sábado, 2 de abril de 2016

Pelo Seu Amor

Pelo seu amor me dói o ar e até a lua,
Mortos arranham as tábuas do chão,
Mil nomes sussurrados ao esmo da rua
E quando falta o alento, falta o coração,

O tempo é nas rugas e no cabelo grisalho,
Vai-se largando pele nas orlas do asfalto
Tal cais de abrigo pelas gotas de orvalho
Reflectido e até perdido no sobressalto,

Do seu vislumbre sou pertença e refém,
Prisioneiro do dormir sob seu perfume,
Sonho meu, diz-me onde, diz-me quem

Dormirá amanhã em teu prazenteiro leito,
Fecho os olhos, apago este meio ardume
E o inescapável adeus em despedida aceito.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Crianças Brincam

Crianças brincam no varão da escada,
Seus sorrisos a inveja dos cinzentos,
Eu passando como se não desse por nada,
Num mundo ao redor em fragmentos,

Já corri e fiz parte dessa multidão,
Por isso meus passos soam aos seus,
Será que fazem parte deste coração
Nesta caminhada destinada a deus,

Perdido do trilho da estrada e poente,
Até da poesia que deixei para trás,
Já não há espaço para quem tente

Olhar e ver o firmamento sem medo
Através do escalar das horas más
A rirem e a apontarem com seu dedo.

terça-feira, 29 de março de 2016

Cortinas Corridas

Cortinas corridas e persianas fechadas,
Uma janela azul vai fluindo ao vento,
Seu caixilho são noções quebradas,
Despegadas ao erodir do tempo,

Areias nos olhos enchem a ampulheta,
Ela ditando por pulsação a oferenda,
Pelo realçar indiscreto de uma caneta
Vou embalando o tingido tal uma prenda,

Traçam-se as minúcias despercebidas,
E um mero retoque apazigua sua pele
Em contornos a cores quase esquecidas,

E ao lustro de um resplandecente anel,
É vê-la partindo no horizonte abstraída
Enquanto este amor pranteava papel.

domingo, 27 de março de 2016

Solidão e Caixões

Solidão e caixões feitos à medida
Vem o freio do mundo e ficamos
Meio perdidos na floresta da vida
Prisioneiros do sítio onde estamos,

Por onde passamos sombras e semblantes
De pessoas que já foram no entretanto
E quando respiram são tão distantes
Em porções largadas num recanto

De persianas fechadas e cortinas corridas,
O monstro do mundo vem-no buscar,
Para estas noites em si tão sofridas,

Arranhando as unhas pelo tecto,
Somos o caixilho deixado ao luar
Pelo mundo tão louco, tão abjecto.

sábado, 26 de março de 2016

A Velhice Vem

A velhice vem e de olhos semicerrados
Vai lentamente arranhando a vidraça,
Arrastando estes devaneios sonhados
Tal pedras na algibeira pela praça

De uma memória recôndita e antiga
Com pássaro negro e as suas plumas
Trazendo ao corpo uma nova fatiga
Deixada ao sabor de idas brumas,

Prisioneiros destes cabelos grisalhos
Quando a areia se esvai na ampulheta
E no campo deste coração espantalhos

Semeiam sozinhos um tempo esquecido
Não conferindo tempo para ser poeta
No horizonte duma réstia de Amor ferido.

terça-feira, 15 de março de 2016

Procurando Leitos

Procurando leitos enlevados na estrada,
Alguma sepultura largada nos ladrilhos
De uma qualquer incógnita alvorada,
Deixada na encruzilhada sem trilhos,

Através das janelas uma réstia de amor
Perdido entre os paralelos do alfazar,
É neste ruído de fundo, a falta de cor
E o fumo cerrado na neblina do bar,

No fundo do copo toda esta solidão,
Esconde-se entre os prédios distantes
E quando me perco, dá-me a mão

Por cada olhar, nestes passos errantes
Que mal andam ou tocam no chão
E mal fazem dos viajantes viajantes.

Tantas Histórias

Tantas histórias sem ninguém para as contar
Tal casa desocupada à espera da espera,
É espaço sem ninguém para o ocupar
Assim no sítio onde o esquivo impera,

Passam fantasmas e mal lhes falamos,
Escutamos em silêncio o que resta
Indo estando onde não estamos,
Cercados no escuro de uma sesta,

Parece vagão que perdeu o trilho
Na neblina do não acontecido
Mãe atenta que esqueceu o filho

Num qualquer comboio já partido,
Deixando um resto de luz sem brilho
Em mil e um tons a cinzento colorido.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Ecos e Suspiros

Ecos e suspiros de uma outra vida,
Este despertar que vem atrasado
Pincela sonhos de uma dormida
De um trilho dado por inacabado,

De tantas cores qual será a minha?
Pergunta a criança a quem passa,
Esboçando recortes que sublinha
A lápis de cor onde vai e traça

O caminho de tantas encruzilhadas
Nem sempre com o colibri a chilrear
É o semblante cinzento dos nadas

Que nem sempre é possível amar,
Pois a felicidade é subir as escadas
Que levam ao verdadeiro andar.

quarta-feira, 2 de março de 2016

A Madrugada Esvoeja

A madrugada esvoeja meio perdida,
Teus versos emaranhados no dia
Enquanto vais passando abstraída
Na neblina feita a porções de poesia,

Aos que ousaram entre pedras e flores,
A esses reluzentes uma última serenata,
Em suas mãos de papel coloco amores
Feitos após esta vida em tinta de errata,

No vislumbre do olhar o reflexo espelhado,
Vemos as pestanas da nossa despedida
Mesmo não tendo o tempo terminado

A labareda do desencontro, a partida
Do bosque das flores onde se há amado
Entre o desespero e a alegria de uma Vida.

terça-feira, 1 de março de 2016

A Vida Torna-se

A vida torna-se do viajante a paragem,
Não obstante do quanto quero ou queria,
É o peso de quem viveu tanta viagem
E lentamente se esquece de sua poesia,

Será ele para a morte apenas outra presa?
Outro tom para o cinzento e seu vazio
Deixado ao albergue desta vil tristeza
O canto do caminho tão e tão sombrio,

Procurando assim sol onde nem há aurora,
Vem o negrume de mil noites lunares
É razão para perguntar: “enfim e agora?”

O pássaro negro e suas plumas tal bruma
De noite velada, então penada em lugares
Indo-se quebrando nesta vida nenhuma.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

O Refém do Fantasma

O refém do fantasma do seu perfume
Náufrago então de impiedosas ondas
Por onde ir? Tudo é inexorável negrume
Serei sacrifício para as horas hediondas,

O fundo do mar lembra outras estórias
De oceânides a ondearem fugidias
Tempos inacessíveis para memórias
Sussurradas hoje por conchas vazias,

Entre cortinas de veludo via a donzela
Vestida então de tecido alvo estelar,
Estes olhos agraciados viam-na bela

E perdiam-se de si de tanto soluçar,
Para mim não era mais uma estrela
Era tudo em todo o céu e rosto lunar.

Acordo Cedo

Acordo cedo para ver a alvorada,
Estes olhos frágeis e tão delicados
Por vezes parecem não ver nada
Por ainda estarem tão magoados,

Abro a porta da rua e vem o deserto
Toda a areia do mundo sem gesto
Acerca-se de mim e me vê coberto
Em pedaços e porções sem resto,

Será merecimento esta vil contenda
Ou desfavor a quem se tem perdido,
Por favor aceitai-me como oferenda

De um tempo que nunca foi vivido
Pois haverá ainda quem defenda
Este ninguém de coração partido?

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

A Distinção Entre Prisioneiro e o Refém

A distinção entre prisioneiro e o refém
É breve e quase curta entre as barras,
Lembra quando nos tornamos ninguém
E esse alguém se perdeu em palavras,

Vejo adiante para além deste horizonte,
Amanhã seremos apenas cinza do lume,
Porção sem água que não brota da fonte
Que importa? Sou ainda refém do perfume

Daquela que me há possuído e cativado,
Que quase lembra a memória errante,
O beijo que a donzela há partilhado

Parece não ter sido mais que um instante,
Pois sabe que aqui tanto vos ei amado
Que dificilmente este coração irá adiante.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Beijo a Chuva

Beijo a chuva e sombrinhas,
O resto das suas pegadas
Foram aqui junto às minhas
Das mais belas das ciladas,

Vai, parte desta triste vida
Deixaste tanto e tanto mais
Que agora que és na partida
Deixas o sorrir por sonhos tais

Que quebram toda a vontade,
Porém seria toda a mentira
Se não fosses a vera saudade

Dum ponto onde ninguém retorna,
Por quem o vento passa e suspira
Levas quem de felicidade me orna.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Este Coração

Este coração porto sem alfândega
Tudo se acosta por se estar aberto,
O risco é o perigo desta pândega
De a dor estar sempre por perto,

Não resta alternativa ao passarinho,
A caverna não pode ser sua casa
Assim opta por criar um caminho
Indo mesmo com rasgada asa,

Por vezes sou gaiola sem chilreio,
Espaço vazio para o próprio ser,
Sempre consumindo e sem freio,

Sem nunca conseguir absorver
Da colina ingreme de um anseio
De como ter ideia de como viver.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Tomem Estas Veredas

Tomem estas veredas e tomem-nas ligeiros
Esta fome é escassez, é a falta de canto,
Quantas vezes fui chuva sob os aguaceiros
E todo o silêncio do mundo sob um manto

De estrelas mortas pelo passeio do tempo,
Manhãs não vindo para este cais de abrigo
Passam na mesma neste envelhecimento
Tal frente para a batalha, tal vil castigo,

“A morte da beleza é mais bela que a beleza?”
Perguntava o cego a quem não podia ver
De tal cenário vinham as lágrimas, a tristeza

De um mundo ido que não tinha como ser
Que era feito de estrelas e eterna pureza
Que já não tinham tempo para acontecer.

Travessas Impregnes

Travessas impregnes de tempos idos,
Ossos e vestígios do que outrora foi,
O ruir das casas e dos sonhos vencidos
São o apertar da ferida onde ainda dói,

Pegadas ainda restam no firmamento,
A vontade do passageiro de rumo aberto
Tornaram-se no poeta e no seu lamento
Retomando o ritmo do trilho incerto,

Escutamos do escuro de uma sala vazia
Instantes em que a música era dourada
E não éramos abrigo para a melancolia

Neste verter e correr que leva a nada
Para além de outro tom de agonia
Na rua que conduz a uma encruzilhada.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Parte de Mim

Parte de mim era a noite calada
A outra parte quem se passou
Enquanto não vinha a alvorada
De uma porção que não chegou,

Parte de mim queria um pouco,
A outra parte nada queria,
Isso fazia de mim o louco
Que pouco ou nada sabia,

Parte de mim chorava por ela,
A outra parte sorria e esperava
Por sóis a raiar pela janela

Por beleza a ser na ampulheta
E que esta jamais fosse escrava
Do tempo que passa na sarjeta.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Estas Ruas Vão Lembrando

Estas ruas vão lembrando brincando
De semblantes idos na luz dos lampiões,
As sombras de quem tenha passando
E ido tal como a aragem das estações,

Cada esquina tem um pedaço deixado
Por quem por aqui já se passou
Na perfídia da rua tresloucado
E por ela a si se esqueceu e deixou,

Recordando os cantos proferidos
O longe que não se torna perto,
Os bocados do trilho esquecidos

No passear do viandante tão incerto
Quantas vezes fora entre os perdidos
Na viela por um inverno encoberto?

Passos Incidiam

Passos incidiam para a encruzilhada
Enquanto o sol caía no horizonte,
Seus ecos tardavam a alvorada
E entre margens faltava a ponte,

Somente o silêncio de um passado
Delineado a contornos dourados,
Ia ele pelo sonho presenteado
Nos trilhos agora já eclipsados,

Hoje era o abraço ao rasto lunar,
A porção na berma da estrada,
Dormente, sem conseguir andar

E ser no percurso da caminhada,
Só saudades daquele resto de ar
Que aqui não soam a emboscada.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Indo por Veredas e Trilhos

Indo por veredas e trilhos esquecidos
Ia o poeta já esperançando com nada,
Indo adiante por ermos desconhecidos
Com o peso do mundo à sua alçada,

Outrora servo do devaneio e do sonho,
Outrora criança de língua universal,
Hoje chuva caindo no dia tristonho
Hoje só mais um corpo para um funeral

De fulgência intermitente, asas rasgadas
E sem asas não podia ir e alcançar
Em suas costas duas garras cravadas

Seu peso destinado só para o segurar
À terra e à sonolência das jornadas
Deixai-lo ir, estais-lho a matar… estais-lho a matar…

Um Oceano

Um oceano na ponta destes dedos,
Sua face virada reflectida em mim,
De sua imensidão mil e um segredos
Ditos na voz de quem se perde assim

Meio devagar, desatento para a vida,
Onde o sol cai, cai também um olhar
Tido em meio desgaste na ida sentida
À sombra de dois estranhos a hesitar

A aspiração pendurada num desejo
Por duas metades de mão em mão
Era tê-las em vislumbre ou lampejo

Mesmo que fossem a queda e então
Não saber mais sobre aquele beijo
E morrer de fome, fome no coração.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Ondulando na Volúpia

Ondulando na volúpia tal tecido
Rasgado no braço da noite nua
E por ela ver-se no negro perdido
Caindo solitário ao esmo da rua,

Ouçam-me ó cadentes d’outrora,
Eu aprendiz de vossos movimentos
Dormito na insensatez deste agora
Ao abrigo destes intemperamentos

De quem passou à janela e olvidou
Todo o tempo daqui à eternidade
Onde cada instante em si guardou

Num abraço tentado em irmandade
Portanto aberto deixou e até amou
As sementes até à cinza da cidade.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O Vazio nas Pedras

O vazio nas pedras da calçada
Lembra a ironia de suas passadas,
Tempos em que era tudo ou nada
Impresso nas pedras outrora pisadas,

Cada vestígio de pegada largada
É na rua em si por alguns momentos
Porém até ela será um dia desabada
Levada para o além por outros ventos,

Sentado daqui de uma viela perdida
Passam transeuntes na atra escuridão
E o que me trouxe aqui, a alma querida,

Prostra-se de joelhos, desfazendo-se no chão,
O Mundo não perdoa uma alma ferida
Nem os passos dados pelo sopro de coração.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A Flor Silenciosa

A flor silenciosa, a refém da solidão,
Ia ficando, não indo nem vindo,
Esperava por um dia de perdão
Anelando por um instante lindo,

Assim sobravam as cicatrizes do inverno,
Longo como a transição das estações,
Perdiam-se porções de amor fraterno
E os restos dormitavam em caixões,

A flor era incompleta em seu calar
O trilho só desencontro nesta terra,
Tomava então tragos de brilho lunar

E perguntava até quando a espera
Por vida estaria prestes a começar
Ou seria este trilho só outra guerra?

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Entoo da Frialdade

Entoo da frialdade da noite baladas,
Quem espera enfim nunca alcança,
Poetas suspiram por suas amadas
E é essa espera que por fim cansa,

Até se vem dia o dia em si vai e passa,
Visto do canto e o canto é tão sozinho,
Brindemos então de bem erguida taça
Nada será para já neste caminho,

Encarando os dias vem o vil tempo
Rindo-se através de mãos cerradas
Vinha todo o frio em horas de vento

E segundos se vão em ágeis passadas
Entre o branco e negro há cinzento
Enquanto passam as doze badaladas.

Silêncio era Tal

Silêncio era tal uma encosta coberta
De janelas semi-abertas e cães a ladrar,
Ia então o homem torto pela rua incerta
Querendo apenas a si próprio se encontrar,

Silêncio era tal a grave voz do inaudito,
Todos os rumos assim não tomados,
Celebrando as vezes em que não houve grito
Para assinalar o penar de uns olhos cansados,

Silêncio era tal o tentando não atingido,
As escolhas que conduzem a nenhum lado
Mesmo que nunca se haja partido

Quando o objectivo se dá por findado
Independentemente do tanto querido
Ou do quanto mesmo se há tentado.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Finalmente

Finalmente adiante era já tarde de mais
E enfim atrás já ninguém se lembrava,
Ia-se ficando, não se largando o cais,
No buraco que a si próprio se cava,

Ter lar era ideia de neurótico sonhador,
Palavras não chegavam para se ter,
Até o poeta se prostrava feito amador
Teria ele se esquecido de quem ser?

Eram suspiros deixados pelas alcovas,
Atirando infelicidade ao desvalido,
Sorvendo a melodia das suas trovas,

Quantas guerras já havia combatido,
Propiciando cicatrizes como provas
Daquelas vezes em que teria vivido?

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Perseguindo a Rota

Perseguindo a rota certa e a sua incerteza,
Procurando o luar como se salvação fosse,
Um pouco mais de luz e ele seria clareza
Encerrada nos restos de um beijo doce,

A fuga do prisioneiro deixado em liberdade,
Agora era trono esquecido de sua coroação,
Fingindo dar a mão em tempo de ansiedade
Para lá deste jardim só a hora de maldição,

Pedia então da vida só mais um pouquinho
E ela sorria e quase lhe beijava os lábios,
Quase raiava o sol, quase se via o caminho,

O viandante não se passeava mais solitário,
Pereciam os insanos e erguiam-se os sábios
Até não haver mais dias assim no calendário.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Restam Bocados

Restam bocados de porções fragmentadas,
Uma Vida culminando em barba branca,
Tal o vento varrendo as folhas aquietadas
Que se separam perante a estrada franca,

Pois ela não mente, não diz mais do que é,
Leva adiante os pedaços que já não são,
Nem pede, exige por um pouco de fé,
Mesmo que isso mate o resto do coração,

Deixamos um pouco de nós pelas esquinas
Enquanto a ferrugem se apodera dos ossos,
Vem o vento que deixa o tempo em ruínas

E o tempo que fica deixa de ser bem nosso,
É o suficiente para retirar a luz das lamparinas
Porém não chega para silenciar este alvoroço.