Blog de um músico e poeta português onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
terça-feira, 7 de agosto de 2018
Por Pequenos Instantes Quase Sorrio
É semblante para o não envolvido, o beijo indiferente,
Por onde vamos não nos vemos tal aventesmas pálidas,
Somos tal oceano ou deserto de superfícies esquálidas,
Refugiar-me-ei em casa quando o sol enfim despontar,
Quando o peito se encher e por fim conseguir respirar,
Pois por metade de uma alma não se alcança o horizonte,
Serão horas tumultuosas que não conferem uma ponte
Para lá do instante, eterno finito que proporcione lugar,
Amor qual será o meu sítio quando não sei sequer ficar?
Dormitando no ombro da Lua a sentir o seu doce abraço,
Enfim ouço a terna voz do Universo conferindo regaço
Que é maior do que aquilo que sou neste breve instante,
É quase suficiente para por segundos sorrir, é o bastante.
segunda-feira, 6 de agosto de 2018
Demasiado Próximo do Sol
Conferido o beijo através duma oblonga passeata,
Por onde nos perdíamos em doces constelações,
No dia presente aqui preencho a minha errata
Pois o meu todo não é suficiente para dois corações,
E alongamo-nos em esperas que não sabem a Vida,
Respirando fumo, esbracejando e rogando por ela,
Lágrimas pela Beleza de uma quimera tão querida
Que não é o bastante para afogar esta triste estrela
Que trago abrasando e cegando tal um candeeiro,
Por onde vou à noite, perco-me na falta de luzência,
Tão sozinho tornando-me cinza caindo num cinzeiro
Por onde vou vai-se fenecendo a palpitante fulgência,
Amor, amante, amiga, conhecida, estranha, o aguaceiro
É todo o meu sentimento que não suporta esta ausência.
domingo, 5 de agosto de 2018
O Suspiro do Poeta
Passaram as enxurradas vindas de Abril,
Sonhando todos os sonhos deste mundo,
Onde vamos aguardando a brisa primaveril,
Percorrendo todos os trilhos do vagabundo,
São o homem afastado da margem querida,
Cura a sua dor, dá-lhe a mão e sê no caminho,
Apressa-te, quando chegares ele será em partida,
Esse é o fardo do poeta colocado no escaninho
Que é o seu peito arremessado ao prado infinito,
Frágil e delicado, Amor, frágil e tão delicado,
Somente este silêncio para conter o seu grito,
O refúgio torna-se escape de um medo tão real,
É xeque-mate ao coração por vertigens trucidado,
Esse seu suspiro demarcado pelas estrelas do astral.
sexta-feira, 3 de agosto de 2018
Até as Estrelas Morrem
Quase a encontro entre escombros e penhascos,
Poderia ter sido amor mas era um simples não
Remetido dentre o golpe eficiente de mil carrascos,
Perdido num novo trago onde me enterro sozinho
Pois quando o bom dia deste lugar se desapega
Enfim trajamos as sombras de passado caminho
Por onde não fomos, juntos, verte-se a morte,
Trazemos bruma, noite e nevoeiro aqui vestidas,
Não obstante de qual era o poente ou a sorte,
Amor, somos os restos de uma moribunda constelação.
domingo, 29 de julho de 2018
Procurando Por Deus... Aqui e Agora
O dia de verão passou outrora, um dia,
Recolhido ao silêncio dessa primavera
Onde tudo era possível pois havia magia
Embutida na moldura, a bela quimera,
Era quem eu era, a crença no firmamento
E naquele dia em que o dia foi passando
Percebi que o dia não passa de momento
Mas que cada momento se vai acumulando
E assim nos libertamos no vazio do horizonte,
Não como crianças mas tigres feitos de plumas,
Alcançando Deus e erigindo uma eterna ponte,
Sorri meu irmão, acorda e sê num sonho bonito,
Há luzências, há fulgências para lá destas brumas,
A procura é em nós, aqui rumando para o infinito.
quinta-feira, 26 de julho de 2018
Aos Que Almejam Ninharias
Este Caminho é Fealdade e Beleza
Vai passando a linha continua ao vento,
Aquilo que gosta coloca na sua algibeira
E o que não fica deixa ficar ao relento,
Entretanto renascem dias no horizonte,
A cinza é no cinzeiro feito de passado,
Entre eles há amor, a sua única ponte
Que é o que há mesmo que eclipsado,
Nasceu para amar magia, a ela conhecer,
Mesmo que por vezes só haja tristeza
Ela também é precisa, é preciso a conter,
Até ser levado e tudo se tonar clareza,
Entre essas margens é necessário o ser
Pois este caminho é fealdade e beleza.
quarta-feira, 25 de julho de 2018
Reparei e Gostei dos Traços
De Costas Dadas
O grito indómito que revela toda a certeza,
Este é o trilho dos que se levaram na guerra
Uma batalha onde se aprende o que é beleza,
Pois Amor, amar é fácil, simples é sim amar,
Reavive a alma, a espera é enfim culminada,
Deixam-se os botecos, deixa-se de procurar
O passo ladeado que vem ao pé da estrada,
A lágrima sobre o peito é um beijo perdido,
Dois a teimarem em não ser num coração,
Então se deita fora o que já foi recebido,
Assim se esconde o Sol nesta triste estação,
Quando o amor entre dois é mal-querido
Só resta velar o peito como se fosse caixão.
segunda-feira, 23 de julho de 2018
Quando a Vida é Quase, Quase Vivida
O coração é estrado para um sentimento,
Abrem-se fagulhas dentre o lume apagado
E a emoção é bocado de um ido momento,
O esquecimento que não vem, amor é sabor
A terra na boca, língua saboreando o esgoto,
E eu, insonso, desgosto-me deste meu odor
Somos os filhos bastardos, o bastardo ignoto,
Estranhando porque o sol cai aos quadrados,
Porque a lua sempre é esta única companhia,
Enquanto nossos corações forem quebrados
Não haverá luz alguma que se lixe a maioria,
Sou parte de quem não tem todo, retornados
À manhã que foi deixada de um outrora dia.
terça-feira, 10 de julho de 2018
A Vida Sê
Em bondade e maldade no segundo passageiro,
Por trilhos e veredas pelo horizonte tem corrido
Tem havido beleza no escuro, a luz do candeeiro
A noite prescrevendo o ditado do outrora dia,
É a súmula do homem ausente que em si é e sê
Não esquecendo a senda para o beijo, da magia,
Somos quase Deuses erguendo-se no forasteiro,
Passa o Outono, o Verão, a Primavera e o Inverno
Que é eu e tu, eles e nós num abraço fraterno
Num instante infinitésimo que se torna inteiro.
sexta-feira, 6 de julho de 2018
Quando Somos Todos Os Pores do Sol
Cobrindo a face do sol, de rostos encobertos,
A vontade de viver, a ânsia para aqui morrer,
Parece que furtaram a revelação dos tectos,
Sou apenas um homem, permitam-me ser,
Através da noite, a miséria é sombra emprestada,
Eu peço, eu rogo, eu pilho e sou submerso
Pela vontade de viver, a ânsia de morrer é dada,
Abro as feridas do lado da cama, o inverso
É alimentarmo-nos de passados, sois já idos,
Tentação, doce coração, albergues para o beijo,
A procura de fantasia, por sonhos coloridos,
Deitamo-nos no mar e permitimos a Vida ser,
Mais do que a verdade, a vontade, o almejo
Sou os pores do sol, soa a vista, sou o Ver.
domingo, 1 de julho de 2018
Tenho
Aqui, de olhos cerrados somos pecadores,
Os lençóis usados entre caminhos perdidos,
Cruzes e lajes são o silêncio destas dores,
Através de corpos convulsos, estremecidos!
O êxtase da noite, o toque da mão dada,
Um rio fluindo e nós enfim entrelaçados,
Quase amor, nossa cor era vida recriada
De momentos ausentes aqui procurados,
Beijando a chuva, a lágrima em labaredas,
A seta quebrada, eu sou o tolo de Cupido,
Por onde o passo é essa ida nas alamedas,
Indo aonde o pedido do coração é indeferido,
Ante ruelas e vielas, sendas virando veredas,
As saudades de sussurrar amor ao seu ouvido.
sexta-feira, 22 de junho de 2018
E Plantamos Uma Semente
De ouvidos nesta estática, no ruído de fundo,
Vivendo em vinda, rasgando as costuras,
De joelhos arranhados, a sombra deste mundo
É enfiar a cabeça nas nuvens e ter aventuras,
Pertencentes a Ema, ao soneto de um poeta,
Esta voz gasta sob estas luzes resplandecentes,
A dor do não saber quando termina a ampulheta,
Partimos breve, somos os incrédulos, os crentes,
A noção de que o amor jaz debaixo de lençóis,
Em praias desertas, prados esverdeados, não!
Ele é mais das roxas sarjetas onde constróis
O colibri que esvoaça longe do mundo e vai alado
Por onde ninguém ousa ir, perto do coração,
Amor, para o simples amar basta estar enamorado.
sábado, 16 de junho de 2018
Escadarias
Amor faz parte, a parte que foi ao acaso deixada,
Há instantes em que esquecemos o coração,
Amor por vezes deixamos o passo na estrada,
Tendo abrigo mas não tendo beijo ou noitada,
Oh amor, somos a seta de cupido quebrada,
Procurando ruído como se um ceptro fosse,
Quando o caminho não é ruela feita de ouro,
E o presente o que disse, o que foi que trouxe?
Amor, somos a alvorada um dia ida e atrasada.
quinta-feira, 14 de junho de 2018
Enquanto Fizer Parte de uma Estação
Passeando onde deuses são espectadores,
Condensando estas estrofes num só grito
Que apazigua e clareia do céu suas cores,
Aos pintores do horizonte um aceno deixado,
Magias acontecem quando sem emboscadas,
Sois o pássaro azul do peito, do cá celebrado
Que é o pular dentre estas nebulosas amadas,
E somos o silêncio do segundo não acontecido,
O instante sem pertença, momento de indecisão
Onde por vida era quase encontrado e perdido
E o mundo vinha e se ia revirando este coração,
Ao vindoiro aceno e um dia quando for esquecido
Sorrirei desde que seja parte de qualquer estação.
sexta-feira, 8 de junho de 2018
Acorda, Acorda
És prisioneiro das salas traseiras, do teu vazio
Acorda, que importa ir acompanhado ou sozinho?
Desde que não tenhas medo de apanhar frio,
A benção, a maldição, somos donos de arrastados,
É engraçado como temos paciência, o eu risonho
Esquece-se que tudo passa, tudo é só bocados,
Do sono infindo, desta vez sou criança a sonhar
Com o que virá, a doença e cura em tom terno,
Levanta-te e vai por onde houver cores a pintar,
Que bom ser e passar, o que mais interessa?
Ante o Caminho Do Que Foi, Do Que Será
Sóis e Luas, confissões tornadas em sussurros,
Da envoltura dessas confidências vêm as cores
Pintando escadas para o céu e escalando muros,
Beijo-lhe o rosto, esperando pelo sono sem fim,
Vivendo e morrendo pelo tanto já aqui passado
Este é o olhar de quem aguarda o sonho enfim,
Este é o único sonho de quem se há enamorado
Por estrelas cadentes e aqui indo de mão em mão,
Isto é o suficiente para se ser aqui poeta em vida,
É o suficiente para preencher o resto do coração
De folhas caídas, contracenando com o horizonte,
Amor somos espectadores esperando pela partida
Para qualquer margem através de qualquer ponte.
quarta-feira, 6 de junho de 2018
Diferenciando o Procurar do Precisar
Sonhos doces eram as vozes do caminho,
O horizonte era a procura pelo distante
Que era em mim o caos deste torvelinho,
Jamais visto, próximo da margem querida,
Beleza incógnita era o singelo do abrigo,
Perecia por vielas enquanto era em vida
E a quem conferia a mão vinha comigo,
Na coroa do sol como uma sombra retorno
Ao toque de Ema, ao sussurro da alvorada,
Através do mundo vem o beijo que adorno
E eu, impreterivelmente, preso à leve pluma,
De que me importa enfim ter o lar, a amada,
Se só pretendo contar estrelas uma a uma?
sexta-feira, 1 de junho de 2018
Para Este Mundo Que Lentamente Te Está a Matar
Vai sorvendo vida por cada palpitar pungente,
Passam sóis e luas e parece que te estás a afogar
Na caricia lesta do tempo que é tão impermanente
Esvaecemos em tristes lágrimas da estrela do Norte,
Perdidos entre os lençóis sem nunca chegar a altura
Em que nos soltamos destas amarras, desta vil sorte,
Às vezes parecemos fantasmas ainda por cá vir
Porém há sorrisos por ter, plumas para alvoroçar,
Somos poeira de estrelas douradas aqui a dourar
Acredita irmão, há diferentes cores para o colorir.
terça-feira, 29 de maio de 2018
Enquanto Vamos Passando, Ouçam Nosso Passar
Entrega-me ao resto e permite-me o fragmento,
A pegada na estrada, o por fim fazê-la sentida
É ergue-la bem alto celebrando cada momento,
Sempre sem destino de onde parti ainda sou oriundo
De tudo que passa pelo peito, essa é a única viagem,
Canto em qualquer canto, largando amor ao caminho,
Se um lindo dia partir e deixar a magia ser esquecida
Lembrem-se que ela está cá, acompanhado ou sozinho
E que somente depende da ponte para a margem querida,
Beijo a terra que piso, pele virá da cicatriz, e o escaninho
Para o Sol e Lua da algibeira contendo porções desta vida.
segunda-feira, 21 de maio de 2018
O Instante Sou Eu
Vou indo e recolho-me ao abrigo da tempestade,
Sou espaço para o olvido e o seu esquecimento
Destes lábios em súmula minha única verdade
Que é perdição para os achados e o acontecimento
É este perdão por quem não fui, aquele não ser,
O toque não tocado, a vontade deixada à maresia,
Os amores que partiram ainda são parte deste ver,
Os amores que partiram são toda esta poesia,
Não há escape à envoltura do beijo do passado,
Esperando a cada esquina por um instante
Que já partiu e chegará no tido como ansiado,
Amor, o resto somos nós de olhos bem fechados,
Por tudo que vem parece que não basta o bastante,
Nem destino, nem fado, nem os trilhos já passados.
domingo, 20 de maio de 2018
Dentro do Olho da Tempestade
Perdido para este mundo, levando a certeza,
Algures entre o azul, procurando a estação
Onde faz sentido o ver um pouco de beleza,
Onde a brisa sopra fresca e o céu tímido começa,
Há instantes em que Deus fala, há a eternidade
Que por muito que venha e seja e até aconteça
Somente encontrará refúgio pela tempestade,
De onda em onda, faz-se da maré o marinheiro,
De vaga em vaga, sob a chuva e sobre o sol
Que venha o arco-íris deste terno aguaceiro,
Submersos e imersos no sonho alado tornado,
Somos sementes no lazúli escapando do anzol
Que é mar adentro, rapidito, o azul respirado.
domingo, 13 de maio de 2018
De Olhos Acordados
Passam épocas num olhar que é emoldurado
Por quem vem se tornando passado, este ser
Só pretende leito e repouso, lugar recatado,
O vazio em mim é recusa para a última música cantada,
Promovo amor tal investimento, ah doce esquecimento,
Mal me lembro daquela palavra ainda não inventada,
Que era amor, era dor, era paragem e movimento,
Àqueles que trilham sob a chuva, um único beijo,
Larguem-me nas ruas, soletrando este apelido,
E percebei que quase não tem lugar este almejo,
Adormecerei ao ombro da Lua, aqui confessando
Os atalhos das vielas, o olhar de Ema, o prentendido,
Desvaneço em ar nesses nuances tal pluma esvoejando.
sexta-feira, 11 de maio de 2018
Nos Pássaros Azuis do Peito
Estou nas mãos do beijo, de uma alada fantasia,
De apelido cerúleo, voo enquanto ardem cidades,
Que venha o Apocalipse, sou detentor da melodia
Que separa peões de deuses, que ignora idades,
Despindo peles, sou camadas de ventos e brisas,
Encoberto pelo pássaro azul, acreditando no insano,
Respirando a liberdade de mil e um poetas e poetisas,
Sou anjo, sou coração aberto, vinda ano após ano,
Dou tudo, fico com mais, a fuga torna-se procura,
Até encontrar o segundo dourado e logo o deixar,
Deixem-me ir, permiti-me ficar no que foge e dura,
Sigo e caio entre os perdidos por vezes encontrado,
Onde todos somos belos, onde todos temos lugar
Pelo sujeito amar no estranho familiar sussurrado.
terça-feira, 8 de maio de 2018
A Crença é o Pavimento dos Sonhadores
O caminho estrada para o beijo partido,
Somos evanescência dos já quebrados
O espaço entre o odiado e o querido,
Respiro fundo e lágrimas são no peito,
Amor um dia encontrar-te-ei no trilho,
Estas palavras sem qualquer despeito
Dizem sobre quem do elísio é filho,
E perdidos suspiramos a morte e a vida,
Entreabertos para o amanhã, o toque
É só o poema incompleto desta saída,
A crença é a apóstata e o apostolo aqui,
Ainda bem que por cá há quem troque
A cidade e a cinza pelo beijo do colibri.
segunda-feira, 7 de maio de 2018
A Ideia de Beijo Sem o Lábio Tocado
Estou de costas, flutuando sobre o infinito,
Olhando para o céu no que aqui se celebra
É a maré que me leva o silêncio e o grito,
Fujamos Amor, nada nos espera mais aqui,
Sem pertença além, afoga-te já comigo,
Se partires, quando for, encontra-me ali
Onde estrelas colidem sendo meu abrigo,
Corramos Amor que deixemos a água rasa
Nos beijar os pulmões tão delicadamente
Sem nada para dizer, esta paixão é brasa,
O lume consumir-nos-á enfim e certamente,
Este belo suicídio é só beijo e a ideia de casa
Que nunca chega aos lábios do homem ausente.
sexta-feira, 4 de maio de 2018
Este Beijo é o Meu Único Tesouro
Para além de onde estou, vem a revelação:
Anseio o para lá do horizonte, do que vejo
E entretanto esqueci no armário do coração,
O tempo perdido são estes trilhos percorridos,
Colapsando em camas desfeitas, enganados,
E nós dormindo entre lençóis meio rompidos,
Estes cadáveres movendo-se perante o vindouro,
Somos as estrelas caídas em almofadas sem sentido
E eu sempre indo mas tão longe do pretendido,
Por favor compreendei, este beijo é o meu tesouro.
O Monstro Disfarçado de Princesa
Perdido entre a volúpia de um abraço involuntário,
Sou só qualquer ponte para aquela margem querida
Pois das suas cores favoritas eu sou o seu contrário,
A silhueta da sua voz é a distância presente no mundo,
Distrai a solidão, o ansiar estar é ir de mão em mão
Mesmo sabendo que para o sentir sou só poço profundo,
Esquecendo os lábios que nos beijaram, abate o coração!
Este toque é um vampiro cravando as garras no transeunte,
Abutre e lobo para o desprevenido, sem descanso ou sono,
Fugi, “o monstro disfarçado de princesa” há quem pergunte
Pois morreu em seu langor, no ventre do matricida, só poeira,
Sem qualquer culpa ou dor, no ponto sem presente ou retorno,
Perdido já estou eu, este é o último resto desta minha algibeira.
quinta-feira, 3 de maio de 2018
Por Prados e Planaltos
Fecho os olhos e entreaberto torno-me janela,
A iris pálida, o pássaro negro, o prado sobrevoado
Até que ante nós apareça a mais bela estrela,
É suspiro no eterno, frágil e delicado tal Orfeu,
É o murmúrio no riacho que sossega e acalma,
O vendaval que é algures entre Nero e Romeu,
É beijo aos segundos entretanto já caminhados,
E ele, aos bocados, é da fagulha o único amante,
Foi pluma de pássaros negros por paragem errante,
Chegou o seu tempo, esta é a hora do ansiado.