Blog de um músico e poeta português onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
quinta-feira, 14 de junho de 2018
Enquanto Fizer Parte de uma Estação
Passeando onde deuses são espectadores,
Condensando estas estrofes num só grito
Que apazigua e clareia do céu suas cores,
Aos pintores do horizonte um aceno deixado,
Magias acontecem quando sem emboscadas,
Sois o pássaro azul do peito, do cá celebrado
Que é o pular dentre estas nebulosas amadas,
E somos o silêncio do segundo não acontecido,
O instante sem pertença, momento de indecisão
Onde por vida era quase encontrado e perdido
E o mundo vinha e se ia revirando este coração,
Ao vindoiro aceno e um dia quando for esquecido
Sorrirei desde que seja parte de qualquer estação.
sexta-feira, 8 de junho de 2018
Acorda, Acorda
És prisioneiro das salas traseiras, do teu vazio
Acorda, que importa ir acompanhado ou sozinho?
Desde que não tenhas medo de apanhar frio,
A benção, a maldição, somos donos de arrastados,
É engraçado como temos paciência, o eu risonho
Esquece-se que tudo passa, tudo é só bocados,
Do sono infindo, desta vez sou criança a sonhar
Com o que virá, a doença e cura em tom terno,
Levanta-te e vai por onde houver cores a pintar,
Que bom ser e passar, o que mais interessa?
Ante o Caminho Do Que Foi, Do Que Será
Sóis e Luas, confissões tornadas em sussurros,
Da envoltura dessas confidências vêm as cores
Pintando escadas para o céu e escalando muros,
Beijo-lhe o rosto, esperando pelo sono sem fim,
Vivendo e morrendo pelo tanto já aqui passado
Este é o olhar de quem aguarda o sonho enfim,
Este é o único sonho de quem se há enamorado
Por estrelas cadentes e aqui indo de mão em mão,
Isto é o suficiente para se ser aqui poeta em vida,
É o suficiente para preencher o resto do coração
De folhas caídas, contracenando com o horizonte,
Amor somos espectadores esperando pela partida
Para qualquer margem através de qualquer ponte.
quarta-feira, 6 de junho de 2018
Diferenciando o Procurar do Precisar
Sonhos doces eram as vozes do caminho,
O horizonte era a procura pelo distante
Que era em mim o caos deste torvelinho,
Jamais visto, próximo da margem querida,
Beleza incógnita era o singelo do abrigo,
Perecia por vielas enquanto era em vida
E a quem conferia a mão vinha comigo,
Na coroa do sol como uma sombra retorno
Ao toque de Ema, ao sussurro da alvorada,
Através do mundo vem o beijo que adorno
E eu, impreterivelmente, preso à leve pluma,
De que me importa enfim ter o lar, a amada,
Se só pretendo contar estrelas uma a uma?
sexta-feira, 1 de junho de 2018
Para Este Mundo Que Lentamente Te Está a Matar
Vai sorvendo vida por cada palpitar pungente,
Passam sóis e luas e parece que te estás a afogar
Na caricia lesta do tempo que é tão impermanente
Esvaecemos em tristes lágrimas da estrela do Norte,
Perdidos entre os lençóis sem nunca chegar a altura
Em que nos soltamos destas amarras, desta vil sorte,
Às vezes parecemos fantasmas ainda por cá vir
Porém há sorrisos por ter, plumas para alvoroçar,
Somos poeira de estrelas douradas aqui a dourar
Acredita irmão, há diferentes cores para o colorir.
terça-feira, 29 de maio de 2018
Enquanto Vamos Passando, Ouçam Nosso Passar
Entrega-me ao resto e permite-me o fragmento,
A pegada na estrada, o por fim fazê-la sentida
É ergue-la bem alto celebrando cada momento,
Sempre sem destino de onde parti ainda sou oriundo
De tudo que passa pelo peito, essa é a única viagem,
Canto em qualquer canto, largando amor ao caminho,
Se um lindo dia partir e deixar a magia ser esquecida
Lembrem-se que ela está cá, acompanhado ou sozinho
E que somente depende da ponte para a margem querida,
Beijo a terra que piso, pele virá da cicatriz, e o escaninho
Para o Sol e Lua da algibeira contendo porções desta vida.
segunda-feira, 21 de maio de 2018
O Instante Sou Eu
Vou indo e recolho-me ao abrigo da tempestade,
Sou espaço para o olvido e o seu esquecimento
Destes lábios em súmula minha única verdade
Que é perdição para os achados e o acontecimento
É este perdão por quem não fui, aquele não ser,
O toque não tocado, a vontade deixada à maresia,
Os amores que partiram ainda são parte deste ver,
Os amores que partiram são toda esta poesia,
Não há escape à envoltura do beijo do passado,
Esperando a cada esquina por um instante
Que já partiu e chegará no tido como ansiado,
Amor, o resto somos nós de olhos bem fechados,
Por tudo que vem parece que não basta o bastante,
Nem destino, nem fado, nem os trilhos já passados.
domingo, 20 de maio de 2018
Dentro do Olho da Tempestade
Perdido para este mundo, levando a certeza,
Algures entre o azul, procurando a estação
Onde faz sentido o ver um pouco de beleza,
Onde a brisa sopra fresca e o céu tímido começa,
Há instantes em que Deus fala, há a eternidade
Que por muito que venha e seja e até aconteça
Somente encontrará refúgio pela tempestade,
De onda em onda, faz-se da maré o marinheiro,
De vaga em vaga, sob a chuva e sobre o sol
Que venha o arco-íris deste terno aguaceiro,
Submersos e imersos no sonho alado tornado,
Somos sementes no lazúli escapando do anzol
Que é mar adentro, rapidito, o azul respirado.
domingo, 13 de maio de 2018
De Olhos Acordados
Passam épocas num olhar que é emoldurado
Por quem vem se tornando passado, este ser
Só pretende leito e repouso, lugar recatado,
O vazio em mim é recusa para a última música cantada,
Promovo amor tal investimento, ah doce esquecimento,
Mal me lembro daquela palavra ainda não inventada,
Que era amor, era dor, era paragem e movimento,
Àqueles que trilham sob a chuva, um único beijo,
Larguem-me nas ruas, soletrando este apelido,
E percebei que quase não tem lugar este almejo,
Adormecerei ao ombro da Lua, aqui confessando
Os atalhos das vielas, o olhar de Ema, o prentendido,
Desvaneço em ar nesses nuances tal pluma esvoejando.
sexta-feira, 11 de maio de 2018
Nos Pássaros Azuis do Peito
Estou nas mãos do beijo, de uma alada fantasia,
De apelido cerúleo, voo enquanto ardem cidades,
Que venha o Apocalipse, sou detentor da melodia
Que separa peões de deuses, que ignora idades,
Despindo peles, sou camadas de ventos e brisas,
Encoberto pelo pássaro azul, acreditando no insano,
Respirando a liberdade de mil e um poetas e poetisas,
Sou anjo, sou coração aberto, vinda ano após ano,
Dou tudo, fico com mais, a fuga torna-se procura,
Até encontrar o segundo dourado e logo o deixar,
Deixem-me ir, permiti-me ficar no que foge e dura,
Sigo e caio entre os perdidos por vezes encontrado,
Onde todos somos belos, onde todos temos lugar
Pelo sujeito amar no estranho familiar sussurrado.
terça-feira, 8 de maio de 2018
A Crença é o Pavimento dos Sonhadores
O caminho estrada para o beijo partido,
Somos evanescência dos já quebrados
O espaço entre o odiado e o querido,
Respiro fundo e lágrimas são no peito,
Amor um dia encontrar-te-ei no trilho,
Estas palavras sem qualquer despeito
Dizem sobre quem do elísio é filho,
E perdidos suspiramos a morte e a vida,
Entreabertos para o amanhã, o toque
É só o poema incompleto desta saída,
A crença é a apóstata e o apostolo aqui,
Ainda bem que por cá há quem troque
A cidade e a cinza pelo beijo do colibri.
segunda-feira, 7 de maio de 2018
A Ideia de Beijo Sem o Lábio Tocado
Estou de costas, flutuando sobre o infinito,
Olhando para o céu no que aqui se celebra
É a maré que me leva o silêncio e o grito,
Fujamos Amor, nada nos espera mais aqui,
Sem pertença além, afoga-te já comigo,
Se partires, quando for, encontra-me ali
Onde estrelas colidem sendo meu abrigo,
Corramos Amor que deixemos a água rasa
Nos beijar os pulmões tão delicadamente
Sem nada para dizer, esta paixão é brasa,
O lume consumir-nos-á enfim e certamente,
Este belo suicídio é só beijo e a ideia de casa
Que nunca chega aos lábios do homem ausente.
sexta-feira, 4 de maio de 2018
Este Beijo é o Meu Único Tesouro
Para além de onde estou, vem a revelação:
Anseio o para lá do horizonte, do que vejo
E entretanto esqueci no armário do coração,
O tempo perdido são estes trilhos percorridos,
Colapsando em camas desfeitas, enganados,
E nós dormindo entre lençóis meio rompidos,
Estes cadáveres movendo-se perante o vindouro,
Somos as estrelas caídas em almofadas sem sentido
E eu sempre indo mas tão longe do pretendido,
Por favor compreendei, este beijo é o meu tesouro.
O Monstro Disfarçado de Princesa
Perdido entre a volúpia de um abraço involuntário,
Sou só qualquer ponte para aquela margem querida
Pois das suas cores favoritas eu sou o seu contrário,
A silhueta da sua voz é a distância presente no mundo,
Distrai a solidão, o ansiar estar é ir de mão em mão
Mesmo sabendo que para o sentir sou só poço profundo,
Esquecendo os lábios que nos beijaram, abate o coração!
Este toque é um vampiro cravando as garras no transeunte,
Abutre e lobo para o desprevenido, sem descanso ou sono,
Fugi, “o monstro disfarçado de princesa” há quem pergunte
Pois morreu em seu langor, no ventre do matricida, só poeira,
Sem qualquer culpa ou dor, no ponto sem presente ou retorno,
Perdido já estou eu, este é o último resto desta minha algibeira.
quinta-feira, 3 de maio de 2018
Por Prados e Planaltos
Fecho os olhos e entreaberto torno-me janela,
A iris pálida, o pássaro negro, o prado sobrevoado
Até que ante nós apareça a mais bela estrela,
É suspiro no eterno, frágil e delicado tal Orfeu,
É o murmúrio no riacho que sossega e acalma,
O vendaval que é algures entre Nero e Romeu,
É beijo aos segundos entretanto já caminhados,
E ele, aos bocados, é da fagulha o único amante,
Foi pluma de pássaros negros por paragem errante,
Chegou o seu tempo, esta é a hora do ansiado.
sábado, 28 de abril de 2018
Amor, Somos as Crianças Perdidas
Cantado às estrelas beijos de épocas douradas,
Transbordando do seu peito revistas, renascidas,
Porém sabendo que a noite as deixa quebradas,
Desde quando deixamos de ver o firmamento?
Entardecendo entre pássaros e insectos a clamar,
Procurando tal vampiro novo beijo entre o nevoento,
terça-feira, 24 de abril de 2018
Grito De Guerra Para Os Sonhadores Pt. II
Precisos para a lugubridade de uma época perdida,
Por favor trazei luzes para alumiar este dantes, este após,
Pois esta cidade ficou enfim cinzenta e perdeu toda a vida,
É preciso ousar sonhar, é preciso retornar, é preciso sentir,
Viverei um dia mais cada vez que por eles formos adornados,
Esvaecido na ideia intemporal, num pio chorar ou até sorrir,
A impermanência é irmã do sonho alado, das plumas coloridas,
Apaixonemo-nos por nossos irmãos, partilhemos a mão, à parte
Amor, Sonho, Vida? Todos em mim e eu neles essa é nossa arte
A ponte entre o céu e a terra, venham a mim quimeras queridas!
quinta-feira, 19 de abril de 2018
Grito De Guerra Para Os Sonhadores
Luzes reincididas para lá de gotículas caídas,
Deixamos um rasto para as estrelas, o beijo,
É poesia para o sol e chuva, mil e uma vidas
Passam por olhos entreabertos, é o almejo,
Oração para o coração silente, a alma caiada
De gotículas de orvalho tornadas semblantes,
Assim se faz o trilho agridoce, assim é a estrada
Para o segundo passageiro, para os viandantes,
Este é o agora, após e desde, aqui permanentes
E dissidentes, feitos de poeira dum mar estrelado.
Aquecer-me-ão quando estiver frio, Luas confidentes?
Não, adeus às cópias, por Ela sempre enamorado,
É o Amor impossível que faz dos incrédulos, crentes,
Então sonhai mais alto de que tudo o jamais sonhado!
sábado, 14 de abril de 2018
Amanhã é Sempre Longe Demais
Nem na terra, nem no céu, assim é este fado,
Somos cães vadios procurando onde repousar
E as frações de metades deixadas aos bocados,
Respirando ofegante, por momentos num instante,
Implodindo neste peito sendo a doença incurável,
Esta terna esperança insana deste poeta vagrante,
Esquina para o sonho e tudo o que puder ser encontrado,
Apesar de ser o rasto que deixo atrás, somente poeira,
Independentemente que seja segunda ou sexta-feira,
Nada importa mais, sou para o amanhã estrado.
quarta-feira, 11 de abril de 2018
O Firmamento É Todo O Meu Coração
Pendurado de uma estrela, sou a poesia,
Beijado pelo rosto lunar, costas no chão,
Suspirando seus nomes p’la estrada vazia,
O firmamento é sinónimo para o coração,
Vemos estrelas a colidir, o rasto cadente,
Quando partires e eu ficar, serei partida,
Encontrem meu corpo no céu, bem rente
Ao cerúleo, de dedos esticados p’ra ida,
Perdido entre supernovas, reavido enfim,
Eu refulgindo o reflexo de suas explosões,
Fugidio dentre nebulosas, pendurado assim
Entre olhos fechados, a sonhar sorrisos incertos,
Corre, corre, corre há prados e constelações
Próximos da verdade e por estrelas encobertos.
domingo, 8 de abril de 2018
Ele, O Amador Sem Coisa Amada
Impassível, indolente, inerte ao segundo,
Parece que o homem deixou testamento
De cruzes às costas num buraco profundo,
Os transeuntes vão pela alameda tão vagantes,
As valetas destino para a chuva dos perdidos,
Olhando uns para os outros tropeçando adiante
Onde os homens caem por instantes rendidos,
As estações passageiras dos passos não ateados,
Foragido da vida, a morte é querida, vem a mim...
Tal como a saudade do não vivido, os bocados
Que esmorecem no peito esvaecido aqui por fim,
Silenciosamente, os ontens foram já sobrevoados,
Ele, é somente o amador sem coisa amada sim.
quarta-feira, 4 de abril de 2018
E Morremos Jovens Porém Vivemos Até à Velhice
De plumas nas costas no cume da montanha,
Pois o coração sem pertença de tanto se dar
Por vezes até da sua própria luz se estranha,
Dádiva para todos os dias, a melodia, a alvorada,
Acordando de olhos fechados mal somos gente,
Pois a viagem é enfim o lar sendo pela iris captada,
O sol e dou-me por encontrado em chão familiar,
Perdido neste frémito intenso em mim sou e desejo
Respiro flores e o cerúleo num profundo almejo
Quando tudo o que tenho feito é somente amar.
sábado, 31 de março de 2018
Do Meu Coração Ao Ar
Escapando de mim por tanto me querer encontrar,
Escondo-me no nocturno, nos rails e seu espaço
Pois sou tal como os pássaros ansiando voar,
O perigo de andar perto do precipício aberto,
Sou a sua queda, a manhã por névoa encoberta
E eu quase a dormir ansiando estar desperto,
Por isso sinto intensamente, sou furor insano,
Todos os que já fui ressoam quase sem fim,
Pois o mundo é Judas, é a passagem ano a ano
Onde vimos e partimos, ora bem, ora mal.
Ansiando Viver o Instante
Braços oblongos, esperando pela alvorada,
Impaciência é esta moção, é esta viagem
Que tanto nos dá como nos deixa sem nada,
De passo apressado, encontrado e perdido,
Assim por mim passa o vento em tom errante
E vou indo amor, sou da estrada o foragido,
Professo o beijo à berma quase sem querer,
É o submergir em água sendo quase labareda,
Agora chegou a minha hora, há que a viver,
Pois este é o único instante possível de amar.
terça-feira, 27 de março de 2018
Quero Tudo, Quero Nada
Desejo o impossível, anseio o inalcançável,
Parcialmente perdidos esse é o meu apelido,
Não será esse o único amor realmente habitável?
Escondendo-me em tua miragem, sem escapar,
Esse é o único instante que é possível enfim amar,
Eterna, perene, naquele dia que já passou,
segunda-feira, 26 de março de 2018
Aquela A Quem Não Há Pertença Mas Eu Pertenço
Suspiram-me seu nome num beijo perdido,
Pois meu coração é seu tal carta manchada
Que ignora remetente ou qualquer sentido,
Sou vontade e inverdade do instante eclipsado,
Onde cada homem seu irmão enfim carcome
E o seu rosto é a partida do já extravasado,
A mentira do silêncio de um triste coração,
Ela é tudo aquilo que já não consigo conter
Oh amor és o meu tempo e espaço, meu querer
E a minha alvorada e noite, a minha perdição.
sábado, 24 de março de 2018
Quando Ela Se Torna O Ontem
Para casa caminhamos novamente sozinhos,
Dos charcos de água a sua face reflectida,
Ao ir alheamo-nos dos nossos caminhos,
Anseio chegar um dia a essa margem partida,
Escorrego entre as falhas do chão, sou refém
Daquilo que almejo, dos fantasmas no armário,
O viandante esse, sempre procurando o além,
Sua canção é raiz, é o deixar aqui deste poemário,
Abraçando o fortuito, o eterno é ansiado,
Sou absurdo de cabeça erguida para o infinito,
E é neste aqui que o intencional é recriado,
Assim eu persigo a sombra do seu semblante,
Onde mato e morro, me emudeço e sou grito
E ora me encontro, ora perto, ora distante.
sábado, 17 de março de 2018
Amor, Contigo e Para Contigo
Fulgurante e extensa varre o horizonte,
Vou deixando rastro sem deixar pegada
Pelo beijo não dado, pela ardida ponte,
As lagoas dos sonhos, a procura da primavera,
O firmamento aberto e o escapes criados,
O respirar e suspirar por uma nova era,
O vendaval do coração, o homem ausente,
Amor dá-me a mão, vem comigo hora adiante
Quando já não basta o que é bastante,
Refugio-me em ti esperando ir em frente.
quinta-feira, 15 de março de 2018
Entre Nero e Romeu
Embalo-o sendo embalado o segundo
E questiono sua urgência, seu aperto
Enquanto por mim passa todo o mundo,
Perco-me aqui e em mim, encontrado
E quanto mais morro mais ainda vivo,
É o sortilégio e a bênção do já tocado,
E vem a multidão rasurando o rastro,
Socorro-me ao abrigo do escaninho
E para sempre o sempre cadente astro,
Sou o suspiro prometido, sou traste, sou troféu!
segunda-feira, 12 de março de 2018
Nada Dura Para Além do Aqui
Deslizamos ligeiros através de corredores sem fim,
Por onde passamos deixamo-nos em bocados
Tal aventesmas outrora felizes em vida, meio assim,
De lágrimas no riso, é difícil ser o romântico sonhador,
Com o sol nas costas partilhamos esta caminhada,
De joelhos rasgados, costas doridas és tu o amador
Que regozijas e pranteias suspiros ante a escada
Que leva para o céu e para o inferno, eis a procura,
O instante de silêncio onde se vai o ruido de fundo,
Pois a verdade amigo é que nada no mundo dura
Para além do intérmino indomável de cada segundo,
Encontro meus congéneres, da doença virá a cura
E esta é só prosseguir nos passos do vagabundo.