As ruas vazias relembram as nossas mãos
Sob os candeeiros que são estas sombras
Que reverberam ecos atando-os a sótãos
Da noite ao dia - à poesia que ensombras.
Para quê por alguém ainda aqui esperar
Se por mim aqui não espero nem vou?
Com quem poderei ser ou enfim abrigar
Se sou relento, se sozinho não me sou
Para lá da estrada atravessada ao peito
Sou suspeito em ar rarefeito e tão pouco
Quero que tudo anseio tão e tão perfeito
Que é tanto e tal o mundo que cá albergo,
Tentando ser belo e lá vai o poeta louco
Entre ruas que vazias ficam mal as enxergo.
Blog de um músico e poeta português onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
segunda-feira, 8 de julho de 2013
terça-feira, 2 de julho de 2013
Eu e Ela Pt. III: Que Fique O Seu Fulgor
A muda persegue quem pertence à estrada
Noutra suave despedida uma nova partida
Vem o terno Sol enquanto cai a enxurrada
E do ínfimo nada, o arco na mão querida
É a íris dos dias que me deixaram aqui e ali
Esparso nas noites que ainda estão por vir,
Os fulgores de beleza que do éter socorri
Serão parte do sonho desperto a reflectir
O eco das salas vazias ainda por preencher
Por palavras e sonetos ou cerejas com areia
E desejos e anseios do rapaz neste meio ser
Enviados às nuvens em leves balões de papel
Onde todos somos à vigília desta lua cheia
Quando toda vista é tela e todo o Ver pincel.
Noutra suave despedida uma nova partida
Vem o terno Sol enquanto cai a enxurrada
E do ínfimo nada, o arco na mão querida
É a íris dos dias que me deixaram aqui e ali
Esparso nas noites que ainda estão por vir,
Os fulgores de beleza que do éter socorri
Serão parte do sonho desperto a reflectir
O eco das salas vazias ainda por preencher
Por palavras e sonetos ou cerejas com areia
E desejos e anseios do rapaz neste meio ser
Enviados às nuvens em leves balões de papel
Onde todos somos à vigília desta lua cheia
Quando toda vista é tela e todo o Ver pincel.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Eu e Ela Pt. II: A Interrupção da Metade do Meio
Como um rosto sem apelido
Tal e qual o aceno sem resposta
Na frase do discurso interrompido
Porém bem à frente dos olhos posta,
Como o dar a mão e reaver restos de ar
Tal como aguardar por quem não espera
E virou as costas a quem apenas quis amar
E que portanto ao não ser, lá nem sequer era
Em interrupto riso perdido no espaço vazio
Naquele suspiro que só as paredes ouviam
Que ao habituar-se à frieza deixou de ter frio,
Tanto quanto esta ânsia que o estômago carcome
Neste almejo daqueles que a mazurca sentiam,
Aquela que todos dançam e ninguém sabe o nome.
Tal e qual o aceno sem resposta
Na frase do discurso interrompido
Porém bem à frente dos olhos posta,
Como o dar a mão e reaver restos de ar
Tal como aguardar por quem não espera
E virou as costas a quem apenas quis amar
E que portanto ao não ser, lá nem sequer era
Em interrupto riso perdido no espaço vazio
Naquele suspiro que só as paredes ouviam
Que ao habituar-se à frieza deixou de ter frio,
Tanto quanto esta ânsia que o estômago carcome
Neste almejo daqueles que a mazurca sentiam,
Aquela que todos dançam e ninguém sabe o nome.
terça-feira, 18 de junho de 2013
Eu e Ela: Éramos Nós Dois
A margem do rio era somente pano de fundo
Pois aquele seu belo sorriso, aquele seu olhar
Era no efémero do instante todo o meu mundo
O reencontro ao Inteiro nesse tão leve esvoaçar,
Cada gesto seu instilava para o almejado romance
Da intangibilidade do sentimento então suspirada
Pelo portão saltado de uma só vez o Céu ao alcance
E na ternura de nosso ósculo a alma então recobrada,
Aqueles olhos cerrados vejo-os onde a chuva tombava
Seus lábios eram todo e meu único papel nesta vida.
Onde a sua cabeça repousava este ombro continuava
Suave através de seu rosto e a cada renovada batida
O sorriso crescia e num súbito ápice se apaixonava
Esquecendo que seria algo ao longe em despedida.
Pois aquele seu belo sorriso, aquele seu olhar
Era no efémero do instante todo o meu mundo
O reencontro ao Inteiro nesse tão leve esvoaçar,
Cada gesto seu instilava para o almejado romance
Da intangibilidade do sentimento então suspirada
Pelo portão saltado de uma só vez o Céu ao alcance
E na ternura de nosso ósculo a alma então recobrada,
Aqueles olhos cerrados vejo-os onde a chuva tombava
Seus lábios eram todo e meu único papel nesta vida.
Onde a sua cabeça repousava este ombro continuava
Suave através de seu rosto e a cada renovada batida
O sorriso crescia e num súbito ápice se apaixonava
Esquecendo que seria algo ao longe em despedida.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
As Nuances: De um Iglô no Gobi
Arcos e blocos de gelo fazem paredes estranhas,
Despertai-me para a vida desta oblonga elipse,
O sangue que me corre dentro das entranhas
É o suficiente para provocar um Apocalipse,
No semblante de quem nunca conseguiu mesmo ver
Quando as dunas e o deserto se mesclam consigo
Vagamente, na amplitude tão breve deste ser,
Onde por vezes a bênção mais parece castigo,
Rascunhámos cones e cubos sem grande sentido,
Desdobramos os membros orientando o vento
Dos pólos ao equador sem ideia do apetecido
Que nos inebria a cada nova nuance de cinzento,
Levamos iglôs ao deserto com ideia de abrigo
Habitando-os só com a passagem do tempo...
Despertai-me para a vida desta oblonga elipse,
O sangue que me corre dentro das entranhas
É o suficiente para provocar um Apocalipse,
No semblante de quem nunca conseguiu mesmo ver
Quando as dunas e o deserto se mesclam consigo
Vagamente, na amplitude tão breve deste ser,
Onde por vezes a bênção mais parece castigo,
Rascunhámos cones e cubos sem grande sentido,
Desdobramos os membros orientando o vento
Dos pólos ao equador sem ideia do apetecido
Que nos inebria a cada nova nuance de cinzento,
Levamos iglôs ao deserto com ideia de abrigo
Habitando-os só com a passagem do tempo...
domingo, 16 de junho de 2013
Descalça: Foi Ela
Descalça vai ela pela noite tão escura
Aonde seus passos as flores sustentam
Suaves em tal Amor e em tal brandura
Que ao seu passar os abrolhos rebentam,
Aqui aguardo tão só seu efémero retornar
Na espera consorcio com a sua aventesma,
Tão eterna e tão temporária neste andar
Que ela leva onde seu trilho foi na mesma
Fracção de instante coincidente a este,
Sorrio... suas pegadas foram nestas um dia,
Hoje passado onde um só olhar era a oeste
Luz e inspiração ao poeta e à sua melodia
Embalava gigantes e enlevava o cipreste
Em ténues e suaves tons envoltos em magia
Aonde seus passos as flores sustentam
Suaves em tal Amor e em tal brandura
Que ao seu passar os abrolhos rebentam,
Aqui aguardo tão só seu efémero retornar
Na espera consorcio com a sua aventesma,
Tão eterna e tão temporária neste andar
Que ela leva onde seu trilho foi na mesma
Fracção de instante coincidente a este,
Sorrio... suas pegadas foram nestas um dia,
Hoje passado onde um só olhar era a oeste
Luz e inspiração ao poeta e à sua melodia
Embalava gigantes e enlevava o cipreste
Em ténues e suaves tons envoltos em magia
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Através do Deserto Esfaimado Pt. III: As Crianças e os Mortos
As crianças estão cercadas por mortos
Aqueles que envolvem o cadáver da vida,
Do berço à sepultura passam absortos
E ao fim de setenta anos atingem a partida
Ignorando o mais árduo passo: o primeiro...
Que enxagúe as mãos e renasça inocente,
Irradiando a luz do farol ante o nevoeiro
E que são se torne quem antes fora doente
Aprofundando raízes fortes para sua altura,
Simples é sentir Amor de perto e à distância,
Vir do ontem rumo ao amanhã com a abertura
De quem semeia e acolhe do semeio a fragrância
Em celebração aproveitando a rota da aventura
Sem medo ou receios sendo o adulto em infância.
Aqueles que envolvem o cadáver da vida,
Do berço à sepultura passam absortos
E ao fim de setenta anos atingem a partida
Ignorando o mais árduo passo: o primeiro...
Que enxagúe as mãos e renasça inocente,
Irradiando a luz do farol ante o nevoeiro
E que são se torne quem antes fora doente
Aprofundando raízes fortes para sua altura,
Simples é sentir Amor de perto e à distância,
Vir do ontem rumo ao amanhã com a abertura
De quem semeia e acolhe do semeio a fragrância
Em celebração aproveitando a rota da aventura
Sem medo ou receios sendo o adulto em infância.
terça-feira, 11 de junho de 2013
Através do Deserto Esfaimado Pt. II: Entre o Caminho e a Casa
As mãos que o agarram são as mãos que me levam,
Adiante o puxam e empurram perante o que vem,
Os balões que as esticam são os dedos que enlevam
Pois quando tocam o céu tornam o trovador em alguém
Que brilha mais do que mil estrelas num bolso albergadas
E ele, tal cometa, apenas alcançável pelo rasto que deixou
Nos vestígios de meias palavras em certas telas pintadas
Ou através do fulgor que no olhar dos outros ainda restou
Após o terem visto a rasurar obliquamente o horizonte,
Esses jamais serão os mesmos pois enfim aqui foram
O instante e perceberam que o poeta é Amor e ponte
Entre o frio do caminho ao aconchego da divina casa
Onde voamos em anseios aos abraços que demoram
Pois a mão que o toca nem é sequer bem mão, é asa.
Adiante o puxam e empurram perante o que vem,
Os balões que as esticam são os dedos que enlevam
Pois quando tocam o céu tornam o trovador em alguém
Que brilha mais do que mil estrelas num bolso albergadas
E ele, tal cometa, apenas alcançável pelo rasto que deixou
Nos vestígios de meias palavras em certas telas pintadas
Ou através do fulgor que no olhar dos outros ainda restou
Após o terem visto a rasurar obliquamente o horizonte,
Esses jamais serão os mesmos pois enfim aqui foram
O instante e perceberam que o poeta é Amor e ponte
Entre o frio do caminho ao aconchego da divina casa
Onde voamos em anseios aos abraços que demoram
Pois a mão que o toca nem é sequer bem mão, é asa.
Através do Deserto Esfaimado: A Sede Por Ela
Esta sede é a sede do deserto esfaimado,
Gota a gota acumulada na vista do poeta
Que anseia mais do que o que já foi olhado
E que precisa de mais cores para a sua silhueta…
Para lhe dar significado, para fazer sentido
Das esquinas fazemos cantos e entretanto
De tanto correr esquecemos o acontecido
Do bonito em que temos sido e seu encanto
Esvaece onde só há grãos de areia para tragar,
Onde a cópia da Lua vem e sussurra baixinho
Que somos O beijo por isso não devemos beijar,
Por tanto olhámos assim pelo ornato da janela
Ansiando sem saber pelo que aguardar no caminho
Quando ao longe de bem perto sabemos que é Ela…
(... Ela… sempre Ela.)
Gota a gota acumulada na vista do poeta
Que anseia mais do que o que já foi olhado
E que precisa de mais cores para a sua silhueta…
Para lhe dar significado, para fazer sentido
Das esquinas fazemos cantos e entretanto
De tanto correr esquecemos o acontecido
Do bonito em que temos sido e seu encanto
Esvaece onde só há grãos de areia para tragar,
Onde a cópia da Lua vem e sussurra baixinho
Que somos O beijo por isso não devemos beijar,
Por tanto olhámos assim pelo ornato da janela
Ansiando sem saber pelo que aguardar no caminho
Quando ao longe de bem perto sabemos que é Ela…
(... Ela… sempre Ela.)
sábado, 8 de junho de 2013
A Criança do Elísio: Ainda Trazemos
Somos… Somos aqueles que deixam às nuvens pegadas
Que vão e deslizam nos raios de sol e nas enxurradas
Atirando seixos às vidraças e vendo o mundo crescer
Sob o pé descalço reflectindo a criança ao envelhecer,
Frágeis amontoamos tons de vida e outros acinzados,
Somos quem semeia flores em canteiros imaginados,
Quem caminha ao pé-coxinho devagar ou corridinho,
Quem traz supernovas e galáxias no alado passarinho,
Tantas vezes também corremos ajoelhados sobre a lua
E de bem perto ainda somos tão longe aos dias comuns
Por onde navegamos resfolgando sendo suspirados à rua
Onde passámos ontem sendo tão poucos ou até nenhuns,
Aqui e agora nesta hora de dedos esticados e alma nua
Ao tentar amar o impermanente que tentemos ser alguns.
Que vão e deslizam nos raios de sol e nas enxurradas
Atirando seixos às vidraças e vendo o mundo crescer
Sob o pé descalço reflectindo a criança ao envelhecer,
Frágeis amontoamos tons de vida e outros acinzados,
Somos quem semeia flores em canteiros imaginados,
Quem caminha ao pé-coxinho devagar ou corridinho,
Quem traz supernovas e galáxias no alado passarinho,
Tantas vezes também corremos ajoelhados sobre a lua
E de bem perto ainda somos tão longe aos dias comuns
Por onde navegamos resfolgando sendo suspirados à rua
Onde passámos ontem sendo tão poucos ou até nenhuns,
Aqui e agora nesta hora de dedos esticados e alma nua
Ao tentar amar o impermanente que tentemos ser alguns.
quinta-feira, 6 de junho de 2013
O Morro dos Ventos Uivantes: A Ela e Ao Seu Fantasma
Teremos balões e confettis à hora da morte,
Venham e tragam um bom amigo também,
Ela lívida e serena me há deixado a tal sorte
Que por instantes olvidei que ela era quem
Outrora se banhava leve nestes rectos ombros
Sorria, chamando-lhes o que sentia ser o lar,
Hoje ao monte dos vendavais seus assombros
Com seu níveo espectro a vidraça a arranhar,
Seus ecos reverberados nestes corredores vazios
Amaldiçoo-os a todos por esta insanável ferida
Enlouquecei-me mas deixai-me não restos sombrios
De toda uma viagem onde sóis o fado nesta palma
Aonde e onde não posso viver sem a minha Vida
Que sentido sequer faria viver sem a minha alma?
Venham e tragam um bom amigo também,
Ela lívida e serena me há deixado a tal sorte
Que por instantes olvidei que ela era quem
Outrora se banhava leve nestes rectos ombros
Sorria, chamando-lhes o que sentia ser o lar,
Hoje ao monte dos vendavais seus assombros
Com seu níveo espectro a vidraça a arranhar,
Seus ecos reverberados nestes corredores vazios
Amaldiçoo-os a todos por esta insanável ferida
Enlouquecei-me mas deixai-me não restos sombrios
De toda uma viagem onde sóis o fado nesta palma
Aonde e onde não posso viver sem a minha Vida
Que sentido sequer faria viver sem a minha alma?
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Do Baile Dos Olhos Cansados: Ao Morro dos Ventos Uivantes
Conto relógios e ampulhetas até vós,
Sou os que esperam um dia aguardar,
Conto as luas, as estrelas e a vossa voz
É o único som capaz de nos despertar
Pois trago em mim os que me precederam:
Os sonhadores, os trovadores e os insanos
Que noutro dia por cá luziram e choveram
E também foram e vieram no passar dos anos,
Perdoai-me esta alma assente no pé-coxinho
Neste ósculo ao baile dos olhos cansados
Vamos indo e não indo doce e devagarinho
Com meias de lã, sapatos de chumbo e esta fome
Por nossa dança tão delicada, tão sem cuidados
Onde todos dançam e ninguém sabe nosso nome.
Sou os que esperam um dia aguardar,
Conto as luas, as estrelas e a vossa voz
É o único som capaz de nos despertar
Pois trago em mim os que me precederam:
Os sonhadores, os trovadores e os insanos
Que noutro dia por cá luziram e choveram
E também foram e vieram no passar dos anos,
Perdoai-me esta alma assente no pé-coxinho
Neste ósculo ao baile dos olhos cansados
Vamos indo e não indo doce e devagarinho
Com meias de lã, sapatos de chumbo e esta fome
Por nossa dança tão delicada, tão sem cuidados
Onde todos dançam e ninguém sabe nosso nome.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Aquela Valsa: Ao Pé-Coxinho
A valsa ao pé-coxinho é na vida
De salto em salto a pé descalço
Mal alcançámos somos a partida
Onde o presente é um meio passo
Entre o petiz menino e a menina
De pestanas cobertas de estrelas
Que avivam a luz da lamparina
Luzindo através das tristes ruelas,
Bordado nos vultos da noite passada
O viandante é o seu próprio caminho,
A tela daquele tudo e do outro nada
Lado a lado vai ele e o passarinho
Sendo ele em cada beijo à estrada
Tão e tão só ao olho do torvelinho.
De salto em salto a pé descalço
Mal alcançámos somos a partida
Onde o presente é um meio passo
Entre o petiz menino e a menina
De pestanas cobertas de estrelas
Que avivam a luz da lamparina
Luzindo através das tristes ruelas,
Bordado nos vultos da noite passada
O viandante é o seu próprio caminho,
A tela daquele tudo e do outro nada
Lado a lado vai ele e o passarinho
Sendo ele em cada beijo à estrada
Tão e tão só ao olho do torvelinho.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Entre Aspas: O Ponto e as Reticências
Acabámos antes de começar,
Descontínuos no tão completo
Que terminámos antes de acabar
Na entrelinha maior do axioma incerto,
Do finito ponto as eternas reticências
O entretanto entre o plural e o singular
A linha comum em perfeitas tangências
Entre o respirar fundo até à falta de ar,
Além do escuro, através do terno Amor
Os gradientes da luz no oblíquo aguaceiro
Onde ambos são contidos em prazer e dor
Tal a mais formosa flor cultivada num cinzeiro
Ornado gentilmente pelo Sol cujo nascer e pôr
O dois nunca e sempre relembra - do um ao Inteiro.
Descontínuos no tão completo
Que terminámos antes de acabar
Na entrelinha maior do axioma incerto,
Do finito ponto as eternas reticências
O entretanto entre o plural e o singular
A linha comum em perfeitas tangências
Entre o respirar fundo até à falta de ar,
Além do escuro, através do terno Amor
Os gradientes da luz no oblíquo aguaceiro
Onde ambos são contidos em prazer e dor
Tal a mais formosa flor cultivada num cinzeiro
Ornado gentilmente pelo Sol cujo nascer e pôr
O dois nunca e sempre relembra - do um ao Inteiro.
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Um Pouquinho Mais Pt. III: Imagina
Imagina um pouco mais e muito mais pode ser…
Preenchido de coisas que ocupam o espaço,
Socorríamos o luar guardando-o em nosso ver
No espaço do fundo da algibeira e ao pedaço
Que é espaço, que é o tempo entre nós os dois
Porém se é tempo é reunião de outros segundos,
Será ele espaço de tudo o que foi e no depois
Indo e vindo no rodopio ao périplo dos mundos?
Tantas páginas que foram ou não aconteceram,
Hoje a lua é seu reflexo na rua e no firmamento,
O que as estrelas dos trovadores cá enalteceram
Revelando sete mil amores rumo àquele belo luar,
Imagina-os nas linhas do caderninho e o cinzento
Torna-se o pouquinho de cor que é boa de se dar.
Preenchido de coisas que ocupam o espaço,
Socorríamos o luar guardando-o em nosso ver
No espaço do fundo da algibeira e ao pedaço
Que é espaço, que é o tempo entre nós os dois
Porém se é tempo é reunião de outros segundos,
Será ele espaço de tudo o que foi e no depois
Indo e vindo no rodopio ao périplo dos mundos?
Tantas páginas que foram ou não aconteceram,
Hoje a lua é seu reflexo na rua e no firmamento,
O que as estrelas dos trovadores cá enalteceram
Revelando sete mil amores rumo àquele belo luar,
Imagina-os nas linhas do caderninho e o cinzento
Torna-se o pouquinho de cor que é boa de se dar.
domingo, 19 de maio de 2013
Um Pouquinho Mais Pt. II e Menos: Sempre É
Um pouco mais e muito mais e menos seria
Todo esse imenso nada envolto no bocado
Onde pacientemente aguardo aquele dia,
O dia quando enfim voltaremos ao prado,
A vida é louca correria, a vida é terna espera,
Eu à indentação desta breve viagem deixado
Com fulgor obtemos cautelas para a primavera
Do dia quando enfim voltaremos ao prado,
Um muito menos e pouco menos e mais seria,
Nada desse parco todo envolto no fragmento
Que sou e ao qual pertenço em subtil harmonia
A procura do meio do pouco e do muito é eldorado
E nesse mais e menos somos todos o eterno momento
Onde ainda virá o dia quando enfim voltaremos ao prado.
Todo esse imenso nada envolto no bocado
Onde pacientemente aguardo aquele dia,
O dia quando enfim voltaremos ao prado,
A vida é louca correria, a vida é terna espera,
Eu à indentação desta breve viagem deixado
Com fulgor obtemos cautelas para a primavera
Do dia quando enfim voltaremos ao prado,
Um muito menos e pouco menos e mais seria,
Nada desse parco todo envolto no fragmento
Que sou e ao qual pertenço em subtil harmonia
A procura do meio do pouco e do muito é eldorado
E nesse mais e menos somos todos o eterno momento
Onde ainda virá o dia quando enfim voltaremos ao prado.
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Um Pouquinho Mais: Então Muito Mais Seria
Um pouquinho mais e então muito mais seria
Algo diferente que jamais algures tenha sido,
Um píncaro de estrelas, uma pitada de magia
Eis a poção que nutre o homem recém-nascido
Cheio de coisas que são o espaço na algibeira,
Espaço esse que agora é este relógio entre nós,
Errámos para onde a casa não é em tal canseira
Que da ária que era nossa se apartou a una voz,
Destes lábios juntos, toda a embriaguez e perdição
Do olhar do poeta e de sua esperança e almejo,
Quão ansiava desejar, quão queria o sim e o não
Para reter no frasco que tragava a cada lampejo,
Aspirando e respirando para o poder dar a mão,
Resfolgado e viandado neste tão breve versejo.
Algo diferente que jamais algures tenha sido,
Um píncaro de estrelas, uma pitada de magia
Eis a poção que nutre o homem recém-nascido
Cheio de coisas que são o espaço na algibeira,
Espaço esse que agora é este relógio entre nós,
Errámos para onde a casa não é em tal canseira
Que da ária que era nossa se apartou a una voz,
Destes lábios juntos, toda a embriaguez e perdição
Do olhar do poeta e de sua esperança e almejo,
Quão ansiava desejar, quão queria o sim e o não
Para reter no frasco que tragava a cada lampejo,
Aspirando e respirando para o poder dar a mão,
Resfolgado e viandado neste tão breve versejo.
domingo, 12 de maio de 2013
Sobre o Inteiro: E o Destino no Caderninho (Entre Luares e Dias de Verão)
As suas lágrimas caiam mais do que páginas havia,
Eu - as frágeis letras delicadamente escritas a azulino,
Sem fim, embaladas por ela que era a Lua desse dia,
Esbranquiçadas a azul onde imperava o sonho coralino
Nocturno e submerso, impelido através dos abrolhos
Linha a linha através da entrelinha de um dia de verão
Por onde já havia alguma poeira a cansar estes olhos
E a fatiga da viagem esmorecia o ânimo de dar a mão,
Contudo não desistíamos não, várias páginas faltavam,
Talvez alguns sorrisos algures a serem impressos também
Aí sabia que por vós em mim as brumas cerradas recuavam
Para ver o esbelto semblante desse cativante alguém,
Que me há cativado no escrito que os passos ansiavam:
Entre nebulosas e buracos negros por onde o Inteiro é além.
Eu - as frágeis letras delicadamente escritas a azulino,
Sem fim, embaladas por ela que era a Lua desse dia,
Esbranquiçadas a azul onde imperava o sonho coralino
Nocturno e submerso, impelido através dos abrolhos
Linha a linha através da entrelinha de um dia de verão
Por onde já havia alguma poeira a cansar estes olhos
E a fatiga da viagem esmorecia o ânimo de dar a mão,
Contudo não desistíamos não, várias páginas faltavam,
Talvez alguns sorrisos algures a serem impressos também
Aí sabia que por vós em mim as brumas cerradas recuavam
Para ver o esbelto semblante desse cativante alguém,
Que me há cativado no escrito que os passos ansiavam:
Entre nebulosas e buracos negros por onde o Inteiro é além.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
... E O Rapaz Pt. V: Que Olhava Por Estes Olhos
Através do rio onde se espelhou outrora
O olhar reflectido era diferente mas igual
Na íris trazia os pincéis das cores da aurora
Iluminando nas mãos abertas um coração tal
Que o mundo ao vê-lo parava na precisa hora
E o velhote enrugado ficava catraio pequeno
A brincar com bola colorida no que era lá fora,
Sorrindo não pelo olhar mas pelo Ver enfim sereno,
Ssh! O mundo sempre discursa nos pequenos nadas,
Para o escutar é preciso parar e nosso ruído silenciar,
E… aceitar cada brisa suave e as tormentas danadas
Como prémios e ornamentos a este breve caminhar
Até mesmo as cicatrizes nas pegadas atrás deixadas
As aconchego bem perto do peito num irrestrito amar.
O olhar reflectido era diferente mas igual
Na íris trazia os pincéis das cores da aurora
Iluminando nas mãos abertas um coração tal
Que o mundo ao vê-lo parava na precisa hora
E o velhote enrugado ficava catraio pequeno
A brincar com bola colorida no que era lá fora,
Sorrindo não pelo olhar mas pelo Ver enfim sereno,
Ssh! O mundo sempre discursa nos pequenos nadas,
Para o escutar é preciso parar e nosso ruído silenciar,
E… aceitar cada brisa suave e as tormentas danadas
Como prémios e ornamentos a este breve caminhar
Até mesmo as cicatrizes nas pegadas atrás deixadas
As aconchego bem perto do peito num irrestrito amar.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
... E O Rapaz Pt. IV: Que Deixava o Colibri Acontecer
Era a melodia da caixa de música entoada
Pelas persianas entreabertas um pouquinho
De nada mais e seria um pouco mais que nada
Pois no que aqui é enfim deixarei voar o passarinho,
Que sou eu e é de todos por isso a ninguém pertence,
Por vós e eu esvoaça ele através da brisa e tormenta,
Que ele aconteça planeado há quem ainda tal pense
Não percebem que o ruído deste mundo o afugenta,
Que ele detém a única vera politica, religião e filosofia
Aquela de quem é nos braços da brisa e a bem aceita,
Por vezes é a Lua invernal mas há vezes em que é dia
Então é a pluma no ar do colibri, a melodia que a enfeita
O sorriso do Sol, o beijo e o anzol numa sublime sinfonia,
E aí sim, é Magia... Nesta união que vai para lá de perfeita.
Pelas persianas entreabertas um pouquinho
De nada mais e seria um pouco mais que nada
Pois no que aqui é enfim deixarei voar o passarinho,
Que sou eu e é de todos por isso a ninguém pertence,
Por vós e eu esvoaça ele através da brisa e tormenta,
Que ele aconteça planeado há quem ainda tal pense
Não percebem que o ruído deste mundo o afugenta,
Que ele detém a única vera politica, religião e filosofia
Aquela de quem é nos braços da brisa e a bem aceita,
Por vezes é a Lua invernal mas há vezes em que é dia
Então é a pluma no ar do colibri, a melodia que a enfeita
O sorriso do Sol, o beijo e o anzol numa sublime sinfonia,
E aí sim, é Magia... Nesta união que vai para lá de perfeita.
terça-feira, 7 de maio de 2013
... E O Rapaz Pt. III: Que Viandava Através da Estrada Branca
Se em vez de Lua fosse aquele outro dia
Colorido a crayons e embebido em poesia
Se em vez de pouco fosse só o bocadinho
Que juntava duas almas num só caminho,
Se em vez de lágrima fosse o azul do céu
E lá em vez da nuvem parda fosse só eu
Envolto pela noite alta na voz do trovador
Através do silêncio que é Sol e resto de cor,
Se em vez do destino fosse apenas a estrada
E de tudo um pouco quisesse pouco ou nada,
Sempre tão perto e longe à berma da viagem
Sem origem ou destino e sendo tão só à passagem,
Por aqui vou viandando sempre e sempre adiante
Até que o que era fica aqui enfim em mim distante.
Colorido a crayons e embebido em poesia
Se em vez de pouco fosse só o bocadinho
Que juntava duas almas num só caminho,
Se em vez de lágrima fosse o azul do céu
E lá em vez da nuvem parda fosse só eu
Envolto pela noite alta na voz do trovador
Através do silêncio que é Sol e resto de cor,
Se em vez do destino fosse apenas a estrada
E de tudo um pouco quisesse pouco ou nada,
Sempre tão perto e longe à berma da viagem
Sem origem ou destino e sendo tão só à passagem,
Por aqui vou viandando sempre e sempre adiante
Até que o que era fica aqui enfim em mim distante.
sábado, 4 de maio de 2013
… E O Rapaz Pt. II: Que Colhia Faúlhas Uma a Uma... Uma... A Uma
Em admiração ele observava atento o firmamento
Algures por lá Ema bailava insciente à desfolhada,
Pequenas faúlhas caiam em oscilante movimento
Colhidas pelo rapaz deitado à berma da estrada,
Cada rodopio era rascunhado a régua e esquadro
Sendo em papel de marca de água por ele pendurado,
Suas mãos tinham nascido para pintar o seu quadro
E o seu olhar para verter em memórias o tão ansiado:
A melodia que era dela e que era sua pertença também,
Às vezes lamentava cada pestanejar pelo então perdido,
Ela era a visão estranha tão familiar, seu tudo e seu ninguém
Onde o resto passava e raramente ficava após ter partido,
Porém ele era enamorado por ela e por ela cativo e refém
E era ela a ocasião nele emoldurado e no seu olhar retido.
Algures por lá Ema bailava insciente à desfolhada,
Pequenas faúlhas caiam em oscilante movimento
Colhidas pelo rapaz deitado à berma da estrada,
Cada rodopio era rascunhado a régua e esquadro
Sendo em papel de marca de água por ele pendurado,
Suas mãos tinham nascido para pintar o seu quadro
E o seu olhar para verter em memórias o tão ansiado:
A melodia que era dela e que era sua pertença também,
Às vezes lamentava cada pestanejar pelo então perdido,
Ela era a visão estranha tão familiar, seu tudo e seu ninguém
Onde o resto passava e raramente ficava após ter partido,
Porém ele era enamorado por ela e por ela cativo e refém
E era ela a ocasião nele emoldurado e no seu olhar retido.
... E O Rapaz: Que Vivia Sob as Estrelas Cadentes
Encontrai-o em sítios abertos e arejados
Onde se ouça o cicio do ribeiro aligeirado,
Das estrelas revendo em si mil bocados
Aqui por fim e finalmente reencontrado
De pés descalços a beijar a relva verde,
O rosto delineado pela brisa da viagem,
O sedento de tudo enfim de saciada sede
Prostrado à lua nova pela breve passagem
Agora ele vive, finalmente ele é na Vida!
Não há tormenta ou sequer bruma no olhar,
Há um brilhozinho tornando a viagem sentida
Aqui finalmente, por fim e enfim basta o bastar
E quando a brisa o beijar em terna despedida
Que se lembre que um dia soube... ele soube ficar.
Onde se ouça o cicio do ribeiro aligeirado,
Das estrelas revendo em si mil bocados
Aqui por fim e finalmente reencontrado
De pés descalços a beijar a relva verde,
O rosto delineado pela brisa da viagem,
O sedento de tudo enfim de saciada sede
Prostrado à lua nova pela breve passagem
Agora ele vive, finalmente ele é na Vida!
Não há tormenta ou sequer bruma no olhar,
Há um brilhozinho tornando a viagem sentida
Aqui finalmente, por fim e enfim basta o bastar
E quando a brisa o beijar em terna despedida
Que se lembre que um dia soube... ele soube ficar.
terça-feira, 30 de abril de 2013
Eu, Tal Orfeu Pt.III: Saltitava, Submerso no Viandante
Aquelas eram as noites
dos três murmúrios distantes.
Esboçando sorrisos
suspirava através da branda brisa
Que rodopiava em espirais
por escadarias ondulantes,
De mãos e braços
esticados à Lua estava Rosa - a poetisa.
Ema espreitava, porém
raramente olhava para baixo,
Saltitava de nuvem em
nuvem sempre amorosa e ligeira
Confundindo-a com Orfeu
apenas algumas pegadas abaixo,
Esse viajando dentre
avantesmas largando o trilho à poeira,
Por vezes tomava Rosa por
Eurídice e invitava-se ao escape,
Essa fuga era para o
Sonho de Ema ou para o sono de Rosa,
Que nem Ícaro esvoaçava
desenfreado entre Vénus e Marte,
Arrebatado ele era o
pouco demasiado, o poema em prosa
Em vagão destravado, o
caldo entornado no que é à parte
Nesta propensão à grande
ascensão e à queda buliçosa.
sexta-feira, 26 de abril de 2013
À Brisa e ao Mar Pt. II: A Aldeia da Criança e do Velho.
Hoje não, não haverá o vulgar alarido da mente,
Ela é aldeia e sossego situada em lugar incógnito,
Envolvida por água cristalina iria contra a corrente
Porém não hoje, hoje não há lugar para tal frémito,
Hoje são, são passarinhos a bailar e flores a crescer,
É hora de apanhar e soltar borboletas após o beijo,
Até quase caio na tonta ousadia de voltar a crer
Que o Universo é tão sublime tal e qual como o vejo,
Tudo é maravilha quando envolvido em mãos de criança,
Este olhar torna-se pólen voador, sorriso e bola de sabão
De lado para lado nessa tão esporádica e delicada dança,
Tão sincera como a lágrima que lhe delineia o semblante
Que embala o velho para o sonho nesta bonita canção
E que à chegada ambos acomoda dentro do viandante.
Ela é aldeia e sossego situada em lugar incógnito,
Envolvida por água cristalina iria contra a corrente
Porém não hoje, hoje não há lugar para tal frémito,
Hoje são, são passarinhos a bailar e flores a crescer,
É hora de apanhar e soltar borboletas após o beijo,
Até quase caio na tonta ousadia de voltar a crer
Que o Universo é tão sublime tal e qual como o vejo,
Tudo é maravilha quando envolvido em mãos de criança,
Este olhar torna-se pólen voador, sorriso e bola de sabão
De lado para lado nessa tão esporádica e delicada dança,
Tão sincera como a lágrima que lhe delineia o semblante
Que embala o velho para o sonho nesta bonita canção
E que à chegada ambos acomoda dentro do viandante.
À Brisa e ao Mar: (Em Maresia) Pintando Escadarias para o Céu
Aqueles eram os tempos do não olhar para trás
Deslizávamos distraídos atrás do candor da maré,
Nossos lábios entre o azul e o vermelho eram lilás
Tolhidos pelas suaves ondas contudo em tal banzé
Que Deus era através de nós e nós éramos através dele,
Seguindo o Sol fazendo escadarias para o horizonte
Poucos percebiam o precioso sorriso que era daquele
Instante cativo e que de resto era a nascença da fonte,
Vinham as planícies, os vales, as montanhas e os penhascos
O viandante apenas era quando a brisa se reflectia no rosto
Cujo melífluo sabor preservava num multicolorido frasco…
Para tragar pela viagem e para beber o outrora eclipsado,
A berma da estrada para a cabeça era aprazível encosto,
Para sorrir e chorar às pegadas, para sustentar o ansiado.
Deslizávamos distraídos atrás do candor da maré,
Nossos lábios entre o azul e o vermelho eram lilás
Tolhidos pelas suaves ondas contudo em tal banzé
Que Deus era através de nós e nós éramos através dele,
Seguindo o Sol fazendo escadarias para o horizonte
Poucos percebiam o precioso sorriso que era daquele
Instante cativo e que de resto era a nascença da fonte,
Vinham as planícies, os vales, as montanhas e os penhascos
O viandante apenas era quando a brisa se reflectia no rosto
Cujo melífluo sabor preservava num multicolorido frasco…
Para tragar pela viagem e para beber o outrora eclipsado,
A berma da estrada para a cabeça era aprazível encosto,
Para sorrir e chorar às pegadas, para sustentar o ansiado.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Ao Sono: Pois Permite a Concretização do Sonhado
O recosto da almofada dá este dia por acabado...
Assim cedi, eventualmente sendo pela alvorada
Entre o despertar e o acordar então retratado
A pinceis suaves e borrões de sulcos da estrada
Que tudo me dão e que neste ir nunca dão nada,
Há portanto de aproveitar a brisa desta paisagem,
Respirá-la, senti-la e sê-la por onde ela for levada,
Da alta e baixa sou e faço parte tal como a folhagem
Que esvoaça e é pisada porém de vista no horizonte
Vale sempre a pena, vale sempre a pena quando se é
Pois o tudo e nada são irmãos que precisam de ponte
Para tudo o que é e certamente foi e talvez um dia seja
Em mim… sempre enfrentando o céu e o abismo até
Que durma… Perceba o porquê… e que enfim Veja.
Assim cedi, eventualmente sendo pela alvorada
Entre o despertar e o acordar então retratado
A pinceis suaves e borrões de sulcos da estrada
Que tudo me dão e que neste ir nunca dão nada,
Há portanto de aproveitar a brisa desta paisagem,
Respirá-la, senti-la e sê-la por onde ela for levada,
Da alta e baixa sou e faço parte tal como a folhagem
Que esvoaça e é pisada porém de vista no horizonte
Vale sempre a pena, vale sempre a pena quando se é
Pois o tudo e nada são irmãos que precisam de ponte
Para tudo o que é e certamente foi e talvez um dia seja
Em mim… sempre enfrentando o céu e o abismo até
Que durma… Perceba o porquê… e que enfim Veja.
Truz-truz-truz: ... Assentado
Este sono é pertença entre pálpebras semicerradas
Onde os cantos das paredes escutam as confidências
Feitas ao rosto da lua quando só a lua nova é escada
Para o sublime pincelado onde se esboçam as ausências
De quem por lá passou e ora as desceu ou então as subiu,
Deixado para trás ficou o aqui neste ténue almejo suspirado,
O sonhado concretizado que este olhar um belo outrora viu,
Gentil e suave, como batidas sobre o caixão levemente baixado
Truz… truz… truz… seu semblante é neste tão formoso sorriso
Chorado por diferentes segundos alguém num dia já percorrido
E tornado passado em tal rapidez através do meandro indeciso
Que por vezes até duvido que a Vida tenha realmente acontecido…
Vem sono, traz-me o Sonho, da sua concretização ainda preciso
Pois o ser na Vida para um dia beijar bem a morte assim faz sentido.
Onde os cantos das paredes escutam as confidências
Feitas ao rosto da lua quando só a lua nova é escada
Para o sublime pincelado onde se esboçam as ausências
De quem por lá passou e ora as desceu ou então as subiu,
Deixado para trás ficou o aqui neste ténue almejo suspirado,
O sonhado concretizado que este olhar um belo outrora viu,
Gentil e suave, como batidas sobre o caixão levemente baixado
Truz… truz… truz… seu semblante é neste tão formoso sorriso
Chorado por diferentes segundos alguém num dia já percorrido
E tornado passado em tal rapidez através do meandro indeciso
Que por vezes até duvido que a Vida tenha realmente acontecido…
Vem sono, traz-me o Sonho, da sua concretização ainda preciso
Pois o ser na Vida para um dia beijar bem a morte assim faz sentido.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Por Mundos e Mundos Pt. II: Aonde a Brisa ou a Tormenta o Levar
Através da vista onde ainda a trago, revisto a vida,
Seu reflexo é óbvio no sincero beijar do beija-flor
Que traz o coração à flor, dá-lhe cor e à despedida
Não pergunta se deu ou recebeu pois ambos são amor,
A brisa é a passageira por onde ele esvoaça alado,
Há mundos e mundos todavia apenas um beijar,
Ao vê-lo no ar dá para apontar o rasto deixado
Onde rodopia e parte pois ainda não aprendeu a ficar,
De instantes vem a espera, o esvoaçar e a nova partida,
Para esquecer as gotas do tempo que bebia outrora
Fazia por deslembrar aquelas três palavras na Vida,
Tentava e estrebuchava, tentava e cambaleava torto,
Ferido, compreendia tudo, percebia todos e à demora
Do tempo o mundo não passava e ele tombava morto.
Seu reflexo é óbvio no sincero beijar do beija-flor
Que traz o coração à flor, dá-lhe cor e à despedida
Não pergunta se deu ou recebeu pois ambos são amor,
A brisa é a passageira por onde ele esvoaça alado,
Há mundos e mundos todavia apenas um beijar,
Ao vê-lo no ar dá para apontar o rasto deixado
Onde rodopia e parte pois ainda não aprendeu a ficar,
De instantes vem a espera, o esvoaçar e a nova partida,
Para esquecer as gotas do tempo que bebia outrora
Fazia por deslembrar aquelas três palavras na Vida,
Tentava e estrebuchava, tentava e cambaleava torto,
Ferido, compreendia tudo, percebia todos e à demora
Do tempo o mundo não passava e ele tombava morto.
Há Mundos e Mundos: Porém Apenas Um Beijo do Petiz Beija-Flor
“Olá, Eu Amo-Vos, Adeus”: quando o dia termina
Soluços pendem aquelas palavras e frases inauditas,
São nos restos fragmentados que ofuscam a lamparina
Que se prostra de joelhos a vida face às horas malditas,
Já nem apetece respirar ou escutar o bater do coração,
A criança que catraiava jaz neste seu vil silêncio interior,
Visito-a por vezes nos riachos onde tento dar-lhe a mão
Onde raramente sei se a deixo ir ou a embalo num cobertor,
O beija-flor raramente repara no que é na sua proximidade
Contudo quando beija uma, ela torna-se no seu amor, seu tudo,
A sua saúde por aquele sorriso, das suas lágrimas - a enfermidade
Porém nada, nem este céu em redor delas ou a sua cor são meus
Tenho sempre em mente que a brisa passa por aqui sobretudo
Por isso ao vê-la sempre digo: “Olá, Eu Amo-Vos e Adeus”.
Soluços pendem aquelas palavras e frases inauditas,
São nos restos fragmentados que ofuscam a lamparina
Que se prostra de joelhos a vida face às horas malditas,
Já nem apetece respirar ou escutar o bater do coração,
A criança que catraiava jaz neste seu vil silêncio interior,
Visito-a por vezes nos riachos onde tento dar-lhe a mão
Onde raramente sei se a deixo ir ou a embalo num cobertor,
O beija-flor raramente repara no que é na sua proximidade
Contudo quando beija uma, ela torna-se no seu amor, seu tudo,
A sua saúde por aquele sorriso, das suas lágrimas - a enfermidade
Porém nada, nem este céu em redor delas ou a sua cor são meus
Tenho sempre em mente que a brisa passa por aqui sobretudo
Por isso ao vê-la sempre digo: “Olá, Eu Amo-Vos e Adeus”.
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