O quarto sob o tecto onde vivem estrelas cadentes,
À sua queda e reencontro ora as perco ora me revejo
Numa razão para o Verão quebro o elo aos ausentes,
Vai-se o ruído de fundo, vindo o toque em tal almejo
Que apenas importa a vista acima do topo da colina
Do caminho torneado a ouro pelas crianças do Elísio
Onde Ema, sua irmã, se torna no firmamento bailarina
E as abraça e as beija a dois passos e meio do paraíso,
Calma… Suave ouço daqui a canção do querubim
Doce e lentamente quedando-se no cimo da pestana
Adormecendo o meramente humano que há em mim,
Sublime passa diagonalmente de mim pela persiana
Sendo no que é lá fora, relembrando naquele chinfrim
Que quando a Beleza é tão bela deixa de ser humana
(… Torna-se Amor).
Blog de um músico e poeta português onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
O Quarto Sob o Tecto Pt. II: Ao Saber Pelo Que Viver e Dar a Vida
Os heróis nascem quando sabem pelo que morrer
Da bruma da sua queda vem a póstuma inspiração
Que dá vista a quem não conseguia sequer se ver
Quanto mais obter da Vida uma superior razão,
Do murmúrio áureo aos ouvidos de quem escuta
A arte do jornadear pelo trilho dos deuses é opção,
Pois antes do aceitar há uma imensa e infindável luta
Culminando no saber quem somos e à sua aceitação
Vão-se as máscaras e aquela noite branca e infinda,
Despertámos do sono sem sonho no distante escaninho
Regressando ao Aqui enquanto o Hoje cá se deslinda
E apesar de preferir viandar acompanhado a ir sozinho
Não temerei a luz ofuscante ou o negro escuro à vinda...
Da vida à morte ambas beijarei, isso aqui e agora sublinho.
Da bruma da sua queda vem a póstuma inspiração
Que dá vista a quem não conseguia sequer se ver
Quanto mais obter da Vida uma superior razão,
Do murmúrio áureo aos ouvidos de quem escuta
A arte do jornadear pelo trilho dos deuses é opção,
Pois antes do aceitar há uma imensa e infindável luta
Culminando no saber quem somos e à sua aceitação
Vão-se as máscaras e aquela noite branca e infinda,
Despertámos do sono sem sonho no distante escaninho
Regressando ao Aqui enquanto o Hoje cá se deslinda
E apesar de preferir viandar acompanhado a ir sozinho
Não temerei a luz ofuscante ou o negro escuro à vinda...
Da vida à morte ambas beijarei, isso aqui e agora sublinho.
O Quarto Sob o Tecto: Do Firmamento Nocturno
Este quarto à noite simplesmente vira recreio
Onde uma lamparina ondeia e fulge entretida
Pelo firmamento do ontem num doce passeio
Enquanto aponto os cantos onde ela é reflectida
Pois pela noite somos todos igualmente belos,
Plácidos à espera do resvalar do que tem sido,
À medida que ela nos passa a mão pelos cabelos
O silêncio ganha a voz que se delineia após o ruído
Da tormenta, a longa estadia nos olhos dos torvelinhos
Que quando vem a acalmia o desterro ermo vira flor
E sorrimos vertidos no tecto já não estando sozinhos
Assim resfolgando lembrando nosso nome e a sua cor
Onde o segundo acontece e nos leva pelos colarinhos,
Aqui pretendo ir para onde quer que o dia seja ou for.
Onde uma lamparina ondeia e fulge entretida
Pelo firmamento do ontem num doce passeio
Enquanto aponto os cantos onde ela é reflectida
Pois pela noite somos todos igualmente belos,
Plácidos à espera do resvalar do que tem sido,
À medida que ela nos passa a mão pelos cabelos
O silêncio ganha a voz que se delineia após o ruído
Da tormenta, a longa estadia nos olhos dos torvelinhos
Que quando vem a acalmia o desterro ermo vira flor
E sorrimos vertidos no tecto já não estando sozinhos
Assim resfolgando lembrando nosso nome e a sua cor
Onde o segundo acontece e nos leva pelos colarinhos,
Aqui pretendo ir para onde quer que o dia seja ou for.
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Poema Refém: Do Segundo Que Não Acontece
Alguns poemas começam assim do inaudito
Sem alguma coisa planeada ou para dizer,
Esse não dito interroga se pode ser um escrito
Ou se será só mais uma linha no bloco a se perder,
Pois há alguns dias que não são bem, bem dias
Porque passam por nós sem algo nos conceder
Para além de uma cinza silente de meia travessia
Que parece nem ser o crepúsculo nem o alvorecer,
Onde não há almofada ou camioneta que valha
Pois o tempo esquece-se de si quando se lembra
Que passa ligeiro e vagaroso ao fio desta navalha
Cuja tácita balada acorda tanto quanto adormece
Neste limbo onde se é o que a ausência relembra
Do sítio que é refém do segundo que não acontece.
Sem alguma coisa planeada ou para dizer,
Esse não dito interroga se pode ser um escrito
Ou se será só mais uma linha no bloco a se perder,
Pois há alguns dias que não são bem, bem dias
Porque passam por nós sem algo nos conceder
Para além de uma cinza silente de meia travessia
Que parece nem ser o crepúsculo nem o alvorecer,
Onde não há almofada ou camioneta que valha
Pois o tempo esquece-se de si quando se lembra
Que passa ligeiro e vagaroso ao fio desta navalha
Cuja tácita balada acorda tanto quanto adormece
Neste limbo onde se é o que a ausência relembra
Do sítio que é refém do segundo que não acontece.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
O Ósculo: Nas Pegadas do Viandante
Deixei o caminho para o que é lá atrás
Pois nele ainda caminho para o que será,
Estas pegadas são o que a nébula aqui traz
Em reflectidos improvisos da supernova cá
Submete-se o mundo ao caminho como lar
O ósculo do viandante ao trilho em passagem
Vê-se nas pegadas dadas, no que soube tocar
No visto e escutado que ainda soa a viagem
E que é tão breve que nem parece acontecer
Porém, serei eu a passar por ela em vislumbre
Ver-me-á ela pelo canto do olho e em parecer
Espero que tenha sido a doce, doce distracção
Pois neste intervalo sou arrojado ao deslumbre
Que é o Amor partilhado até ao assentar do caixão.
Pois nele ainda caminho para o que será,
Estas pegadas são o que a nébula aqui traz
Em reflectidos improvisos da supernova cá
Submete-se o mundo ao caminho como lar
O ósculo do viandante ao trilho em passagem
Vê-se nas pegadas dadas, no que soube tocar
No visto e escutado que ainda soa a viagem
E que é tão breve que nem parece acontecer
Porém, serei eu a passar por ela em vislumbre
Ver-me-á ela pelo canto do olho e em parecer
Espero que tenha sido a doce, doce distracção
Pois neste intervalo sou arrojado ao deslumbre
Que é o Amor partilhado até ao assentar do caixão.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Trago Comigo: Todos Os Que Me Tocaram
Toda a beleza que tenho aqui visto
Tenho partilhado com os chegados
E eles também se têm observado nisto
Pois a beleza é de todos nela revelados,
Tenho desejado o premente não desejar,
Insano e ofegante em busca do retorno,
Quão indesejável é esse sentido, este lugar
Onde o mundo pára e o usa como adorno,
Acreditai, estes versos não são de todo meus,
São os escritos dos lugares e de quem lá passou
E ao se ver nela reflectido fugiu ou ora por cá ficou
Por vezes sem um obrigado ou sequer um adeus
Porém nesta passagem entre Orfeu e Prometeus
Agradeço os beijos e feridas naquilo que aqui sou.
… e do resto?… do resto o que fica será um dia no que restou.
Tenho partilhado com os chegados
E eles também se têm observado nisto
Pois a beleza é de todos nela revelados,
Tenho desejado o premente não desejar,
Insano e ofegante em busca do retorno,
Quão indesejável é esse sentido, este lugar
Onde o mundo pára e o usa como adorno,
Acreditai, estes versos não são de todo meus,
São os escritos dos lugares e de quem lá passou
E ao se ver nela reflectido fugiu ou ora por cá ficou
Por vezes sem um obrigado ou sequer um adeus
Porém nesta passagem entre Orfeu e Prometeus
Agradeço os beijos e feridas naquilo que aqui sou.
… e do resto?… do resto o que fica será um dia no que restou.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Palavras Pequenas?: A Viver a Vida de um Poeta
Sim… Sim morrerei de pé e de olhos abertos,
E ao seu abraço saberei o que é a solidão,
Adeus querida luzência de fulgores incertos
Parto sem destino à passagem da estação…
Por tanto ter corrido o mundo não esperou,
Por tanto tudo e nada ter e ter tanto querido
Parte tenho sido em torno do que não restou,
Almejo sem pensar e chego sem ter partido…
Porém por vezes sim, aconteço na pertença
Que é do momento e do momento apenas
E nesse belo, belo instante a cruel sentença
Que adorna e fere no brilho destes diademas
(Amor…) beijai-me as pálpebras e reaviai-me a crença
Deixemos o mundo ir, tornemos as horas plenas.
E ao seu abraço saberei o que é a solidão,
Adeus querida luzência de fulgores incertos
Parto sem destino à passagem da estação…
Por tanto ter corrido o mundo não esperou,
Por tanto tudo e nada ter e ter tanto querido
Parte tenho sido em torno do que não restou,
Almejo sem pensar e chego sem ter partido…
Porém por vezes sim, aconteço na pertença
Que é do momento e do momento apenas
E nesse belo, belo instante a cruel sentença
Que adorna e fere no brilho destes diademas
(Amor…) beijai-me as pálpebras e reaviai-me a crença
Deixemos o mundo ir, tornemos as horas plenas.
Confidências à Lua: Sobre a Espera da Metade
Gentil Lua, encontra-nos no Sol em breve,
Vinde a mim meu doce e eterno Amor,
Retocai de novo este doído peito de leve
Pintai-o a sonhos que lembrem vosso sabor,
Esperarei uma eternidade se tal for preciso
Desde que nosso reencontro aconteça
Sereis então o sorriso dentro deste sorriso
Pela infinda espera tê-la-ei como travessa,
Deixarei de temer a sombra da noite infinda,
Pois convosco comigo será tão mas tão breve
Então vinde doce Amor, a noite vai cedo ainda
E eis que escuto suas palavras cantadas que sigo
E do reencontro que o coração ainda se atreve
Deixei-a para trás pois a ela trago-a ainda comigo.
Vinde a mim meu doce e eterno Amor,
Retocai de novo este doído peito de leve
Pintai-o a sonhos que lembrem vosso sabor,
Esperarei uma eternidade se tal for preciso
Desde que nosso reencontro aconteça
Sereis então o sorriso dentro deste sorriso
Pela infinda espera tê-la-ei como travessa,
Deixarei de temer a sombra da noite infinda,
Pois convosco comigo será tão mas tão breve
Então vinde doce Amor, a noite vai cedo ainda
E eis que escuto suas palavras cantadas que sigo
E do reencontro que o coração ainda se atreve
Deixei-a para trás pois a ela trago-a ainda comigo.
Por Janelas de Vidros Azuis Pt. VIII: Ao Caminho Como Morada
Olhando para fora caí para o dentro profundo,
Aproximaram-se os aventesmas da longa estrada
E a vida e a morte revi e senti somente num segundo,
Dei-lhes a mão… por ambos a alma ficou enamorada,
Eis que o sono sem sonho cessou perante esta sede,
Insaciável e interminável sobre e sob este tudo e nada
Incontidos pelo sufocante cinzento destas seis paredes
Aventuro-me a fazer do caminho minha única morada
Que a última maré este ósculo enfim e finalmente sustenha,
Pois digo-vos do fundo da fornalha desta ardente alma:
Não há nada nem ninguém que a contenha,
Nem vós meus ternos e demasiados amores o fareis,
Hoje serei no que o ontem deixou nestas palmas
Revivam-me e matem-me mas o sonho não me tireis!
Aproximaram-se os aventesmas da longa estrada
E a vida e a morte revi e senti somente num segundo,
Dei-lhes a mão… por ambos a alma ficou enamorada,
Eis que o sono sem sonho cessou perante esta sede,
Insaciável e interminável sobre e sob este tudo e nada
Incontidos pelo sufocante cinzento destas seis paredes
Aventuro-me a fazer do caminho minha única morada
Que a última maré este ósculo enfim e finalmente sustenha,
Pois digo-vos do fundo da fornalha desta ardente alma:
Não há nada nem ninguém que a contenha,
Nem vós meus ternos e demasiados amores o fareis,
Hoje serei no que o ontem deixou nestas palmas
Revivam-me e matem-me mas o sonho não me tireis!
Quatro Estações: Apenas Num Dia
Quatro estações contidas apenas num dia
Certo como a ténue linha que as separa
Mera cortina de bruma, meio toque de magia
Aqui acentuados nas expressões desta cara!
Sucedem-se as lágrimas alternadas por riso,
Crescem as flores e quedam-se as folhas
E para todos estes instantes de pontes preciso
Para alumiar e escurecer o trilho das escolhas
Pois sou recipiente para o acontecimento,
Quer no espaço ocupado como no vazio,
Legado para quem no simples tem testamento
Por isso ora corro, ora aluo no infindável sono
Que é o sonho despertado a quente e a frio,
Para mim, o rei sem coroa do reino sem trono.
Certo como a ténue linha que as separa
Mera cortina de bruma, meio toque de magia
Aqui acentuados nas expressões desta cara!
Sucedem-se as lágrimas alternadas por riso,
Crescem as flores e quedam-se as folhas
E para todos estes instantes de pontes preciso
Para alumiar e escurecer o trilho das escolhas
Pois sou recipiente para o acontecimento,
Quer no espaço ocupado como no vazio,
Legado para quem no simples tem testamento
Por isso ora corro, ora aluo no infindável sono
Que é o sonho despertado a quente e a frio,
Para mim, o rei sem coroa do reino sem trono.
Aos Querubins: As Mazurcas e o Ósculo
Na companhia de querubins além do véu do sonho,
Tão alto vivem que a névoa da terra não os alcança
E ao seu lado tenho esvoaçado tão alado e risonho
Com a espontaneidade do olhar de uma criança,
Assim nem pesam nas asas outros dias de melancolia,
Errante pelas nuvens sobre e através da luz indecisa
Aqui vão-se as noites brancas que são no dia a dia,
Aqui há oxigénio e beleza para o que a Alma precisa,
Lá de cima isto parece-se com becos premeditados,
Eu, aprendiz a Deus, só pretendo ser nesta pluma
O poema audaz e as mãos e os dedos esticados
De quem sonha e as retorna do sonho uma a uma,
Visão a visão, por crianças querubins osculados,
Trarei para cá esse abraço e o que ele perfuma.
Tão alto vivem que a névoa da terra não os alcança
E ao seu lado tenho esvoaçado tão alado e risonho
Com a espontaneidade do olhar de uma criança,
Assim nem pesam nas asas outros dias de melancolia,
Errante pelas nuvens sobre e através da luz indecisa
Aqui vão-se as noites brancas que são no dia a dia,
Aqui há oxigénio e beleza para o que a Alma precisa,
Lá de cima isto parece-se com becos premeditados,
Eu, aprendiz a Deus, só pretendo ser nesta pluma
O poema audaz e as mãos e os dedos esticados
De quem sonha e as retorna do sonho uma a uma,
Visão a visão, por crianças querubins osculados,
Trarei para cá esse abraço e o que ele perfuma.
Sobre o Rasto Cadente : … E Essa É a Verdade
Tal estrela cadente é o rasto atrás deixado
Que perdura o suficiente para ornar o céu
E que em breves instantes se torna passado
Por isso que estrela ousaria chamá-lo de seu?
Olha-as e vê-as nessa sua graciosa queda
Somos todos irmãos ligados pelo firmamento,
Quer no trilho eleito quer no atirar da moeda
Logo relevante e não importante é cada momento,
Juntos, são eles que deixam o rasto dourado,
Portanto cintilem e fuljam com toda a intensidade
Sois vós que embelezais este páramo amado
E de todas essa é a maior, maior verdade:
Escolher nossa cor e remeter-nos ao trilho ansiado,
Não são as estrelas… é a nossa própria cor a cara-metade…
Que perdura o suficiente para ornar o céu
E que em breves instantes se torna passado
Por isso que estrela ousaria chamá-lo de seu?
Olha-as e vê-as nessa sua graciosa queda
Somos todos irmãos ligados pelo firmamento,
Quer no trilho eleito quer no atirar da moeda
Logo relevante e não importante é cada momento,
Juntos, são eles que deixam o rasto dourado,
Portanto cintilem e fuljam com toda a intensidade
Sois vós que embelezais este páramo amado
E de todas essa é a maior, maior verdade:
Escolher nossa cor e remeter-nos ao trilho ansiado,
Não são as estrelas… é a nossa própria cor a cara-metade…
… O Reencontro: E Estou Enfim em Casa.
Envolto em seu abraço estou em casa
Neste terno chegar torno-me menino
E pluma esvoejando de asa em asa
Vagueando os confins do sonho coralino,
Dos outros encontrei algumas certezas
Não importa o seu elogio ou desdém
Pois surgem em esperadas surpresas
Mas será que de suas paredes sou refém?
Podem passar estações no tempo enquanto,
Pois de repente, de repente sou no repente
Súbito que é neste nosso mais que tanto
Que não é posse mas é em quem o sente
E que bom é sentir o lar neste entretanto,
Adormece-me Amor, estou em casa… em casa para sempre.
Neste terno chegar torno-me menino
E pluma esvoejando de asa em asa
Vagueando os confins do sonho coralino,
Dos outros encontrei algumas certezas
Não importa o seu elogio ou desdém
Pois surgem em esperadas surpresas
Mas será que de suas paredes sou refém?
Podem passar estações no tempo enquanto,
Pois de repente, de repente sou no repente
Súbito que é neste nosso mais que tanto
Que não é posse mas é em quem o sente
E que bom é sentir o lar neste entretanto,
Adormece-me Amor, estou em casa… em casa para sempre.
O Espelho: Limpando o Ser que É
Limpando a pele do espelho com sabão de rosa,
Brusca e suavemente até nele por fim me ver
Pois sou um breve poema e não uma longa prosa
Que no espelho o tempo e espaço ditam neste ser,
Olvido as lembranças ainda não concretizadas,
Esqueço os anseios ao que é para lá do distante,
Do rasto o bom e o menos tenho tido como amadas
Que se reflectem no espelho e no caminho adiante,
Espelho, extingue também este perfume feminino
Que perdura tanto que é parte cativa do caminho
Porém só anseio um Amor, apenas um destino,
Este espelho aconteceu para pela bruma ser quebrado,
Até o sujo e limpo que tem será e voltará um dia ao divino
Que seja areia então sob a espuma do mar já navegado.
Brusca e suavemente até nele por fim me ver
Pois sou um breve poema e não uma longa prosa
Que no espelho o tempo e espaço ditam neste ser,
Olvido as lembranças ainda não concretizadas,
Esqueço os anseios ao que é para lá do distante,
Do rasto o bom e o menos tenho tido como amadas
Que se reflectem no espelho e no caminho adiante,
Espelho, extingue também este perfume feminino
Que perdura tanto que é parte cativa do caminho
Porém só anseio um Amor, apenas um destino,
Este espelho aconteceu para pela bruma ser quebrado,
Até o sujo e limpo que tem será e voltará um dia ao divino
Que seja areia então sob a espuma do mar já navegado.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
A Ema XI: Através das Noites Brancas
Noites brancas, insones pelo escuro errante,
Velando o rosto que é apenas em lembrança,
Pelos luares enamorados das estrelas sou amante
E eis que a vejo, perdida na sua delicada dança,
Ema, Ema! Reflecte-me num teu leve poema
Olha e vê-me neste percurso do ido viajante
Onde nada atemoriza nem há nada que tema
Para além de quem anseio perto mas está distante,
Não obstante, sorrio às sombras desta agridoce sorte
E deslizam elas ao monte num próximo envolver,
Nem sei se elas sabem a vida ou se são a morte
Porém são querença neste não saber bem o que querer,
E enfim aproxima-se a alvorada, não vás, não vás!
Olho e vejo-a através destes olhos de criança,
Tenho tantas saudades, não me deixes para trás…
Por favor… adormece-me nessa tua bela dança
Que dá alento ao moribundo e lhe retorna paz,
Vem então no dia, assim a noite branca descansa.
Velando o rosto que é apenas em lembrança,
Pelos luares enamorados das estrelas sou amante
E eis que a vejo, perdida na sua delicada dança,
Ema, Ema! Reflecte-me num teu leve poema
Olha e vê-me neste percurso do ido viajante
Onde nada atemoriza nem há nada que tema
Para além de quem anseio perto mas está distante,
Não obstante, sorrio às sombras desta agridoce sorte
E deslizam elas ao monte num próximo envolver,
Nem sei se elas sabem a vida ou se são a morte
Porém são querença neste não saber bem o que querer,
E enfim aproxima-se a alvorada, não vás, não vás!
Olho e vejo-a através destes olhos de criança,
Tenho tantas saudades, não me deixes para trás…
Por favor… adormece-me nessa tua bela dança
Que dá alento ao moribundo e lhe retorna paz,
Vem então no dia, assim a noite branca descansa.
Brinde ao Final Feliz: E às Viagens e Cais do Barquinho
Brinde ao final feliz e que este esteja enfim próximo
Nesta celebração ao que acontece de bonito,
Seja ao que preenche o plenário do coração
Ou o aflija e pise pois nisso também acredito,
Ligeiro vai o barquinho sempre e sempre adiante
E o caminho é o que lhe vai dando a sua cor,
Não importa se o trajecto é certo ou errante
Importa sim que os seus cais apeiem em Amor,
Um dia navegado levantar-se-à o seu véu
No límpido azul-marinho sendo reflectido
Sem dúvida ou qualquer outro sentido
De que esse fui sempre e sempre serei eu,
Só naufragarei se pouco fundas forem as raízes
Plantadas e cultivadas ao longo do caminho
Pela tempestade e calmaria virão mil matizes
Pois ao cair da maré a estrada será o regaço
Retocando as cores do casco do barquinho
Sustendo a queda adormecer-me-à em seus braços.
Nesta celebração ao que acontece de bonito,
Seja ao que preenche o plenário do coração
Ou o aflija e pise pois nisso também acredito,
Ligeiro vai o barquinho sempre e sempre adiante
E o caminho é o que lhe vai dando a sua cor,
Não importa se o trajecto é certo ou errante
Importa sim que os seus cais apeiem em Amor,
Um dia navegado levantar-se-à o seu véu
No límpido azul-marinho sendo reflectido
Sem dúvida ou qualquer outro sentido
De que esse fui sempre e sempre serei eu,
Só naufragarei se pouco fundas forem as raízes
Plantadas e cultivadas ao longo do caminho
Pela tempestade e calmaria virão mil matizes
Pois ao cair da maré a estrada será o regaço
Retocando as cores do casco do barquinho
Sustendo a queda adormecer-me-à em seus braços.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Eu Fui: Em Busca Pelo Regresso
A busca pelo regresso é o próprio rumo
Doce e lentamente procurando o ficar
Que já não deve estar longe presumo
Pois o longe sou eu na ausência de ar,
Asfixiantes são os contornos das paredes,
Deixadas para trás quando tento ser perto
Do rio que sacia e esfaima em mil sedes
Porém por ela… vulnerável e peito aberto,
Eu… que a viagem se sirva do que partilho,
Este tudo e nada que anseio e tanto evito
Todavia confere a verdadeira cor ao trilho
Pois das vistas vistas faço do dito o inaudito
Olhem, vejam e sejam quem do céu é filho
O regresso sempre esteve nas estrelas escrito.
Doce e lentamente procurando o ficar
Que já não deve estar longe presumo
Pois o longe sou eu na ausência de ar,
Asfixiantes são os contornos das paredes,
Deixadas para trás quando tento ser perto
Do rio que sacia e esfaima em mil sedes
Porém por ela… vulnerável e peito aberto,
Eu… que a viagem se sirva do que partilho,
Este tudo e nada que anseio e tanto evito
Todavia confere a verdadeira cor ao trilho
Pois das vistas vistas faço do dito o inaudito
Olhem, vejam e sejam quem do céu é filho
O regresso sempre esteve nas estrelas escrito.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Ao Transitório: Porquê Tão Sério?
Os passos já conferidos sabem dos vultos em lampejo
Que eram eu sob as sombras dos edifícios como herança
Do ido só guardo o chão que piso e o céu que almejo
E esse pedaço de caminho é o que dá alento à esperança,
Sei ora que há que cultivar a arte do desprendimento,
Até o que fica aqui hoje um dia será apenas em incerteza,
Pouco tempo há para deixar passar o instante do momento
Porém não será esta transitoriedade que dá ao trilho beleza?
Acolho esses fragmentos em ósculos ao fundo da algibeira
Trago-os por onde o Sol nasce e o fim do mundo se principia
E em mente tudo é sagrado, tudo é utopia, tudo é brincadeira
Que arde no peito e atormenta a alma que em louco devaneio urdo,
Por isso ora fico ora fujo, por isso corro inverso à menor maioria
Pois alcancei uma verdade: que do tão, tão sério há tanto e tanto absurdo.
Que eram eu sob as sombras dos edifícios como herança
Do ido só guardo o chão que piso e o céu que almejo
E esse pedaço de caminho é o que dá alento à esperança,
Sei ora que há que cultivar a arte do desprendimento,
Até o que fica aqui hoje um dia será apenas em incerteza,
Pouco tempo há para deixar passar o instante do momento
Porém não será esta transitoriedade que dá ao trilho beleza?
Acolho esses fragmentos em ósculos ao fundo da algibeira
Trago-os por onde o Sol nasce e o fim do mundo se principia
E em mente tudo é sagrado, tudo é utopia, tudo é brincadeira
Que arde no peito e atormenta a alma que em louco devaneio urdo,
Por isso ora fico ora fujo, por isso corro inverso à menor maioria
Pois alcancei uma verdade: que do tão, tão sério há tanto e tanto absurdo.
A Ema X: Ela Era o Hoje em Mim
Hoje acontece! De repente do tarde fez-se cedo
Então procurava por ela como por mim procurava,
Através dos dias as noites eram delineadas a dedo,
Aquele que o olhar aponta, o resto então não bastava
Para retornar a fulgência estelar para o único olhar
Que de facto a via, espreitando pelo canto do sorriso
Porque para mim era o único a reflectir este ledo sonhar
O resto ia e raramente ficava pois o tempo é tão impreciso,
Porém ela, ela via-me e beijava-me na e através da vista,
Ao tê-la fazia-me crer na maravilha, no divino e na magia
Que eram somente nossos sob o firmamento de cor ametista
E delicadamente lá do alto escrevia-se em mim em poesia
A rascunhos feitos de segundos nesta fulgência imprevista…
Era assim que o hoje era nos dias e ela em mim acontecia.
Então procurava por ela como por mim procurava,
Através dos dias as noites eram delineadas a dedo,
Aquele que o olhar aponta, o resto então não bastava
Para retornar a fulgência estelar para o único olhar
Que de facto a via, espreitando pelo canto do sorriso
Porque para mim era o único a reflectir este ledo sonhar
O resto ia e raramente ficava pois o tempo é tão impreciso,
Porém ela, ela via-me e beijava-me na e através da vista,
Ao tê-la fazia-me crer na maravilha, no divino e na magia
Que eram somente nossos sob o firmamento de cor ametista
E delicadamente lá do alto escrevia-se em mim em poesia
A rascunhos feitos de segundos nesta fulgência imprevista…
Era assim que o hoje era nos dias e ela em mim acontecia.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Tudo e Nada Pt. II: Desde que Aconteça
Tudo e nada, não me importa mais desde que aconteça,
Honrarei os insanos, glorificarei os poetas num folegar,
Não serei a hipótese - serei! Desde que o céu enalteça
Largando um trilho de fogo ornado a água no olhar
Da estória, serei espectador e sobretudo protagonista
Sempre, duvidando sempre do seu próprio acontecer
Pois alguns não nasceram para ter a cinza como vista
Nasceram para ver o azul do céu e as árvores crescer,
O resto desconsidera o tudo e nada que traja o trilho
E esse trilho é o legado das estrelas num belo soneto
Que jamais olvidarei pois do Elísio ainda sou filho…
E que saudades tenho do lar e daquelas imensas asas
Que num movimento viam mais pelo onírico coreto
Do que eu no tempo daqui, sim terrestre… o Divino atrasas.
Honrarei os insanos, glorificarei os poetas num folegar,
Não serei a hipótese - serei! Desde que o céu enalteça
Largando um trilho de fogo ornado a água no olhar
Da estória, serei espectador e sobretudo protagonista
Sempre, duvidando sempre do seu próprio acontecer
Pois alguns não nasceram para ter a cinza como vista
Nasceram para ver o azul do céu e as árvores crescer,
O resto desconsidera o tudo e nada que traja o trilho
E esse trilho é o legado das estrelas num belo soneto
Que jamais olvidarei pois do Elísio ainda sou filho…
E que saudades tenho do lar e daquelas imensas asas
Que num movimento viam mais pelo onírico coreto
Do que eu no tempo daqui, sim terrestre… o Divino atrasas.
Tudo e Nada: Hoje e Aqui Acontece
Não há mais tempo para estes lugares
Pois estes lugares ainda não têm espaço,
O espaço entre nós é brisa entre passares
Que pelos luares se revêem no compasso,
Reiniciando o círculo, endireitando o passo
Dado em cada beijo e lágrima ao caminho
Sim, sou sozinho e o coração apenas pedaço
Do que outrora foi e um dia será no torvelinho,
Lá haverá pouco espaço e enfim a ansiada paz,
Este resto é cansaço e força em Vida e na Morte
Que em mim trago para a frente e deixo para trás,
Os lugares têm tempo e espaço no que a beleza tece
Simples, pequenos e verticais, entre o azar e a sorte
Que venham e sejam aqui no que for… Hoje acontece!
Pois estes lugares ainda não têm espaço,
O espaço entre nós é brisa entre passares
Que pelos luares se revêem no compasso,
Reiniciando o círculo, endireitando o passo
Dado em cada beijo e lágrima ao caminho
Sim, sou sozinho e o coração apenas pedaço
Do que outrora foi e um dia será no torvelinho,
Lá haverá pouco espaço e enfim a ansiada paz,
Este resto é cansaço e força em Vida e na Morte
Que em mim trago para a frente e deixo para trás,
Os lugares têm tempo e espaço no que a beleza tece
Simples, pequenos e verticais, entre o azar e a sorte
Que venham e sejam aqui no que for… Hoje acontece!
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Por Janelas de Vidros Azuis Pt. VII: A Poeira no Presente
Tão estranha, esta busca pelo regresso,
Partindo de casa procurando o doce lar,
Pela vista da janela nas vidraças tropeço
Convidando a poeira do tempo pelo olhar,
Esquecendo o nome do sentir que se atreve
A contar a cor do sonhar em seus porquês
Eis que ao acontecer que o céu se enleve
Pois aqui de repente… passa a brisa e talvez
Nem a sinta como sinto ou como já fez sentido,
Tenho visto esses sentires de cima para baixo
Até esse ver enfim ser pela calçada acolhido,
Do visto o claro tornou-se então transparente
Tudo passa pela busca que é poeira no tempo,
Aceitando-a serei o pó ido aqui, neste presente.
(...e finalmente... Finalmente).
Partindo de casa procurando o doce lar,
Pela vista da janela nas vidraças tropeço
Convidando a poeira do tempo pelo olhar,
Esquecendo o nome do sentir que se atreve
A contar a cor do sonhar em seus porquês
Eis que ao acontecer que o céu se enleve
Pois aqui de repente… passa a brisa e talvez
Nem a sinta como sinto ou como já fez sentido,
Tenho visto esses sentires de cima para baixo
Até esse ver enfim ser pela calçada acolhido,
Do visto o claro tornou-se então transparente
Tudo passa pela busca que é poeira no tempo,
Aceitando-a serei o pó ido aqui, neste presente.
(...e finalmente... Finalmente).
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
À Partida: Vejam e Beijem-me no Olhar
Ao partir tentar-me-ão colocar num oco recipiente,
Seja ele feito dos segundos por mim passados
Ou das palavras deixadas ao vernáculo da gente,
Mas saberão eles dos momentos por mim amados
Em atentos escutares e veres sob as pisadas do vadio?
Não, honrar-me-ão com epitáfios de saudosas elegias
Por nomes nas ruas e estátuas olhando de olhar vazio
As longas palestras sobre nada porém em tais quantias
Que não preencherão nem o mais fraco e ínfimo ansiar
Num recipiente que não conterá estas asas aladas,
Onde serão apenas o resto daquilo que não soube voar
Pois as nossas pegadas devem fazer a breve distinção
Entre o imprescindível para as diferentes caminhadas
E aquelas coisas que não preenchem o pleno do coração.
Seja ele feito dos segundos por mim passados
Ou das palavras deixadas ao vernáculo da gente,
Mas saberão eles dos momentos por mim amados
Em atentos escutares e veres sob as pisadas do vadio?
Não, honrar-me-ão com epitáfios de saudosas elegias
Por nomes nas ruas e estátuas olhando de olhar vazio
As longas palestras sobre nada porém em tais quantias
Que não preencherão nem o mais fraco e ínfimo ansiar
Num recipiente que não conterá estas asas aladas,
Onde serão apenas o resto daquilo que não soube voar
Pois as nossas pegadas devem fazer a breve distinção
Entre o imprescindível para as diferentes caminhadas
E aquelas coisas que não preenchem o pleno do coração.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Entre Nossos Olhares: O Rio Que Sacia e Esfaima
Permaneci quieto apenas para que pensásseis,
Que pensásseis que o meu coração tinha parado
Pois há quem não soubesse ou até que esperasse
Que esse tal desfecho fosse realmente o esperado,
Ali, o seu olhar já não me olhava simplesmente,
Agora ele reflectia todas as cores cativas deste,
Para a foz das órbitas o dela era a sua nascente
E seu olhar meu Ver através do rio azul-celeste
Que era apenas nosso porém não como pertença,
Para além de dois num latejar a dois apressado,
Era sim propriedade do Tempo e nele a sentença
Pois nessa certeza vinha o para sempre quebrado
Do rio que sacia e esfaima que nem insanável doença
E que é temporária posse de quem o bebe apaixonado.
Que pensásseis que o meu coração tinha parado
Pois há quem não soubesse ou até que esperasse
Que esse tal desfecho fosse realmente o esperado,
Ali, o seu olhar já não me olhava simplesmente,
Agora ele reflectia todas as cores cativas deste,
Para a foz das órbitas o dela era a sua nascente
E seu olhar meu Ver através do rio azul-celeste
Que era apenas nosso porém não como pertença,
Para além de dois num latejar a dois apressado,
Era sim propriedade do Tempo e nele a sentença
Pois nessa certeza vinha o para sempre quebrado
Do rio que sacia e esfaima que nem insanável doença
E que é temporária posse de quem o bebe apaixonado.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Aquela Voz Seremos Pt. III: Nosso Jardim ao Luar
Naquela noite a lua escorria-lhe gentil pelos dedos
Anónima e fulgente através da calçada do vento,
Eu perseguia sua sombra através dos arvoredos
Que eram a noite aberta, este olhar pelo relento,
Parecendo a abóboda celeste a pulsar em mim,
Aquela era a noite em que o seu olhar era luar
A única luz que realçava a silhueta deste jardim
Que poderia ser o eterno sono ou o único acordar,
Lá eu era o entretanto entre os Invernos e Verões
Pretendendo tudo e nada sem ceder a meios-termos
E por sempres e nuncas por mim passavam as estações
Que eram o Tempo enfim retocando de leve esta janela
Recordando as vezes que vagueei pelos povoados e ermos
E quanto a beleza daquele jardim era tal como eu a via… Bela.
Anónima e fulgente através da calçada do vento,
Eu perseguia sua sombra através dos arvoredos
Que eram a noite aberta, este olhar pelo relento,
Parecendo a abóboda celeste a pulsar em mim,
Aquela era a noite em que o seu olhar era luar
A única luz que realçava a silhueta deste jardim
Que poderia ser o eterno sono ou o único acordar,
Lá eu era o entretanto entre os Invernos e Verões
Pretendendo tudo e nada sem ceder a meios-termos
E por sempres e nuncas por mim passavam as estações
Que eram o Tempo enfim retocando de leve esta janela
Recordando as vezes que vagueei pelos povoados e ermos
E quanto a beleza daquele jardim era tal como eu a via… Bela.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Aquela Voz Pt. II: Ao Envolver do Vento
Esta é uma mensagem em tálamo empoeirado:
“Penso sentir saudade da passagem do verão,
Do desejo ansiado porém ainda inalcançado
De quando andar era feito de mão em mão
Entre instantes que tiveram um dia um sítio,
Preenchendo-o em timbres dourados a riso,
Através de devaneios versejados pelo estio
Que inalados sabiam ao que aqui é preciso:
Simplicidade, simples ao simplesmente se ser".
Pronunciem à sua aurora o nome que trago,
Transverso a si neste mais que insano correr
Sem objectivo, porém ao acumular poeirento
À mercê deste destino o conquistado largo
Pois nada é meu além do envolver do vento.
“Penso sentir saudade da passagem do verão,
Do desejo ansiado porém ainda inalcançado
De quando andar era feito de mão em mão
Entre instantes que tiveram um dia um sítio,
Preenchendo-o em timbres dourados a riso,
Através de devaneios versejados pelo estio
Que inalados sabiam ao que aqui é preciso:
Simplicidade, simples ao simplesmente se ser".
Pronunciem à sua aurora o nome que trago,
Transverso a si neste mais que insano correr
Sem objectivo, porém ao acumular poeirento
À mercê deste destino o conquistado largo
Pois nada é meu além do envolver do vento.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
O Sonho Despertado: Pelo Sono Não Acordado
As paixões que têm sido no sonho despertado
Porém acordadas a sono pela curta madrugada
Tenho sido eu claro e pela luzência ornado
Ou sua ausência por sua fragrância almejada?
Ela prolonga-se na alvorada da noite infinda
Por numerosas paragens ao longo destas vidas
E por cada passada, por cada resfolgo ainda
Pergunto onde estão minhas amadas queridas,
Diligentemente refulgindo sobre o triste carreiro,
Não julgando e abundantemente me osculando
Tornando este Ver enfeitado por esse aguaceiro
Por favor, em súplica permanece aqui até quando
Não houver mais sonhos despertados pelo nevoeiro
Destas Oressas que em exíguos nadas os vão tragando.
Porém acordadas a sono pela curta madrugada
Tenho sido eu claro e pela luzência ornado
Ou sua ausência por sua fragrância almejada?
Ela prolonga-se na alvorada da noite infinda
Por numerosas paragens ao longo destas vidas
E por cada passada, por cada resfolgo ainda
Pergunto onde estão minhas amadas queridas,
Diligentemente refulgindo sobre o triste carreiro,
Não julgando e abundantemente me osculando
Tornando este Ver enfeitado por esse aguaceiro
Por favor, em súplica permanece aqui até quando
Não houver mais sonhos despertados pelo nevoeiro
Destas Oressas que em exíguos nadas os vão tragando.
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
As Alfaias de Luz: Colhidas Por Mãos Tão, Tão Pequenas
O nosso caminho é sempre outro
De terra batida ornado por alfaias
E ontem quem o passava era doutro
Segundo eu passageiro de idas atalaias
Vígil, sua beleza tornou-se a travesseira
Recolhida por mãos tão, tão pequenas
E beijada pelo atento fundo da algibeira,
Soando a Amor retocando brisas serenas
E sorrindo por sua melancolia, seu pertence
Eram os dias através dos dias que vinham
Numa envolvência de um sonho parisiense,
Seguiam-se as suas pisadas, no céu ecoadas
Para um dia voltarem onde dantes pertenciam,
Sendo nas fulgências das estrelas relembradas.
De terra batida ornado por alfaias
E ontem quem o passava era doutro
Segundo eu passageiro de idas atalaias
Vígil, sua beleza tornou-se a travesseira
Recolhida por mãos tão, tão pequenas
E beijada pelo atento fundo da algibeira,
Soando a Amor retocando brisas serenas
E sorrindo por sua melancolia, seu pertence
Eram os dias através dos dias que vinham
Numa envolvência de um sonho parisiense,
Seguiam-se as suas pisadas, no céu ecoadas
Para um dia voltarem onde dantes pertenciam,
Sendo nas fulgências das estrelas relembradas.
sábado, 22 de dezembro de 2012
Seremos Pt. II: Parte do Mesmo Jardim
Irei confessar-lhe hoje de meu imortal amor
Olhando seu reflexo em minha atenta vista
Pois algumas vezes, uma flor não é só uma flor
É rebento de cor em qualquer sorriso que exista,
Nas pétalas deste jardim há restos de seu perfume
Todo o meu ofegante oxigénio e ansiosa perdição
Pois à vista daquele seu esbelto e doce deslumbre
Reconhecia seu semblante como minha fracção,
Em fragmentos de morrinha sob o azulado da lua
Fechava eu então sonhos ornados por nós dois
Suspirando para cima qual nebulosa seria a sua
E o que o despertar deste sonho revelaria depois
Porque olvidei este palpitar ao reverberar da rua
Que perverte e dissipa o anseio que em mim sois.
Olhando seu reflexo em minha atenta vista
Pois algumas vezes, uma flor não é só uma flor
É rebento de cor em qualquer sorriso que exista,
Nas pétalas deste jardim há restos de seu perfume
Todo o meu ofegante oxigénio e ansiosa perdição
Pois à vista daquele seu esbelto e doce deslumbre
Reconhecia seu semblante como minha fracção,
Em fragmentos de morrinha sob o azulado da lua
Fechava eu então sonhos ornados por nós dois
Suspirando para cima qual nebulosa seria a sua
E o que o despertar deste sonho revelaria depois
Porque olvidei este palpitar ao reverberar da rua
Que perverte e dissipa o anseio que em mim sois.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Eu: Este Entretanto entre os Invernos e os Verões
Têm passado os serões,
Tenho sido seu entretanto,
Levando Invernos e Verões
E ao escutar de seu encanto
Tem sido este breve esplendor
Ao oscular das noites e dos dias
Que têm sido em mim, em Amor,
No entretecer de várias melodias
Que já nem só preenchem apenas
Agora também ornamentam o Ser
Nas grandes coisas e nas pequenas,
Aqui têm trilhado estas temporadas
E sido a cor que pinta este belo Ver
Por cada uma das vistas pinceladas.
Tenho sido seu entretanto,
Levando Invernos e Verões
E ao escutar de seu encanto
Tem sido este breve esplendor
Ao oscular das noites e dos dias
Que têm sido em mim, em Amor,
No entretecer de várias melodias
Que já nem só preenchem apenas
Agora também ornamentam o Ser
Nas grandes coisas e nas pequenas,
Aqui têm trilhado estas temporadas
E sido a cor que pinta este belo Ver
Por cada uma das vistas pinceladas.
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