quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Todos os Meus “Ais”

Todos os Meus “Ais”

Há fissuras na pele, pelo frio acometidas,
Em mim sentidas; em mim são a cicatriz.
E eu, triste aprendiz, de constelações vertidas
Entre elas todas queridas, porém algo se desdiz,

E suspiro pelo final do mundo desta montanha
Que, em baixo, me banha — a verdade é a solidão
Pulsante no coração, no âmago desta entranha,
Entre Portugal e Espanha, prisioneiro de lassidão,

E a nenhum lado me levará esta fecunda ansiedade;
Seja qual for a idade, estarei a ela enfim sentenciado,
Por mim a mim estranhado, mesmo nesta sobriedade,

Porque esses são todos os meus “ais”, neste trilho escuro,
Onde de mim a mim me descuro; pelo fim, enfim, saudado,
Laudado, pois de mim me escondo, pois a mim me procuro!