Amor, fantasmas de mortos vivos lá fora,
Arranhando os vidros azuis sem parar,
Não dormirei bem, tão tardia vai a hora,
Quanto tempo sem tempo virá sem passar?
Amor, deixei a minha porta entreaberta
E cá fora apenas solidão, frio e tristeza,
Sim vim de cantos obtusos pela rua incerta
Mas só prova a Vida quem morre por beleza,
Assim honro-a ao morrer, morrer, morrer…
Porém abri a porta raia a madrugada,
Se não a abrirdes então deveis saber
Que jamais saberei o que é a chegada,
Fui à Guerra das Rosas para me render
A vós Amor, a mais sublime emboscada…
Blog de um músico e poeta português onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Aos Embriagados: Bem Acompanhados
Ilustre e querido estranho - melhor amigo,
Esta noite, ombro a ombro, lado a lado,
Grato por aguentares tão bem comigo,
... agora que bebamos mais um bocado!
Até se tornam mais toleráveis as pessoas
E as luzes citadinas em minha maravilha,
Enfim, aí todas se tornam tão boas,
Vem o brilho donde nenhum sol brilha,
Vomito na rua, no passeio e pelo beco,
Nesta nossa bela ebriedade ligeira
E se um dia julgar estar desperto
Que me torne novamente na bebedeira,
Pois por duas sombras estou coberto
São elas a loucura!!!... e a minha canseira....
Esta noite, ombro a ombro, lado a lado,
Grato por aguentares tão bem comigo,
... agora que bebamos mais um bocado!
Até se tornam mais toleráveis as pessoas
E as luzes citadinas em minha maravilha,
Enfim, aí todas se tornam tão boas,
Vem o brilho donde nenhum sol brilha,
Vomito na rua, no passeio e pelo beco,
Nesta nossa bela ebriedade ligeira
E se um dia julgar estar desperto
Que me torne novamente na bebedeira,
Pois por duas sombras estou coberto
São elas a loucura!!!... e a minha canseira....
terça-feira, 30 de setembro de 2014
Silêncio: Entre Mim e o Seu Quarto
Silêncio - entre mim e o seu quarto,
Conto segundos através de suspiros
E certas palavras gastas, assim parto,
Ela é em mim e eu seu apartado retiro
De sua voz e seu sorriso, o leve almejo
- Aquele regaço, vertendo tal comorebe,
Frágil sonha, tão delicado tal último beijo
O único anseio que esta boca ainda bebe…
É assim que os anjos caem do paraíso,
Desse seu pedestal um arco-íris de cor
Pois do negro ao branco tudo é preciso
Então que ela seja o carrasco e a flor:
Goya, Yagan, foscos berços, o sorriso...
E a lágrima… queda-se a chama… Amor?
Conto segundos através de suspiros
E certas palavras gastas, assim parto,
Ela é em mim e eu seu apartado retiro
De sua voz e seu sorriso, o leve almejo
- Aquele regaço, vertendo tal comorebe,
Frágil sonha, tão delicado tal último beijo
O único anseio que esta boca ainda bebe…
É assim que os anjos caem do paraíso,
Desse seu pedestal um arco-íris de cor
Pois do negro ao branco tudo é preciso
Então que ela seja o carrasco e a flor:
Goya, Yagan, foscos berços, o sorriso...
E a lágrima… queda-se a chama… Amor?
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Este País: Não É Bem Morte, É Não Vida
Não é bem a morte mas sim a não Vida,
Essa sabe tão, tão bem o que é Portugal
O não abrir ou sequer fechar da ferida,
Essa presença sem vida será meu funeral,
Portanto nem é bem o frio, é a falta de calor,
É uma toda possibilidade não concretizada,
Ter dívida para com ninguém e ser devedor
Por todo um país que mais parece uma cilada
Para quem pôde ou poderia noutra situação,
Posto de parte mas não a parte da equação
E para os inocentes, esqueçam a absolvição,
Aos olhos de todos somos todos um culpado
Será este o fado dos grandes filhos da Nação?
Enquanto o Viver é um não - tal sonho adiado.
Essa sabe tão, tão bem o que é Portugal
O não abrir ou sequer fechar da ferida,
Essa presença sem vida será meu funeral,
Portanto nem é bem o frio, é a falta de calor,
É uma toda possibilidade não concretizada,
Ter dívida para com ninguém e ser devedor
Por todo um país que mais parece uma cilada
Para quem pôde ou poderia noutra situação,
Posto de parte mas não a parte da equação
E para os inocentes, esqueçam a absolvição,
Aos olhos de todos somos todos um culpado
Será este o fado dos grandes filhos da Nação?
Enquanto o Viver é um não - tal sonho adiado.
domingo, 14 de setembro de 2014
Por Janelas de Vidros Azuis Pt. X: Deixando-se Entre Margens
Restos e ecos de suspiros enviados lá p’ra fora,
Hão-se ouvir violoncelos em marca d’água
Onde somente a sombra de ninguém mora
Para além da desolação, a tristeza e a frágua,
Um dia quando a meia-luz da morte pairar,
Esquecei que alguma vez fui nestas ruas,
Até quando o chão ruir e o céu desabar
Olvidai de quando minhas foram idas luas
Brincando com raios de luz nos nós dos dedos
E o mundo era lar logo não tinha segredos,
Havia sempre uma bela canção para partilhar
E por cada novo passo deixado - um todo vaguear,
Mesmo sem chegar, há chegada, mil e um medos
Há que o saber! esquecer... há que o relembrar e o deixar…
Hão-se ouvir violoncelos em marca d’água
Onde somente a sombra de ninguém mora
Para além da desolação, a tristeza e a frágua,
Um dia quando a meia-luz da morte pairar,
Esquecei que alguma vez fui nestas ruas,
Até quando o chão ruir e o céu desabar
Olvidai de quando minhas foram idas luas
Brincando com raios de luz nos nós dos dedos
E o mundo era lar logo não tinha segredos,
Havia sempre uma bela canção para partilhar
E por cada novo passo deixado - um todo vaguear,
Mesmo sem chegar, há chegada, mil e um medos
Há que o saber! esquecer... há que o relembrar e o deixar…
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Entre Margens Pt. IV: Pouco Importa o Fim
Vamos sem medo, um dia seremos lembranças,
Restam ecos de suspiros enviados lá p’ra fora
Quando o frio pára o andar destas andanças
E então somente a sombra de ninguém mora
Cantai-me por favor uma canção de embalar,
Não pretendo enganar a passagem do tempo
E quando este meu olhar deixar de pestanejar
Sabei que Amor irrestrito sempre foi o intento...
As paredes dos labirintos criados então cairão,
Umas últimas palpitações e um pouco de mim
Não mais toda essa preocupação e confusão,
Erguendo escadas para o Céu - vem o querubim,
Tão brando finalmente oferecendo a sua mão...
Se o entre margens foi bom pouco importa o fim.
Restam ecos de suspiros enviados lá p’ra fora
Quando o frio pára o andar destas andanças
E então somente a sombra de ninguém mora
Cantai-me por favor uma canção de embalar,
Não pretendo enganar a passagem do tempo
E quando este meu olhar deixar de pestanejar
Sabei que Amor irrestrito sempre foi o intento...
As paredes dos labirintos criados então cairão,
Umas últimas palpitações e um pouco de mim
Não mais toda essa preocupação e confusão,
Erguendo escadas para o Céu - vem o querubim,
Tão brando finalmente oferecendo a sua mão...
Se o entre margens foi bom pouco importa o fim.
Oressa: O Soneto Que Era Demasiado Longo Para Ser Soneto
Há ruas, ruas fugidias que se dobram às esquinas
Através de sombras de semblantes hoje ausentes,
Onde o riso das crianças se misturava com buzinas
E passava ela, de olhar baixo e caminhar penitente,
Partia por onde passava, procurando sua estrela,
Era amor não capitalizado, deixada à incerteza
De quem certeza de nada tinha e era enfim vê-la
Então passando de sorriso ido, ao abraço da tristeza,
Os mortos eram então reais e as cores proibidas,
De mão no varão da escada, usada e deixada
Entre pássaros e mineiros, eram tantas as descidas
E passava ela, de cabelo solto pelo varão de escada,
Um breve encontro à chuva e à luz de algumas bebidas,
Onde recompondo seu vestido, ia tão longa essa noitada...
(E passava ela por si mesma, sem sequer se encontrar,
Os seus passos esvaeciam ao ruído dessa cidade
E eu já mal a ouvia… e eu já mal a conseguia olhar….)
Através de sombras de semblantes hoje ausentes,
Onde o riso das crianças se misturava com buzinas
E passava ela, de olhar baixo e caminhar penitente,
Partia por onde passava, procurando sua estrela,
Era amor não capitalizado, deixada à incerteza
De quem certeza de nada tinha e era enfim vê-la
Então passando de sorriso ido, ao abraço da tristeza,
Os mortos eram então reais e as cores proibidas,
De mão no varão da escada, usada e deixada
Entre pássaros e mineiros, eram tantas as descidas
E passava ela, de cabelo solto pelo varão de escada,
Um breve encontro à chuva e à luz de algumas bebidas,
Onde recompondo seu vestido, ia tão longa essa noitada...
(E passava ela por si mesma, sem sequer se encontrar,
Os seus passos esvaeciam ao ruído dessa cidade
E eu já mal a ouvia… e eu já mal a conseguia olhar….)
terça-feira, 12 de agosto de 2014
O Homem Inteiro: Entre Pássaros e Mineiros
Enquanto outro dia vai lentamente fugindo,
Todos - Todos sonham e tão poucos o são,
Tal fim de semana parado que se vai esvaindo,
Alguns já nem sabem qual o feitio do seu coração,
Há quem diga que as pessoas felizes levitam
E que ninguém aspira à profissão de mineiro,
Pelo trilho que alguns andam outros hesitam
E que donde uns vêem luz outros são nevoeiro,
Uns ficam à espera e outros são toda uma busca
Quando até o espelho para uns é um estranho
Até o que ilumina a alguns a outros ofusca
E há homens que não nasceram para o rebanho,
Que o quentinho para alguns a outros chamusca
Enfim quem é inteiro não se mede pelo tamanho.
Todos - Todos sonham e tão poucos o são,
Tal fim de semana parado que se vai esvaindo,
Alguns já nem sabem qual o feitio do seu coração,
Há quem diga que as pessoas felizes levitam
E que ninguém aspira à profissão de mineiro,
Pelo trilho que alguns andam outros hesitam
E que donde uns vêem luz outros são nevoeiro,
Uns ficam à espera e outros são toda uma busca
Quando até o espelho para uns é um estranho
Até o que ilumina a alguns a outros ofusca
E há homens que não nasceram para o rebanho,
Que o quentinho para alguns a outros chamusca
Enfim quem é inteiro não se mede pelo tamanho.
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
O Barquito Pt. III: Se Um Dia Naufragar
Se um dia ele se perder, se um dia naufragar,
Não faz mal, pertenceremos ao infindo azul,
Sob o horizonte não imagino melhor lugar
Para dormitar e ser silêncio a Norte ou a Sul,
Sabei que tal leve andorinha navegámos este mar
E se velejar causa ruído, remar mais ruído causa,
Não temerei a tormenta e quando ela for e passar
Será uma honra descansar, ter e ser na eterna pausa,
Sorrirei se naufragarmos pois não seremos só dois,
Levaremos todo o espaço trilhado entre as margens
Os instantes - vós! Sim amigos vivereis em nós pois
E que no porão sejam sempre a mais leve das bagagens,
Perguntai-me o que espero deste resto ou do depois…
Apenas navegar e ter segundos dignos das viagens.
Não faz mal, pertenceremos ao infindo azul,
Sob o horizonte não imagino melhor lugar
Para dormitar e ser silêncio a Norte ou a Sul,
Sabei que tal leve andorinha navegámos este mar
E se velejar causa ruído, remar mais ruído causa,
Não temerei a tormenta e quando ela for e passar
Será uma honra descansar, ter e ser na eterna pausa,
Sorrirei se naufragarmos pois não seremos só dois,
Levaremos todo o espaço trilhado entre as margens
Os instantes - vós! Sim amigos vivereis em nós pois
E que no porão sejam sempre a mais leve das bagagens,
Perguntai-me o que espero deste resto ou do depois…
Apenas navegar e ter segundos dignos das viagens.
O Barquito Pt. II: Foi Feito Para Navegar
O barquito foi feito para navegar e navegar
Por sítios povoados e até por desertos ermos,
Por vezes nem ele nem eu precisamos de mar,
Só de linha do horizonte e uma viagem sem termo,
Eu quase nem falo, pouco sei, um pouco de nada,
Aí um nada de trono, um pouco de Rei nos espera,
Aquele vista que foi nossa e nós às estações deixada,
Beijo no Outono pelo Inverno, ao Verão à Primavera
Sou pássaro e asa passageira quando a noite aqui cai,
De olhar e toque faminto, aprendiz sendo à admiração
Escorregando e mergulhando por onde o vento se vai,
Polén e mel de toda a flôr, por tudo que couber na mão
Esperando a procura tal abraço de filho ante ausente pai,
Pretendo toda a poesia desde que rime com este coração.
Por sítios povoados e até por desertos ermos,
Por vezes nem ele nem eu precisamos de mar,
Só de linha do horizonte e uma viagem sem termo,
Eu quase nem falo, pouco sei, um pouco de nada,
Aí um nada de trono, um pouco de Rei nos espera,
Aquele vista que foi nossa e nós às estações deixada,
Beijo no Outono pelo Inverno, ao Verão à Primavera
Sou pássaro e asa passageira quando a noite aqui cai,
De olhar e toque faminto, aprendiz sendo à admiração
Escorregando e mergulhando por onde o vento se vai,
Polén e mel de toda a flôr, por tudo que couber na mão
Esperando a procura tal abraço de filho ante ausente pai,
Pretendo toda a poesia desde que rime com este coração.
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
O Barquito: Faz-se Ao Mar
Suspirávamos ainda mais calmos que todo o mar,
Acordai! Segundos pouco mais que ponteiros...
Tiquetaques mudos nas ondas a passar, a passar
De relógio desfilando mais ou menos ligeiros,
Daqui vemos quem fomos através dos segundos,
O espaço entre as margens, a zona fronteiriça,
Domicílio para aqueles de nenhures oriundos
E casados com a Vida - essa esposa insubmissa
Que aconchega e atormenta pela luz e treva,
Deus é aquele que se levanta e vai sem saber
E aos cruzamentos se encontra e se enleva,
Por vezes até parando um pouco para se aprender,
Enquanto rápido e devagarinho o barquito o leva
E na orla do mundo se arrisca a um dia se perder.
Acordai! Segundos pouco mais que ponteiros...
Tiquetaques mudos nas ondas a passar, a passar
De relógio desfilando mais ou menos ligeiros,
Daqui vemos quem fomos através dos segundos,
O espaço entre as margens, a zona fronteiriça,
Domicílio para aqueles de nenhures oriundos
E casados com a Vida - essa esposa insubmissa
Que aconchega e atormenta pela luz e treva,
Deus é aquele que se levanta e vai sem saber
E aos cruzamentos se encontra e se enleva,
Por vezes até parando um pouco para se aprender,
Enquanto rápido e devagarinho o barquito o leva
E na orla do mundo se arrisca a um dia se perder.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
A Ema XIII: Sorrisos, Sorrisos, Sorrisos...
Era então em simples gestos através do areal
Onde chapinava os outros com água e sal,
A enseada feita para quem se tinha lembrado
Que o presente é feito de futuro e de passado,
Dançava alada num ponto entre as margens
Que ora passavam ou ficavam por si e nela,
Os instantes sempre eram mediante as aragens
Trazendo-lhe os adornos que a tornavam bela,
Até as cicatrizes refulgiam aos olhos da maré
Que ela reflectia onde o seu bailar incidia
Era então vê-la, delicada, em bicos de pé,
Entretanto um coração em uníssono batia e batia,
Sem saber do porquê alimentava-se de boa fé
Enquanto ela me percorria a alma e sorria, sorria, sorria...
Onde chapinava os outros com água e sal,
A enseada feita para quem se tinha lembrado
Que o presente é feito de futuro e de passado,
Dançava alada num ponto entre as margens
Que ora passavam ou ficavam por si e nela,
Os instantes sempre eram mediante as aragens
Trazendo-lhe os adornos que a tornavam bela,
Até as cicatrizes refulgiam aos olhos da maré
Que ela reflectia onde o seu bailar incidia
Era então vê-la, delicada, em bicos de pé,
Entretanto um coração em uníssono batia e batia,
Sem saber do porquê alimentava-se de boa fé
Enquanto ela me percorria a alma e sorria, sorria, sorria...
Dois Passos: E a Viagem Torna-se Viagem
Após quantas viagens é uma viagem, viagem,
Quantos passos são precisos para enfim chegar,
O que faz do facto concreto ou da ideia miragem
Ou qual o ponto em que é inevitável descansar?
E a quem apetecer caminhar no céu pode?
E a quem só conseguir ficar sem partir?
Nem sempre são os passos ao trilho ode
E o andar nem todas as vezes significa ir,
Será o caminho alguma vez dado por terminado
E se o for, será esse fim no final da estrada?
Sei que o tempo passa para quem há passado
E há vezes em que só deixa um pouco de nada
Para a viagem sei o que há sempre precisado
Dois passos, o da partida e o da chegada...
(e tudo o que estiver pelo meio).
Quantos passos são precisos para enfim chegar,
O que faz do facto concreto ou da ideia miragem
Ou qual o ponto em que é inevitável descansar?
E a quem apetecer caminhar no céu pode?
E a quem só conseguir ficar sem partir?
Nem sempre são os passos ao trilho ode
E o andar nem todas as vezes significa ir,
Será o caminho alguma vez dado por terminado
E se o for, será esse fim no final da estrada?
Sei que o tempo passa para quem há passado
E há vezes em que só deixa um pouco de nada
Para a viagem sei o que há sempre precisado
Dois passos, o da partida e o da chegada...
(e tudo o que estiver pelo meio).
Soneto da Passagem: Para o Tio Virado Avô
Suspirou: “Estou do fim para o resto.”
Enquanto seus olhos ficavam azulados.
"Estou velho, para a viagem já não presto
Aqui é onde os passos se dão por acabados,
Fica com o sorriso de quem tanto há amado,
O olhar e a voz atenta que tão bem te escutou,
Lembra o homem que fui neste corpo hoje quebrado
E que o fim nunca é o fim para quem enfim se encontrou,
Leva ao mar, no barquinho, os conselhos já dados
Aqueles pequenos nadas só entre nós os dois,
Mesmo quando o mundo der voltas aos quadrados
E não faças ideia alguma do que vem depois,
Estarei, meu neto, sempre ao teu lado,
Melhores dias virão um dia pois…"
Enquanto seus olhos ficavam azulados.
"Estou velho, para a viagem já não presto
Aqui é onde os passos se dão por acabados,
Fica com o sorriso de quem tanto há amado,
O olhar e a voz atenta que tão bem te escutou,
Lembra o homem que fui neste corpo hoje quebrado
E que o fim nunca é o fim para quem enfim se encontrou,
Leva ao mar, no barquinho, os conselhos já dados
Aqueles pequenos nadas só entre nós os dois,
Mesmo quando o mundo der voltas aos quadrados
E não faças ideia alguma do que vem depois,
Estarei, meu neto, sempre ao teu lado,
Melhores dias virão um dia pois…"
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Certas Palavras: Não se Dizem
Certas palavras escrevem-se apenas no coração
E por lá ficam silenciosas até ao final do tempo
Tal comboio passando de estação em estação
Sabendo quais passou mas deixando-as ao vento,
Títulos de capítulos de hoje viram rodapés amanhã
Como vestígios de um fotografia tornada rascunho,
Os dias tornam-se noites e os carris trazem-se cá
Numa perpetuidade que se verte neste testemunho,
Aprendo a viver soletrando a ponta de um beijo,
Enquanto os deuses dormirem terei um lugar
Para ser o colibri entre a paixão e o desejo
Inclinado a poente ansiando por fim encontrar
O espaço entre a multidão e aquele ensejo
Onde só vivo e morro ao brilhar! Ao brilhar...
E por lá ficam silenciosas até ao final do tempo
Tal comboio passando de estação em estação
Sabendo quais passou mas deixando-as ao vento,
Títulos de capítulos de hoje viram rodapés amanhã
Como vestígios de um fotografia tornada rascunho,
Os dias tornam-se noites e os carris trazem-se cá
Numa perpetuidade que se verte neste testemunho,
Aprendo a viver soletrando a ponta de um beijo,
Enquanto os deuses dormirem terei um lugar
Para ser o colibri entre a paixão e o desejo
Inclinado a poente ansiando por fim encontrar
O espaço entre a multidão e aquele ensejo
Onde só vivo e morro ao brilhar! Ao brilhar...
terça-feira, 15 de julho de 2014
A Vida Pt. II: É o Renascimento
Então falavam sobre os pequenos fragmentos,
Aqueles que silenciosos pairavam na maresia,
Ouvi mortais! Haveis esquecido sua poesia
E hoje o bastardo é por trilhos poeirentos,
Tossindo e engasgando-se ante a fogueira
Enquanto o seu vizinho envelhece sorrindo,
Alcançando a luz, jaz o homem revindo
Que vai indo de mão aberta na algibeira,
Seu olhar é plena luz diurna, de Deus espelho,
Outros criam garras sob o solo macilento
Vomitando-se em sete tons de vermelho,
Eu? Eu só quero cor onde eles vêem cinzento,
Ser a criança mesmo quando fôr o velho
E um dia morrer mas até lá ser em renascimento.
Aqueles que silenciosos pairavam na maresia,
Ouvi mortais! Haveis esquecido sua poesia
E hoje o bastardo é por trilhos poeirentos,
Tossindo e engasgando-se ante a fogueira
Enquanto o seu vizinho envelhece sorrindo,
Alcançando a luz, jaz o homem revindo
Que vai indo de mão aberta na algibeira,
Seu olhar é plena luz diurna, de Deus espelho,
Outros criam garras sob o solo macilento
Vomitando-se em sete tons de vermelho,
Eu? Eu só quero cor onde eles vêem cinzento,
Ser a criança mesmo quando fôr o velho
E um dia morrer mas até lá ser em renascimento.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
A Ema XII: Sob o Oceano
Sob o azulado oceano jaz ela sossegada,
Daqueles que sonham com a horizonte
Por onde dormita a bela Ema recostada
Tornando-se entre o oceano e o céu a ponte...
E que ela passe por mim em seu caminho,
O mundo não espera quem em si passa
E sim quem grita, grita mas grita baixinho,
Porém até essa tortura tem a sua graça...
Em alturas em que Rosa respira água salgada
Do rio onde nenhum barco tem passagem,
Por vezes até ela se esquece de sua amada
Que acorda feliz atrás do ar tal miragem
Enquanto o dia da Lua faz sua escapada
Na dança que do noite retorna a aragem.
Daqueles que sonham com a horizonte
Por onde dormita a bela Ema recostada
Tornando-se entre o oceano e o céu a ponte...
E que ela passe por mim em seu caminho,
O mundo não espera quem em si passa
E sim quem grita, grita mas grita baixinho,
Porém até essa tortura tem a sua graça...
Em alturas em que Rosa respira água salgada
Do rio onde nenhum barco tem passagem,
Por vezes até ela se esquece de sua amada
Que acorda feliz atrás do ar tal miragem
Enquanto o dia da Lua faz sua escapada
Na dança que do noite retorna a aragem.
A Vida: Não Basta
Não me bastam os dias que tenho de Vida,
Preciso do almejo que jaz no fim da linha,
Do pesado se faz leve e à viagem apetecida
Vai cheio o barquito de quem o vazio tinha,
Ele não será náufrago por muitos mais portos,
Por Deus vou eu e ele em mim em nascimento,
Assim, doce, se lançam ao mar os mortos
Que os levem numa maré de esquecimento,
Não há rebanho para quem fez do mar casa,
Quantos portos já passámos, já beijámos?
O Adeus é a palavra, é a vela, a leve asa,
Sê paciente não obstante do quão ansiámos
As ondas, as marés e quão o porto se atrasa,
Onde por vezes nem nós a nós nos bastámos
Preciso do almejo que jaz no fim da linha,
Do pesado se faz leve e à viagem apetecida
Vai cheio o barquito de quem o vazio tinha,
Ele não será náufrago por muitos mais portos,
Por Deus vou eu e ele em mim em nascimento,
Assim, doce, se lançam ao mar os mortos
Que os levem numa maré de esquecimento,
Não há rebanho para quem fez do mar casa,
Quantos portos já passámos, já beijámos?
O Adeus é a palavra, é a vela, a leve asa,
Sê paciente não obstante do quão ansiámos
As ondas, as marés e quão o porto se atrasa,
Onde por vezes nem nós a nós nos bastámos
terça-feira, 8 de julho de 2014
Meia Luz: E o Resto nas Garrafas
Meia luz… e um resto nas garrafas de mim,
Corpos cansados e derramados pelo chão,
A vista semicerrada percebe que foi assim
Que outros poetas por tais lençóis já caíram...
Meia luz… e mais um trago sorvido a beijo,
Abraços de veludo para esquecer o mundo,
Perdidos entre a paixão, a volúpia e o almejo
Nem que bebesse de uma vez veria seu fundo,
Meia luz… e o toque dos dedos da madrugada
Que calor oferta com uma porção do antes,
O pé na estrada, o coração que bate por nada,
Não há como despertar dos anseios distantes
Deixados ante a vigília de uma colcha gelada,
Meia luz... só tu és Mãe pelas horas errantes…
Corpos cansados e derramados pelo chão,
A vista semicerrada percebe que foi assim
Que outros poetas por tais lençóis já caíram...
Meia luz… e mais um trago sorvido a beijo,
Abraços de veludo para esquecer o mundo,
Perdidos entre a paixão, a volúpia e o almejo
Nem que bebesse de uma vez veria seu fundo,
Meia luz… e o toque dos dedos da madrugada
Que calor oferta com uma porção do antes,
O pé na estrada, o coração que bate por nada,
Não há como despertar dos anseios distantes
Deixados ante a vigília de uma colcha gelada,
Meia luz... só tu és Mãe pelas horas errantes…
segunda-feira, 16 de junho de 2014
Um: Aquele Que Foi Crescendo
Aquele que foi crescendo e de si se esqueceu,
Que aprendeu a pensar, a sentir, a discursar,
Deixou de ser Homem, parte de si perdeu
E é esse o espaço que é preciso recuperar,
Esse espelho coberto de pó dorme uma sesta,
É sorriso e é lágrima da criança lá atrás deixada,
Há que lembrar a alvorada e colhê-la numa cesta
E quando a noite vier vê-la no homem reclamada!
Sou a Vida, sou a Morte, sou dois ao mesmo tempo,
Ambos em moldura fluindo e a criança que a pinta
É o velho que a foi e hoje a traz em pensamento,
Como porção, sou o Universo e sou o seu resto,
Sou inteiro e ao seu complemento tenho a tinta
E o poder para me escrever ou abster num gesto.
Que aprendeu a pensar, a sentir, a discursar,
Deixou de ser Homem, parte de si perdeu
E é esse o espaço que é preciso recuperar,
Esse espelho coberto de pó dorme uma sesta,
É sorriso e é lágrima da criança lá atrás deixada,
Há que lembrar a alvorada e colhê-la numa cesta
E quando a noite vier vê-la no homem reclamada!
Sou a Vida, sou a Morte, sou dois ao mesmo tempo,
Ambos em moldura fluindo e a criança que a pinta
É o velho que a foi e hoje a traz em pensamento,
Como porção, sou o Universo e sou o seu resto,
Sou inteiro e ao seu complemento tenho a tinta
E o poder para me escrever ou abster num gesto.
segunda-feira, 2 de junho de 2014
Entre Margens Pt. III: A Brevidade
Somos todos folhas caídas ao sabor do vento
Nesta colisão contra uma colina de lençóis,
Sim sei, vivo na brevidade do momento
Tempo esse aqui entre o antes e o depois,
Passageiros entre este espaço e o outro,
Em suspiros entre corredores de mármore
Lápides e pedaços largados noutro
Eco esquecido à sombra desta árvore,
Jamais pretendi parar ou sequer voltar atrás,
Sou a gota do rio que flui na pluma de Pégaso
Imbuída em meio canto entre horas boas e más
Nesta meia jornada esculpida ao quase acaso
Vamos dando tudo tendo o aqui como morada
Que de tanto darmos parece que não temos nada.
Nesta colisão contra uma colina de lençóis,
Sim sei, vivo na brevidade do momento
Tempo esse aqui entre o antes e o depois,
Passageiros entre este espaço e o outro,
Em suspiros entre corredores de mármore
Lápides e pedaços largados noutro
Eco esquecido à sombra desta árvore,
Jamais pretendi parar ou sequer voltar atrás,
Sou a gota do rio que flui na pluma de Pégaso
Imbuída em meio canto entre horas boas e más
Nesta meia jornada esculpida ao quase acaso
Vamos dando tudo tendo o aqui como morada
Que de tanto darmos parece que não temos nada.
quinta-feira, 22 de maio de 2014
Entre Margens Pt. II: O Sítio Nenhum, Perto de Nada
Achem-me em sitio nenhum perto de nada,
A fazer pouco ou o que resta não ser feito,
Perdi-vos atrás, nas sinuosidades da estrada,
Através do esgar deste amor-próprio contrafeito,
Vós, vozes largadas pelo serafim ao se erguer
Pelos sítios pequeninos onde ninguém vai,
Por onde nada se faz ou se pensa em fazer
Por aqui, onde até o filho se estranha do pai
Vão-se esquecendo os solavancos da berma,
O passado lembrado e o futuro não pensado,
Levando a Vida quase morto por vista enferma…
Qual foi o motivo da partida? Quando chegarei?
Quando estamos sem estar face ao almejado
Quanto cansa o caminho ou o quanto o esperei.
A fazer pouco ou o que resta não ser feito,
Perdi-vos atrás, nas sinuosidades da estrada,
Através do esgar deste amor-próprio contrafeito,
Vós, vozes largadas pelo serafim ao se erguer
Pelos sítios pequeninos onde ninguém vai,
Por onde nada se faz ou se pensa em fazer
Por aqui, onde até o filho se estranha do pai
Vão-se esquecendo os solavancos da berma,
O passado lembrado e o futuro não pensado,
Levando a Vida quase morto por vista enferma…
Qual foi o motivo da partida? Quando chegarei?
Quando estamos sem estar face ao almejado
Quanto cansa o caminho ou o quanto o esperei.
domingo, 4 de maio de 2014
Entre Margens: Sem Rumo
Estas crianças que vou deixando para trás,
Partirei em breve, estou em perigo mortal,
O crepúsculo envolverá a luz das manhãs
E beijá-las é o apetecer até à aurora boreal,
Que sem pernas vai caminhando sem rumo,
Por onde o horizonte nem sequer o alcança,
Aonde vai? Por onde atrás se torne em fumo,
Quando nem para trás ou a frente avança,
Entre margens, entre bermas onde ecoam
Suas mil caras, suas milhentas expressões,
Eis que essas porções já quase não soam
Pois este perfil torna-se sempre no distante,
Vejam o viandante, ouçam suas canções,
Enquanto se vai, perdendo-se no instante.
Partirei em breve, estou em perigo mortal,
O crepúsculo envolverá a luz das manhãs
E beijá-las é o apetecer até à aurora boreal,
Que sem pernas vai caminhando sem rumo,
Por onde o horizonte nem sequer o alcança,
Aonde vai? Por onde atrás se torne em fumo,
Quando nem para trás ou a frente avança,
Entre margens, entre bermas onde ecoam
Suas mil caras, suas milhentas expressões,
Eis que essas porções já quase não soam
Pois este perfil torna-se sempre no distante,
Vejam o viandante, ouçam suas canções,
Enquanto se vai, perdendo-se no instante.
sexta-feira, 18 de abril de 2014
Insatisfação: Adiante
Insatisfação é a palavra mais vezes dita
E a tão pouco sabe que pouco deve ser,
O apetecido é tanto que não sei, não sei
O querido e até os instantes belos que amei,
Naquele olhar que acompanha as ondas do mar,
O caminho caro viandante foi feito para caminhar
Estando sempre tão perto daquilo que longe está
Pois a cada passo dado tanto se leva, tanto se dá,
No caminhante, o perfil, o distante que tarda sempre,
Seu semblante, em um a mil, infante ansiando tudo
Onde até brisa é parede porém o passo é em frente
Adiante, quebrado, ofegante mas sempre adiante,
Cansado, partido, quando as costas são escudo,
Passo a passo onde cada eco seu é errante.
E a tão pouco sabe que pouco deve ser,
O apetecido é tanto que não sei, não sei
O querido e até os instantes belos que amei,
Naquele olhar que acompanha as ondas do mar,
O caminho caro viandante foi feito para caminhar
Estando sempre tão perto daquilo que longe está
Pois a cada passo dado tanto se leva, tanto se dá,
No caminhante, o perfil, o distante que tarda sempre,
Seu semblante, em um a mil, infante ansiando tudo
Onde até brisa é parede porém o passo é em frente
Adiante, quebrado, ofegante mas sempre adiante,
Cansado, partido, quando as costas são escudo,
Passo a passo onde cada eco seu é errante.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Os Grandes Poemas: Prolongam o Finito
Os grandes poemas escrevem-se na sarjeta,
Vêm de tanto que soam sempre a tão pouco,
São o pouco lido porém visto no olhar do poeta
Escritos a lágrimas e sangue na aflição do louco,
Corre frenética sua vida, caindo no nocturno,
Como quem já não tem ou mesmo perdeu
Porém não o viu ou sentiu como infortúnio
Pois sabe que do feito nem o escrito é seu,
Os grandes poemas são à margem do mundo,
Independentes do sítio, do tempo e do lugar,
Tendo o que há do mais alto ao mais fundo
Relembrando o passado e o finito desta vida,
Imaginai, um dia até o seu escritor irá passar
Só o poema prolongará seu eco pela avenida.
Vêm de tanto que soam sempre a tão pouco,
São o pouco lido porém visto no olhar do poeta
Escritos a lágrimas e sangue na aflição do louco,
Corre frenética sua vida, caindo no nocturno,
Como quem já não tem ou mesmo perdeu
Porém não o viu ou sentiu como infortúnio
Pois sabe que do feito nem o escrito é seu,
Os grandes poemas são à margem do mundo,
Independentes do sítio, do tempo e do lugar,
Tendo o que há do mais alto ao mais fundo
Relembrando o passado e o finito desta vida,
Imaginai, um dia até o seu escritor irá passar
Só o poema prolongará seu eco pela avenida.
sábado, 22 de março de 2014
O Pequeno Riacho Pt. II: O Fim da Primavera
Mantendo-a longe ainda a tenho perto,
Recalco os passos que nos juntaram,
Que trouxeram o beijo, o delírio, o incerto,
O belo instante em que eles se cruzaram
Porque eles os dois não eram sequer eu,
Eram partes e porções de quem não podia ser,
O frágil pedaço, o espaço por trás do véu,
Bordado pelo Sol para este definhar e morrer
Cujos farrapos em turva neblina é envolvido,
Existirmos? Nem eu nem ela podemos ser
Por isso meio eu ficou e ele há enfim partido
E fosse ele, fosse ele quem não me era,
Fosse ela quem em mim era todo o viver,
Seria então o início e o não fim da Primavera.
Recalco os passos que nos juntaram,
Que trouxeram o beijo, o delírio, o incerto,
O belo instante em que eles se cruzaram
Porque eles os dois não eram sequer eu,
Eram partes e porções de quem não podia ser,
O frágil pedaço, o espaço por trás do véu,
Bordado pelo Sol para este definhar e morrer
Cujos farrapos em turva neblina é envolvido,
Existirmos? Nem eu nem ela podemos ser
Por isso meio eu ficou e ele há enfim partido
E fosse ele, fosse ele quem não me era,
Fosse ela quem em mim era todo o viver,
Seria então o início e o não fim da Primavera.
terça-feira, 11 de março de 2014
Esperando: Sempre Viandando (Entre Margens)
Esperando pelo assentar da poeira,
De sorriso nos lábios e coração na mão
Pois por vezes a viagem é pó, é canseira
Onde esquecemos nossa voz e o seu refrão,
Ansiando pelo belo momento que ora anseio
Que nem trovador suspirando ante o rosto lunar
Onde ambos nos perdemos em aceso devaneio
Pois todos os sítios que foram, todos foram lugar,
Hoje admito-o, sou eu – o último dos poetas,
Suspiro-vos às arestas de todos estes cantos
A todos estes sombrios becos e ruelas incertas
Através do beijo entre margens e solavancos
Vou eu – o viandante destas ruas desertas
A ténue linha entre o negro e o branco.
De sorriso nos lábios e coração na mão
Pois por vezes a viagem é pó, é canseira
Onde esquecemos nossa voz e o seu refrão,
Ansiando pelo belo momento que ora anseio
Que nem trovador suspirando ante o rosto lunar
Onde ambos nos perdemos em aceso devaneio
Pois todos os sítios que foram, todos foram lugar,
Hoje admito-o, sou eu – o último dos poetas,
Suspiro-vos às arestas de todos estes cantos
A todos estes sombrios becos e ruelas incertas
Através do beijo entre margens e solavancos
Vou eu – o viandante destas ruas desertas
A ténue linha entre o negro e o branco.
Enamorado Pelas Estrelas: Sorrio
Aqui escrevo um poema tão bonito, tão leve,
Quase ouço todas as cores do arco-íris,
Até se descongelam os corações feitos de neve
Se morrer agora, se morrer aqui, morrerei feliz…
As pétalas colhidas pela viagem são a caneta,
As pegadas dadas são a tinta, o aviso, o adeus
Para quem esqueceu a caligrafia, a sua letra,
Quem viver aqui, agora, será a ideia de Deus,
Para quem hoje chora como ontem ainda o fazia
Sorrio esta partilha convosco neste preciso aqui,
Por mim canto sim em qualquer canto a magia
Gargarejando a Terra e cuspindo as estrelas,
O poeta tão perdido e sempre encontrado em si
Que sou eu, que sois vós, somos nós todas elas...
Quase ouço todas as cores do arco-íris,
Até se descongelam os corações feitos de neve
Se morrer agora, se morrer aqui, morrerei feliz…
As pétalas colhidas pela viagem são a caneta,
As pegadas dadas são a tinta, o aviso, o adeus
Para quem esqueceu a caligrafia, a sua letra,
Quem viver aqui, agora, será a ideia de Deus,
Para quem hoje chora como ontem ainda o fazia
Sorrio esta partilha convosco neste preciso aqui,
Por mim canto sim em qualquer canto a magia
Gargarejando a Terra e cuspindo as estrelas,
O poeta tão perdido e sempre encontrado em si
Que sou eu, que sois vós, somos nós todas elas...
O Pequeno Riacho: Olhos Azuis, Olhar Castanho
Somos… no murmúrio do pequeno riacho
Dando ecos de suspiros feitos à eternidade
Nem o tempo ousará tirar-nos este espaço
Que o riacho espalhe nossos ecos pela cidade,
Em breve iremos embora, só o riacho será,
Levando nossas palavras, nossos beijos,
Eu, tu, nós os dois não seremos amanhã
Porém hoje fomos nestes acesos almejos,
Bela amiga trago-te no sorriso da corrente,
Nos lugares onde ninguém vai, neste olhar,
Onde o dia termina meio assim de repente
Quando o Sol adormece e se deita no mar,
Esta estória só a sabe quem amor sente
Ora sintamo-lo agora... deixando o riacho o afogar.
Dando ecos de suspiros feitos à eternidade
Nem o tempo ousará tirar-nos este espaço
Que o riacho espalhe nossos ecos pela cidade,
Em breve iremos embora, só o riacho será,
Levando nossas palavras, nossos beijos,
Eu, tu, nós os dois não seremos amanhã
Porém hoje fomos nestes acesos almejos,
Bela amiga trago-te no sorriso da corrente,
Nos lugares onde ninguém vai, neste olhar,
Onde o dia termina meio assim de repente
Quando o Sol adormece e se deita no mar,
Esta estória só a sabe quem amor sente
Ora sintamo-lo agora... deixando o riacho o afogar.
Da Não Vida: Haveis-me Capturado
Das ruas desertas e solavancos das bermas,
Do voo rente aos penhascos por rasgada asa,
Da lágrima de Vénus e seus quebrados poemas
Haveis-me capturado… estou quase em casa…
Das confidências à Lua e do perfume das Oressas,
Do vidro outrora azul ora tornado tão transparente
Do desejo à beira mar e do inebriar das promessas
Haveis-me capturado… sou novamente crente…
Do esquecimento do passado ou frémito do futuro
Por onde ninguém passa ou algum dia passará
Da saudade de outras vidas e daquele muro
Intransponível do passeio com a morte e seu horror,
Das pontes queimadas onde quem fui jamais será
Haveis-me capturado... será isto finalmente Amor?
Do voo rente aos penhascos por rasgada asa,
Da lágrima de Vénus e seus quebrados poemas
Haveis-me capturado… estou quase em casa…
Das confidências à Lua e do perfume das Oressas,
Do vidro outrora azul ora tornado tão transparente
Do desejo à beira mar e do inebriar das promessas
Haveis-me capturado… sou novamente crente…
Do esquecimento do passado ou frémito do futuro
Por onde ninguém passa ou algum dia passará
Da saudade de outras vidas e daquele muro
Intransponível do passeio com a morte e seu horror,
Das pontes queimadas onde quem fui jamais será
Haveis-me capturado... será isto finalmente Amor?
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