido, contudo e porém nada ensino,
O plural de ascendência una, afluentes fluindo lestas para o mesmo Ribeiro...

A Recusa ao Adormecer sob Estrelas Intermitentes

Não ao adormecer sob estrelas intermitentes,
Elas fedem a finitude, ausência de eternidade.
E efémero é palavrão no léxico dos reluzentes,
Aos que apenas expiram: a divina obscenidade.

No banal cativos, intermitentes, o fulgor pendente,
São nestes suspiros com laivos erguidos ao vero asco,
A metade jaz em ainda menor fragmento, o real mente,
E à falta de luz nem o luar assiste ao ecuménico fiasco,

São brados ecoados e reverberados pelas ondinas,
A acalmia passada, aguarda a seguinte intempérie,
Nhin osculando seus reflexos na água, e nas colinas,
Oreádas bailando vistosas pinturas, mas, nesta paupérie,

No concreto desnutrido, no tom acinzado de suas faces,
Estas estrelas hoje são intermitentes sim, inspiram a suspirar,
Recusando este tacto visual, a envolvência vera em enlaces
Repercutindo no transcendente, isso sim, este simples abraçar.

n. ego

Na subcave do soalheiro Solstício Pt. III

Suas mãos, as mais belas deste vasto Cosmos,
Eu delineava-as de olhos fechados, re-retocando
Estes rascunhos quiméricos, salvos nesta aventesma,
Estes lábios, assimétricos e vagarosamente mitigados,
Pela emanação das palavras mais doces e belas de Sempre.
A nós a mais re-suspirada inspiração, a póstuma prece, já prescrita,
Seus olhos, gradualmente mais foscos, tornara-se então difícil discernir as cores,
Aludindo ao meu fascínio pelo obtuso, nessa noite ela era a regressão marítima,
Comovida e tocada pelos ecos distantes desta regressão, trilhando suas pisadas,
Por vezes, caminhava durante horas, em solilóquios com Nhin, sua fiel confidente,
Confidenciando-lhe que havia perdido, durante o caminho, a ternura de seu perfume,
A fragrância da maresia, sua presença então palpabilizava-se em respiração ofegante,
Seu bater cardíaco mais acelerado, suas pupilas dilatadas e em suas mãos esvaziadas,
(até de grãos de areia, aquela que utilizara para enviar mensagens cúmplices às oceânides)
E quando, por fim, o mundo se prostrou silencioso, de queixo para cima enfim permitiu acontecer –
De olhos ora fechados, ora semicerrados, o desejo singelo em namorico ingénuo com o Éter,
Lá, erigiu o Orfeão mais ousado, aquele que rasurou singelamente as áureas fundações cerúleas, as vozes dos Outros emanando de suas adjacências -
Sorriso melancólico, escorrendo pelo canto esquerdo, olhos retornados para a praia,
Ema agora pálida e acinzentada, retornada a Rosa que lhe havia conferido princípio,
E eu soube então, apenas a mais sacra elegia será realizada sobre minha muy colorida Tumba,
E que em seu epitáfio, em letras minúsculas, algo deifico, escrevinhem a seguinte frase:
Ornamentada com o final de todos os arco-íris do Mundo: “A Ema sempre: Asas não mais, jamais e sobretudo… nunca mais negadas.”. E que o silêncio, quando o houver, apenas seja quebrado pelo seu esvoaçar alado osculando estrelas como se de flores se tratassem: (O Colibri).

Na subcave do soalheiro Solstício Pt. II

Bailando lesta em ebriedade platónica,
Na brevidade sublime daquilo que refulge,
De braços abraçados, envolvendo-se
Em si, e em alguns passados adiantes,
Entre versos idílicos, no seu cabelo,
A lenidade da maresia era embalada,
Cada cordel principiado para…
Para… ser afagado sobre sua orelha,
Apontava grãos nas linhas do areal:
“Sou a menina feita de sonhos”,
A estrofe que definia sua passagem.
Havia nascido para amar magia,
A genuína e sincera fonte de magia,
Magia como só poucos conhecem,
Aquilo que jamais se deve apressar,
E até raramente verbalizar pois,
Pois verbalizar é apenas mais uma forma
De relegar o belo e banalizar o especial,
A nascente do manancial do estro,
Poético seria menosprezar esse Sentir,
O envergar o Tudo em cada olhar,
E de Tudo ser parte fraccionária,
Neste conjunto de versos ia rimando,
E surgia o consequente sorriso,
Escapavam-se-lhe como se de,
De uma ligeira petiz se tratasse,
Encantava-se Ema neste Sentir,
Quando o nocturno se volvia em dia,
E no dia, a beleza da noite se reflectia,
Tal relação como a das estrelas e no mar,
O efeito inconveniente era o interstício,
De ósculos diferentes, sentires afinal díspares.

Na subcave do soalheiro Solstício Pt. I

Na subcave do soalheiro Solstício,
A apoteótica Ode ao Orfeão em vão,
Mais menor do que o poema outrora prometido,
O que em cada novo avistamento: disparidade,
A bela e delicada esperançada espera,
Pois a procura é concubina da expectativa,
Como as abjuro a ambas, mesmo quando,
São minhas únicas insidiadoras companhias.
De olhos cintilantes, com frondosas flores
Gentilmente embaladas para ofertar,
Radiosas e fulgentes, o sorriso incidente,
A maior dádiva dos e aos firmamentos: sorrir,
A melancolia havia reencontrado Ema,
Dentre milhares de esferas de pólen esvoejando,
Onde Ema imóvel, aguardava e esperançava,
De vestido cândido, semi-rasgado nas pontas,
Estas humedecidas pelo enlear da maré,
Ondulando ao sabor da brisa marítima,
Suspirava e ia murmurando disparates,
Que apenas ela deveras não percebia,
Rodopiava, no rodopio mais puro
E portanto, o mais estonteante,
O da arritmia de seu respirar,
Ia recaindo na brisa fortuitamente,
Quão subtil seu ténue embalar,
De pés descalços, areia dentre dedos,
Deleitando-se no aparentemente
Ridículo e patético, todos os amadores,
Como são, amando sem esperar retorno,
Ignorando o que ridículo e patético significa,
Seus olhos: as estrelas aguadas mais brilhantes
Do ponto donde era até ao longínquo horizonte.

Rosa. M. Gray

sábado, 13 de novembro de 2010

Ego Stigmare - Chapter - Lua

Chapter - Lua …and thus we celebrated the death of yet another ghost, no words could adonize this moment. And again, the moon dialogued with me… she was not the original moon though, perhaps merely a cheap copy, a decoy to attract my attention. My deduction was that the printing work didn’t result, or possibly the crayon’ ink was little… once a copy, always and forever a copy, no copy is better than its original… In a reserved way she was asked if she hated the genuine moon, she retorted that every copy hates the original, not for envy, but because they know… they know that uniqueness evades them for every breath they take.

Lua - I feel just like a cheap copy.
I - What is that makes you feel so cheap?
L - To know the truth, to have the conscience I’m just a copy.
I – Anyway, the moon is overrated. She’s nosy too, always trying to listen to the confidences I make to the Sea.
L – Did she bother you? Well, did she succeed?
I – Not really, we communicate in our own language.
L – I asked if she disturbed you.
I – No, I enjoy her presence.
L – I don’t like that you enjoy my presence.
I – You are not the moon, you are just a copy.
L – Copies always act like the original.
I – And what does a copy do?
L – I cannot say…
I – There are copies more perfect than the original no? But what’s a copy? Who are you?
L – I am the moon’s copy. Lua is the name I subdue my essence to answer to.
I – Yes, but... *who* are you?
L – Maybe I just don’t know anymore. Maybe the only knowledge I have from myself is from the images that gently flow with the Sea. Even so, am I real merely for being reflected? And who or what would scream without a voice if even now is gone?
I – Only if someone should happen to go on by and noticed…
L – These prayers fall on deaf hears. And the answers delay to be received.
I – But there are no questions, merely two hearts hastened on their beat...
L – I have no heart, or have you forgotten that the moon is a woman? Only for what it suits me.
I – I don’t believe in women, nor do I believe in men…mere humans, nothing alike… I believe in superior beings.
L – Do you think of yourself as being superior?
I – I’m not comparable, as for superior… there’s someone out there that is. I’m just different.
L – Are these your beliefs?
I – Perhaps a touch, a fragrance, a deep look? Perfume of a thousand roses flowing at the spring’s winds flavor, a light emancipated from gilded visions.
L – Roses smell like falsehood. They stink of passion, and passion is a forgery.
I – And so, are you false?
L – No, your smell is though.
I – Nonsense, everything that is beautiful smells like roses and I don’t refer to their factual essence, but the idea and to what she instigates.
L – Ridiculous… they smell, inspire and denounce hypocrisy.
I – I prefer azaleas, myrtles and dandelions… but what does it matter, the last star in the sky foresees that in a while everything will end.
L – I have never smelled those.
I – The sun will return, and with him the light that shall conquer the day. And you will be gone, for indefinite time.
L – The sun will rise, but everything will happen as if it’s still night. Everybody behaves as if we were constantly in the dark. As if no one could see what they do, the ghosts that haunt them and the skeletons they store on their closets.
I – Maybe we have been searching light for all this time in all the wrong places… true light will not arrive from the outside, she’s not brought by any star, she’s not dangling on the street’s lamp and she’s not to be looked for… she inhabits within ourselves, she is strong enough to illumine our paths and when the day is over, we will still be part of her.
L – That would be to reach perfection, stability, what’s the fun in that?
I – All the light you may ever come to retrieve will never be eternal, and that’s the fun part. I’ve been told that there’s only one thing eternal in the world, but even it ends.
L – That’s the ironic part I guess, but I never got the joke, I never understood it.
I – Everything ends, but time has very extensive boundaries. Maybe that’s what I’m searching for, endless light. Tell me moon that over me illumines… is that your shine or from another?
L – It’s yours.
I – Are you mine then?
L – For moments, yes. Will you want me until the end? I??… a copy??...
I – For me you will always be the original, for you are all I know as moments end… could eternity be little time if with the ideal company? I bel… I know it would.
L – Why does it have to end then?
I – Things only end, because others have to begin… good things stay forever.
L – And is that the ideal company?
I – Someone I can be with without falling in the banality of using words in order to express ourselves when all I want is to share a beautiful instant of silence. Yours is?
L – Someone that can make me cry.
I – And cleans your face the moment after with his face, so that the tears may stream from both faces?
L – […]

And no replied was ever made from the other side, our closest star was once again reborn and Lua nowhere to be seen… but I exited the beach with a smile on my face, I’ll be seeing her in my dreams.

n. ego

domingo, 7 de novembro de 2010

O Neptuniano, A Virgem e o Sagitário

Na passagem pelo além,
Que vá pequeno, vertical e belo,
(Infinitamente destas 3 formas isto é)
O resto são linhas e contornos excessivos:
Beijando-lhe na mão, desconhecendo a razão.
Apontado pelo dedo indicador, soando a doido
A maior parte de, de… de quase todas as vezes,
Sorriso do sempre ausente, presentemente algures,
Algum dia será manhã, e a alvorada é o nosso jardim,
Quando terminará esta noite? A última sempre sem anestesia?
Para mais tarde recordar, vai-se esquecendo, o suave e doce olvido.
Aquele da partilha estonteante, não circunscrita, sem Tempo restante,
Como rememoro esses instantes, tatuados ora em cicatrizes ora em adornos,
Sou o último da minha espécie, em breve partirei e serei parte do enfim Inteiro,
A cada novo avistamento, em cada novo instante, perderei ou acrescentarei,
Para além disso, sou a Aurora Crepuscular, o daymare da magia não avistada:
Por eles, em discurso aparentemente desconexo, apontado e soando a paranóia,
E paranóia é saber exactamente qual a razão pela qual estamos aqui,
Loucura!? É sentir inequivocamente o que somos, a coerência na autodefinição, sermos rendidos,
Externamente por aqueles que não compreendem, que não sentem, que não avistam,
Como nós. E vamos compreendendo, vamos inspirando, vamos beijando o Céu e…
Recuperando a Lua, por cada beijo, mais solitários e perdidos, mais sozinhos e perdidos.
No antagonismo entre a salvação da Obra e consequente Humanidade ou do ritual do Eu;
Contudo, na luminescência das esferas supra-celestes, naquilo tido como estritamente Belo, no singelamente estonteante, no voo alífero, envolvemo-nos lentamente no Etér,
Euoé! Replicado pela colina abaixo, no beijo mais calmo e abundante de todos, aquele que sorri! Aquele que se alastra, que contagia de leveza seus interlocutores e espectadores;
Na partilha, na aceitação, no voo desmedido pela encosta do Sonho, e a Salvação,
Esta sim, tem o nome mais belo de todos, chama-se Amor e começa inicialmente em nós,
Depois, os outros avistá-la-ão por cada sorriso, por cada olhar, a Paixão pela Vida então soletrada em minúsculas (os transeuntes medrosos querê-la-ão para eles), a mais Bela de todas…
A Senhora de Azul Lazuli, a dama que desliza lesta, ora bailando ora estrebuchando,
As Oressas, são este olhar, este sentir, esta verdade plena que só pode ser mentira,
Não há plenitude, apenas ideais e expectativas que, como tal, são apenas isso,
A queda de chuva, a queda do Sol, e os meios-termos que, perfuram a pele,
Estraçalham a alma a quem é diferente, a quem Viver por vezes é vida ausente;
No entanto, tão, tão mas mesmo tão presente, que se vai reflectindo, indiferente,
Ousando oscular o sonho, com coragem suficiente para elevar os braços e beijá-lo,
Isso sim, neste mundo, a maior doença, a falta de inconsciência é presenteada enquanto que…
Oh… soubesse eu o meio-termo exacto, o único meio-termo que vale realmente a pena,
O ponto mediano que apenas sabe o nome de equilíbrio, harmonia e sentido de Ser;
Soubesse então isso e não escreveria mais… jamais… jamais.

n. ego; Rosa M. Gray, Ernesto Encarnação.

domingo, 31 de outubro de 2010

2ois

Seremos pó brevemente e o anseio concludente,
Na brevidade abreviada: poeira de restos estelares,
A leda passeata, a vertiginosa ascendência refluente
As Cintilantes, minhas doces amigas das orlas nebulares

Seu brilho, em nosso fulgor retratado, ósculo suas porções,
E essas a mim e em nós, entearadas sobre nossos narizes;
Seremos a coragem de ser magia genuína nestas fracções,
De tempo infinitésimo, a impressão subtil de díspares matizes;

Em olhos cuja tonalidade da paisagem é reciproca,
Respira, respira, afinal havemos passado a casa partida,
Cantarolando o sorriso à porta aberta, verdade inequívoca,
Caminhando em seus sonhos, a singularidade é não abstida;

O óbito de uma estrela é a nascença de e em seus fragmentos
Em eventuais consciências, a subdivisão da afinal perfeita Criação,
O sorriso escorrendo pela parte esquerda do olho, seus entoamentos,
Somos renascimento de estrelas por cada respirar, a divina intenção;

n. ego

2as

2as camas vazias e seus ecos reverberados,
Sob, sobre e dentre corredores de mármore
É o silêncio avassalador dos sonhos adiados,
O caminho malfadado, o bater que demore;

À entrada soalheira do reluzente abisso,
Na sentida ausência da sombra póstuma,
A beleza refulge no olhar, no pré-esquisso,
Do inteiro encetado pela metade, é pluma

Esvoaçando por coreto onírico e incógnito,
Como o reconheço, neste sussurro espectral,
O olhar é fumo, névoa e a enxurrada granito,
A flauta idílica longínqua, a projecção astral,

Deambulando de olhar em mão em olhar,
Cativada em prisão auto-infligida, sinto-as,
Nas Oressas e seus passares: este estrebuchar
Meio doce, meio perfume em palmas, indistinto;

Rosa. M. Gray

Esbracejando

“Esbracejando para ostentar vida
Quando o viver é tudo menos isso.”
Beijando-lhe a mão, desconhecendo tal razão,
Beijando-lhe a mão, desconhecendo tal razão,
E a Vida sobrevém, ecoando no não finito – ressoando.
Porém o simples, quando acontece, é o único premeditado
O único propósito do fluir, o soar familiar, o euoé! replicado acolá,
Em milhares de janelas, testemunhando-nos a dançar dentre as flores,
No olhar pintado a colorido, o mundo reflecte-o, colorido se tornando,
Acercando-se do não finito, o instante de maresia de estio proveniente,
Quando o olhar é tinta, pintado é tudo em que este tacteia, tão docemente
E tão ténue se torna seu pestanejar, não subtrai nada à ocorrência sincronística
De quando este ocorre, é a adição de momentos entreposta com o expressivo silêncio;
Como este é ansiado, negligenciado e menosprezado pelos demais banais transeuntes,
{estes que se especializam subconscientemente em “transeuntar” durante seus caminhos.}
Os bípedes verbais, tagarelando e discutindo semânticas e assuntos aos quais nem as pedras se interessariam por…
A plenitude atingida do meio-termo percepcionado entre as margens, a dourada indiferença auriluzindo {como tudo o que doura},
O granjear do vulgar enquanto a abóboda celeste é mantida apenas no céu, não recobrada,
Haveis esquecido de que ela deveria habitar sim em vossos corações? Haveis pontuado a magia com o seu ponto mais inconcludente, mais inconciliável: O silêncio mudo que esbraceja na tentativa vã de ressoar a Vida.

n. ego


sábado, 16 de outubro de 2010

No meio vezes milhares de vezes = metade. (Ser no escuro)

Entre valetas e prados verdes, entremeado
O céu na água, neste singelo olhar reflectido
Na atrocidade do poema idílico propositado,
Perde-se a suavidade do toque e enfim, sentido;

É drama, é trágica e ensurdecedora a queda

Nunca caindo no mesmo sítio a chuva incipiente,
Acorda(n)do, face ao esquecimento do perdão,
Já não é a insónia, é a escassez de sonho latente,
Enxofre sulfúrico inalado e o algoz da sofreguidão,

As ondas sussurrando silenciosamente meus nomes

A náusea do ósculo demorado na orla da estrada,
Era o sonho grandioso, a paz esmerilada ao alcance,
Sob o céu aberto, na orla ausente, a Virgem desflorada,
Erguendo sua voz para os Sem Nome, alienado romance;

Afinal acerca-se, contudo a alvorada é sempre a mesma,

Os mais negros passageiros, a desordem pia do ser,
A alvorada avista-se, igual às outras depois do antes,
Sorvendo o pó Elísio na tentativa inócua de preencher,
Cada novo avistamento - digno dos esboços de Dantes,

Meus nomes ténues rascunhos nos tendíneos sinuosos do areal

(Se te traçasse as galáxias escusas em meu olhar,
Envolvê-las-ias?): Suspirava Mirto face à bela Oressa,
Esquiva e luciferina, deslizando suave neste nosso latejar,
Inúmeras e demasiadas vezes, recaído em iludida peça,

Seu semblante, seu passar, mil adagas pontuando a pele

A mais nefasta de todas, a assimetria do bater cardíaco
A enganação face ao vil, ao algoz sentido de pertença,
O abraço do Inverno, desígnio comum do plebeu empírico,
Olhos brilham ao avistar-vos, é involuntário – é árdua sentença;

Partilhai vossa mão comigo, caminhemos dentre as constelações

Arrancarei as estrelas dos pulsos, entre a morrinha e o sol,
Uma a uma, esmaecida, enegrecida, seu pleno consumido,
O indecoro do tragado, o susceptível ferido de peito no anzol,
Sob as luzes citadinas, o trilho da aventesma, de olhar infundido,

O inconciliável ao habitual, no entanto assumidamente sua síncrise

Desprotegida perante as subtilezas mais inofensivas de seus contornos,
Voando demasiado próxima do sol, o semblante acerca-se de si mesmo
Aluído pelo limbo da recontagem das estrelas do céu, são estes adornos,
As gotículas cintilantes incrustadas em caças sonhos {des?}largados a esmo;

Quando o indistinto é o axioma, e o axioma é oximoro e antítese patenteado

Do sensismo inverosímil, não crença que fútil então prometeu
Este sentir, dente de leão postergado por Oressa, (como te procuro)
A candeia enfim se silencia, e no escuro, e no escuro, eu…
… E no escuro…

Rosa M. Gray

Waiting for: …

And there was true snow over there
Ghostly liquid nowadays seems so rare (and we seem so rare)
The mountain side whispered “safe journey”
And threading began, little hopes of ever returning

…where does this little mountain end?

Borrowed was a safe-stick to lead the way
He is I, I am he, together we Life portray
Thoughts may come and crumble inside
On a lonely box in mute-silence they’ll confide

…oh Rosa how we need to L*ve…

There’s a sweet place to call home
Concealed in bright sunrise’ colours
Somewhere a lady arrayed in indigo (blue…)
Waiting flowers to never call ours,
Head held up high revealing the unbound sky (is it really mine?)

Will never have anything mine, for I’m owned by my own Life

A clean blanket stained with a stern reprimand
As mountain smoke is inhaled at the river’s bend
(Like)Upward Pisces scaling a longer travel’s root
(Always)Near the abyss waiting for undying truth

…when does this beautiful Life begin?

Days that traversed this forgotten road (so old)
Shall remain as imagery shadows forever untold
Need to sing, to swim and fly (so high)
The Earth is too small, my reserved spot is in the sky

…lend me faerie’s powder to dream my own Dream

There’s a sweet place to call home
Concealed in bright sunrise’ colours
Somewhere a lady arrayed in indigo (blue…)
Waiting flowers to never call ours,
Head held up high revealing the unbound sky (I fly…)
Will never have anything mine, for I’m owned by my own Life

Waiting, Waiting, Waiting (for life to begin)

n. ego

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Listening

…and time stopped

Sitting, sitting on his head there’s a clock
Ticking, waiting for an imminent stop
With no words, no words to grant for the deaf
Is there still something at all, ticking in his chest?…

Listening the unwinding
Listening…

To no words, no words but from the voice she longs to hear
In a thwarted place there’s always, a sigh so near
Sailing across the soaring sea as you please
Whilst forlorn echoes diffuse within the breeze…

Listening the unwinding
Listening…

Sitting, sitting on his head there’s a clock
Ticking, waiting for an imminent stop
With no words, no words to spare for the undead
Is it so difficult to walk this thin little thread?…

Listening the unwinding
Listening…

(nachio)

domingo, 19 de setembro de 2010

Alba III - {From the Distance They Fell}

Spell your name on feather napkins, and King for a flight shall be the reward
Below fountains of light, these waterfalls dreams still stream to a holy shrine

source of the long distant journey {each step that æ cherish} are eyes placed on a common horizon
borrowing the glitter from Rigel, my brothers L*ve is here, enveloping our sight

{like a rainbow} – rain and vows

Time the innkeeper with quicksand, our footsteps, conceals
Coterie of eidolons quill drawn, where the sea meets the sky

{only ghosts whisper like this}

Bedighted saunter into cosmos pathway
{Wayward left}, each semicircle is half everything
Exposed… ad-infinitum, beginning another one

Outstretched fingers to every snowflake
gleaming within a thousand {Somnium…!} points of light…
{on?} your eyes, there’s so much more to see

Outstretched fingers to every snowflake
gleaming within a thousand {Somnium…!} points of light…
{open} your eyes, there’s so much more to see beyond

Outstretched fingers and æ’ll catch them all
Blazing within a thousand {Somnium…!} points of light…
the time has come, … to awake and be… come

light…

“the scars on our backs are tales to remember
the feeling of the immensity of a yotta second
when beauty was known, without the touch of light
and delight was freedom, in the absence of consciousness”

(nachio)

Sing to Her :)

Hey you, lingering in bed
Don’t you know, there’s a beautiful world ahead
The ticking urges yet quite never stops
{but} Is this an enough reason to rush after the clock?

Hey you….

Hey you, the dawn delays I know
If in night, maybe a new way would be nice way to go
There are chances and gaps open to proceed
Even though it’s much easier to simply sit and bleed

Sing to Her: (and we’ll live one thousand years)

Hey you surrounded by four walls
Somewhere and sometimes even an angel falls
It’s ok gravity so dictates
Chosen lips can’t be crypts to wayward fates.

Hey you

Hey you, drowning in November’s shed
Outside open fields and fresh air to breathe instead
The shadows of the brittle human mind
Postpone our walk on a wistful little line

Sing to Her: (and we’ll live one thousand years)

(nachio)

domingo, 12 de setembro de 2010

From a Ghost

“The night is gone
And I’ve waited all day
The morning is gone
And I’ve waited all night
Hush for a moment
And grant me what I need
the most special moment of timeless Time”


She weaves over clouds blue petals with her good hand
A wait that soon becomes a prison fails to comprehend
All the whispers she never thought to say
Were never enough to brighten Her own day

Lua by now must be failing to understand
That the shiniest moment comes from within

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Primaveras sentirão a minha falta

Quando partir; as Primaveras entoarão minha falta
(Sei-o perfeitamente, mas… alguma vez cá estive?)

De cabeça na palha, o enegrecer do dia, luzente,
A compartilha alífera, singelamente estonteante,
Na entrega e recepção do caça-sonhos inacabado,
Aquele que não conseguia albergar toda a luz solar;
Rememoro a busca e encontro da estrela comum,
No meio de milhares, nossos olhos coincidentes
No mesmo ponto tangível, éramos magia genuína;
Indaguei os céus no dia seguinte, apontando-a sozinha,
Trazendo-a na algibeira, convicta de sua especialidade;
Sítios diferentes, caminhos divergentes, perdi-a enfim.
Alienei o que nos unia, a única estrela comum.
Nossa bela e exclusiva estrela. Nossa…

A dor da cativa, não cativada, aprisionada em anseios
Beijos a todos, o simples toque de todas as suas palmas,
Atravessando-os e dissipando-me em seus bateres,
Bailávamos lestos até aos despontares da alvorada,
Livres e selvagens, de sorriso revelado incidente
Esplendente voz em sintonia, somente eu sabia,
O néctar do conseguir deslizar sobre o vento,
O som nos ramos repercutido, re-ressoando,
Da passagem infinita ao fraterno infinitésimo,
Em mim e eu todos os eus de que faço parte.

{Mas eventualmente, farei parte delas.}


Rosa. M. Gray