Estrelas, quedas aos cantos do firmamento,
Palavras lançadas recontavam o instante
Em que Vida não era só lenda ao vento
Era deixai-me ir rodopiando adiante
Pelas sinuosidades deste eu labirinto
Por vezes agraciado por sua singeleza
Porém o que sinto não é bem o que sinto
Então por vezes não se encontra a beleza
Que é momento aqui revindo e eu amante
De quem vem por bem, de quem não sei
Pois já soube demasiado sobre semelhante
Prisioneiro sofredor, indiscutível fora-da-lei,
Tentando encontrar o que ainda é distante
Perdoem-me como um dia a alguém perdoei.
Blog de um músico e poeta português onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
Até os Poetas Sabem
Até os poetas sabem quem é a morte,
Beijam-na por cada vez que há paixão,
Assim vão perdendo sua crença na sorte,
Passeando errante com dor no coração,
A saudade uma intenção, mais um pouco,
Estrada lunar é sua falta de uma vontade,
Uma lágrima, um desejo impar feito louco,
Dando passos ao longe pela tempestade,
Vão passando os dias sombreando o dia,
O sonho perdido – meu amor – desolador,
Estrelas cadentes tal escombros de poesia
Nem eu diria ou ousaria cantar sobre esta dor
Aos ouvidos transeuntes da rua em desvalia
Sobre esta balada lúgubre de quase amor.
Beijam-na por cada vez que há paixão,
Assim vão perdendo sua crença na sorte,
Passeando errante com dor no coração,
A saudade uma intenção, mais um pouco,
Estrada lunar é sua falta de uma vontade,
Uma lágrima, um desejo impar feito louco,
Dando passos ao longe pela tempestade,
Vão passando os dias sombreando o dia,
O sonho perdido – meu amor – desolador,
Estrelas cadentes tal escombros de poesia
Nem eu diria ou ousaria cantar sobre esta dor
Aos ouvidos transeuntes da rua em desvalia
Sobre esta balada lúgubre de quase amor.
domingo, 20 de dezembro de 2015
Ouvindo o Tiquetaque
Ouvindo o tiquetaque da hora passageira,
A vida meio fugidia torna-se ruido de fundo,
De todas as viagens um nada na algibeira
Parece pouco para apresentar ao mundo,
Tem-me em suas garras o taciturno Inverno,
Emaranhado nas teias do seu suave cabelo,
Ele é a ode em linhas dentro deste caderno
Uma sobre a outra tal e qual infindo novelo,
Cada fio é para mim outra razão para viver,
Suspiro aos céus o fado do outrora viandante,
Estes olhos enfim suplicam por algo acontecer
Pelo retornar da luz perdida só mais uma vez,
Pela chegada dos pássaros levando-me adiante,
Deuses da não Vida libertai o sonhador talvez!
A vida meio fugidia torna-se ruido de fundo,
De todas as viagens um nada na algibeira
Parece pouco para apresentar ao mundo,
Tem-me em suas garras o taciturno Inverno,
Emaranhado nas teias do seu suave cabelo,
Ele é a ode em linhas dentro deste caderno
Uma sobre a outra tal e qual infindo novelo,
Cada fio é para mim outra razão para viver,
Suspiro aos céus o fado do outrora viandante,
Estes olhos enfim suplicam por algo acontecer
Pelo retornar da luz perdida só mais uma vez,
Pela chegada dos pássaros levando-me adiante,
Deuses da não Vida libertai o sonhador talvez!
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Desencantado Olhar
Desencantado olhar que ecoa na calçada,
A tristeza desta alma algures perdida,
Sozinhas as lajes são a pluma queimada
Enquanto o tempo em si é a dormida,
Procurava luz ao fim de infinda ladainha,
O homem morto por fim queria vida,
Andar direito era curva para meia linha,
Qual seria então a sua sina, a sua lida?
Em breve seria irmão para outros relentos,
Outro semblante vagueando o nocturno,
O poema olvidado deixado aos sete ventos,
Sim, um dia até minha sombra fugirá de mim
No passo solitário do vagabundo soturno,
Assim padece na terra o caído querubim.
A tristeza desta alma algures perdida,
Sozinhas as lajes são a pluma queimada
Enquanto o tempo em si é a dormida,
Procurava luz ao fim de infinda ladainha,
O homem morto por fim queria vida,
Andar direito era curva para meia linha,
Qual seria então a sua sina, a sua lida?
Em breve seria irmão para outros relentos,
Outro semblante vagueando o nocturno,
O poema olvidado deixado aos sete ventos,
Sim, um dia até minha sombra fugirá de mim
No passo solitário do vagabundo soturno,
Assim padece na terra o caído querubim.
domingo, 13 de dezembro de 2015
Soletro Estas Pegadas
Soletro estas pegadas soltas ao vento
Em silêncio cantado à madrugada,
Num mundo azul colorido a cinzento
Onde nem a alvorada é encontrada,
Perdido onde a estrada se dá por finda
No eterno acossar das curvas das ruas,
Por vezes esqueço o que a torna linda
Na solidão esculpida por mil e uma luas,
Saravá oh musas de todos os poetas,
Cantai-me sobre o trilho, cor e amor,
Guardar-vos-ei em mil e uma gavetas
Pertencentes a ninguém feito senhor,
Liberto-os sob mil e uma borboletas
Enfeitiçadas no perfume do beija-flor.
Em silêncio cantado à madrugada,
Num mundo azul colorido a cinzento
Onde nem a alvorada é encontrada,
Perdido onde a estrada se dá por finda
No eterno acossar das curvas das ruas,
Por vezes esqueço o que a torna linda
Na solidão esculpida por mil e uma luas,
Saravá oh musas de todos os poetas,
Cantai-me sobre o trilho, cor e amor,
Guardar-vos-ei em mil e uma gavetas
Pertencentes a ninguém feito senhor,
Liberto-os sob mil e uma borboletas
Enfeitiçadas no perfume do beija-flor.
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
Estes Olhos Soletravam
Estes olhos soletravam os passos da rua,
Lá fora ladravam os cães da vizinhança,
Silenciosamente esta solidão era da lua
Afagando seus dedos numa lembrança
Que hoje do esquecimento era pertença,
Era então ouvir meus cantos moribundos,
Como se a vida fosse a mais vil sentença
Neles vislumbrando meus mil vagabundos,
Quanto tempo já terá enfim sido passado,
Em si, ao longe, era os passos precedentes
Tal e qual última estrela num céu nublado
Alcançava a vista firmamentos aos molhos
Ainda cativo em pensamentos recorrentes,
Ao final, terá deixado cair o brilho dos olhos?
Lá fora ladravam os cães da vizinhança,
Silenciosamente esta solidão era da lua
Afagando seus dedos numa lembrança
Que hoje do esquecimento era pertença,
Era então ouvir meus cantos moribundos,
Como se a vida fosse a mais vil sentença
Neles vislumbrando meus mil vagabundos,
Quanto tempo já terá enfim sido passado,
Em si, ao longe, era os passos precedentes
Tal e qual última estrela num céu nublado
Alcançava a vista firmamentos aos molhos
Ainda cativo em pensamentos recorrentes,
Ao final, terá deixado cair o brilho dos olhos?
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
Beijo a Chuva
Beijo a chuva e esperanço por um pouco de sol,
Assim passam eras e temporadas ao pé de mim,
Por vezes pergunto se fui presa para próprio anzol
E que género de vida é esta que se vai tendo assim
Quase sem viver, observando as folhas que caem,
Esperando neste quarto por alguns dias de verão,
À sua ausência, espero onde as estações se esvaem,
De braços semicerrados e com as mãos no coração,
Lembrando travesseiras e lençóis a azul repintados,
Rarefeito de mãos para partilhar quanto mais dar,
A repreensão ao mundo são estes olhos fechados,
Silentes e quietos não ousando ver quanto mais sonhar,
Só laivos de suspiros à moldura das fotos lançados
Logo se castiga o triste recluso de seu próprio andar.
Assim passam eras e temporadas ao pé de mim,
Por vezes pergunto se fui presa para próprio anzol
E que género de vida é esta que se vai tendo assim
Quase sem viver, observando as folhas que caem,
Esperando neste quarto por alguns dias de verão,
À sua ausência, espero onde as estações se esvaem,
De braços semicerrados e com as mãos no coração,
Lembrando travesseiras e lençóis a azul repintados,
Rarefeito de mãos para partilhar quanto mais dar,
A repreensão ao mundo são estes olhos fechados,
Silentes e quietos não ousando ver quanto mais sonhar,
Só laivos de suspiros à moldura das fotos lançados
Logo se castiga o triste recluso de seu próprio andar.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Vem Vento
Vem vento e traz alguma paz e sossego,
Pensamento brando e pouco nevoento,
Um pouco de luz para o enfermo cego,
Silêncio para o murmúrio deste lamento,
Aqui onde apenas gritos em espiral há,
Vamos procurando nuvens para sonhar
Pois quando não chega a luzente manhã
Parece que nenhum destino há-de chegar,
Então é fugir e escapar dos fantasmas da alma,
Do escarcéu ruidoso impregne neste cantinho
Então algures encontrar paz, encontrar calma
Podendo assim contentar-me já maior, velhinho,
Esquecer a contenda que transparece na palma
E as rugas que se escondem no leito de pinho.
Pensamento brando e pouco nevoento,
Um pouco de luz para o enfermo cego,
Silêncio para o murmúrio deste lamento,
Aqui onde apenas gritos em espiral há,
Vamos procurando nuvens para sonhar
Pois quando não chega a luzente manhã
Parece que nenhum destino há-de chegar,
Então é fugir e escapar dos fantasmas da alma,
Do escarcéu ruidoso impregne neste cantinho
Então algures encontrar paz, encontrar calma
Podendo assim contentar-me já maior, velhinho,
Esquecer a contenda que transparece na palma
E as rugas que se escondem no leito de pinho.
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Esperançando
Esperançando por esta pequena janela,
Pelo nascer do sol, pelo toque da flor,
Pois tenho todo o céu como aguarela
Para aqueles dias feios cheios de dor,
Deste rio de pouco tenho a certeza
Para além de que tudo é tão incerto
E nisso encontro toda esta tristeza
Que a morte um dia me terá coberto,
Por céus e mares fui errando sozinho,
Ninguém sabe quando há-de morrer,
Faço da falta de percurso o caminho,
As lágrimas e o sangue de uma vida,
Por tudo o que ganhar ou então perder
No fim será essa equação para a partida?
Pelo nascer do sol, pelo toque da flor,
Pois tenho todo o céu como aguarela
Para aqueles dias feios cheios de dor,
Deste rio de pouco tenho a certeza
Para além de que tudo é tão incerto
E nisso encontro toda esta tristeza
Que a morte um dia me terá coberto,
Por céus e mares fui errando sozinho,
Ninguém sabe quando há-de morrer,
Faço da falta de percurso o caminho,
As lágrimas e o sangue de uma vida,
Por tudo o que ganhar ou então perder
No fim será essa equação para a partida?
terça-feira, 17 de novembro de 2015
Passeia-se Mais Um Dia
Passeia-se mais um dia meio de repente,
O outrora viandante, inerte, fica na rua,
Ao relento de uma canção tão dormente
Que ele estranhava se esta ainda era sua,
As esquinas desdobravam-se ao luar,
Ele passava só onde a lua brilhava,
Quase incapaz de sentir seu passar,
Será que por lá ele ainda estava?
Ia sorrindo de soslaio à morte amiga,
Inculcava sua sombra aos lampiões,
Murmurando seu fado em cantiga,
Era a verdade de quem em si via o fim,
As estrelas se misturando com os aviões,
E enfim... ansiava o toque do querubim.
O outrora viandante, inerte, fica na rua,
Ao relento de uma canção tão dormente
Que ele estranhava se esta ainda era sua,
As esquinas desdobravam-se ao luar,
Ele passava só onde a lua brilhava,
Quase incapaz de sentir seu passar,
Será que por lá ele ainda estava?
Ia sorrindo de soslaio à morte amiga,
Inculcava sua sombra aos lampiões,
Murmurando seu fado em cantiga,
Era a verdade de quem em si via o fim,
As estrelas se misturando com os aviões,
E enfim... ansiava o toque do querubim.
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
Só Uma Hora Mais
Só uma hora mais e o mundo acaba,
Aproveito para dizer o que não digo,
Só mais um pouco e tudo desaba,
É a última réstia de luzência que sigo
Por entre estas meias palavras e olhares,
Haverá rumo para o distante horizonte?
Sem destino basta de para mim bastares,
Procuro trajecto para o passar da ponte,
É o vil silêncio destes versos a sentença
Do homem procurando por si no Inverno,
O sentir falta de poiso, falta de pertença,
Não ter lugar ou sítio no mundo moderno,
Ficar nesta terra fustigada é meio doença
Até quando mais esta loucura, este inferno?
Aproveito para dizer o que não digo,
Só mais um pouco e tudo desaba,
É a última réstia de luzência que sigo
Por entre estas meias palavras e olhares,
Haverá rumo para o distante horizonte?
Sem destino basta de para mim bastares,
Procuro trajecto para o passar da ponte,
É o vil silêncio destes versos a sentença
Do homem procurando por si no Inverno,
O sentir falta de poiso, falta de pertença,
Não ter lugar ou sítio no mundo moderno,
Ficar nesta terra fustigada é meio doença
Até quando mais esta loucura, este inferno?
Hoje Debaixo do Sol
Hoje debaixo do sol um pouco de frio,
Sua ausência são os suspiros largados,
Ela nas minhas mãos é o espaço vazio,
É todas as porções que hei abandonado,
Aqueles bocados que hoje aqui não são,
Somos seres do céu aqui na hora errada,
Perdendo as asas, na estrada mero peão,
Deixado só ao despontar da madrugada,
Hoje debaixo do sol sou as lembranças,
Aqueles instantes em que fui inteiro,
O meio da selva, por estas andanças
Deixa um sabor agridoce nesta boca,
Esta minha saudade sob o aguaceiro,
Assim vêm barcos para a minha doca.
Sua ausência são os suspiros largados,
Ela nas minhas mãos é o espaço vazio,
É todas as porções que hei abandonado,
Aqueles bocados que hoje aqui não são,
Somos seres do céu aqui na hora errada,
Perdendo as asas, na estrada mero peão,
Deixado só ao despontar da madrugada,
Hoje debaixo do sol sou as lembranças,
Aqueles instantes em que fui inteiro,
O meio da selva, por estas andanças
Deixa um sabor agridoce nesta boca,
Esta minha saudade sob o aguaceiro,
Assim vêm barcos para a minha doca.
A Madrugada é a Terna Companhia
A madrugada é a terna companhia
Para quem vai às noites sem fim,
Sem dormir naquilo que parecia
Irmos nós passando meio assim
Para quem vai às noites sem fim,
Sem dormir naquilo que parecia
Irmos nós passando meio assim
Quase em beleza, imortal percalço,
Resumindo toda uma existência
Do menino nu de pé descalço
E há quanto só sente sua ausência,
Resumindo toda uma existência
Do menino nu de pé descalço
E há quanto só sente sua ausência,
Correndo então contra as paredes,
Tropeçando na berma da estrada,
Não saciando suas mil e uma sedes,
Tropeçando na berma da estrada,
Não saciando suas mil e uma sedes,
Era sentir o mundo sobre sua alçada
Deixando seu peito cair em redes
E seu olhar turvo pela vil cilada.
Deixando seu peito cair em redes
E seu olhar turvo pela vil cilada.
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Sombras e Fantasmas
Sombras e fantasmas trazendo os dias
De mãos dadas com o que já não é,
Prisioneiro das ruas de fingidas euforias
Sem instante que traga um pouco de fé,
Assim nos esquecemos do já eclipsado,
Até a porção a que chamamos casa
Torna-se parte do já ido, do passado,
Partindo a vontade, quebrando a asa,
Já nem ouso esperar pela madrugada,
Se estes lábios já não tocam nos seus
Lá fora sou a chuva a cair na calçada
O passar do tempo é o secar do olhar
Nem me permite despedir, dizer adeus,
Quanto mais com a bonança esperançar…
De mãos dadas com o que já não é,
Prisioneiro das ruas de fingidas euforias
Sem instante que traga um pouco de fé,
Assim nos esquecemos do já eclipsado,
Até a porção a que chamamos casa
Torna-se parte do já ido, do passado,
Partindo a vontade, quebrando a asa,
Já nem ouso esperar pela madrugada,
Se estes lábios já não tocam nos seus
Lá fora sou a chuva a cair na calçada
O passar do tempo é o secar do olhar
Nem me permite despedir, dizer adeus,
Quanto mais com a bonança esperançar…
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
Trago
Trago só mais um resto de esperança,
A presença de um pouco de saudade
É o passar com um olhar de lembrança
Que é do viandante a sua cara-metade,
Trago só mais um bocadinho de vontade,
Só mais um pouco de querer ser e poder ir,
Para o trilho o já ido apenas meia verdade
De quem se dá ao choro tanto como ao rir,
Trago em mim décadas que aqui nunca foram
E píncaros e minúcias a quem já não importa,
Se foram instantes negros que ora douram
Não sei! Foi ponto de vista de quem passa
Nem sei se bateram de todo nesta porta,
Trago todos e nenhum ao passar na praça.
A presença de um pouco de saudade
É o passar com um olhar de lembrança
Que é do viandante a sua cara-metade,
Trago só mais um bocadinho de vontade,
Só mais um pouco de querer ser e poder ir,
Para o trilho o já ido apenas meia verdade
De quem se dá ao choro tanto como ao rir,
Trago em mim décadas que aqui nunca foram
E píncaros e minúcias a quem já não importa,
Se foram instantes negros que ora douram
Não sei! Foi ponto de vista de quem passa
Nem sei se bateram de todo nesta porta,
Trago todos e nenhum ao passar na praça.
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Esta Nossa Noite
Esta nossa noite deambula pelo já ido,
Encontremo-nos algures pelo seu meio,
Procurai-me lá quando já tiver partido
Partindo sem algum travão nem freio,
Por mim seremos novamente um dia,
Haja sol ou chuva seremos novamente,
De vós já quase ouço a familiar melodia,
Somente há que caminhar em frente,
Será aquilo que em nós é maior que nós?
Inquiro às sombras que passam na calçada
Pois se for é preciso dar-lhe cor, dar-lhe voz
É preciso dar os passos para a caminhada,
Não mais me interessa a distância até vós
Desde que estejais lá minha doce, doce cilada!
Encontremo-nos algures pelo seu meio,
Procurai-me lá quando já tiver partido
Partindo sem algum travão nem freio,
Por mim seremos novamente um dia,
Haja sol ou chuva seremos novamente,
De vós já quase ouço a familiar melodia,
Somente há que caminhar em frente,
Será aquilo que em nós é maior que nós?
Inquiro às sombras que passam na calçada
Pois se for é preciso dar-lhe cor, dar-lhe voz
É preciso dar os passos para a caminhada,
Não mais me interessa a distância até vós
Desde que estejais lá minha doce, doce cilada!
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
Desabrocha
Desabrocha a suavidade do porto de abrigo
E eu, sozinho ou contigo, lembro o passado,
Sim há vezes em que preciso de um amigo,
Há vezes em que o sol não se dá dourado,
Oferece-me o peito e deixa o tempo passar,
Cansam-me as correrias da sobrevivência,
Não tenho tempo para viver, para amar
E magoa-me da situação ter consciência,
Verte-se-me a tristeza de uma geração
Que não tem hipótese de ser ou viver
Que não tem quem lhe ofereça a mão
E lá vai indo direita por caminho torto,
Há vezes que a vida só deseja morrer
E que em vida é só o homem morto.
E eu, sozinho ou contigo, lembro o passado,
Sim há vezes em que preciso de um amigo,
Há vezes em que o sol não se dá dourado,
Oferece-me o peito e deixa o tempo passar,
Cansam-me as correrias da sobrevivência,
Não tenho tempo para viver, para amar
E magoa-me da situação ter consciência,
Verte-se-me a tristeza de uma geração
Que não tem hipótese de ser ou viver
Que não tem quem lhe ofereça a mão
E lá vai indo direita por caminho torto,
Há vezes que a vida só deseja morrer
E que em vida é só o homem morto.
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Tenho Tragado
Tenho tragado o som da madrugada,
Como se tivesse em mim repousado,
E à primeira claridade aqui albergada
Será que do dia havemos abdicado?
Um dia soltarei as amarras deste cais,
Partirei sem olhar para o que foi ontem,
Queimando as pontes pois sei que jamais
Terei lar onde quer que estes olhos apontem,
Faço da incerteza a única e bela certeza,
Do vento longínquo o beijo, os abraços,
Não sei se haverá dia, se haverá beleza
Porém estou desejoso de dar esses passos
Que levam ao desconhecido em franqueza
Deixando para trás meus mil e um pedaços.
Como se tivesse em mim repousado,
E à primeira claridade aqui albergada
Será que do dia havemos abdicado?
Um dia soltarei as amarras deste cais,
Partirei sem olhar para o que foi ontem,
Queimando as pontes pois sei que jamais
Terei lar onde quer que estes olhos apontem,
Faço da incerteza a única e bela certeza,
Do vento longínquo o beijo, os abraços,
Não sei se haverá dia, se haverá beleza
Porém estou desejoso de dar esses passos
Que levam ao desconhecido em franqueza
Deixando para trás meus mil e um pedaços.
terça-feira, 6 de outubro de 2015
O Tempo É Tão Curto
O tempo é tão curto nesta breve viagem,
Ficam ideias de rostos que vão passando,
Especando à vidraça tal de louco miragem
Cravam-se ao olhar por onde vou olhando,
Hoje há recôndita penumbra e seus luares
Relembram as vezes de um sorriso aberto
E desta minha passagem por tantos lugares
O trilho desta jornada parece sempre incerto,
Dos passos dados, lágrimas derramadas,
De que todos partiram deixando-me só
E desses fins, dessas fotografias rasgadas
Por vezes parece que o tempo não tem dó,
E se um dia for entre paredes tresloucadas
Esqueçam-me enfim entre estratos de pó.
Ficam ideias de rostos que vão passando,
Especando à vidraça tal de louco miragem
Cravam-se ao olhar por onde vou olhando,
Hoje há recôndita penumbra e seus luares
Relembram as vezes de um sorriso aberto
E desta minha passagem por tantos lugares
O trilho desta jornada parece sempre incerto,
Dos passos dados, lágrimas derramadas,
De que todos partiram deixando-me só
E desses fins, dessas fotografias rasgadas
Por vezes parece que o tempo não tem dó,
E se um dia for entre paredes tresloucadas
Esqueçam-me enfim entre estratos de pó.
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Cubram-me de Penas
Cubram-me este corpo de penas
Pois nunca aprendi mesmo a voar,
E quando partir saibam só e apenas
Que só parto pois nunca soube ficar,
Cubram-me este meu olhar de estrelas
Pois preciso de luz para conseguir ver
E se algum dia me esquecer delas
Esse foi o dia em que comecei a morrer,
Cubram-me os lábios num enorme abraço
Que me aqueça a alma e vá relembrando
Que a vida não é só um enorme cansaço
Que há instantes por nós ainda ansiando
Enquanto vou pelo trilho, pelo espaço
E o mundo inteiro a si se vai mudando.
Pois nunca aprendi mesmo a voar,
E quando partir saibam só e apenas
Que só parto pois nunca soube ficar,
Cubram-me este meu olhar de estrelas
Pois preciso de luz para conseguir ver
E se algum dia me esquecer delas
Esse foi o dia em que comecei a morrer,
Cubram-me os lábios num enorme abraço
Que me aqueça a alma e vá relembrando
Que a vida não é só um enorme cansaço
Que há instantes por nós ainda ansiando
Enquanto vou pelo trilho, pelo espaço
E o mundo inteiro a si se vai mudando.
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Descei Comigo
Descei comigo às sombras desta cidade,
Repouso onde este corpo se perecer,
Ainda não fui mas já sinto réstias de saudade,
Será esta a dor de quem não sabe viver?
Repouso onde este corpo se perecer,
Ainda não fui mas já sinto réstias de saudade,
Será esta a dor de quem não sabe viver?
Surge o relógio apontando a ampulheta,
O tiquetaque contínuo na vidraça
Quase lembra o quão a hora é incompleta
E preguiçosa ao não tempo se enlaça,
O tiquetaque contínuo na vidraça
Quase lembra o quão a hora é incompleta
E preguiçosa ao não tempo se enlaça,
Pois então cubram-me o corpo de penas,
Para me abrigarem quando vier o frio,
E de toda a viagem saibam apenas
Para me abrigarem quando vier o frio,
E de toda a viagem saibam apenas
Que vivi para e por porções de tempo
No decorrer ligeiro deste meio rio
Agora deixai-me partir no vento.
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
Ouvindo os Pássaros
Escutando os pássaros que iam passando,
Restos de uma bruma envolviam o dia
E, quer quisesse ou não, iam ditando
Os bocadinhos do pouco que era magia,
Então cheirava a relva e respirava o mar,
Entrelinhas cabiam no que era amanhã,
E eu, hesitante, lá tentava caminhar
Passo a passo em bicos de pés de lã,
Então o firmamento tinha mudado tanto,
Quase não reconhecia aquele espelho,
Apesar de ainda me lembrar o quanto
Tinha tanto medo de me tornar velho,
Ainda era possível ouvir neste canto
A eterna criança de rasgado joelho.
Restos de uma bruma envolviam o dia
E, quer quisesse ou não, iam ditando
Os bocadinhos do pouco que era magia,
Então cheirava a relva e respirava o mar,
Entrelinhas cabiam no que era amanhã,
E eu, hesitante, lá tentava caminhar
Passo a passo em bicos de pés de lã,
Então o firmamento tinha mudado tanto,
Quase não reconhecia aquele espelho,
Apesar de ainda me lembrar o quanto
Tinha tanto medo de me tornar velho,
Ainda era possível ouvir neste canto
A eterna criança de rasgado joelho.
terça-feira, 15 de setembro de 2015
Um Homem Parado No Inverno
Um homem parado, parado no Inverno,
Seu perfil meio esboçado a cinzento,
Ao passar pelo quinto céu do inferno
Vai enfim perdendo o seu intento,
À queda de estrelas cadentes ele fica,
Outras vezes segue e vai perguntando
Quando passará esta vil hora maldita
Enquanto pelos ladrilhos se vai quedando,
De seus olhos lágrimas e outros mares,
Lembrando-o de tudo que já perdeu
E seus mil e um seres parecem vulgares
Então vai perguntando-se se já morreu
Do Inverno brada a brados singulares
“Ninguém morrerá se aqui já viveu.”
Seu perfil meio esboçado a cinzento,
Ao passar pelo quinto céu do inferno
Vai enfim perdendo o seu intento,
À queda de estrelas cadentes ele fica,
Outras vezes segue e vai perguntando
Quando passará esta vil hora maldita
Enquanto pelos ladrilhos se vai quedando,
De seus olhos lágrimas e outros mares,
Lembrando-o de tudo que já perdeu
E seus mil e um seres parecem vulgares
Então vai perguntando-se se já morreu
Do Inverno brada a brados singulares
“Ninguém morrerá se aqui já viveu.”
Restos de Pegadas
Restos de pegadas de um dia fugido,
Vendo sombras ladeadas a cinzento,
Onde estarão as maravilhas que ei sentido
Terão todas sido mais um pouco de vento?
Por onde passo nenhum pássaro chilreia,
Levantam-se vendavais e não há norte,
Um homem velho por aqui se passeia
Ante os portões ferrugentos da morte,
Anseio luz onde apenas escuridão há,
Fechando os olhos, esperando o mundo,
Aos muitos desejos que tenho por cá
Abraço-os e arrasto-os num silêncio profundo,
Assim caem deuses e se vai o amanhã
No lento gotejar da passagem de um segundo.
Vendo sombras ladeadas a cinzento,
Onde estarão as maravilhas que ei sentido
Terão todas sido mais um pouco de vento?
Por onde passo nenhum pássaro chilreia,
Levantam-se vendavais e não há norte,
Um homem velho por aqui se passeia
Ante os portões ferrugentos da morte,
Anseio luz onde apenas escuridão há,
Fechando os olhos, esperando o mundo,
Aos muitos desejos que tenho por cá
Abraço-os e arrasto-os num silêncio profundo,
Assim caem deuses e se vai o amanhã
No lento gotejar da passagem de um segundo.
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
Por Instantes
Por instantes via rostos desaparecidos
De tempos que rugas iam cobrindo,
Eu que os julgava algures perdidos
No trilho por onde tenho vindo
De tempos que rugas iam cobrindo,
Eu que os julgava algures perdidos
No trilho por onde tenho vindo
Reconhecia alguns olhares e expressões
Pertencentes a outro tempo e lugar
Que sobre mim caíam como monções
Num sono do qual não havia despertar,
Pertencentes a outro tempo e lugar
Que sobre mim caíam como monções
Num sono do qual não havia despertar,
Eram topos de telhados e janelas abertas
E o meu coração tão, tão cansado,
Não havia sonho pelas horas incertas
E o meu coração tão, tão cansado,
Não havia sonho pelas horas incertas
E o mundo parecia já ter terminado,
Lá ia o viandante pelas ruas desertas
Por onde a si mesmo se ia deixando.
Lá ia o viandante pelas ruas desertas
Por onde a si mesmo se ia deixando.
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
As Lajes Vazias
As lajes vazias e porções da estrada,
Quando dias incompletos vão adiando
Aquela réstia de ar, um pouco de nada
Para um tiquetaque que vai passando,
Quando dias incompletos vão adiando
Aquela réstia de ar, um pouco de nada
Para um tiquetaque que vai passando,
Socorremos restos da lua e choramos
Esperando pela magia das horas soltas
E onde estávamos um beijo deixamos
A meios suspiros - a melhor das escoltas
Esperando pela magia das horas soltas
E onde estávamos um beijo deixamos
A meios suspiros - a melhor das escoltas
Vem a noite meio apagada, sou sozinho
E dentre o que foi e entretanto já não é
Vou-me deixando pelo meu cantinho,
E dentre o que foi e entretanto já não é
Vou-me deixando pelo meu cantinho,
De costas para o sol e perdendo o dia
Houvesse um pouco mais de luz e fé
Ao passar tão vagaroso da hora tardia
Houvesse um pouco mais de luz e fé
Ao passar tão vagaroso da hora tardia
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
Um Beijo…
Um beijo… e o resto é deixado à estrada,
Este percurso vai sendo largado em escrita,
Onde milhares de estrelas tornam-se nada,
Pouco mais que sombras na hora maldita,
Vêm instantes que se recusam a aparecer,
Partimos na luz diáfana de recôndito lugar,
Para trás a paisagem deixa transparecer
O que em nós deixou um dia de esperar,
Mesmo de copo cheio, só mais um trago,
O rio corre e o vento sopra na rua deserta
E o poeta passa fome no meio do largo
Há quanto tempo não ouvem seus versos,
Há quanto tempo se foi pela hora incerta
Enquanto no asfalto os vê dispersos?
Este percurso vai sendo largado em escrita,
Onde milhares de estrelas tornam-se nada,
Pouco mais que sombras na hora maldita,
Vêm instantes que se recusam a aparecer,
Partimos na luz diáfana de recôndito lugar,
Para trás a paisagem deixa transparecer
O que em nós deixou um dia de esperar,
Mesmo de copo cheio, só mais um trago,
O rio corre e o vento sopra na rua deserta
E o poeta passa fome no meio do largo
Há quanto tempo não ouvem seus versos,
Há quanto tempo se foi pela hora incerta
Enquanto no asfalto os vê dispersos?
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Se Fosse Nas Asas e Plumas de Um Soneto
Se fosse nas asas e plumas de um soneto,
Voaria para outras margens e prados,
Faria de belo e sublime meu trajecto,
E então seria Amor por todos os lados,
Se fosse nas asas e plumas de um soneto,
Traria o Verão em cada palavra solta,
Confidenciaria à Lua em leve dueto
Uma trova fulgurante à sua volta,
Fosse eu um pouco de sol na noite escura,
Estafeta da palavra em busca anelante
Em eterna jornada em imensa aventura
Querendo só ir um pouco mais adiante
Pois não pretendo ter lar nesta sepultura
Não quero ser Vida em fôlego ofegante.
Voaria para outras margens e prados,
Faria de belo e sublime meu trajecto,
E então seria Amor por todos os lados,
Se fosse nas asas e plumas de um soneto,
Traria o Verão em cada palavra solta,
Confidenciaria à Lua em leve dueto
Uma trova fulgurante à sua volta,
Fosse eu um pouco de sol na noite escura,
Estafeta da palavra em busca anelante
Em eterna jornada em imensa aventura
Querendo só ir um pouco mais adiante
Pois não pretendo ter lar nesta sepultura
Não quero ser Vida em fôlego ofegante.
domingo, 9 de agosto de 2015
Pode Nem Parecer
Pode nem parecer, pode nem soar
Mas há dias em que não há nada
Que nos faça querer levantar
Ou até colocar o pé na estrada,
Mas há dias em que não há nada
Que nos faça querer levantar
Ou até colocar o pé na estrada,
Há dias que passam sem dizer olá
E não desculpam a falta de palavras
Ao passar do tiquetaque da hora má
E não desculpam a falta de palavras
Ao passar do tiquetaque da hora má
Cravam no peito suas mil e uma adagas,
Então coçámos a cabeça e perguntamos
Qual o ponto onde o mundo colapsou
Onde será que ao sono nos deixámos
E porquê ter a alma limpa não bastou
Pois é ver o mundo que abandonámos
É ver aquilo que éramos e que já não sou.
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Morte Sê em Mim
Morte sê em mim, morte em mim sê,
Vem ao homem que a vida não sente,
O pássaro que o céu já não vê e crê
Morrer, só a morte o fará enfim contente,
Morte sê no homem em si perdido,
Que perdeu partes do lembrado
Que perdeu tanto do já acontecido
Que foi até em si parte do quebrado,
Não chorem sobre o seu triste caixão,
O colibri deixou de dançar e voar,
Sob o sorriso não bate um coração
Atento ao beijo, atento ao se dar
Ao abraço da aragem, de mão em mão,
Morte vem, leva o que ainda restar...
Vem ao homem que a vida não sente,
O pássaro que o céu já não vê e crê
Morrer, só a morte o fará enfim contente,
Morte sê no homem em si perdido,
Que perdeu partes do lembrado
Que perdeu tanto do já acontecido
Que foi até em si parte do quebrado,
Não chorem sobre o seu triste caixão,
O colibri deixou de dançar e voar,
Sob o sorriso não bate um coração
Atento ao beijo, atento ao se dar
Ao abraço da aragem, de mão em mão,
Morte vem, leva o que ainda restar...
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