A sua sombra é por uma brisa fria trazida,
Esta guerra das Rosas fez uma nova vítima,
Por isso aceno à morte, ela é sim bem-vinda,
Até que por fim a luz me inunde lindíssima!
Numa explosão supernova num instante brilhante
Esta pele por meros momentos deixa de ser lívida,
Finalmente o Universo reencontrou seu semelhante,
Enfim procedemos adiante nesta aurora então vivida,
Pois se a Rosa feneceu, o seu perfume ainda persiste,
E aprendemos a arte do desapego, o vil desencontro,
Porque sua pétala ao vento esvaeceu, assim desiste,
Resta a memória cravada a ferros num antigo e ido conto,
E caminhamos solitários onde somente a sombra existe,
Trago-a morta no canto do bolso, num sorriso triste pronto.
Por Mim a Ponte (Entre Margens)
Blog do músico e poeta português Joel Nachio onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
quinta-feira, 20 de março de 2025
O Perfume da Sombra
quinta-feira, 13 de março de 2025
Ontem, Entre Marés e Lembranças
Memórias aladas a desfilar no pátio das lembranças,
Enchentes de marés em acalmias tidas no matinal,
Escondidos entre dedos espremidos de esperanças,
Pretendo viver a Vida num instante, mas o temporal,
É indiferente do Sonho, no tempo e no espaço, é igual,
Os sorrisos estampados devagar nas rugas destes rostos,
Pois várias faces têm aqui passado, livros lidos, é factual,
Porto sentido, margem estendida onde há fogos postos,
Pois eu sou as ruelas e as calçadas sob os passos já dados,
Grave e sério, sorridente e brincalhão à luz incandescente,
Era a primeira vez, o pé descalço nos espelhos quebrados,
Não obstante, esse tempo é tempo a mais, somos meros acenos,
Apelos na tentativa de nos adaptarmos, que sim, nos acrescente,
Pois pretendemos a plenitude do hoje, não um mais ou menos.
segunda-feira, 3 de março de 2025
O Último Acto
Sim, apressa o passo, mas mantém a sua cadência,
Olhos fechados, os dias não são grandes o suficiente,
Mais um adeus, não tem fim esta solidão sem clemência,
A agonia do amor, essa verdade de quem nela vai e mente,
Onde estrelas transbordarem, num alado firmamento,
Tão nostálgico, trazemos nos pulsos sonhos paletizados,
Preparados para a descarga, ou para o armazenamento,
Crus e enviados para o seu destinatário, estigmatizados,
Nunca foi suposto ter enfim um final mais do que feliz,
Por fim tenho espaço para admitir o quanto estava errado,
Estanquemos a ferida, curemos esta moribunda cicatriz,
Que esta morte seja breve, pois já não é possível viver,
Cansado de andar aos círculos dentro de um quadrado,
Se fosse um filme, este seria o final perfeito para um cadáver.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025
Além do Desencontro
Os meus sonhos são feitos de porções inacabadas
De desculpas e obrigados, princípios de quase serões,
Dando goles aos cálices de varas nas costas quebradas,
Onde continuo à procura de seus lábios em novos tubarões,
Avisaram-me sobre a perfídia da Vida, de uma multidão perdida,
Que vai partilhando o caminho do viandante - o mero instante,
Suponho que haverá um dia chegada naquela margem querida,
Porque buscamos um ombro amigo, aquele abraço reconfortante,
Não tenho receio de me perder, tenho mais receio de não me encontrar,
Deixemos ir este passeio dos inadvertidos, este medo do desencontro
É semente para uma raiz que cresce, que no Sol consegue se aposentar,
O vento vem e passa, passa e leva, leva e arranca mais do que consigo mostrar,
E mesmo que um dia a brisa leve os nossos passos para o fim deste conto,
Que reste em nós a essência de quem ousou nunca parar de sonhar.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2025
Ainda Não É Tarde
Para os escravos do relógio dos corredores feitos de escuridão,
Por vezes procuramos a alegria como qualquer sentimento,
De repente vai-se o sonho, de repente perde-se o momento,
Porque o amor é fantasia, sobra-nos assim o ombro da solidão,
As sombras sussurram o que em gritos do saturado se torna,
O coração sabe a paralelo, a razão perde por completo a sazão,
Tricotando almejos, deixando o maior ter finalmente sua porção,
Haja assim cores no abismo mesmo quando somente o cinza retorna,
Talvez estes anseios um dia se tornem novamente simples suspiros,
Mas o rubor vermelho no céu é nosso! O crepúsculo é casa e lar!
Por isso vou e largo a pele, almejando mil e um diferentes retiros,
E a diferença será no olhar, nas lágrimas de fogo, não obstante do lugar,
Morrerei o tempo necessário para viver longe destes meus vampiros,
Que venha o novo reino, somente sei que ainda não é tarde para amar!
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025
Ruas de Saudade
Se ao menos sentisse estes lábios beijados,
E a sua sombra não fosse parte do coração,
Se entre nós não fossemos desencontrados,
Veria algo mais para além desta maldição,
É a saudade tornada em cinzenta nostalgia,
O desconhecer o que é um porto de abrigo,
Algures durante o trilho perdeu-se a magia
E é tarde para reaprender a respirar contigo,
Está tudo bem, deixa o meu amor encontrar-te,
Assim por horas, por segundos, somos novamente,
E não bastaria a mim próprio como perdido bastar-te,
Não serei suficiente nem para estas horas mortas,
Sim, estou extraviado do caminho finalmente,
Por entre as curvas sinuosas e estas ruas tortas,
Se ao menos pudesse de novo sentir o seu calor,
Se este seu olhar, em memória, não fosse ilusão,
Se a ampulheta nos unisse enfim em seu favor,
E não nos deixasse separados e em solidão,
Pois a mágoa se transforma em triste nostalgia,
Pois havemos perdido nosso rumo e direcção,
E tudo o que era luz, virou noite, um outro dia,
E das sombras vindas, há desalento e escuridão,
Por isso minto-me e sonho como se fosse minha,
Como que se o tempo nos concedesse um instante,
Que a vida, por piedade, permitisse uma nova alínea,
Porém, se perdido já estou, e tão e tão, tão distante,
Seguindo solitário por entre as ruas tão e tão sozinho,
Onde vou e sigo com a lágrima no olhar ainda brilhante.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025
Do Sótão de uma Colina
A regra à excepção é esta agridoce dor desta estação,
Numa sombra passageiro, um monge sem mosteiro,
Na refração de um olhar, sou uma vaca ainda a pastar,
Esperando por prados verdejantes em colinas estonteantes,
Relembro Dezembro escutando chuva a cair, o eco do teu sorrir,
Penso que tenho o suficiente para a Vida, mesmo da casa partida,
Pois é o silêncio entre as palavras, magia de mil abracadabras!
Entre o sono e o quase, quase sonhar, serei o suficiente para gostar
Da abertura dessa porta trancada, vamos indo numa íngreme jornada,
E seguir-te-ei quando cair a cortina, do mais alto sótão de uma colina,
Será escuro então, e o Céu e o Inferno decidirão, não basta o coração,
É preciso também satisfação no embarcar, rumo ao infinito, o eterno procurar,
Neste resto de dedos esticados para o horizonte, erguendo entre mim a ponte,
Estas ânsias tornar-se-ão desejos um dia, e nós continuaremos em busca da magia!
terça-feira, 4 de fevereiro de 2025
Reflexos do Instante
Permaneço perante minha refracção no instante,
O momento é vertido por um poeirento espelho,
O coração atiçado por uma espera sempre anelante,
Sou estranho mediante estes sentimentos, num só joelho
Prometo continuar a ser e acumular o que está por vir,
Enquanto viver, enquanto não morrer, até o sonho terminar,
Mesmo que engasgado por empatia, querendo somente ir
Por onde o caminho me aprouver ou em liberdade me deixar,
E sinto o tempo a passar, sem qualquer sítio onde pernoitar,
A moeda de troca é as areias do vento, seja qual for o intento,
Mesmo que outrora tenha sido asa voando no termo do horizonte,
Hoje sou somente o grito surdo de um instante enfim a acabar,
A lamúria indómita que me leva adiante é sempre este momento,
E entre margens sempre tentarei erguer e elevar seja qual for a ponte!
sexta-feira, 24 de janeiro de 2025
A Eterna Saga
Os ponteiros do relógio contam belas histórias inauditas,
Sobre jornadas e caminhos onde o aprendizado é senhor,
Entre o silêncio das rugas, lembranças de quem acredita,
Que a Vida é para viver, então que venha a morte e seu penhor,
Cada linha no rosto é uma vivência transformada em realidade,
Há sim uma beleza dourada no refundar de cada vibrante dia,
Porque as marcas do tempo delineiam as sombras desta idade,
E é a verdade, tal clamor de cidade, o quanto eu a mim me queria,
O fim nunca é o fim, somente outro momento de passagem,
Até o brilho da alma persiste mesmo quando a pele se apaga,
Quando surgir o eterno repouso saibam, um dia serei aragem,
Na promessa do vindoiro, no palpitar esperançoso do coração,
O fim do caminho é apenas o inicio de uma nova e perene saga,
Saibam pois! Nas páginas que escrevi, outros encontrarão inspiração!
quinta-feira, 16 de janeiro de 2025
Ausência - Entre Ontem e Amanhã
O espelho partido consciente por onde passo descalço,
Entorna-se nestes corredores a mármore revestidos,
Damos a nossa vida por uma revolução em doce percalço,
Que não acontece, somos a penúria de dois corpos despidos,
E quando olho para trás ainda vejo a sua mão na minha,
Aonde se vai e se quebra, novamente, o quebrado coração,
Pois ensombrado por uma gentil voz que ainda me encaminha,
E sublinha-se a negrito, encaminhado assim numa eterna monção,
E onde sepulcros se erguem, berços choram, é a triste realidade,
Pois permaneço onde estava, não caminho ainda de facto adiante,
Onde amor foi investido não foi capitalizado em total reciprocidade,
Encurralado entre o ontem e o amanhã, isto dentro de mim é vazio,
Como a beleza facilmente se torna em tristeza, é um mero instante,
A retribuição, obliterada, os lençóis amarrotados, tenho tanto frio...
quinta-feira, 2 de janeiro de 2025
As Pessoas Que Vivem No Nevoeiro
sexta-feira, 13 de dezembro de 2024
Do Que Foi ao Que Será
As estrelas relançadas para os braços do horizonte,
Envolvido por reflexos de luz, de roupas rasgadas,
Estrofes e versos capotados diante de urdida fonte,
Deixando estas horas para trás, ao plural largadas,
Esta é a distância entre o que fui e o que serei um dia,
Aqui faremos casa vestidos com essas constelações,
Pendurado de cadentes, procurando a una harmonia,
De tempos passados ainda vindoiros em eternos sermões
De quem foi cego, porém verá, seja qual for o destino,
A caravana dos sonhos, os arco-íris e os seus tesoiros,
Fazer-nos-á chegar e das estrelas serei então seu menino,
E as cicatrizes tornar-se-ão enfim em esbeltos diademas,
Lá do cimo, sendo altura, finalmente livre de tristes agoiros,
A lembrar do que foi, e do que eventualmente será em poemas!
terça-feira, 10 de dezembro de 2024
Entre a Noite e a Aurora
Aqui confesso esta noite desejando ser alvorada,
A manhã que não regressa, o espaço da ausência,
Trovas e sonetos, princípios e fins da madrugada,
A verdade é que sou vazio e solidão em essência,
Persianas fechadas, camas desfeitas e emparedadas,
Procurando sofregamente sua mão na minha, o dilema
É que a ampulheta findou imaginando duas mãos dadas,
E assim se faria o triste feliz, ainda mais belo seria o poema,
Por isso busco a amnésia, uma outra forma de esquecimento,
Murmurando pela ruela nocturna o que ninguém ousa pensar,
Somos amantes feitos estranhos, não há sequer pertencimento,
Somente fumo sobre a água, iris num qualquer tempo perdida,
Reflectindo nas lembranças pousadas num sepulcro - um penar,
Entardeço com a Aurora tal a estrofe ao fundo do baú cedida.
domingo, 1 de dezembro de 2024
Entre Capítulos
Há estradas por fechar, tormentos a calcular, beijos por dar?
Talvez, mas vejo caminhos além, onde ainda floresce a poesia,
Pois tranquilizemos a guerra das rosas, e as feridas cicatrizarão,
Rebentados os balões ao vento, há sementes ao chão deixadas,
Delas brotam novos versos, novas histórias, e novas jornadas.
sábado, 16 de novembro de 2024
Entre a Resignação e a Esperança
Pois espera-me luz e brilho na noite vasta e profunda,
Então pelo inóspito irei procurando um dia de pertença,
Independentemente de qual seja a sua sina ou sentença,
Irei poça a poça, charco a charco, por cada pegada imunda,
Assim trilhando através da adversidade feita incerteza,
Há tantos desafios a superar e argumentos a ponderar,
Por entre aceitação do destino que irei de novo enfrentar,
Não me basta o suficiente, é preciso envolver toda a beleza!
E os desafios são inseparáveis da dúvida, qualquer é o dilema,
Pelos obstáculos concretos, haverá sempre reflexões internas,
Por isso vou indo louco e afoito! Mexendo e trocando as pernas!
O impulso irreprimível por algo maior, trarei o coração como emblema!
A intensidade e urgência da busca é visceral, é preciso me reencontrar,
Este anseio é por algo superior e significativo, a alma tem de se revelar!
terça-feira, 12 de novembro de 2024
Entre Valas Comuns e Amanheceres
É este o martírio vivo por espectros sussurrado,
Entre as valas comuns de alguns lugares perdidos,
Pois larga-se este bater de coração, torna-se inesperado,
Resvalando para outros tempos de outrora então queridos,
Pois acorda para o amanhecer, sê enfim encontrado,
Há feixes de luz gentilmente te tocando a cabeça,
Não mais este homem meio morto, meio quebrado
Vagueando entre cruzes, pois, não há quem o mereça!
Porque tarde ou cedo navegamos num mar de enganos,
Aparentemente indo além, objectivamente parado,
Nesta jaula onde passo tempo, onde passam os anos,
Será que foi sonho o sonhar ter sido efectivamente amado?
Ou pesadelo após a verdade, a guerra entre gregos e troianos,
É indiferente, passem-me em frente, sou um homem fraccionado.
quarta-feira, 30 de outubro de 2024
Amarras Soltas e Em Contramão, o Coração
Arregaço as mangas e enfim vem a despedida,
Chegada a hora de soltar as amarras deste cais,
Ande o vento me levar nesta vontade desmedida,
Irei, deixando por cá segredos que não ouvirei mais,
Era a noite, era a lua cheia, primeira dentre tantas,
Fugindo do Sol, escapando da sombra, doce ansiar,
Perdido entre mil contos de fadas, onde me acalantas,
Onde me sossegas e consolas, será esse o eterno lugar?
E com tanto caminho, tantos passos dados, tenho crescido,
Sendo infimamente pequeno tal passarinho recantando,
Seu brilho sussurra-me, pois, um pouco de vida ao ouvido,
Mesmo vindo o carro em contramão, a quebra do coração,
Encontrarei algures no vértice da estrada o estar estando,
E o ser simplesmente sendo, lentamente voltará a inspiração!
quarta-feira, 9 de outubro de 2024
Fracção do Infinito
Lençóis amarrotados e ao ontem impingidos,
Pendurado de uma estrela, sou uma constelação,
De naus que seguem rotas, mudam de sentidos,
Do Inteiro que outrora fui, sou hoje só fracção,
Pois bem matemáticos excêntricos façam vossa equação,
Pouco me falta mais do que ir cedendo à vontade,
Que dá alívio a quem tem sido somente porção,
Mesmo que enganado por ser só sua metade,
Em boa verdade, há um frio que vai e subsiste,
Por onde quer que vá, mesmo que seja verão,
E formos prontos pr'a guerra de armas em riste!
O restante é só poças de água para chapinar,
Saltando para os charcos, permitindo a sazão,
Esqueçam pois quem tenho sido, todo este tentar.
terça-feira, 8 de outubro de 2024
A Todas as Coisas Belas
Trago lembranças prendidas nos cabelos do vento,
Porções belas de momentos entretanto sossegados,
De espelhos quebrados onde hoje me torno sedento,
De vida, de morte, sob asas de contratempos desossados,
Galinhas de plástico correndo com a cabeça nos braços,
Vagueando deixando rastos de sangue, há aqui beleza…
Pois apontei a todos os aviões e retive-os em abraços,
(Então) Porque é que estes lençóis narrariam somente tristeza?
Assumo-o tal como o suponho, talvez sim a pontos de interrogação!
Conjugados com oxigénio engolido a colheres, meio hesitante,
Pois logo seremos gota de oceano, gesto estatístico ou medicação
Refreada em cápsulas à prova de água, retendo a respiração,
Ofegante ou anelante, deixa lá, que venha, pois, o instante!
Mas, porque é que todas as coisas belas sofrem do coração?
segunda-feira, 30 de setembro de 2024
Armadilhas do Firmamento
Escondendo a tristeza atrás de olhares penitentes,
Onde de outrora dois raiou deste protelado casamento,
Não adiado, mas arruinado no trilho dos renitentes,
Essas emboscadas são para os sonhadores esperança,
Para que quando não alcançadas a sua misera fracção,
Fracturados até sua utopia se tornar só lembrança,
E fugirmos da herança cerúlea onde se vicia o coração,
Escrevo palavras tal mágoa de um pianista perambulado,
Dentre margens e lugares ainda por serem em nós visita,
Esqueçam… o poeta foi de novo por si próprio prorrogado,
São as notas e os acordes desta estação ondeando ao vento,
Finando-se num olhar cerrado, num destino de si parasita,
Aonde anjos fizeram aterragens forçadas em porto turbulento.
terça-feira, 24 de setembro de 2024
Na Berma da Saudade
terça-feira, 10 de setembro de 2024
Viandante no Nevoeiro
A noite vem e cai que nem uma cortina sobre este olhar,
Navegando tal idos fantasmas por quartos poeirentos,
A vida parece um fardo, parece que para nós não há lugar,
Pois o passado se tornou fracção de mil e um fragmentos,
Pois o viandante está longe da origem, apartado da chegada,
Esqueceu-se do seu trono, da sua coroa, do seu celestial legado,
Onde as estrelas fulgiam, perto da sua pele, doce e sossegada,
Pois deita-me outra bebida e eu deixarei este amor alfandegado,
Sim, estou perdido desde que se escapou a sua mão da minha,
O doce ideal, quase fatal, aprimora-se a necessidade de uno ser,
Quem me dera conseguir, quem me dera reter essa torpe ladainha,
Tomei o que merecia, e é nenhum ou qualquer um o aprendizado,
Vai o orfão pela estrada sem fim num nevoeiro que não deixa ver
O que poderá vir, o que poderá colar num coração estigmatizado.
quinta-feira, 5 de setembro de 2024
O Voo e o Labirinto
terça-feira, 27 de agosto de 2024
A Queda do Sonhador
Esta é a queda do sonhador do apogeu do alcançado,
Onde Deus se ri de seus planos, a triste atribulação,
E onde as lágrimas caem nas páginas do rascunhado,
Vagões mortos na vertical por um contrafeito coração,
E mesmo assim não somos ao Céu qualquer chegada,
Reticentes quanto ao que passou, quanto ao que virá,
Perdoa dizê-lo, parece que temos a alma amordaçada,
Olhos postos nos relâmpagos da tempestade que cairá,
Milhões de sonhos acordados perdidos onde a ouvia
Renitente, cura a sua alma, dá-lhe o bilhete de partida,
Mesmo que nunca mais volte, antes apenas a pretendia,
Em estações esquecidas pela poeira, pela vontade de viver,
De onde vidros azuis são horizonte e esta vontade rescindida
Não mostra a tinta cinzenta que se evade do Céu, é deixá-la morrer.
terça-feira, 20 de agosto de 2024
Transitoriedade
Dentre estas mãos rios de areia vindos de ampulhetas,
Eu, proveniente do estelar, hoje virado somente poeira,
E o tempo jocoso brincando com o destino de mil poetas,
É aproveitar enquanto esta Vida for da Morte sua solteira,
Dentro destes olhos luzes e reflexos do que trago nos bolsos,
Tu, um pouco de sol manchado ao mais negro do negrume,
E a tempestade cujas tentativas não te arrancam destes ossos,
Sim, estás tatuada nesta alma ofegante que tenta seguir incólume,
Pois cada chaga e cicatriz foi outrora arco-íris, sorriso e flor,
Por uma estrada onde sonhávamos sem ansiar qualquer fim,
E por entre a brasa veio o frio, o gelo, e a verdade que incolor,
Foi tornando dias em noites, este poema longe dos teus caderninhos,
E há muito tempo que esperei, aqui vagueando ante o anjo serafim,
Pois qual o significado de continuar sem ti se for por distintos caminhos?
terça-feira, 13 de agosto de 2024
Entre Eu e Ela
Há um mar de tempo que nos separa, imenso e frio,
Onde as marés se viram em ondas e se desdobram,
Num silêncio que mil mundos expressam e cobram,
Tão silentes num vento que resfria de um amor tardio,
No longínquo horizonte, vejo os toques enunciados,
Mas entre nós, um nevoeiro denso que se interpõe,
Envolvendo tal véu que o triste destino nos impõe,
O peso de um sentimento inerte de outros passados,
Seu olhos, como estrelas, guias nesta lúgubre noite difusa,
Porém o caminho impassível, para lá de longo e desolado,
Pois ouço nossos passos e cada passo, um sonho já quebrado,
Entre eu e ela, o não fadado, o poeta adiante sem musa,
Marcando sobejamente a distância de um beijo ausente,
Num amor que vive somente no resquício que se sente.
Entre Incertezas e Propósito
Entre a busca, o desafio é esta inquietação: o propósito,
Cada passo um poema de carga emocional profunda,
Refectindo a complexidade da existência tal apósito,
Deus nos detalhes e rostos iluminados em luz difunda,
Sugiro uma busca interior, uma procura por sentido,
Esforço em vão, em angústia não minha somente,
Onde, perdidos entre o começo e fim do pretendido,
Nos deixemos ir indo para alcançar o destino da mente,
Deixemos orientações e inspiração para quem nos ousar seguir,
Transmitindo esse conforto de pessoa a geração em geração,
Pois procuramos respostas num mar transitório que está por vir,
Mesmo que essa verdade seja enganosa e pouca luz oferecer,
Que estes ossos cheguem bem além e que entoem esta canção,
Nesta doce amalgama de incertezas, hei-de lá chegar, hei-de-o ser!
Entre Partidas e Chegadas
Rostos preenchidos pelo Luar, procurando lugar,
Em sítios há muito esquecidos, o sono não vem,
Por isso me movo entre os lençóis a esbanjar
A energia que não tenho, os gemidos que ouvem
Não são meus, mas de um outro ser, bem perdido,
Extraviado entre a partida e a consequente chegada,
Será que ele sabe que à partida sempre será bem-vindo
E que só chega quem tenta ir e isso é a ponte destinada,
Da canção que é trauteada simplesmente de mão em mão,
Que é asa e pluma para quem procura, para quem indaga
Na inquietação do momento passageiro, no fugir do coração,
Pois que importa a minha verdade se até o espelhado mente,
Entre mil muros e a semente que a Vida um pouco de luz traga!
O restante é somente resquício do passado indubitavelmente.
segunda-feira, 12 de agosto de 2024
Resquícios de Resignação
Pedaços de sol em passagens de Luz, poeira ao vento,
A canção continua a ser mesma num rio sem ter fim,
Uma gota de água num oceano aparentemente turvento,
Sem minutos que sobrem para mais um instante assim,
São sonhos translúcidos crescendo no peito do trovador,
Mais sentido, haverá dias tal como noites tem havido,
Sem inquietação ou desespero, esta é a imaculada dor,
Para o viandante que por vezes do caminho é perdido,
Enquanto ouço o resfôlego dos fantasmas entre nós,
Entre miragens e alucinações de palavras inauditas,
Há silêncio onde ontem havia ruído, subtrai-se a voz,
Trago um sorriso na alma aqui estampado - tatuado,
Por instantes que foram nossos, e tu ainda acreditas?
Já sei que não, por isso amarei por dois o porcionado.
Fragmentos de Areia e Tempo
Há cortinas ondulando ao vento no olhar desafixado,
Sem sono que me socorra, que me leve para o além,
Com estes olhos cansados levados pelo outrora andado,
Que trago aos ombros tal escombros, podia caminhar sem,
Há pesadelos ainda por ter numa vida que continua adiante,
A sua ausência lembra-me o quanto que estou ainda perdido,
Por isso vou entre os cantos e as esquinas num voo inebriante
Sem as asas, sem voar, de coração na mão a querer ser vendido,
Se ficar em casa longe do frio e da chuva a Vida passa-me ao lado,
E a sua querida face manifesta-se entre os novelos destes tempos
Sem rosto, num caminho vou correndo melancólico e obnubilado,
Pelo resto da Vida ou por um bocado, perdi de mim fragmentos,
Vejo-me reflectido pelos vidros azuis de mil e um contratempos,
Trago-te tal areia entre os dedos e para sempre são esses momentos.