quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Entre Nós: Toda a Distância do Mundo

Conto o intervalo deste espaço, errante
Entre nós temos toda distância do mundo
Porém a lua está de facto brilhante e eu radiante
Pois algures sei que suspirais radiância neste segundo.
Aqui tenho sorrisos e flores 
Para todos os meus idos amores
Que tenham encontrado o seu tesouro
Onde não aparentava haver algum ouro
E que seus olhos brilhem muito mais agora
Do que alguma vez brilharam na minha presença,
Sim sei, afasta-se o tic-tac daquela nossa hora
Portanto no tempo detenho a cela e a sentença,
Pois a noite e o dia são minhas testemunhas
De que partilhei todas as flores e mais algumas
Por vezes até mais do que alguma vez pude
Porém sei, o quanto o relembrar ilude,
Que uma flor não é só e apenas uma flor,
É um toque, um beijo… é um nada, é Amor.
No espaço só nós dois e ao seu breve sussurrar
Então perdia-me nos cabelos que eram seus
E o tempo era somente nosso para partilhar
Eu amo-vos tanto meu amor, até já… adeus.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

A Busca: Pelas Palavras Perdidas

Ando em busca das palavras perdidas
Aquelas que ninguém disse ou escutou,
Que não foram no saudar das despedidas
Aquelas que o crescer ao tempo olvidou;

Almejo-as… no suplantar desta voz para lá
Da distância que separa todo o surdo,
Pretendo sua sonância aqui, agora e já
Pois este espaço entre os uns é absurdo,

Deveria ser outra marca d’água no antes,
O cais que aos belos acolhe da tormenta
Ou então o breve olhar entre dois amantes

Que num segundo revela a vinda e a partida
Exprimindo em voz alta a estrada cinzenta
Na busca das palavras que significam vida.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Aqui Resumido: Os Caminhos Tomados e os Não

De todos os que sou ainda mais é em mim,
Foram os caminhos tomados e renunciados
Que adornam e enfloram este círculo sem-fim
Pois de cada novo dia novos eus são achados

Aqui - os caminhos sucessivos já percorridos,
As impressões das pegadas ao longo da viagem
Através das margens pelas orlas dos seis sentidos,
O que não foi é em nós numa contrária miragem

Nos vestígios do passar dos dias deixados ao acaso
Até pelo trilho não tomado há a breve caminhada
Para o que é, premeditado do nascente ao ocaso

Aqui ainda haverá espaços para a janela fechada
Quanto à porta escolhida, ela ter-me-á em seu prazo
Até que talvez se torne noutra estrada não tomada.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Ao Belo Momento: Que Esteja Sempre Connosco

Daqui cinco horizontes são nesta vista,
Eu pertenço ao que se estende acima
E abrange tudo o que além de si exista,
Esse longe é o que de mim se aproxima

Retornando a centelha fulgente ao aqui,
A original do retrato das viagens imensas
Através da orla estelar e das nebulosas em si
À qual pertenço e em mim são pertenças,

Ao que é agora e hoje, cultivo o desapego
Com todo o Amor que há neste firmamento
Pois se neste mar de impermanência navego

O que é aqui, amanhã poderá ser só vento
Porém que sublime será, trazer-me-á sossego
Por ter soprado e sido comigo num belo, belo momento.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Por Janelas de Vidros Azuis Pt. IV: Ao Conforto do Frio

Este é o dia-a-dia do sempre ausente
Aguardando no conforto que há no frio
Até vir sobre as nuvens o rosto confidente
Que através destes vidros vem sempre tardio,

Ao entardecer os vidros azuis eram as demoras
Que nem as trémulas pisadas dadas por Orfeu,
Sempre em frente porém ao passar das horas
Questionava-me qual a parte deles reflectia eu.

Há demasiado frio, enregelado no rosto do espelho
Agora há que olhar para dentro, largar o que foi,
Então virá luz e sol partilhando-se com este velho

O rascunho de sua vida nesta eterna história a dois…
Por fim há calor e sua cor a íris em nós reconstrói
No único beijo verdadeiro, a morte pode vir depois.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Ao Vento Seremos: A Distância

Do que outrora fora dois num lugar
Com luzes trémulas - ficou a intenção,
Dita em confidências ao rosto lunar
Onde perdura o resto da nossa mão,

Agora que venham os beijos do vento
Que ele soletre docemente este nome
E quando chegar o dia pela noite dentro
Se lembre... e este olhar de silêncio se tome,

Não erigirão estátuas com as nossas figuras
Nem contarão histórias através dos tempos
Perpetuando este Amor em belas escrituras

Não… Seremos cativos de diferentes ventos,
Soprados em distintos sítios às bermas escuras
Tardando no reencontro e por Amor sedentos.

domingo, 7 de outubro de 2012

Eu Nasci: Para Amar Magia

Não, não nasci para o cinzel de ruas estreitas
Arqueadas através dos prédios de asfalto,
Nasci para ladear as estrelas e em colheitas
Retornar aqui o seu brilho bem lá do alto

Onde as flores não são bem, bem flores
E o silêncio é um discurso bem partilhado
Onde não há malicia nem demais dores
E há verdadeiro amor sem se ser amado,

Fatiga-me a pressa da comoção insanada
Desfilando agitada através das sombras
De quem vendeu Amor à longa jornada

Pousando a cabeça ao luxo das alfombras...
De que me interessa este culto do nada?
Aqui somente os bem vazios ensombras.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Aceitação: Do Que É, No Quase Eterno

Encerrai-me em vosso abraço de beleza,
Eterno serei vosso tal como sempre fui
Pois deste fluir neste mar de incerteza
Este colorir esse envolver ainda possui,

Esboçando no retrato uma única imagem,
A águas de ontem num moinho transparente,
Reflectindo as pegadas de toda uma viagem
Para sempre no sempre e quase eterno assente,

É terno pois traz o desmaiar do esquecimento,
Assim tenho sido o vislumbre daquilo que pinto:
O sussurro da viagem na brevidade do momento.

Aceitando-a tal como é, simples e sincera em vida!
Seu retracto um dia serei, obviamente mais distinto
Então sim, há que nos render ao que ela convida.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A Alma: Em Suspiros Endereçados

Sob estes pés tenho sido a calçada,
Em rascunhos deslizando no papel,
Numa rua cinzenta e não ladrilhada
Cujo passar se resume a este infiel

Hálito largado ao esmo do outono
Pois nesta bela e melancólica balada
Semeia-se o sonho e ao não vir o sono
Permanecemos... Neste meio tudo e nada

Que serena e apoquenta tal crença ansiada:
"Sussurrará ela este nome ao adormecer?"
Suspirava ele pelo seu à leda alvorada

Até regressar a ânsia de por ela morrer,
Em mim, por ela - essa donzela amada
Por quem alegremente daria seu ser.

sábado, 29 de setembro de 2012

Adeus: Costa Querida

Adeus... Adeus minha costa querida
Trazer-vos-ei em lembranças suspiradas,
Haveis-me pintado os sonhos de uma vida
Logo sereis em mim na parte das amadas,

Adeus... Adeus minha costa e seu farol,
Chorar-vos-ei ao passar das estacões,
Da margem tocada pelo nascer do sol
Até ao assentar do luar noutros serões,

Adeus... Adeus minha costa bela e tardia
Que acolhas barcas que vos elevem deveras
E vos toquem bem fundo como quis ou queria,

E a tal sentimento meu até podeis questionar,
Pois sabei que tenho sido navegado pelas eras,
Sabei que apenas parto pois nunca soube ficar.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Neste Leito: A Queda de Estrelas Cadentes

Os trilhos cruzados são as estrelas do tecto
Que têm caído neste leito onde sossego,
Com o indicador vou traçando seu trajecto,
A seu toque ora as aceito, ora as renego.

Adormecido, a brisa soletra-nos o nome
Através do semblante por fim discernido,
Deste caminho somos nós o seu epitome
Cruzando o trilho pelo poente embebido,

Lá que nos aventuremos neste entretanto
Onde as estrelas cadentes adornam o ser,
Que ao cair sejam elas nosso contracanto,

Podemos dar as mãos, apenas caminhar
Até não haver mais estrada para o fazer,
Então será simples, poderemos enfim voar…

domingo, 23 de setembro de 2012

Aqui Pt. VI: Nossas Lembranças Têm Sido Estas Asas

O poente do sol aconchega-se do cais
E estas asas repousam esfalfadas enfim
Pois seus voos têm sido em cenários tais
Que de tão longe se retornaram em mim

Num trilho de penas esvoaçando à janela,
Cobrindo lá fora uma vereda embaciada,
Será que teriam também passado por ela
Ela, aquela a quem esta poesia é enviada?

Mudas caem à aragem estas suaves penas
Traçando nossas almas num esboço perfeito
Do olhar coincidente a este em tantas cenas

Que só tenho sido no voo e esquecido o andar
Pois Amor, se não tenho vossa mão neste peito
O que restará realmente para eu aqui voltar?

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Aqui Pt. V: Doce e Lentamente

Nestas águas cristalinas aqui me banho
Lavando o rosto e ansiando de joelhos
Pois ao reflectido relembro um estranho
Que outrora acenava de passados espelhos

Escoados ao silêncio, escutando a marejada,
Resposta ao demasiado e mais que aspirado
Ao poema que se perdeu nesta caminhada
No sonho que não cede e jamais será curvado,

Nestas águas eles fluem rumo à sua estiagem
Limpando faces por cristais ao seu vislumbre
E esse toque é da primavera ao resto da viagem

Erigindo-se a um pedestal por esta água corrente
Que ao comum transeunte é ainda o deslumbre,
Ao longe me virei à distância, doce e lentamente...

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Aqui Pt. IV: De Lágrimas e Sorrisos Convosco

A sede é nas lágrimas e o sorriso no riso
Desta margem serei a vossa espuma,
Nesta praia deserta o solo que ora piso
Não sustem o peso que inda vos perfuma,

Além oceanos e planícies apartados vejo
Rodopiando-se ao toque do zéfiro alado,
Sei não adiar a cinza deste agridoce almejo
Porém por meros instantes estou ao vosso lado,

A esse encontro não posso de todo faltar
Pois vossa ausência minha escassez aqui é
E num suspiro serão as ondas meu novo lar

Que seja breve, tal como esta lida passagem
Agora entardeço no acolher da terna maré,
Abrigo para e em mim, serei enfim aragem.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Aqui Pt. III: Na Margem Serei a Vossa Espuma

“Troco uma promessa amorosa por uma vida”
E deixámos para trás o farol em busca de luz,
Enfermo, refreio amor como fardo e asa querida,
Em poesia… através de praias desertas nesta cruz

Do viandante por onde o viajante já se transviou
De vossa espera, minha eterna e imortal amada,
Que provavelmente já foi ou ainda não chegou,
Anseio por vosso semblante, em mim sois ansiada

Um oceano aparte, que esta mão vos alcance
E em seu meio que nos descubramos numa ilha,
A tal reencontro que o sentir enfim se esperance.

Hemos completado o fragmento que a si se trilha,
Repousai dentro de mim e enfim num súbito relance
Eis que a espuma retoma o corpo que o céu perfilha.

19 de Setembro de 2012

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Aqui Pt. II: Memórias do Céu, Mar e Terra

No espaço onde o mar se prostra de joelhos
E a terra o saúda com seu afectuoso envolver,
Revejo-me aqui em incontáveis meios espelhos
Que traçam este semblante porém não este Ver,

Assim as ondas esmorecem ao beijar a margem,
Não reflectidas, amparam-se no ombro da areia
E abdicam de seu Amor, dissipam-se na paisagem
Vertendo-a em mim enquanto o oxigénio rareia.

Dormente, perco-me na terra no meio do verdume,
Aprendo a caminhar e eventualmente a vaguear
Por trilhos cruzados porém sinto do céu seu ciúme

Que relembra que já lhe pertenci, que já soube voar,
E lá partilhávamos o essencial num doce ardume
Que era todo o Sonho e Crença e para mim lar.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A Ema VIII: Um Dia Sim, Ela Virá

Seremos nós os sóis que têm passado
Ou então a sua luz que em nós ficou?
Mas se de sombras ainda estou cercado
O que será que o tempo deveras deixou?

Para lá deste anseio por verdadeira beleza,
Sob a forma desta exigência tão impaciente,
Que ecoa e é ecoada no pináculo da incerteza
E enfim vertida neste mudo semblante ausente,

É Amor, o verdadeiro, que os sentidos pasma,
A almejada ideia envolvida nesse terno abraço
Que embala e adormece o acossador fantasma

Da sua ausência, no ombro suave do que será
Fragmento de mim encostado em seu regaço,
Que durma bem, sonhe muito pois um dia ela virá

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Quedado: Afastou-se-me o Estio

E lá fomos indo antes mesmo de termos ido,
Ao que foi e poderá ainda ser já não o sei
E se neste breve presente caminho fugido
Apenas a brisa vadia sabe o quanto suspirei

Por sua presença, perfeitamente esculpida,
No cimento da areia encoberta por lágrimas,
Para quem esse toque é maior do que a vida
E esse sorriso precioso para findar estas rimas,

Enfim, reparando na falta de sílabas e de ditongos
Eis que finalmente desliguei a luz, apagando a vela,
Afadigado por este trecho através de vales longos

Quedei-me, rascunhando na margem de nosso rio,
“Amor, hei penhorado meu amor” e nessa escapadela
Ao longe, do silêncio aproximou-se enfim o final do Estio.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Aquela Voz: O Vento Sabe o Meu Nome

A voz, procuro-vos tal e qual me procuro a mim,
Não vos encontro em nenhum canto do mundo,
Entre quatro paredes sinto-vos na mesma assim
Na pertença cerúlea de algo e neste sítio profundo

As esquinas têm-se reverenciado ao meu passar
Através do retoque brando às oiradas searas,
De lugares tenho partido sem realmente chegar
Porém ainda relembro de vosso brilho, às claras,

Dentre as nébulas da noite mostrando o caminho,
“Será vossa visão dessa luz tão tortuosa quanto ele?”
- O vento suspirava então ofegantemente baixinho.

Que seja ele hoje em mim e que apenas ele me revele,
Das grinaldas e cicatrizes trazidas neste eu sozinho,
Quais as que subsistirão para sempre nesta pele.

Para Além da Vida e da Morte: O Ponto Nulo

Olhem-nos ladeados e de braços estendidos
De pontos estelares dispersos e em peripécias tais
Onde o nulo é métrica universal e nós os pretendidos
Para o almejar e o desdém do menos e do mais,

Que são bem além de qualquer estrela amada
Reflectida em nosso olhar do princípio até ao fim,
O relato estelar deambula entre o tudo e o nada
Do que é em nós e além até ao que é só em mim:

O pequeno retrato em síntese deste Universo
Num grito progenitor ainda no afluente ecoado,
Sim confesso, sou o seu prisioneiro auto-cativado

Nesta cela forrada a aparente eterno estou imerso
Errando pelo caminho eis-me largado à casual sorte
Por esta passagem que nem é vida nem é morte.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Síntese Pt. II: Poema Por Meia Rosa

A alba pelos oblíquos caminhos do belo
Perseguida por uma sombra de cetim,
Entre o som do mar e de meio violoncelo
Inda obnubilada pelo poente solar em mim;

“Passo horas acordada” de olhar vago,
Por tudo quanto sorrimos e chorámos,
E em ternos suspiros a Ema ainda indago
Se primaveras sentirão este passar dos anos,

Escondidos, onde estes raramente se encontram -
Dois. Em Vénus ainda cabem mais pessoas, dei-me
No meio vezes entre milhares de vezes que entram

Rendidas pela janela que entreaberta sempre estará,
Beijai-me as palmas das mãos e adormecei-me.
Pois ainda sei que um dia sim, um dia Ema virá.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Síntese: Dos Caderninhos

Esta brisa é fruto da neblina, nebulosa e do Universo
Do um em sua porção por pegadas rumo ao horizonte,
No reflexo da passagem através do tom no éter disperso
Pelo afluente, atravessando o que para os deuses é a ponte

Pelo retorno das cores sem nomes a cada segundo eu
Suspiro: “Até já” – ao agora de uma vida rascunhada
E ao instante largada no que a maresia outrora cedeu,
Nesses espaços ainda serei eu a metade espelhada?

Quero ser inteiro, mesmo em dois olhares num Ver,
Pela sinceridade do Ósculo de sóis idos e vindouros
De dedos esticados que nos venha a una voz do ser,

Simples, legando retoques entre terras e oceanos ainda
Nesta viagem pelas nebulosas os sonhos são tesouros
Para o tempo que alumiam a alvorada da noite infinda.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Rascunho: Do Preenchimento da Ampulheta

Percorremos todas as ruas de mãos dadas
Então algures vislumbrei um esquisso forrado
A ruas que exalavam ânsia, a ânsia de fachadas
Enquanto minha voz se ia enfim silenciando

Nesta poeira que é tempo cerrando este olhar
Que à sua miragem se faz resnascer num poema,
Eis que ao longe já as distingo sobre o leitoso luar
Vindo para em mim serem Luz ao toque de Ema;

Serei seu fiel irmão sempre por estrelas enamorado
Então devagar e docemente afagai-me o cabelo
No divino terei esquecimento de prévio estado

E ao último suspiro que o que for seja cumprido,
Jamais em rendição mas sim na aceitação do belo
Ou do seu contrário, desde que Vida tenha sido.

Pt. II: Como Perdido

Há mais universos inteiros dentro de mundos
Aonde de os atravessar a todos preciso
Pois esse é o fado de todos os vagabundos,
Vós sabeis, o deambular pelo trilho impreciso

Sob esta terra batida sem pegadas anteriores
Onde a brisa e seu toque se torna a companhia,
Que molde o semblante e olvide todas as dores,
Hei-de beijá-las e largá-las à ternura da acalmia,

Aquela que ainda se alonga na sua chegada
E que constringe o peito devido ao seu anseio,
Falta-se-me o ar e a alma contorce-se rasgada

Pois no caminho, semblantes estranhos tenho sido
E agora nesta viagem ao alcançar o seu meio
Mãe! Tenho perdido as asas, mãe... tenho-as perdido...

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

…ora trazida no Ser: O Universo… Pt.III

De olhos fechados e dedos bem esticados
Aberto para o universo e para o mais além,
Até que nos fios da matriz fiquem enredados,
Este ver se expanda para enfim ver o que já tem,

Aí que possa então poisar a cabeça na almofada
Despertando enfim do tão irreal retido nesta vida,
Que traga todos os sonhos ou me retorne em nada
Desde que a ampulheta seja por fim preenchida,

Pois serei no amanhã um dia e noutro novo dia também,
Por tua consciência pois de nós és o unitário inverso,
Em ti pai, a espontânea harmonia que nos contém

E que mais do que anseio é razão para olhar, sentir e ser,
Escutai sim esta prece remetida ao ouvido do universo,
Beijai-me as palmas das mãos e sede em mim - o viver.

sábado, 18 de agosto de 2012

Aqui: Entre Terras e Oceanos

Entre as terras e os oceanos vamos indo
Passo a passo com brisa como bagagem,
Do que ontem foi o amanhã será no infindo
Errando no que entre terra e mar é à margem;

Há mais tempo do que no tempo jamais haverá
O lar se separou do itinerário para nossa fonte
Do que lá talvez ficou será que ainda aqui será
Mais do que um sabor agridoce rumo ao horizonte?

Porém até desse rareio de ar novos instantes virão
O sonho floral sobre a grinalda de quem vislumbra
Será o despertar sob a forma do saber dar a mão

E aí, permiti-me que me reescreva nessa entrelinha
Pois quem do passado demasiado hoje relembra
Será que ao vindoiro futuro o que será ainda adivinha?

domingo, 12 de agosto de 2012

A Ema VII Pt. II: Ao Princípio do Sonho e do Além

O início e fim do mundo rascunhado em vossa mão
Definindo o princípio do sonhado e do mais além
Num mapa azul de uma esquecida rima de verão
Sustentada em quem alma e coração ainda tem

Pois assim nasce outro poema, dedicá-lo-ei a Ema,
Breve e em silfídicos suspiros tornado em baladas
Até quando estranhar qual a sua rima ou tema
Lembrar-me-ei que ela pastoreia minhas amadas,

Em leves contornos delas colorar-me-ei do que pinto,
Concedei-me os arcos da íris dos sóis e aguaceiros
Sublinhados com traço bem forte, sinuoso e sucinto,

Que me permita manter da luz e chuva seus cheiros
Num coreto e meu semblante se torne de si indistinto
E que um dia me perca e ora me reencontre – inteiro.

A Ema VII: A Serenata Dançada ao Sonho e ao Além

Após as nuvens, Ema as estrelas concertando
Ao longo do firmamento numa dança só dela,
Entre rodopios e voltas as nuvens inquietando
Nesta serenata que faz e torna a Beleza bela,

Para os ilhéus que desconhecem tais ousadias
Como ela airosa neste seu tão casual intento
Redigindo no cerúleo sem fim infindas melodias
À sua visão embala o além cessando este lamento,

Ao lene reflexo revendo-me a mim nela e sem dano
A viagem entre as nebulosas torna-se aqui sentida,
Apartam-se-me as lágrimas e até o seu oceano,

Os pés da terra se enlevam para lá desta vida,
Não há hesitação nem tão pouco algum engano,
Desta meta terei enfim minha aguardada partida.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Por Janelas de Vidros Azuis Pt. IV: Vertendo o Olhar

Ema tem-se vertido através deste olhar,
Enquanto no firmamento o seu pó alastro
Silenciando desta passeata o caminhar
E passando-se este trilho sem deixar rasto,

Quais palavras exprimirão o estro poético?
Apenas uma ou duas andam por lá perto
Porém esse olhar ainda encerra o ascético
Outrora e um dia beijaram de Ver desperto,

E o que há ficado para além deste papiro
Sempre tão simples sob fugidias nebulosas?
Ainda relembra a luzência daquele seu respiro

Que eram cores de pincéis e rosas em prosas,
Vertidas por este diligente olhar num suspiro
Sob a sua sombra e além das galáxias mimosas.

domingo, 22 de julho de 2012

Ao Sol Pt. II: E ao Voo de Ícaro

Quando Abril passa de mês a estação
Acena-se de longe, ao perto, a despedida
Revelando mais do que pode uma mera mão:
As metades encetadas e os fragmentos da vida.

Neste aqui, o intervalo entre o final e a partida,
Parecido com o mais longo suspiro dado ao vento
Que na iris é uma multitude de cores reflectida,
É a Alma que do reflectido é pincel e sustento,

O contrário do céptico e do idealista sou eu,
Sou amanhã, um dia, o que outro dia alcança
Libertai-me do que a brisa a este ouvido cedeu

Ao sol e ao voo de Ícaro sentenciado como réu,
Com esta crença de que nesta Vida tudo passa
Exceptuando os instantes em que fomos no céu.