quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Sombras e Fantasmas

Sombras e fantasmas trazendo os dias
De mãos dadas com o que já não é,
Prisioneiro das ruas de fingidas euforias
Sem instante que traga um pouco de fé,

Assim nos esquecemos do já eclipsado,
Até a porção a que chamamos casa
Torna-se parte do já ido, do passado,
Partindo a vontade, quebrando a asa,

Já nem ouso esperar pela madrugada,
Se estes lábios já não tocam nos seus
Lá fora sou a chuva a cair na calçada

O passar do tempo é o secar do olhar
Nem me permite despedir, dizer adeus,
Quanto mais com a bonança esperançar…

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Trago

Trago só mais um resto de esperança,
A presença de um pouco de saudade
É o passar com um olhar de lembrança
Que é do viandante a sua cara-metade,

Trago só mais um bocadinho de vontade,
Só mais um pouco de querer ser e poder ir,
Para o trilho o já ido apenas meia verdade
De quem se dá ao choro tanto como ao rir,

Trago em mim décadas que aqui nunca foram
E píncaros e minúcias a quem já não importa,
Se foram instantes negros que ora douram

Não sei! Foi ponto de vista de quem passa
Nem sei se bateram de todo nesta porta,
Trago todos e nenhum ao passar na praça.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Esta Nossa Noite

Esta nossa noite deambula pelo já ido,
Encontremo-nos algures pelo seu meio,
Procurai-me lá quando já tiver partido
Partindo sem algum travão nem freio,

Por mim seremos novamente um dia,
Haja sol ou chuva seremos novamente,
De vós já quase ouço a familiar melodia,
Somente há que caminhar em frente,

Será aquilo que em nós é maior que nós?
Inquiro às sombras que passam na calçada
Pois se for é preciso dar-lhe cor, dar-lhe voz

É preciso dar os passos para a caminhada,
Não mais me interessa a distância até vós
Desde que estejais lá minha doce, doce cilada!

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Desabrocha

Desabrocha a suavidade do porto de abrigo
E eu, sozinho ou contigo, lembro o passado,
Sim há vezes em que preciso de um amigo,
Há vezes em que o sol não se dá dourado,

Oferece-me o peito e deixa o tempo passar,
Cansam-me as correrias da sobrevivência,
Não tenho tempo para viver, para amar
E magoa-me da situação ter consciência,

Verte-se-me a tristeza de uma geração
Que não tem hipótese de ser ou viver
Que não tem quem lhe ofereça a mão

E lá vai indo direita por caminho torto,
Há vezes que a vida só deseja morrer
E que em vida é só o homem morto.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Tenho Tragado

Tenho tragado o som da madrugada,
Como se tivesse em mim repousado,
E à primeira claridade aqui albergada
Será que do dia havemos abdicado?

Um dia soltarei as amarras deste cais,
Partirei sem olhar para o que foi ontem,
Queimando as pontes pois sei que jamais
Terei lar onde quer que estes olhos apontem,

Faço da incerteza a única e bela certeza,
Do vento longínquo o beijo, os abraços,
Não sei se haverá dia, se haverá beleza

Porém estou desejoso de dar esses passos
Que levam ao desconhecido em franqueza
Deixando para trás meus mil e um pedaços.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

O Tempo É Tão Curto

O tempo é tão curto nesta breve viagem,
Ficam ideias de rostos que vão passando,
Especando à vidraça tal de louco miragem
Cravam-se ao olhar por onde vou olhando,

Hoje há recôndita penumbra e seus luares
Relembram as vezes de um sorriso aberto
E desta minha passagem por tantos lugares
O trilho desta jornada parece sempre incerto,

Dos passos dados, lágrimas derramadas,
De que todos partiram deixando-me só
E desses fins, dessas fotografias rasgadas

Por vezes parece que o tempo não tem dó,
E se um dia for entre paredes tresloucadas
Esqueçam-me enfim entre estratos de pó.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Cubram-me de Penas

Cubram-me este corpo de penas
Pois nunca aprendi mesmo a voar,
E quando partir saibam só e apenas
Que só parto pois nunca soube ficar,

Cubram-me este meu olhar de estrelas
Pois preciso de luz para conseguir ver
E se algum dia me esquecer delas
Esse foi o dia em que comecei a morrer,

Cubram-me os lábios num enorme abraço
Que me aqueça a alma e vá relembrando
Que a vida não é só um enorme cansaço

Que há instantes por nós ainda ansiando
Enquanto vou pelo trilho, pelo espaço
E o mundo inteiro a si se vai mudando.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Descei Comigo

Descei comigo às sombras desta cidade,
Repouso onde este corpo se perecer,
Ainda não fui mas já sinto réstias de saudade,
Será esta a dor de quem não sabe viver?

Surge o relógio apontando a ampulheta,
O tiquetaque contínuo na vidraça
Quase lembra o quão a hora é incompleta
E preguiçosa ao não tempo se enlaça,

Pois então cubram-me o corpo de penas,
Para me abrigarem quando vier o frio,
E de toda a viagem saibam apenas

Que vivi para e por porções de tempo
No decorrer ligeiro deste meio rio
Agora deixai-me partir no vento.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Ouvindo os Pássaros

Escutando os pássaros que iam passando,
Restos de uma bruma envolviam o dia
E, quer quisesse ou não, iam ditando
Os bocadinhos do pouco que era magia,

Então cheirava a relva e respirava o mar,
Entrelinhas cabiam no que era amanhã,
E eu, hesitante, lá tentava caminhar
Passo a passo em bicos de pés de lã,

Então o firmamento tinha mudado tanto,
Quase não reconhecia aquele espelho,
Apesar de ainda me lembrar o quanto

Tinha tanto medo de me tornar velho,
Ainda era possível ouvir neste canto
A eterna criança de rasgado joelho.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Um Homem Parado No Inverno

Um homem parado, parado no Inverno,
Seu perfil meio esboçado a cinzento,
Ao passar pelo quinto céu do inferno
Vai enfim perdendo o seu intento,

À queda de estrelas cadentes ele fica,
Outras vezes segue e vai perguntando
Quando passará esta vil hora maldita
Enquanto pelos ladrilhos se vai quedando,
   
De seus olhos lágrimas e outros mares,
Lembrando-o de tudo que já perdeu
E seus mil e um seres parecem vulgares

Então vai perguntando-se se já morreu
Do Inverno brada a brados singulares   
“Ninguém morrerá se aqui já viveu.”

Restos de Pegadas

Restos de pegadas de um dia fugido,
Vendo sombras ladeadas a cinzento,
Onde estarão as maravilhas que ei sentido
Terão todas sido mais um pouco de vento?

Por onde passo nenhum pássaro chilreia,
Levantam-se vendavais e não há norte,
Um homem velho por aqui se passeia
Ante os portões ferrugentos da morte,

Anseio luz onde apenas escuridão há,
Fechando os olhos, esperando o mundo,
Aos muitos desejos que tenho por cá

Abraço-os e arrasto-os num silêncio profundo,
Assim caem deuses e se vai o amanhã
No lento gotejar da passagem de um segundo.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Por Instantes

Por instantes via rostos desaparecidos
De tempos que rugas iam cobrindo,
Eu que os julgava algures perdidos
No trilho por onde tenho vindo

Reconhecia alguns olhares e expressões
Pertencentes a outro tempo e lugar
Que sobre mim caíam como monções
Num sono do qual não havia despertar,

Eram topos de telhados e janelas abertas
E o meu coração tão, tão cansado,
Não havia sonho pelas horas incertas

E o mundo parecia já ter terminado,
Lá ia o viandante pelas ruas desertas
Por onde a si mesmo se ia deixando.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

As Lajes Vazias

As lajes vazias e porções da estrada,
Quando dias incompletos vão adiando
Aquela réstia de ar, um pouco de nada
Para um tiquetaque que vai passando,

Socorremos restos da lua e choramos
Esperando pela magia das horas soltas
E onde estávamos um beijo deixamos
A meios suspiros - a melhor das escoltas

Vem a noite meio apagada, sou sozinho
E dentre o que foi e entretanto já não é
Vou-me deixando pelo meu cantinho,

De costas para o sol e perdendo o dia
Houvesse um pouco mais de luz e fé
Ao passar tão vagaroso da hora tardia

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Um Beijo…

Um beijo… e o resto é deixado à estrada,
Este percurso vai sendo largado em escrita,
Onde milhares de estrelas tornam-se nada,
Pouco mais que sombras na hora maldita,

Vêm instantes que se recusam a aparecer,
Partimos na luz diáfana de recôndito lugar,
Para trás a paisagem deixa transparecer
O que em nós deixou um dia de esperar,

Mesmo de copo cheio, só mais um trago,
O rio corre e o vento sopra na rua deserta
E o poeta passa fome no meio do largo

Há quanto tempo não ouvem seus versos,
Há quanto tempo se foi pela hora incerta
Enquanto no asfalto os vê dispersos?

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Se Fosse Nas Asas e Plumas de Um Soneto

Se fosse nas asas e plumas de um soneto,
Voaria para outras margens e prados,
Faria de belo e sublime meu trajecto,
E então seria Amor por todos os lados,

Se fosse nas asas e plumas de um soneto,
Traria o Verão em cada palavra solta,
Confidenciaria à Lua em leve dueto
Uma trova fulgurante à sua volta,

Fosse eu um pouco de sol na noite escura,
Estafeta da palavra em busca anelante
Em eterna jornada em imensa aventura

Querendo só ir um pouco mais adiante
Pois não pretendo ter lar nesta sepultura
Não quero ser Vida em fôlego ofegante.

domingo, 9 de agosto de 2015

Pode Nem Parecer

Pode nem parecer, pode nem soar
Mas há dias em que não há nada
Que nos faça querer levantar
Ou até colocar o pé na estrada,

Há dias que passam sem dizer olá
E não desculpam a falta de palavras
Ao passar do tiquetaque da hora má
Cravam no peito suas mil e uma adagas,

Então coçámos a cabeça e perguntamos
Qual o ponto onde o mundo colapsou  
Onde será que ao sono nos deixámos

E porquê ter a alma limpa não bastou
Pois é ver o mundo que abandonámos
É ver aquilo que éramos e que já não sou.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Morte Sê em Mim

Morte sê em mim, morte em mim sê,
Vem ao homem que a vida não sente,
O pássaro que o céu já não vê e crê
Morrer, só a morte o fará enfim contente,

Morte sê no homem em si perdido,
Que perdeu partes do lembrado
Que perdeu tanto do já acontecido
Que foi até em si parte do quebrado,

Não chorem sobre o seu triste caixão,
O colibri deixou de dançar e voar,
Sob o sorriso não bate um coração

Atento ao beijo, atento ao se dar
Ao abraço da aragem, de mão em mão,
Morte vem, leva o que ainda restar...

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Plumas Voando Numa Cidade Perdida

Plumas voando numa cidade perdida,
Eu seu irmão ainda de cordões atados
Porque é tão pontual a morte, a ida,
Chegará sem anunciar nos bocados

Daquele que não acompanhará o mar
Sob as estrelas que reflectem quem sou,
Na esquina da alma de quem tenta amar
O escombro da reticência que já passou,

Escutando vem a revelação da ferida,
Sem voz, os Verões que vão passando
São fragmento do instante da partida

Neste coração que se vai quebrando
Sem hora, momento ou sequer saída
Para o homem que se vai procurando.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Com Os Pássaros Partilho Esta Vista

Com os pássaros partilho esta vista,
Solitário e só através do horizonte
Por onde vou perdendo a pista
Que o que deixei atrás foi ponte,

Onde passei e as dei por findadas,
Através de cada passo fui espaço
Para cor e até asfalto das estradas
Por desbotado e até nítido traço,

Despeço-me da Vida com um beijo
Deixando uma última réstia de ar
Em mim levo tudo o que ainda vejo

Não vá eu de mim próprio estranhar
A diferença entre o anseio e desejo
Para a história que em mim tem lugar.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Sou Actor e Faço Parte da Peça

Sou actor e faço parte da peça,
Essa peça que é a vida a passar
Pela avenida e pela travessa
Onde faço este meu caminhar

Que me leva onde me deixa,
Que me vai deixando ao levar,
Por isso tento não fazer queixa,
Por isso tento não me abandonar,

Pois um dia virá em que escaparei,
Virá esse dia em que irei escapar,
Não como o que ainda procurei

Mas como quem quer encontrar
Pois não obstante do que já dei
Espero que a vida um dia soe a lar.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Tentando Manter O Que Dista

Por vós veio um dia a morte do verão,
Delicada e silente veio devagarinho
E ao adormecer, ao passar do serão,
Ainda me podiam ouvir gritar baixinho

Os nomes das estrelas do firmamento
Que tal um rio apeavam num canto
Recitado por um coração ao vento
Era então esse da criança o encanto,

Adormecia então gigantes sem querer
Enquanto camas vazias se apinhavam
Tal folhas caídas era ver-me estremecer

Aonde não havia nem estrada nem vista
Por onde meus cantos já não se escutavam
Tentando manter o que de mim ainda dista.

domingo, 31 de maio de 2015

O Fardo de Quem Não Tem Peso

O fardo de quem não tem peso
E vai deambulando pelos dias
Sob o céu aberto sente-se preso
É vê-lo em mil e uma correrias,

Outro dia e outro horizonte perdido,
Ouçam o covarde de porta aberta,
Perde-se a hora, perde-se o sentido
Que quando o mundo passa tal oferta

O caminhante se recusa a caminhar,
Quase não há restos de bela magia
E até sítios onde se podia encontrar

Música de fundo perdeu sua melodia,
Quase não se ouve o mundo a passar
Na loucura que é o mundano dia a dia.

sábado, 30 de maio de 2015

O Tiquetaque da Hora Má

A sua voz é a possível proximidade,
O silêncio caiado pela sua presença,
Por cada palavra deixada vem a saudade
Que é largada ao esmo da indiferença,

A queda do coração é dia comum,
O cansaço de quem tanto aguarda
Os instantes em que me sinto mais um
Esquecem os bons tempos da retaguarda,

Venha a chegada seja aonde quer que seja
Desde que o dia surja e a noite se vá,
Quem dera ainda ter a luz que beija

Os contornos de quem se deixa por cá
E ao não ser o mundo todo inveja
Pelo tiquetaque da hora má...

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Uma Lágrima

Uma lágrima por todos os dias idos,
Aqueles dias em que dormi sem sono,
Aquém do horizonte jazem escondidos,
Aquém de mim são todo o meu abandono,

Uma lágrima aos dias que serão esquecidos,
Por serem pouco, por serem quase nada,
Por não chegarem a ser pois foram perdidos
Precisamente quando os colocava à alçada

De um tempo que nunca em si teve tempo,
Uma lágrima para quem não teve coragem
Pois ao ir, não foi na brisa quedou-se o alento

E do ar quentinho ficou apenas uma friagem
Ficando sem nunca ser, sendo tom de cinzento,
Caminhando o caminho sem nunca ser viagem.

Este Tempo é Cansaço

Este tempo de que sou passageiro,
Este tempo que é todo o meu cansaço,
Parece vida atirada para o bueiro,
Que soa a não vida em tudo que faço,

Do tido como maior ao mais pequeno,
Meados num silêncio feito de sono,
É olhar cerrado num gesto obsceno,
Toda a queda de uma folha ao outono,

Mãe é o teu filho que chora ao vento,
Neste cansaço feito de porções de nada,
Que é tão calado e faz-se tão barulhento

E vai deixando a alma abandonada
Pois é tanto e tanto e tanto o desalento
Que mal sinto as indentações da almofada

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Não Chega O Tempo Que Tenho

Já não me chega o tempo que tenho
Preciso de algum tempo emprestado,
Pois é neste meio ir que contenho
Todo o tempo que parece parado,

Preciso de tempo para as horas mortas
Para as ir enchendo de entulho,
É assim que pelas pontes tortas
As vou ocupando de barulho,

Assim que passam silenciosos segundos
Pela estrada que é sempre partida,
É assim que vêm e vão mundos

Preenchendo o tempo que é a vida
Onde quem não tem tempo é moribundo
Quando o tempo em si não tem saída.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

No Palco Que Vejo

No palco que vejo já não há lugar,
Lugar nem tão pouco há na plateia,
Estes tempos têm sido o deixar andar,
Só ficando uma mão cheia de areia

Que não é de quem se vê como actor
Nem tão pouco o é mero observante
É espaço não ocupado, pungente dor,
De quem não vê bem o futuro adiante,

Passam os dias parecendo noites idas
De discurso tido em silêncio calado,
Não é assim que se passam mil vidas,

Não é assim que virá a ele o destinado,
Parece só ficar um molho de dúvidas,
Parece apenas surgir o não ansiado.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Quando me For

Quando me for, dedicas-me uma elegia?
Daquelas mais antigas que o tempo em si,
Que ela traga do sonho um pouco de magia,
Que me lembre das centelhas que já prometi,

Quando me for, fazes de conta que te lembras?
Não me importo que vá ou que seja a partida,
Espero deixar algo por cá para além de sombras
Espero promover Amor sem alguma contrapartida,

Quando me for, não chorem sobre o meu caixão,
Sorrirei de sorriso aberto ante o trilho incerto,
De orelha sobre o firmamento ouvireis meu coração,

No silêncio de uma sala, esquecei esta passagem,
Apesar de totalmente imóvel estarei bem desperto
Quando deixar a terra e retomar a derradeira viagem.

Um Barquito e Um Trenó Cruzaram-se

Um barco amarelo sob um céu azul
Acenando adiante onde havia maré,
O barquito tocava as margens e a sul
Ágil ele se remetia com toda a sua fé,

Um trenó ia sobre neves esbranquiçadas
Sorrindo em frente onde havia curvas,
Lá ia ele por sendas nunca trilhadas
Por trilhos inexplorados e águas turvas,

Eis que enfim o mundo se tinha retirado,
O céu era mais azul, a neve mais branca,
Havia pássaros no ar e este era reciclado,

Um barco se cruzava com um pequeno trenó
Ao que um jovial verão ao inverno encanta
E tudo vinha e se ia, ao acordar de um ó-ó.

Esperamos Aqui

Esperamos aqui, face ao precipício do mundo,
Silenciosos de mão na alma e alma no coração,
Sendo os trapos dos farrapos e o pé do vagabundo
Aquele pequeno pedaço que almejo não ser em vão,

Esperamos aqui, de frente para o que já passou,
Mudos e silentes onde perdemos o nosso irmão,
Independentemente de quanto ele já amou,
Saibam! Era por ele que ainda sentia ter chão

Para caminhar além do horizonte, além de nós,
Mesmo quando longe parecia ele ainda chegar
Sem temor erguia-se o homem, erguia-se a voz

Para logo adormecer num cansaço reticente,
Esperamos aqui, por prometido bem-estar
Podia ele ser homem mesmo que inocente?