quarta-feira, 11 de abril de 2018

O Firmamento É Todo O Meu Coração

Pendurado de uma estrela, sou a poesia,
Beijado pelo rosto lunar, costas no chão,
Suspirando seus nomes p’la estrada vazia,
O firmamento é sinónimo para o coração,

Vemos estrelas a colidir, o rasto cadente,
Quando partires e eu ficar, serei partida,
Encontrem meu corpo no céu, bem rente
Ao cerúleo, de dedos esticados p’ra ida,

Perdido entre supernovas, reavido enfim,
Eu refulgindo o reflexo de suas explosões,
Fugidio dentre nebulosas, pendurado assim

Entre olhos fechados, a sonhar sorrisos incertos,
Corre, corre, corre há prados e constelações
Próximos da verdade e por estrelas encobertos.

domingo, 8 de abril de 2018

Ele, O Amador Sem Coisa Amada

Um pouquinho de nada este sentimento,
Impassível, indolente, inerte ao segundo,
Parece que o homem deixou testamento
De cruzes às costas num buraco profundo,

Os transeuntes vão pela alameda tão vagantes,
As valetas destino para a chuva dos perdidos,
Olhando uns para os outros tropeçando adiante
Onde os homens caem por instantes rendidos,

As estações passageiras dos passos não ateados,
Foragido da vida, a morte é querida, vem a mim...
Tal como a saudade do não vivido, os bocados

Que esmorecem no peito esvaecido aqui por fim,
Silenciosamente, os ontens foram já sobrevoados,
Ele, é somente o amador sem coisa amada sim.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

E Morremos Jovens Porém Vivemos Até à Velhice

Sim, morreremos um dia de tão profundo sonhar,
De plumas nas costas no cume da montanha,
Pois o coração sem pertença de tanto se dar
Por vezes até da sua própria luz se estranha,

Vamos somente deixando um esbelto rasto cadente,
Dádiva para todos os dias, a melodia, a alvorada,
Acordando de olhos fechados mal somos gente,
Pois a viagem é enfim o lar sendo pela iris captada,

Um pouco mais de ouro e sou dourado, por fim beijo
O sol e dou-me por encontrado em chão familiar,
Perdido neste frémito intenso em mim sou e desejo

O prelúdio enquanto estrelas caem por este olhar,
Respiro flores e o cerúleo num profundo almejo
Quando tudo o que tenho feito é somente amar.

sábado, 31 de março de 2018

Do Meu Coração Ao Ar

A premissa é simples, é apenas trilho passo a passo,
Escapando de mim por tanto me querer encontrar,
Escondo-me no nocturno, nos rails e seu espaço
Pois sou tal como os pássaros ansiando voar,

Amor, sou todo roupas rasgadas, a palavra incerta,
O perigo de andar perto do precipício aberto,
Sou a sua queda, a manhã por névoa encoberta
E eu quase a dormir ansiando estar desperto,

Aqueles segundos que partiram, são em mim,
Por isso sinto intensamente, sou furor insano,
Todos os que já fui ressoam quase sem fim,

E no fim sopro as velas e espero ter sido vertical
Pois o mundo é Judas, é a passagem ano a ano
Onde vimos e partimos, ora bem, ora mal.

Ansiando Viver o Instante

De dedos esticados para a outra margem,
Braços oblongos, esperando pela alvorada,
Impaciência é esta moção, é esta viagem
Que tanto nos dá como nos deixa sem nada,

Olhos entreabertos, sou bússola para o instante,
De passo apressado, encontrado e perdido,
Assim por mim passa o vento em tom errante
E vou indo amor, sou da estrada o foragido,

A lira de Orfeu e até Ícaro e a sua queda,
Professo o beijo à berma quase sem querer,
É o submergir em água sendo quase labareda,

Sorrio, sou o poeta meio doentio e salutar,
Agora chegou a minha hora, há que a viver,
Pois este é o único instante possível de amar.

terça-feira, 27 de março de 2018

Quero Tudo, Quero Nada

Margem e pedaço, onde pára o meu querido?
Desejo o impossível, anseio o inalcançável,
Parcialmente perdidos esse é o meu apelido,
Não será esse o único amor realmente habitável?

A busca, a procura, ver-te enfim em sorriso,
Escondendo-me em tua miragem, sem escapar,
Refugio-me no abrigo de mim, isso é que preciso,
Esse é o único instante que é possível enfim amar,

Quando me for, serás para sempre em mim,
Eterna, perene, naquele dia que já passou,
Soletro a sua passagem em maiúsculas por fim,

Frinchas por onde o sol passe e me beije o rosto,
Assim é o fado do homem que o instante amou,
Sou sol e lua onde vivo e morro por quem gosto.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Aquela A Quem Não Há Pertença Mas Eu Pertenço

As ruas fechadas e as vielas  encruzilhadas,
Suspiram-me seu nome num beijo perdido,
Pois meu coração é seu tal carta manchada
Que ignora remetente ou qualquer sentido,

A noite, rainha e mãe dos bêbedos sem nome,
Sou vontade e inverdade do instante eclipsado,
Onde cada homem seu irmão enfim carcome
E o seu rosto é a partida do já extravasado,

A saudade do seu abraço, seu simples envolver,
A mentira do silêncio de um triste coração,
Ela é tudo aquilo que já não consigo conter

A vontade de viver e morrer, a bendita maldição,
Oh amor és o meu tempo e espaço, meu querer
E a minha alvorada e noite, a minha perdição.

sábado, 24 de março de 2018

Quando Ela Se Torna O Ontem

Para casa caminhamos novamente sozinhos,
Dos charcos de água a sua face reflectida,
Ao ir alheamo-nos dos nossos caminhos,
Anseio chegar um dia a essa margem partida,

Escorrego entre as falhas do chão, sou refém
Daquilo que almejo, dos fantasmas no armário,
O viandante esse, sempre procurando o além,
Sua canção é raiz, é o deixar aqui deste poemário,

Abraçando o fortuito, o eterno é ansiado,
Sou absurdo de cabeça erguida para o infinito,
E é neste aqui que o intencional é recriado,

Assim eu persigo a sombra do seu semblante,
Onde mato e morro, me emudeço e sou grito
E ora me encontro, ora perto, ora distante.

sábado, 17 de março de 2018

Amor, Contigo e Para Contigo

Noite, cai em mim tal negra enxurrada,
Fulgurante e extensa varre o horizonte,
Vou deixando rastro sem deixar pegada
Pelo beijo não dado, pela ardida ponte,

Somos os cavalos selvagens correndo alados,
As lagoas dos sonhos, a procura da primavera,
O firmamento aberto e o escapes criados,
O respirar e suspirar por uma nova era,

Dentro de mim demoro, saboreio o instante,
O vendaval do coração, o homem ausente,
Amor dá-me a mão, vem comigo hora adiante

A partida é toda a chegada, é este presente,
Quando já não basta o que é bastante,
Refugio-me em ti esperando ir em frente.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Entre Nero e Romeu

Componho para o tempo um soneto,
Embalo-o sendo embalado o segundo
E questiono sua urgência, seu aperto
Enquanto por mim passa todo o mundo, 

Ouço a cantiga da sereia, sou cativo,
Perco-me aqui e em mim, encontrado
E quanto mais morro mais ainda vivo,
É o sortilégio e a bênção do já tocado,

Só mais uma para o caminho, sozinho
E vem a multidão rasurando o rastro,
Socorro-me ao abrigo do escaninho

Onde sou o espaço entre Nero e Romeu,
E para sempre o sempre cadente astro,
Sou o suspiro prometido, sou traste, sou troféu!

segunda-feira, 12 de março de 2018

Nada Dura Para Além do Aqui

A noite é anfitriã da passeata dos desencontrados,
Deslizamos ligeiros através de corredores sem fim,
Por onde passamos deixamo-nos em bocados
Tal aventesmas outrora felizes em vida, meio assim,

De lágrimas no riso, é difícil ser o romântico sonhador,
Com o sol nas costas partilhamos esta caminhada,
De joelhos rasgados, costas doridas és tu o amador
Que regozijas e pranteias suspiros ante a escada

Que leva para o céu e para o inferno, eis a procura,
O instante de silêncio onde se vai o ruido de fundo,
Pois a verdade amigo é que nada no mundo dura

Para além do intérmino indomável de cada segundo,
Encontro meus congéneres, da doença virá a cura
E esta é só prosseguir nos passos do vagabundo.

domingo, 11 de março de 2018

O Cancioneiro dos Apaixonados

A noite é a anfitriã das almas desencontradas,
Suspiro pelas alcovas o beijo outrora perdido,
E pincelo o papel com palavras manchadas
Onde seu eco ainda é sussurrado neste ouvido,

A tristeza e a solidão de braços com a melancolia,
O poeta é menino, é almofada para os sentidos,
Enquanto no bolso da algibeira coloca a poesia
Se tornando silêncio, prisioneiro dos já partidos,

Este é o cancioneiro dos já tomados pelo vento,
O vendaval é livre nos meandros do seu coração,
Quando o amor morre e esmorece o sentimento,

Aqui impera a saudade de andar de mão em mão,
De borboletas no estômago, a voz, o chamamento
Entre dois, a falta de fazer parte dessa imensidão.

sexta-feira, 9 de março de 2018

O Desculpa e o Obrigado

O nocturno é o fantasma dos desvalidos,
Di-lo como uma bênção, di-lo como uma oração,
Alheiam-se das vielas os rubis pretendidos
Enquanto nos bastidores se quebra um coração,

Ladeados por espinhos faz-se o caminho,
Vai indo o viandante por onde o levar o vento,
Fechando os olhos vê um beijo, um carinho,
São estes para o trilho o maior ornamento,

Amor, ainda és a rainha, a mulher, a donzela,
Do cavalo branco sem rédea, do rei sem trono,
No firmamento a única e mais altiva estrela,

O sorriso do sonhador, aquele sonho sem sono,
As pétalas da rosa, a guerra das flores, a janela,
O desculpa e o obrigado, a primavera e o outono.

terça-feira, 6 de março de 2018

Dois Estranhos Familiares

Promete-me a Luz e deixa-me ao escuro,
Sou criatura e noite, vitima desta contenda,
Preciso de amor, do toque meigo e seguro,
De nós dois como apoteose desta oferenda,

Pergunto sobre o porquê há-de ser assim,
Distingo o seu semblante, agora e depois,
Pois se eu gosto dela e ela gosta de mim,
Neste instante somente espero por nós dois,

Um chorinho e um brinde ao meu único amor,
A esta dor, a este momento, a este sofrimento,
Anunciando a luz do dia mesmo que incolor,

Não há solução, apenas ânsia e preocupação,
Suspiro seu nome, deixo-o como testamento
Da vertigem irregular da porção de um coração.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Não Pertenço Aqui Nem Além

Pertencer é difícil no ritmo desta vida,
Depenamos a coroa e perdemos o fio,
Quantas vezes vem o inicio, a partida
E esperando ficamos à chuva e ao frio,

É neste aqui a vida e a morte de mão dada,
A viagem tão incerta para o lesto viajante
E eu, jornada, beijo para os lábios do nada,
De poça em poça e de amada em amante,

Nascido em segundos logo desencontrados,
Vai a folha caída pelo vento tumultuoso,
Daqui ao além há espaços albergados

Por um tempo com termo e na face jocoso,
A procura por um lugar, por beijos demorados
Por um poeta escrevendo em tom ansioso.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Sobra, Entretanto, Sempre Apenas Um

Sobra apenas ninguém para dizer bom dia,
Uma ruga na testa enfim aqui aprofundada,
Terra, somente terra, trago na boca a melodia
De porções que caíram aos poucos da estrada,

Reaprendendo o que já sei, o toque do perdão,
Espero crescer e cair onde o astro-rei é poente,
Onde a sombra não cobre a linha do coração,
Onde a vida só pretende ir adiante e em frente,

Trago a asfixia no peito e a cura é a esperança,
Posso sempre partir se for assim que vem o fim,
As rugas grisalhas doem no dançar da criança

Mas as ruas afogarão a tristeza, o tempo virá sim,
Poderá vir alguém enquanto o horizonte avança,
Entretanto só eu para dizer bom dia dentro de mim.


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Não Pertenço Aqui Nem Acolá

O óbvio encerra-se por este caminho,
Escassos são os ecos do passo arrastado,
Recordando o que esqueci vou sozinho,
Sou porção entre o aqui e o ali – o bocado,

Amor? Deixo o teu cadáver neste coração,
Enfeitando-o de ternas rosas e uma borboleta,
Querendo tal bela fénix desabrochar do caixão,
Sou porção entre o outrora e o aqui – quase poeta,

O errante numa linha sem pontos em concreto,
Hoje a noite é uma estrela no cerúleo viandante,
A despedida é um breve aceno largado ao incerto

Passageiro, sorrindo, cúmplice dos beijos à Lua lá,
Sob os suspiros cadentes de uma ânsia inquietante
E sou eu sem pertença aqui e sem pertença acolá.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Sou a Noite Alastrando-se Pela Luz

Este rio flui para a foz mesmo estagnado,
Sou o desencontro da margem querida,
A troca de alma por um beijo silenciado,
O embate das ondas numa costa perdida,

Preparem-se, o poeta não sabe o sentimento
Ou como o gerir pois ele é só vidraça anil,
A enxurrada cobertura para o sofrimento
Do homem que rápido vai de zero a mil,

Não pertenço ao trilho, ao sonho primaveril,
Hoje sou negro, morto, vulto pela treva fora,
Sou o monstro da noite, a emboscada, o covil

De onde vimos que enfim vamos todos embora,
Lanço-me na corrente, acorrentado, tão febril,
Que sinto falta de quem fui em esquecida hora.

De Todas As Vezes Ela É A Única Vez

Não sei se será boa sorte ou eternos trezes,
Tento não ir pelas rachas no pavimento,
Pois todos nos apaixonamos por vezes,
Há vezes em que somos só sentimento,

A lua cheia, o trilho alumiado por estrelas,
Sou soturno Domingo, é à sua memória,
Pois todos nos apaixonamos por donzelas
Que não têm espaço para outra estória,

Abrigo-me sob estes lençóis amarrotados,
Fugindo de quem preenche este coração,
Entre os seus braços, entre postais rasgados,

Meu amor, és a minha dor, és a minha oração,
Até esqueço dos passos outrora já trilhados,
Porém és de todas a única vez, a única estação.

Como Perdurar No Momento Se O Momento Passa?

As cruzes sobre a cabeceira destes berços,
Os lençóis amarrotados, leitos do passado,
O silêncio onde nossos corpos eram versos,
De um toque dado, de um lume já crepitado,

Entrelaçados, vulneráveis, as ruas transbordando,
Sombras e semblantes pela janela entreaberta,
O peso do eclipsado aos ombros aqui suspirando:
Era eu e ela numa mescla divina pela hora incerta,

O seu rosto labirinto decorado nas vielas da mente,
O seu toque moldura para um eterno sentimento,
Cada forasteiro acobardava-se no beijo ausente,

As quebras do passeio, o acenar a cada momento,
Como posso ser se sou ao instante pertencente?
“Olá, adeus…” eu sou da brisa, eu sou do vento.


quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Enquanto Olho Para o Lado O Mundo Passa-me (Ao Lado)

O cansado do cansaço intrínseco à viagem,
Nostalgia de vida longe do caos da cidade,
Olhos calejados e atirados enfim à margem,
Sou a parte deixada ao cuidado da saudade,

Por onde vou cada passo é tornado passado,
Amadas desvanecem no ardor do coração,
Para quê procurar consolo num retiro apartado
Se os semblantes e rostos são para o beijo monção,

Esta é a estória de um viandante de costas para o sol,
Do menino feliz, tornando um dia, outrora, senhor,
Seria este crescimento para a sua alegria o anzol?

Ficando as rugas grisalhas e indo a manhã serena,
Eu sei, há beleza na falha, na degradação, oh amor
Há tanta estação e eu contido por esta minha pena.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Beleza É O Ângulo do Olhar Aqui

Beleza é aqui, meu amor, minha amada,
Passo eu no desencontro, inteiro e vertical,
Sim, sou assim por cada passo na enxurrada,
Deixem-me por aí em qualquer aurora boreal,

Este sorriso bendito pela arte da pele agrafada,
Se me cobrisses eu seria maior que o poente,
Perdoa, estou sob o cerúleo, perdido na estrada,
Estou algures onde só quem sabe é quem sente,

Que é do beijo, que é do segundo inesquecível,
Intenso, apaixonado, maior que este mundo,
Dá-me a não, cada instante deve ser imperdível,

Assim dita a alma do viajante, o céu profundo,
Calo-me no olhar das estrelas, eis o impreterível,
Este beijo inteiro através da pintura do segundo.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Poema do Perdão (Por Aqueles Que Não Fui) Pt. II

Salas vazias, crivadas de mim através de reféns sussurrados,
Sou um estranho familiar, um pedaço ao longo do caminho,
Cada instante ventre para a Vida, espectro para o passado,
Beijo no céu e na calçada, a vereda com todos indo sozinho,

Não alcançando o fim, a salvação é a perdição do buscador,
A combinação do cofre é a ausência de chave, é este perdão,
Não pelo que fui mas por todos aqueles que não fui, oh Amor,
És tu que me ergues pelas profundezas e cumes deste chão,

Sim, não! Talvez, nunca sem nunca o dizer, os olhos entreabertos,
As janelas para o infinito, visto-me de roupas semi-retalhadas
Como aprecio a luz destas horas ora paradas ora irrequietas,

Sim, não! Talvez, o êxtase está no sorver o dia, a noite, a beleza,
Só assim sou passageiro no carrossel e as correntes quebradas,
Um dia serei pó, um dia voltarei, apenas assim vejo com clareza. 

Poema do Perdão (Por Aqueles Que Não Fui)

Ele costumava chamar lar às ruínas da cidade,
À memória esvoaçante celebrando o sentimento,
Ao precioso momento afastado da ansiedade,
Ao beijo sem rédea, à beleza de cada momento,

Estremecendo na cama dentre lençóis rasgados,
O homem cujo amanhã era cinzeiro para o sonho,
Esperando por um nascente por dedos apontados,
Assim era a passagem de quem ia indo suponho,

Eu - o poeta incitando o universo aqui mesmo contido,
A palavra de um mundo silenciado entre as margens
De um poema que desviveu antes de ser proferido,

Sou um som forasteiro na boca de mil e uma viagens,
Hoje um velho sentado na reiteração do que tem sido,
Um semblante familiar carregado das minhas bagagens.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Amor Pelo Instante, Paixão Pelo Momento

Apresso o que não pressinto em sentimento,
Tiquetaque vem o vento, inglório passageiro,
Assim embarco e me endereço no momento,
Sou refém deste belo instante forasteiro,

Vou por onde sou desencontrado, tão sozinho
Porém assim dita a brisa que passa pelo rosto,
Nasço, vivo e morro nas réstias do caminho,
Sou de mim a fuga e em mim o único encosto,

Ninguém percebe este sorriso de sonhador
Pois ninguém é lágrima enxugada no mar,
É esta a batalha que confere ao pincel cor

E por vezes sussurra ao barco como encalhar,
Não obstante, sou fragmentos de eterno amor
E para tal basta-me querer ou não voar.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Àquela Que Outrora Foi

Ao ombro aventesmas de um dia passado,
De costas para o sol, o olhar entreaberto,
Sua mão na minha era o beijo silenciado,
A berma marginal de um amanhã incerto,

Corações apressados, o esvoaçar de marés,
As rosas no estômago, borboletas no mural,
As pegadas na areia por descalços pés
Diziam-me que éramos mais, que eras a tal,

O sorriso fulgente de um favor esplendoroso,
Seu olhar continha do céu as constelações,
Traçadas nitidamente por um olhar gracioso,

Bela donzela és a minha agonia, as negações,
A queda, a tristeza e a morte em tom ruidoso,
Amor, amor, ainda és todas as minhas perdições


domingo, 28 de janeiro de 2018

Proclamação ao Amor pelo Instante

Estes são os ecos dos meus passos na viagem,
Eu sou a tela e o pincel, o sonho do sonhador,
Sou ânsia e desejo, beijo na e pela aragem,
A parte e porção do inteiro, somente amor,

Permaneço cativo do instante que é passageiro,
Apaixonado e intenso, esta é a passeata,
Sou corola, raiz e pétala, barco e timoneiro,
Escrevinhando molduras e redigindo minha errata,

Porém ainda és tu amor a luz e o horizonte,
És segundo em mim, fragmento e fragmento,
O espaço entre margens em mim - a ponte,

Esta é a saudade do amanhã, a ânsia do passado,
És sombra e semblante dum agora, o momento,
Aqui és a única coisa que no peito tenho cravado.

domingo, 21 de janeiro de 2018

As Crianças Aladas do Nosso Peito

Observemos as estrelas enfim a colidir,
Por instantes somos irmãos verdadeiros,
Há pontes a erguer, horizontes a atingir,
Isso é muito maior que todos os cinzeiros,

Ser preenchido de confetes e lembranças,
Encobertos por toques tão fofos e leves,
Há que conceder asas a essas crianças
Pois estes tempos são rápidos e breves,

Amor é este instante neste precioso aqui,
Haja memórias e aspirações para a estrada,
São estas as cores para pintar o nosso colibri,

As luas passadas, o sois vindoiros, a esperança
De quem é suspiro ecoado entre tudo e nada,
Pouco mais sou que a poeira dessa lembrança.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Cantarolamos Constelações Aqui

Abram os olhos há notas nas constelações,
Melodias vão nas espumas das nebulosas,
Há alma, há moção e infinidades de corações
Dentre essas galáxias tão belas e formosas,

Trago beijos sob um olhar atento e preciso,
Pincéis sob dedos esticados para o firmamento,
Traçando estrelas cadentes a gesto indeciso
Pois a dádiva é permitir o agora, o momento,

Deixando um rasto cadente de quem é tocado
E toca na alvorada assistida pela cantiga
Que é vida nas mãos de quem há entoado

As supernovas e buracos negros - a intriga
Do corpo celeste a doce toques pintado
É o suficiente para colocar de lado a fadiga.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Ósculo ao Segundo

Reclinando-se sobre a poltrona ele é enfim vida,
A intempérie havia as nebulosas reclamado,
Por onde olhava não se via a costa querida
Nem os outroras que havia outrora conquistado,

Hoje sou fragmento de pé assente na estrada,
Pele enrubescida pela ambição deste poeta,
Amor não, não te esqueci, ainda és a amada
Mas amanhã já será tarde para fugir da valeta,

Amanhã é tarde demais quando passam segundos,
Eles são para mim o único sítio onde quero ficar,
Eles são para mim todo o amor, todos os mundos,

Mesmo quando para mim já não há sítio nem lugar
Terei sempre espaço nos passos dos vagabundos
Que em mim moram e me vão ensinando a andar.