Blog do músico e poeta português Joel Nachio onde este vai escrevendo e reunindo escritos poéticos.Tal como as músicas são compostos de forma única a partir do mais sublime reflexo, em retoque, do seu sentimento e poesia. Alguns poemas já pertencentes a livros, outros ainda "frescos" e originais no website...
sexta-feira, 28 de junho de 2019
Eu Por Mim
Defronte o sobrevoo de quem em si é perdão,
A revelação é inteira e acontece no presente
E é suficiente para preencher o resto do coração,
Repreendo os mortos-vivos, desatentos à alegria
Que é Vida para quem se espera um dia encontrar,
Para os transeuntes essa é a fonte de toda a magia,
É revinda a infância, beijo no céu, o enfim acreditar,
Hoje erguer-nos-emos tal fénix pulsando nas veias,
Com a mão de Deus e a voz do trovador relembrado,
Por cada pestanejar, por cada passo nossas epopeias,
Não obstante do que já foi outrora e agora já é passado,
Eu por mim dividido, entre o ontem e o amanhã a meias
- Beijei-as! Não mais me verão, por mim fui reivindicado!
quinta-feira, 20 de junho de 2019
E Os Outros Chamam
No olhar a tempestade ainda vindoura,
Trazendo nos passos o raio e o trovão,
Cobrindo a cara do sol, a luz que doura
É parceria com o rasgo do beijo no coração,
O que jaz na noite por fim é assim revelado,
O menino dormirá no regaço do presente,
Abraçando o seu escuro, aqui sangue estancado
Ele será o velho um dia partido, o ser ausente,
Retraçando os passos que aqui foram guarida,
Serei respiração em celofane, velório esquecido,
Este rosto poeira estelar, a asfixia querida,
Pintado por dedos de crianças, o destino merecido,
Vêm os Outros, os cadáveres da estrada escolhida
E eu apenas intervalo entre o silêncio e ruído.
sexta-feira, 14 de junho de 2019
O Regresso do Verão
Vai-se o dia e fica a alegria de ser no mundo,
É neste breve espaço entre o princípio e o fim
Que há tempo para ser em terno beijo profundo,
Apelado pela noite e as suas ruelas sem regresso,
A inflexão é a poesia e a prosa inaudita pelo poeta,
Nas pontas do dedos e num livro eterno impresso
Todos aqueles momentos idos pela hora incerta,
Fecho os olhos e vem o Sonho tido em perfeição,
Preenchendo a tela de cores, de amor o coração,
É o sorriso do trovador, deixando em si um rasto
De luz para quem o seguir pelo horizonte vasto,
Há quem procure a resposta onde não aconteceu,
A esses sempre direi: "Ir é ir em frente de eu em eu".
quinta-feira, 6 de junho de 2019
Idolatrando O Lugar Entre o Principio e o Fim
Em algum lugar entre o principio e o fim, a beleza,
Ainda há tempo e espaço para estas mil e uma sedes
Porém há quem idolatre a morte, a bruma, a tristeza,
Cantemos com voz de quem está presente no momento,
Pois um dia quando partirmos poderá não haver chegar,
É neste solfejo que por vezes se atende o indeferimento
E que há quem idolatre os mortos e seus epitáfios, o azar,
Nós aprumados no sonho com o nascer de um simples beijo,
É melodia para os ouvidos, tacto para o coração, o desejo,
Afasta a melancolia da escuridão, o rarear da humanidade,
Pois então que consigamos encarar a luz, enfrentar a verdade
E que a partir do primeiro dia saibamos que foi um bom dia
E quando partirmos que o seja também nesta vida fugidia.