Com os pássaros partilho esta vista,
Solitário e só através do horizonte
Por onde vou perdendo a pista
Que o que deixei atrás foi ponte,
Onde passei e as dei por findadas,
Através de cada passo fui espaço
Para cor e até asfalto das estradas
Por desbotado e até nítido traço,
Despeço-me da Vida com um beijo
Deixando uma última réstia de ar
Em mim levo tudo o que ainda vejo
Não vá eu de mim próprio estranhar
A diferença entre o anseio e desejo
Para a história que em mim tem lugar.
Blog de um músico e poeta português onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
quinta-feira, 18 de junho de 2015
segunda-feira, 15 de junho de 2015
Sou Actor e Faço Parte da Peça
Sou actor e faço parte da peça,
Essa peça que é a vida a passar
Pela avenida e pela travessa
Onde faço este meu caminhar
Que me leva onde me deixa,
Que me vai deixando ao levar,
Por isso tento não fazer queixa,
Por isso tento não me abandonar,
Pois um dia virá em que escaparei,
Virá esse dia em que irei escapar,
Não como o que ainda procurei
Mas como quem quer encontrar
Pois não obstante do que já dei
Espero que a vida um dia soe a lar.
Essa peça que é a vida a passar
Pela avenida e pela travessa
Onde faço este meu caminhar
Que me leva onde me deixa,
Que me vai deixando ao levar,
Por isso tento não fazer queixa,
Por isso tento não me abandonar,
Pois um dia virá em que escaparei,
Virá esse dia em que irei escapar,
Não como o que ainda procurei
Mas como quem quer encontrar
Pois não obstante do que já dei
Espero que a vida um dia soe a lar.
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Tentando Manter O Que Dista
Por vós veio um dia a morte do verão,
Delicada e silente veio devagarinho
E ao adormecer, ao passar do serão,
Ainda me podiam ouvir gritar baixinho
Os nomes das estrelas do firmamento
Que tal um rio apeavam num canto
Recitado por um coração ao vento
Era então esse da criança o encanto,
Adormecia então gigantes sem querer
Enquanto camas vazias se apinhavam
Tal folhas caídas era ver-me estremecer
Aonde não havia nem estrada nem vista
Por onde meus cantos já não se escutavam
Tentando manter o que de mim ainda dista.
Delicada e silente veio devagarinho
E ao adormecer, ao passar do serão,
Ainda me podiam ouvir gritar baixinho
Os nomes das estrelas do firmamento
Que tal um rio apeavam num canto
Recitado por um coração ao vento
Era então esse da criança o encanto,
Adormecia então gigantes sem querer
Enquanto camas vazias se apinhavam
Tal folhas caídas era ver-me estremecer
Aonde não havia nem estrada nem vista
Por onde meus cantos já não se escutavam
Tentando manter o que de mim ainda dista.
domingo, 31 de maio de 2015
O Fardo de Quem Não Tem Peso
O fardo de quem não tem peso
E vai deambulando pelos dias
Sob o céu aberto sente-se preso
É vê-lo em mil e uma correrias,
E vai deambulando pelos dias
Sob o céu aberto sente-se preso
É vê-lo em mil e uma correrias,
Outro dia e outro horizonte perdido,
Ouçam o covarde de porta aberta,
Perde-se a hora, perde-se o sentido
Que quando o mundo passa tal oferta
Ouçam o covarde de porta aberta,
Perde-se a hora, perde-se o sentido
Que quando o mundo passa tal oferta
O caminhante se recusa a caminhar,
Quase não há restos de bela magia
E até sítios onde se podia encontrar
Quase não há restos de bela magia
E até sítios onde se podia encontrar
Música de fundo perdeu sua melodia,
Quase não se ouve o mundo a passar
Na loucura que é o mundano dia a dia.
Quase não se ouve o mundo a passar
Na loucura que é o mundano dia a dia.
sábado, 30 de maio de 2015
O Tiquetaque da Hora Má
A sua voz é a possível proximidade,
O silêncio caiado pela sua presença,
Por cada palavra deixada vem a saudade
Que é largada ao esmo da indiferença,
O silêncio caiado pela sua presença,
Por cada palavra deixada vem a saudade
Que é largada ao esmo da indiferença,
A queda do coração é dia comum,
O cansaço de quem tanto aguarda
Os instantes em que me sinto mais um
Esquecem os bons tempos da retaguarda,
O cansaço de quem tanto aguarda
Os instantes em que me sinto mais um
Esquecem os bons tempos da retaguarda,
Venha a chegada seja aonde quer que seja
Desde que o dia surja e a noite se vá,
Quem dera ainda ter a luz que beija
Desde que o dia surja e a noite se vá,
Quem dera ainda ter a luz que beija
Os contornos de quem se deixa por cá
E ao não ser o mundo todo inveja
Pelo tiquetaque da hora má...
E ao não ser o mundo todo inveja
Pelo tiquetaque da hora má...
segunda-feira, 18 de maio de 2015
Uma Lágrima
Uma lágrima por todos os dias idos,
Aqueles dias em que dormi sem sono,
Aquém do horizonte jazem escondidos,
Aquém de mim são todo o meu abandono,
Uma lágrima aos dias que serão esquecidos,
Por serem pouco, por serem quase nada,
Por não chegarem a ser pois foram perdidos
Precisamente quando os colocava à alçada
De um tempo que nunca em si teve tempo,
Uma lágrima para quem não teve coragem
Pois ao ir, não foi na brisa quedou-se o alento
E do ar quentinho ficou apenas uma friagem
Ficando sem nunca ser, sendo tom de cinzento,
Caminhando o caminho sem nunca ser viagem.
Aqueles dias em que dormi sem sono,
Aquém do horizonte jazem escondidos,
Aquém de mim são todo o meu abandono,
Uma lágrima aos dias que serão esquecidos,
Por serem pouco, por serem quase nada,
Por não chegarem a ser pois foram perdidos
Precisamente quando os colocava à alçada
De um tempo que nunca em si teve tempo,
Uma lágrima para quem não teve coragem
Pois ao ir, não foi na brisa quedou-se o alento
E do ar quentinho ficou apenas uma friagem
Ficando sem nunca ser, sendo tom de cinzento,
Caminhando o caminho sem nunca ser viagem.
Este Tempo é Cansaço
Este tempo de que sou passageiro,
Este tempo que é todo o meu cansaço,
Parece vida atirada para o bueiro,
Que soa a não vida em tudo que faço,
Este tempo que é todo o meu cansaço,
Parece vida atirada para o bueiro,
Que soa a não vida em tudo que faço,
Do tido como maior ao mais pequeno,
Meados num silêncio feito de sono,
É olhar cerrado num gesto obsceno,
Toda a queda de uma folha ao outono,
Meados num silêncio feito de sono,
É olhar cerrado num gesto obsceno,
Toda a queda de uma folha ao outono,
Mãe é o teu filho que chora ao vento,
Neste cansaço feito de porções de nada,
Que é tão calado e faz-se tão barulhento
Neste cansaço feito de porções de nada,
Que é tão calado e faz-se tão barulhento
E vai deixando a alma abandonada
Pois é tanto e tanto e tanto o desalento
Que mal sinto as indentações da almofada
Pois é tanto e tanto e tanto o desalento
Que mal sinto as indentações da almofada
quarta-feira, 13 de maio de 2015
Não Chega O Tempo Que Tenho
Já não me chega o tempo que tenho
Preciso de algum tempo emprestado,
Pois é neste meio ir que contenho
Todo o tempo que parece parado,
Preciso de tempo para as horas mortas
Para as ir enchendo de entulho,
É assim que pelas pontes tortas
As vou ocupando de barulho,
Assim que passam silenciosos segundos
Pela estrada que é sempre partida,
É assim que vêm e vão mundos
Preenchendo o tempo que é a vida
Onde quem não tem tempo é moribundo
Quando o tempo em si não tem saída.
Preciso de algum tempo emprestado,
Pois é neste meio ir que contenho
Todo o tempo que parece parado,
Preciso de tempo para as horas mortas
Para as ir enchendo de entulho,
É assim que pelas pontes tortas
As vou ocupando de barulho,
Assim que passam silenciosos segundos
Pela estrada que é sempre partida,
É assim que vêm e vão mundos
Preenchendo o tempo que é a vida
Onde quem não tem tempo é moribundo
Quando o tempo em si não tem saída.
sexta-feira, 8 de maio de 2015
No Palco Que Vejo
No palco que vejo já não há lugar,
Lugar nem tão pouco há na plateia,
Estes tempos têm sido o deixar andar,
Só ficando uma mão cheia de areia
Que não é de quem se vê como actor
Nem tão pouco o é mero observante
É espaço não ocupado, pungente dor,
De quem não vê bem o futuro adiante,
Passam os dias parecendo noites idas
De discurso tido em silêncio calado,
Não é assim que se passam mil vidas,
Não é assim que virá a ele o destinado,
Parece só ficar um molho de dúvidas,
Parece apenas surgir o não ansiado.
Lugar nem tão pouco há na plateia,
Estes tempos têm sido o deixar andar,
Só ficando uma mão cheia de areia
Que não é de quem se vê como actor
Nem tão pouco o é mero observante
É espaço não ocupado, pungente dor,
De quem não vê bem o futuro adiante,
Passam os dias parecendo noites idas
De discurso tido em silêncio calado,
Não é assim que se passam mil vidas,
Não é assim que virá a ele o destinado,
Parece só ficar um molho de dúvidas,
Parece apenas surgir o não ansiado.
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Quando me For
Quando me for, dedicas-me uma elegia?
Daquelas mais antigas que o tempo em si,
Que ela traga do sonho um pouco de magia,
Que me lembre das centelhas que já prometi,
Quando me for, fazes de conta que te lembras?
Não me importo que vá ou que seja a partida,
Espero deixar algo por cá para além de sombras
Espero promover Amor sem alguma contrapartida,
Quando me for, não chorem sobre o meu caixão,
Sorrirei de sorriso aberto ante o trilho incerto,
De orelha sobre o firmamento ouvireis meu coração,
No silêncio de uma sala, esquecei esta passagem,
Apesar de totalmente imóvel estarei bem desperto
Quando deixar a terra e retomar a derradeira viagem.
Daquelas mais antigas que o tempo em si,
Que ela traga do sonho um pouco de magia,
Que me lembre das centelhas que já prometi,
Quando me for, fazes de conta que te lembras?
Não me importo que vá ou que seja a partida,
Espero deixar algo por cá para além de sombras
Espero promover Amor sem alguma contrapartida,
Quando me for, não chorem sobre o meu caixão,
Sorrirei de sorriso aberto ante o trilho incerto,
De orelha sobre o firmamento ouvireis meu coração,
No silêncio de uma sala, esquecei esta passagem,
Apesar de totalmente imóvel estarei bem desperto
Quando deixar a terra e retomar a derradeira viagem.
Um Barquito e Um Trenó Cruzaram-se
Um barco amarelo sob um céu azul
Acenando adiante onde havia maré,
O barquito tocava as margens e a sul
Ágil ele se remetia com toda a sua fé,
Um trenó ia sobre neves esbranquiçadas
Sorrindo em frente onde havia curvas,
Lá ia ele por sendas nunca trilhadas
Por trilhos inexplorados e águas turvas,
Eis que enfim o mundo se tinha retirado,
O céu era mais azul, a neve mais branca,
Havia pássaros no ar e este era reciclado,
Um barco se cruzava com um pequeno trenó
Ao que um jovial verão ao inverno encanta
E tudo vinha e se ia, ao acordar de um ó-ó.
Acenando adiante onde havia maré,
O barquito tocava as margens e a sul
Ágil ele se remetia com toda a sua fé,
Um trenó ia sobre neves esbranquiçadas
Sorrindo em frente onde havia curvas,
Lá ia ele por sendas nunca trilhadas
Por trilhos inexplorados e águas turvas,
Eis que enfim o mundo se tinha retirado,
O céu era mais azul, a neve mais branca,
Havia pássaros no ar e este era reciclado,
Um barco se cruzava com um pequeno trenó
Ao que um jovial verão ao inverno encanta
E tudo vinha e se ia, ao acordar de um ó-ó.
Esperamos Aqui
Esperamos aqui, face ao precipício do mundo,
Silenciosos de mão na alma e alma no coração,
Sendo os trapos dos farrapos e o pé do vagabundo
Aquele pequeno pedaço que almejo não ser em vão,
Esperamos aqui, de frente para o que já passou,
Mudos e silentes onde perdemos o nosso irmão,
Independentemente de quanto ele já amou,
Saibam! Era por ele que ainda sentia ter chão
Para caminhar além do horizonte, além de nós,
Mesmo quando longe parecia ele ainda chegar
Sem temor erguia-se o homem, erguia-se a voz
Para logo adormecer num cansaço reticente,
Esperamos aqui, por prometido bem-estar
Podia ele ser homem mesmo que inocente?
Silenciosos de mão na alma e alma no coração,
Sendo os trapos dos farrapos e o pé do vagabundo
Aquele pequeno pedaço que almejo não ser em vão,
Esperamos aqui, de frente para o que já passou,
Mudos e silentes onde perdemos o nosso irmão,
Independentemente de quanto ele já amou,
Saibam! Era por ele que ainda sentia ter chão
Para caminhar além do horizonte, além de nós,
Mesmo quando longe parecia ele ainda chegar
Sem temor erguia-se o homem, erguia-se a voz
Para logo adormecer num cansaço reticente,
Esperamos aqui, por prometido bem-estar
Podia ele ser homem mesmo que inocente?
terça-feira, 28 de abril de 2015
De Onde Parti
De onde parti e deixei a casa um dia,
Vesti-me em trapos para não esquecer,
O assobio despreocupado, toda a ousadia,
Todo o espaço até finalmente morrer,
Vesti-me em trapos para não esquecer,
O assobio despreocupado, toda a ousadia,
Todo o espaço até finalmente morrer,
Por meio coração o que o realmente serena,
Anseio o vertical numa vida repleta de cor,
O monocromático não me apela nem me acena,
Não confere brilho aos rebentos de flor,
Anseio o vertical numa vida repleta de cor,
O monocromático não me apela nem me acena,
Não confere brilho aos rebentos de flor,
Faço deste fôlego o caderno das viagens,
A beleza perante o escape sem fuga,
Uma inteira vida entre cantos e margens
A beleza perante o escape sem fuga,
Uma inteira vida entre cantos e margens
Pois ao envelhecer e da sua primeira ruga
Que faça caminho onde não há passagens
E que vá bem por onde o menos bom se conjuga.
Que faça caminho onde não há passagens
E que vá bem por onde o menos bom se conjuga.
Esta Vida é Feita de Pequenos Nadas
Esta vida é feita de pequenos nadas,
Detalhes ínfimos quase sem valor
Permitem a passagem das alvoradas
Conferindo pequenos pincéis de cor
Que vão pintando luas e sois dourados,
Coisas que amanhã se vão esquecendo
Desde que em cada instante sejam amados
São nossas mesmo que se vão perdendo
Aceitando e dando de braços bem abertos
Maior é a porção de mim em mim retida,
Passam as estações e os dias incertos
Vão ditando os intervalos de uma vida
Por um a um pequenos nadas encobertos
Nesta viagem que tenho tão querida.
Detalhes ínfimos quase sem valor
Permitem a passagem das alvoradas
Conferindo pequenos pincéis de cor
Que vão pintando luas e sois dourados,
Coisas que amanhã se vão esquecendo
Desde que em cada instante sejam amados
São nossas mesmo que se vão perdendo
Aceitando e dando de braços bem abertos
Maior é a porção de mim em mim retida,
Passam as estações e os dias incertos
Vão ditando os intervalos de uma vida
Por um a um pequenos nadas encobertos
Nesta viagem que tenho tão querida.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Sou a Encruzilhada Horizontal e Vertical
Sou do ser uma íngreme encruzilhada
Que é ora horizontal, ora vertical,
Submetendo-se ao vento da estrada
Algures entre o sonhado e o quase real,
Quase se renuncia ao que é do mundo,
Aquele peso das dúvidas e do mais,
E finalmente se lembra do lugar oriundo,
As bem-aventuranças, os êxtases que tais
Que são silêncio velho na mão do trabalho,
Deixando de ser pedinte por mais ego,
Todo o oceano se torna gota d’orvalho
Para não mais sentir este eu que ainda sou,
Para permitir ser a vista deixando o cego,
Para ser apenas o que é e cá chegou.
Que é ora horizontal, ora vertical,
Submetendo-se ao vento da estrada
Algures entre o sonhado e o quase real,
Quase se renuncia ao que é do mundo,
Aquele peso das dúvidas e do mais,
E finalmente se lembra do lugar oriundo,
As bem-aventuranças, os êxtases que tais
Que são silêncio velho na mão do trabalho,
Deixando de ser pedinte por mais ego,
Todo o oceano se torna gota d’orvalho
Para não mais sentir este eu que ainda sou,
Para permitir ser a vista deixando o cego,
Para ser apenas o que é e cá chegou.
segunda-feira, 20 de abril de 2015
E Se Me Perder
Se errar no meu caminho dás-me a mão?
Se cambalear sozinho e acabar por vacilar,
Dás-me um abraço que me cubra o coração
Serás o motivo que me faz sempre regressar?
Se me for e me perder ouvirás a minha voz?
Se entortar a vereda e no fim não me encontrar,
Dás-me um beijo que relembre o nosso “nós”
Naquele lugar onde esqueci o que era amar?
E se for e me esquecer que quererei um dia voltar,
Se empalidecer e não houver espaço para colorir
Dar-me-ás a outra mão, ir-me-ás a Hades buscar,
Esteja onde esteja e esteja o que estiver para vir
Não tenho tempo a perder mesmo quando não sei ir
Nem tenho ideias para onde ir ou mote para dar
Pois há vezes em que o cinzento não sabe sorrir
Há vezes em que há vezes em que não sei procurar.
Se cambalear sozinho e acabar por vacilar,
Dás-me um abraço que me cubra o coração
Serás o motivo que me faz sempre regressar?
Se me for e me perder ouvirás a minha voz?
Se entortar a vereda e no fim não me encontrar,
Dás-me um beijo que relembre o nosso “nós”
Naquele lugar onde esqueci o que era amar?
E se for e me esquecer que quererei um dia voltar,
Se empalidecer e não houver espaço para colorir
Dar-me-ás a outra mão, ir-me-ás a Hades buscar,
Esteja onde esteja e esteja o que estiver para vir
Não tenho tempo a perder mesmo quando não sei ir
Nem tenho ideias para onde ir ou mote para dar
Pois há vezes em que o cinzento não sabe sorrir
Há vezes em que há vezes em que não sei procurar.
domingo, 19 de abril de 2015
Ao Doce Sossego da Melancolia
Passam as horas e passa o instante
É a distância a ela que dita o futuro
Lágrimas caem muito e até bastante
Procurando então eu por luz no escuro,
Sua mão na minha era a minha na sua,
Com cordas subtis e um beijo na testa,
Parecia mentira mas era verdade crua
Era o último pedaço que em mim resta,
Pois havia alguns bocados e até porções
De beleza e um pouco de esperança
Ditando o diálogo entre dois corações,
Descendo uma escadaria após escadaria
Quase esqueço os prantos e o que cansa
Ao abraço do doce sossego da melancolia.
É a distância a ela que dita o futuro
Lágrimas caem muito e até bastante
Procurando então eu por luz no escuro,
Sua mão na minha era a minha na sua,
Com cordas subtis e um beijo na testa,
Parecia mentira mas era verdade crua
Era o último pedaço que em mim resta,
Pois havia alguns bocados e até porções
De beleza e um pouco de esperança
Ditando o diálogo entre dois corações,
Descendo uma escadaria após escadaria
Quase esqueço os prantos e o que cansa
Ao abraço do doce sossego da melancolia.
terça-feira, 14 de abril de 2015
Salvamos Cêntimos
Salvamos cêntimos e esquecemos o agora,
Esperamos que seja encontrado o norte,
Desejamos que o tempo se vá embora
E que estes dias não findem na morte,
Pois salvamos alguns cêntimos esperançando
Com o amanhã onde corremos e amuámos
Em chuvas mil onde se vai caminhando
Aquele caminho que nem lembrámos,
Vamos não como quem vai mas como escapa
Da pluma ao orvalho da meia metade
Assim se é o meio de quem vive à socapa
E cedo se apercebe o quão tarde é tarde
Por onde vai quem no sítio ainda derrapa
Não sabendo bem se é herói ou covarde.
Esperamos que seja encontrado o norte,
Desejamos que o tempo se vá embora
E que estes dias não findem na morte,
Pois salvamos alguns cêntimos esperançando
Com o amanhã onde corremos e amuámos
Em chuvas mil onde se vai caminhando
Aquele caminho que nem lembrámos,
Vamos não como quem vai mas como escapa
Da pluma ao orvalho da meia metade
Assim se é o meio de quem vive à socapa
E cedo se apercebe o quão tarde é tarde
Por onde vai quem no sítio ainda derrapa
Não sabendo bem se é herói ou covarde.
domingo, 5 de abril de 2015
Fez-se O Frio Lancinante da Bruma
Então fez-se o frio lancinante da bruma,
A tristeza de quem o tão belo já viu,
Do esvoaçar um fardo se tornou a pluma
E quase tudo, tudo tudo finalmente ruiu,
O murmúrio era silente e desbocado
Tal o regatear que raramente cessa,
Seria o viandante o grande culpado
Por ter acreditado na promessa
Que era de paz e luz a qualquer amigo?
Eis que agora veio a hora de dormir
Lá por cima me encontrarei contigo
Enquanto por cá enfim choramingo
É por causa de todo este sentir
Que quase já não tenho domingo.
A tristeza de quem o tão belo já viu,
Do esvoaçar um fardo se tornou a pluma
E quase tudo, tudo tudo finalmente ruiu,
O murmúrio era silente e desbocado
Tal o regatear que raramente cessa,
Seria o viandante o grande culpado
Por ter acreditado na promessa
Que era de paz e luz a qualquer amigo?
Eis que agora veio a hora de dormir
Lá por cima me encontrarei contigo
Enquanto por cá enfim choramingo
É por causa de todo este sentir
Que quase já não tenho domingo.
quinta-feira, 26 de março de 2015
Um Pássaro Negro
Um pássaro negro pousa na minha janela
Olhando me bem nos olhos sem pestanejar,
Pergunta-me o que fiz nesta hora ou naquela
Se usufruí tal santo louco até ele me levar,
Um pássaro negro grasna deste alpendre,
Duas plumas de negro e branco larga
Uma que traz sonhos outra que me prende
Tal e qual esta vida ora doce ora amarga,
Um pássaro negro segue-me onde vou
Esperançando com a minha má sorte
Relembrando o quão frágil eu sou
Será ele luz ou sombra dentre a neblina
Ou me trará vida ou será a minha morte
Esperando-me porventura a cada esquina.
Olhando me bem nos olhos sem pestanejar,
Pergunta-me o que fiz nesta hora ou naquela
Se usufruí tal santo louco até ele me levar,
Um pássaro negro grasna deste alpendre,
Duas plumas de negro e branco larga
Uma que traz sonhos outra que me prende
Tal e qual esta vida ora doce ora amarga,
Um pássaro negro segue-me onde vou
Esperançando com a minha má sorte
Relembrando o quão frágil eu sou
Será ele luz ou sombra dentre a neblina
Ou me trará vida ou será a minha morte
Esperando-me porventura a cada esquina.
sábado, 21 de março de 2015
Vou Esperando: Por Ela
Vou esperando pela voz dela, moça donzela,
Espero por ela e vou aguardando assim
Desta feita fujo dos mas, escapo à cela
Que ainda habita dentro de mim,
Roubo-lhe um beijo, pastoreio-lhe outro beijo,
Sou completo ladrão e também bom pastor
Por aquilo que vou vendo assim vejo
Como se vai soletrando a palavra Amor,
Cansado, em seu regaço poiso minha cabeça
Escutando o silêncio do mundo e arredores
Passa tudo e é como que nada aconteça,
Tenho aqui o que para este mundo preciso
Pois ao menos bom vêm os esplendores
Que ainda ficam impressos neste sorriso.
Espero por ela e vou aguardando assim
Desta feita fujo dos mas, escapo à cela
Que ainda habita dentro de mim,
Roubo-lhe um beijo, pastoreio-lhe outro beijo,
Sou completo ladrão e também bom pastor
Por aquilo que vou vendo assim vejo
Como se vai soletrando a palavra Amor,
Cansado, em seu regaço poiso minha cabeça
Escutando o silêncio do mundo e arredores
Passa tudo e é como que nada aconteça,
Tenho aqui o que para este mundo preciso
Pois ao menos bom vêm os esplendores
Que ainda ficam impressos neste sorriso.
quinta-feira, 19 de março de 2015
No Centro da Cidade Pt. XIX: Onde Se Respira
É quando me dobro por curvas e esquinas
Que me torno rio levado pela corrente,
Sou essa fluir de água bem cristalina
Que se lança, sem cair, em frente,
Gosto do candeeiros que voam alados,
Soltando os pássaros, a deixá-los ir,
É vê-los dispersando por vários lados
E então nesse olhar conseguir sentir
O espaço entre a terra e tudo o que é céu,
Quebrar o elo ao gatinhar, andar e correr,
Nada disto me pertence, nada é meu,
Para ir mais além, indo para a frente,
Pois aquele que vai para trás morre,
Serei então fim da noite, a luz poente.
Que me torno rio levado pela corrente,
Sou essa fluir de água bem cristalina
Que se lança, sem cair, em frente,
Gosto do candeeiros que voam alados,
Soltando os pássaros, a deixá-los ir,
É vê-los dispersando por vários lados
E então nesse olhar conseguir sentir
O espaço entre a terra e tudo o que é céu,
Quebrar o elo ao gatinhar, andar e correr,
Nada disto me pertence, nada é meu,
Para ir mais além, indo para a frente,
Pois aquele que vai para trás morre,
Serei então fim da noite, a luz poente.
No Centro da Cidade Pt. XVIII: Para Viver Ainda Vamos a Tempo
Este jardim entre nós tem um perfume diferente,
Percebo-o enquanto sorvo um botão de rosa,
Procurando encontrar o trilho aqui presente
Até fico um louco de tão bela e cheirosa
Que é essa flor com o seu caule hasteado
Não lhe chega neste poema dez versos
Para lhe conceder um bom bocado
Na minha ponta deste universo,
Aqui temos Lua, finalmente ela é real
Sua luz intermitente sobre a cabeça
De quem ousa ser na aurora boreal
Pássaro e asa como se não tivesse vento
Para terminar o puzzle a última peça
Pois para adejar ainda vamos a tempo.
Percebo-o enquanto sorvo um botão de rosa,
Procurando encontrar o trilho aqui presente
Até fico um louco de tão bela e cheirosa
Que é essa flor com o seu caule hasteado
Não lhe chega neste poema dez versos
Para lhe conceder um bom bocado
Na minha ponta deste universo,
Aqui temos Lua, finalmente ela é real
Sua luz intermitente sobre a cabeça
De quem ousa ser na aurora boreal
Pássaro e asa como se não tivesse vento
Para terminar o puzzle a última peça
Pois para adejar ainda vamos a tempo.
No Centro da Cidade Pt. XVII: Perguntas ao Silêncio
Tentei ao silêncio fazer perguntas
E não obtive nenhuma resposta,
Seria ele o pai das já defuntas?
É a solidão com a proposta…
De nada ouvir e tão pouco dizer
Assim se dá vivas à ausência
Não é bem vida, é meio viver
Sem saber bem a importância,
O percurso é tudo o que faremos
Importa bem saber por onde ir,
Não obstante do que teremos
Até um certo dia dele se cair
Só importa o que seremos
Convém não dele sair.
E não obtive nenhuma resposta,
Seria ele o pai das já defuntas?
É a solidão com a proposta…
De nada ouvir e tão pouco dizer
Assim se dá vivas à ausência
Não é bem vida, é meio viver
Sem saber bem a importância,
O percurso é tudo o que faremos
Importa bem saber por onde ir,
Não obstante do que teremos
Até um certo dia dele se cair
Só importa o que seremos
Convém não dele sair.
No Centro da Cidade Pt. XVI: Restos de Uma Bruma
Ainda me envolve restos de uma bruma
E variantes do mesmo tom e coloração,
É meio névoa, meio céu aberto de uma
Manhã levada no trecho de mão em mão,
Já quase me vejo a mim próprio a partir
No branco deslizante da nuvem de algodão
E de tanto me esperar mal me sinto a ir
Até parecer que deixo para trás uma oração
Que é feita de poesia, nua e crua poesia
Como se a mágoa não fosse nenhuma
E de repente me sinto inundado por alegria
Que parece nem sequer me pertencer
Este é o preço de quem vai na pluma
E se arrisca no entretanto a se perder.
E variantes do mesmo tom e coloração,
É meio névoa, meio céu aberto de uma
Manhã levada no trecho de mão em mão,
Já quase me vejo a mim próprio a partir
No branco deslizante da nuvem de algodão
E de tanto me esperar mal me sinto a ir
Até parecer que deixo para trás uma oração
Que é feita de poesia, nua e crua poesia
Como se a mágoa não fosse nenhuma
E de repente me sinto inundado por alegria
Que parece nem sequer me pertencer
Este é o preço de quem vai na pluma
E se arrisca no entretanto a se perder.
No Centro da Cidade Pt. XV: Perdoa Mãe
Desculpa mãe, perdoa esta parte assim
Que é tantas vezes deixada ao desalento
E também por tratar tão pobremente de mim
É a cidade que me cega e me torna sonolento,
Por ter esquecido tantas vezes do importante
Lamento a entropia que hei aqui causado,
É que por vezes torno-me cavaleiro andante
Que não sabe bem por onde há cavalgado,
Perdoa-me as ofensas que contra mim causei,
Todos os momentos em que deixei andar,
Dessas tantas vezes perdoa pois nem eu sei
Por vezes o espaço entre o gatinhar e o voar
Mas acredita, fiz tudo o que pude e até amei
As ocasiões quebradas que cingem meu estar.
Que é tantas vezes deixada ao desalento
E também por tratar tão pobremente de mim
É a cidade que me cega e me torna sonolento,
Por ter esquecido tantas vezes do importante
Lamento a entropia que hei aqui causado,
É que por vezes torno-me cavaleiro andante
Que não sabe bem por onde há cavalgado,
Perdoa-me as ofensas que contra mim causei,
Todos os momentos em que deixei andar,
Dessas tantas vezes perdoa pois nem eu sei
Por vezes o espaço entre o gatinhar e o voar
Mas acredita, fiz tudo o que pude e até amei
As ocasiões quebradas que cingem meu estar.
No Centro da Cidade Pt. XIV: De Costas...
De costas para a cidade rumou sobre o poente,
Novamente passo a passo foi para a aldeia
E o extremo frio foi-se tornando quente
Já esperava que fosse bela, não feia
Tal a cidade e seus escombros pesados,
Na aldeia havia tempo para liberdade
E tempo para estar na relva deitados,
Isso devia ser e não ter tempo ou idade,
Quero ver as nuvens passar, a grama crescer
E belos beija-flores a esvoaçar simples e leves
Apontar estrelas cadentes até deixar de as ver
Pois todo o instante é tão infinitamente breve
Que por vezes nem tem seu tempo para ser
Na grande história que uma vida escreve.
Novamente passo a passo foi para a aldeia
E o extremo frio foi-se tornando quente
Já esperava que fosse bela, não feia
Tal a cidade e seus escombros pesados,
Na aldeia havia tempo para liberdade
E tempo para estar na relva deitados,
Isso devia ser e não ter tempo ou idade,
Quero ver as nuvens passar, a grama crescer
E belos beija-flores a esvoaçar simples e leves
Apontar estrelas cadentes até deixar de as ver
Pois todo o instante é tão infinitamente breve
Que por vezes nem tem seu tempo para ser
Na grande história que uma vida escreve.
No Centro da Cidade Pt. XIII: Um Dia Ele Acordou
E um dia o viandante acordou de seu torpor
A cidade havia se tornado um fardo enorme,
Pois tinha-lhe sugado vida, tons e amor
E deixado apenas uma estranha fome
Que não era possível alguma vez saciar
Pois não se alimentava também sua asa
Então foi assim que ele voltou a caminhar
Procurando outro lugar para chamar casa,
Além do horizonte encontrou uma aldeia
E seguiu para lá, ao chegar pensou então
Cadê a não vida, cadê a morte e sua teia?
Pois aqui até tinha quem lhe desse a mão
Eram simples as pessoas e à sua ideia
Só devia estar onde preenchesse o coração.
A cidade havia se tornado um fardo enorme,
Pois tinha-lhe sugado vida, tons e amor
E deixado apenas uma estranha fome
Que não era possível alguma vez saciar
Pois não se alimentava também sua asa
Então foi assim que ele voltou a caminhar
Procurando outro lugar para chamar casa,
Além do horizonte encontrou uma aldeia
E seguiu para lá, ao chegar pensou então
Cadê a não vida, cadê a morte e sua teia?
Pois aqui até tinha quem lhe desse a mão
Eram simples as pessoas e à sua ideia
Só devia estar onde preenchesse o coração.
Sonhar: A Necessidade De...
Sonhando escolho os de alegria e mágoa,
De todos eles para atiçar a chama do amor,
Esses sonhos a esboço de marca d'água,
Ao serviço de outros os coloco a seu dispor,
Peço apenas aqueles que mais alto estão
Aqueles sonhos que erigem mitos e lendas
Pois se colocar a mão sobre o coração
São os únicos dignos de serem prendas
Não engano ninguém neste andar tosco
Porém no devaneio sou mais do que eu
Sou eu e o sonhado a esvoaçar convosco
E que esbelto voar é, que choro e sorriso
Agradeço o partilhado mas nada é meu
Por isso sei que do seu brilho preciso.
De todos eles para atiçar a chama do amor,
Esses sonhos a esboço de marca d'água,
Ao serviço de outros os coloco a seu dispor,
Peço apenas aqueles que mais alto estão
Aqueles sonhos que erigem mitos e lendas
Pois se colocar a mão sobre o coração
São os únicos dignos de serem prendas
Não engano ninguém neste andar tosco
Porém no devaneio sou mais do que eu
Sou eu e o sonhado a esvoaçar convosco
E que esbelto voar é, que choro e sorriso
Agradeço o partilhado mas nada é meu
Por isso sei que do seu brilho preciso.
Esta Breve Viagem: Ainda Está Para Ser Conhecida
Esta breve viagem é feita de mares e ventos,
Vêm as acalmias para dar vez à tempestade
E eu, entre as ondas e a orla dos tempos
Sou eu aquele que se divide em metade,
Há vezes em que vejo fragmentos deixados,
Que cante bem alto o que alma vai sentindo
Pois a passagem são bons e maus bocados
Que se escrevem no trilho que vou seguindo
Até renascer por completo como parte da estrada
Como parte da poesia que deixei ou está comigo,
Preciso de paixão e compasso para a sentir amada
Pois passando, será passada, até enfim esquecida
Pois parte de mim trago outra parte está no ido
Parte de mim já foi e outra ainda será conhecida.
Vêm as acalmias para dar vez à tempestade
E eu, entre as ondas e a orla dos tempos
Sou eu aquele que se divide em metade,
Há vezes em que vejo fragmentos deixados,
Que cante bem alto o que alma vai sentindo
Pois a passagem são bons e maus bocados
Que se escrevem no trilho que vou seguindo
Até renascer por completo como parte da estrada
Como parte da poesia que deixei ou está comigo,
Preciso de paixão e compasso para a sentir amada
Pois passando, será passada, até enfim esquecida
Pois parte de mim trago outra parte está no ido
Parte de mim já foi e outra ainda será conhecida.
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